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31.7.24
25.5.23
Martin AMIS
País de Gales 1949-2023, escreveu 15 romances
1° THE RACHEL PAPERS (1973)
2° DEAD BABIES (1975)
3° SUCCESS (1978)
Dois irmãos dividem o posto de narrador neste primeiro romance que leio de Martin Amis. Gregory Riding, rebento de uma família abastada, e o seu irmão adotivo Terence Service, que foi criado pelos Riding quando ficou órfão aos nove anos (o pai matou a irmã na sua presença e já tinha provavelmente matado a mãe). São agora adultos e partilham um apartamento em Bayswater, Londres, mas não podiam ser mais diferentes um do outro. Greg é muito atraente, tem um grande emprego e tem uma vida social e (bi)sexual invejável. Terry é vendedor por telefone, vive ameaçado de perder o emprego, e tem uma vida social e (hetero)sexual miserável. Conhecemos a história deles pelos testemunhos cruzados com que interpelam o leitor, manipulando-o, tentando anular ou desacreditar a voz do outro. Neste estratagema reside grande parte da comicidade deste romance. Greg, sobretudo ele, é a primeira vítima do seu discurso hiperbólico, auto-glorificador, raiando a caricatura. Talvez por serem muito jovens e ambos rejeitarem a vida de casal, quase só falam de sexo, e as mulheres são todas "gajas". Temos assim um divertido romance sobre uma certa masculinidade (doentia). Tenho de ler mais Martin Amis. Paris/Londres 07.2018 4/5
OTHER PEOPLE: A MYSTERY STORY (1981)
Koba, o Terrível (Teorema, 2003)
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HOUSE OF MEETINGS (2007)
Dois irmãos (melhor, meios-irmãos) encontram-se num gulag soviético e entre eles estabelece-se uma rivalidade porque um deles casou-se com uma mulher que o outro também deseja. O narrador-protagonista, um dos irmãos não identificado, passa em revista a história da vida soviética, sobretudo das vítimas do regime, a partir da segunda guerra mundial. Um balanço deprimente, outra coisa não seria de esperar. Curiosamente o outro livro que li de Martin Amis, no início deste mês, Success (1978), trata de dois meios-irmãos que disputam as mulheres a que deitam mão, em particular a irmã dos dois, que mantinha desde a infância uma relação incestuosa com o irmão e mais tarde também com o meio-irmão. Será uma obsessão de Amis esta temática dos irmãos rivais? House of Meetings é menos interessante do que Success. Por vezes, o narrador abusa da informação sobre a realidade soviética que quer transmitir atrapalhando a ficção. Mas a superioridade de Amis sobre quase todos os seus pares não está em causa. A estrutura e a escrita do romance são muito boas. VC 07.2018 3/5 A Casa dos Encontros (Teorema)
MONEY: A SUICIDE NOTE (1984)
Dinheiro (Teorema, 2009; Quetzal, 2012),
LONDON FIELDS (1989)
London Fields (Teorema, 2009)
YELLOW DOG (2003)
LIONEL ASBO: STATE OF ENGLAND (2012)
THE PREGNANT WIDOW (2010)
A Viúva Grávida (Quetzal, 2010)
THE INFORMATION (1995)
Informação (Quetzal, 2012)
THE ZONE OF INTEREST (2014)
A Zona de Interesse (Quetzal, 2015)
TIME'S ARROW: OR THE NATURE OF THE OFFENCE (1991)
A Seta do Tempo (Quetzal, 2016)
NIGHT TRAIN (1997)
O Comboio da Noite (Quetzal, 2019)
INSIDE STORY (2020)
11.1.23
Arthur MACHEN
País de Gales 1863 - Londres 1947
THE GREAT GOD PAN (1894)
Le grand dieu Pan
Leitura, janeiro de 2023, Paris 4/5
Ed. Librio
4.9.21
Jóquei (2014)
Poesia de Matilde Campilho
Poesia caudalosa, mas rente à língua corrente, plena de referências aos lugares e a marcadores culturais, que criam imagens inesperadas mas quase sempre inolvidáveis. Caxinas Beach 2021 4/5
19.8.19
COLETTE
CLAUDINE À PARIS (1901)
Claudine e o pai mudam-se da província para Paris. Claudine é adolescente e, como o pai, devora e adora livros. A jovem vai depressa conhecer o amor, primeiro por um primo da sua idade que está mais interessado em rapazes (para Claudine, mas não para ele, é evidente que o primo está apaixonado por um amigo), e depois pelo tio. Eu pensava que Claudine, a série de romances que tornou célebre e popular a jovem Colette, era literatura para meninas e moças. Fui logo logo desenganado. Há uma paixão homossexual claramente apresentada, há uma amiga de Claudine da província que conta sem rodeios como foi desflorada e entretida por homens velhos e há Claudine que se deixa cortejar por um tio... Um romance impossível hoje de ser publicado, por ter uma heroina de boas famílias tão jovem rodeada de tais comportamentos e personagens. Li a edição Le Livre de poche, 1978. Bahia 08.2019 4/5
GIGI (1944)
Um livro de contos extensos com interesse muito desigual. Gigi é o mais famoso deles, por ter inspirado o grande musical da MGM com Leslie Caron. Há muito de Claudine (protagonista de uma série de romances de Colette) em Gigi, uma menina petulante e rebelde, que não se deixa intimidar pelas mulheres da família que querem fazer dela uma noiva ideal para um partido rico. Li a edição do Le Livre de poche (1967). Bahia 08.2019 3/5
BIBLIOTECA:
Chéri (1920) Verdes Amores / Le Blé en Herbe (1923) Prison et paradis (1932) Mes apprentissages (1936) Bella-Vista (1937) Le képi (1943) Le Fanal bleu (1947) Gigi (1960) Trois… Six… Neuf… (1970) Colette, une certaine France (1999) O Fim de Chéri (?)Claudine à Paris ( ?) La maison de Claudine (?) Billets de théâtre (Félin, 2008)
27.7.19
Les chemins de la mer (François Mauriac, 1939)
Les chemins de la mer, não sendo dos melhores romances de Mauriac, apresenta mesmo assim uma história e personagens cativantes (e até certo ponto, recorrentes do seu universo ficcional). O chefe de uma família terratenente, rica, suicida-se e segue-se a falência da casa. A viúva e os filhos reagem à pobreza de forma diferente, mas todos são afetados negativamente pela nova situação. A viúva acaba por morrer pouco depois, o filho mais velho cai numa doença sem fim à vista, a filha Rose emprega-se numa livraria (e vê anulado o casamento com um jovem de boas famílias) e o filho mais novo casa-se com a filha dos antigos caseiros da família, que são os únicos que beneficiam da falência dos patrões... Não há neste romance a abordagem da luta de classes mas a diferenciação das classes e as estratégias da sua manutenção estão no centro da narrativa... Salvador da Bahia 4/5
25.4.18
David GOODIS
THE MOON IN THE GUTTER (1953)
Associo David Goodis ao polar, mas este romance famoso não tem polícias, nem detectives, nem criminosos, nem um assassínio. No entanto a atmosfera faz lembrar os grandes policiais da literatura e do cinema, com a noite como protagonista, as personagens dúbias que parecem morar nos bares noturnos, a mulher fatal e as mulheres da vida sempre a insinuar-se entre a clientela masculina e a brigar com as outras mulheres. O protagonista é um homem que já passou da juventude, desejado pelas mulheres, mas obcecado pelo suicídio da irmã mais jovem, que ele encara como assassínio pois o gesto fatal da irmã foi consequência direta de ter sido atacada e violada no bairro onde moravam. Ele tem uma ideia fixa: apesar de já ter passado um ano da morte da irmã, ele não desiste da ideia de encontrar o responsável. A Lua na Valeta (Teorema) é um romance que retrata a vida de umas quantas ruas perto das docas onde o protagonista trabalha, ruas marcadas pela miséria, pelo crime, pela sujidade, abandonadas por Deus e pelos poderes. A escrita de Goodis é soberba. Leitura de La Lune dans le caniveau, edição de bolso. Paris 03.2018: 4/5
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| Epaves (1980) STREET OF THE LOST (1952) |
Nos livros de David Goodis certas ruas, particularmente miseráveis, não conhecem senão a tragédia. Li que Goodis se disfarçava de sem abrigo para conhecer a vida dos que chegaram mais baixo na escala da miséria física e psicológica. Neste livro, como o anterior que li (A Luna na Valeta), três ou quatro personagens apenas habitam os cafés de má fama, as ruas porcas em particular os seus becos escuros. Nesse pequeno meio há uma mafia instalada, chefiada por Hagen, que rapta uma jovem japonesa para as suas necessidades de amor sádico. Apenas Chester Lawrence, forte e atraente para as várias mulheres que por aqui aparecem (a esposa Edna, Bertha, Tillie), vai enfrentar Hagen e o seu principal comparsa, Pancho, ás das facas, em cenas duras e geniais, típicas do universo noir. Excelente. Paris 04.2018: 4/5
The Wounded and the Slain (1955)
Um romance particularmente negro, mesmo tratando-se de Goodis. O casal americano James e Cora Bevan, chega à Jamaica num momento muito crítico da sua relação conjugal, que será posta à prova quando James mata acidentalmente um homem e faz tudo para impedir que condenem à morte o homem que foi detido no seu lugar. Dificilmente se poderá ir mais longe na abordagem da solidão humana. James Bevan enceta um percurso suicidário que leve ao seu próprio salvamento e ao salvamento do homem acusado pelo crime que Bevan cometeu. Muito bom. Rio de Janeiro 04.2018 4/5
11.1.18
Ian MCEWAN
On Chesil Beach (2007)
Há muitos anos que não lia McEwan. O último tinha sido Sábado, cuja ação se concentra num único dia. Na praia (tradução de Bernardo Carvalho) passa-se na noite de núpcias de dois jovens nos anos 1950. É o relato de um fracasso, a derrota do Amor sob a impaciência e inexperiência dele e a frigidez dela. Uma noite sem futuro, mas que lhes marcou a vida, como sugere o narrador no balanço final. Póvoa de V. 4/5
Amsterdam (1998)
Um romance brilhante, uma sátira à relações entre o jornalismo e a política e à ambição sem limites de várias personagens influentes e poderosas (um editor de jornal, um compositor de música clássica, um ministro). McEwan é mestre na arte da narração e da construção romanesca irónicas. Mas, reconhecendo todo o seu talento, é difícil amar um livro a partir de um certo ponto quando todas as personagens são no mínimo execráveis, onde dificilmente encontramos uma ação que não esteja marcada por um profundo egoísmo. Póvoa/Paris 2015: 4/5
8.6.17
The Collaboration: Hollywood's Pact with Hitler (Urwand, 2013)
Li A Colaboração: o pacto entre Hollywood e o Nazismo (Leya, 2014), que resultou de uma grande investigação sobre a colaboração entre os nazis e os estúdios de Hollywood. Os Alemães foram muitas vezes representados nos filmes de Hollywood a seguir à Primeira Guerra, mas a imagem deles era frequentemente negativa. Com a ascensão de Hitler ao poder, as autoridades alemãs começaram a fazer chantagem com Hollywood, ameaçando proibir a estreia de filmes americanos caso os EUA não anuíssem às exigências alemãs. Pouco a pouco, os alemães impuseram as suas condições (o mercado alemão era importante para as exportações americanas) aos estúdios americanos: o povo alemão era visto a uma luz favorável ou neutra, nada de crítica ao regime nazi, desaparecimento dos judeus nos filmes americanos. Vários títulos com protagonistas judeus ou que visavam a crítica da situação política e social na Alemanha viram a sua produção anulada por pressão dos alemães. Um livro cheio de revelações interessantes. Salvador da Bahia 4/5
21.7.16
Simone de Beauvoir. Ecrire la liberté (2008)
Bastou um livro, Le Deuxième Sexe (1949), para tornar célebre Simone de Beauvoir. Essa obra está na origem do movimento feminista internacional: quantas obras têm esse mérito, dar origem a uma nova forma de ver o mundo e, por conseguinte, de mudá-lo? Esta breve biografia de Beauvoir, escrita por Jacques Deguy e Sylvie Le Bon de Beauvoir, é uma excelente introdução à vida e à obra da escritora, que começou por escrever romances e foi consagrada com o prestigiado prémio Goncourt em 1954 por Les Mandarins. Reconheço que não fiquei com vontade de ler os romances de Beauvoir, mas sim os ensaios e os livros autobiográficos como Mémoires d'une jeune fille rangée (1955). Mas a sua vida privada (a relação sui generis com Sartre), a sua procura de intervenção militante social em vários momentos charneira da sociedade francesa, e a sua paixão pelas viagens, são outros aspectos abordados no livro com a devida atenção. Caso para dizer: não apenas a obra mas também a vida de Simone de Beauvoir marcaram o século XX. PV 2016 4/5
22.3.16
Les Anges noirs (Mauriac, 1936)
Le sagouin, Thérèse Desqueyroux, Génitrix e Les Anges noirs. São esses os romances que li de François Mauriac, prémio Nobel, sempre com devoção e encantamento. Comecei por ser atraído pelo estilo do autor, mas logo de seguida o universo das suas histórias acabaram por me conquistar. Histórias passadas entre a burguesia rural, terratenente, e as alianças familiares para manter ou aumentar o poder. E histórias sobre aqueles que entravam essas engrenagens. Em Les anges noirs, Gabriel Gradère escreve uma confissão que envia a um padre de Liogeats onde vive o seu filho Andrés. Teve uma vida dissoluta e marcada pelo Mal. Mas o pior está para vir. Viaja para Liogeats onde vai resolver pelo crime uma disputa familiar que ameaça a ruína de seu filho. A intriga lembra uma soap de província mas o estilo e a força literária das personagens acabam por prevalecer. Paris 4/5
4.1.16
Fragonard l'invention du bonheur (Sophie Chauveau, 2011)
Evitei sempre a leitura de biografias romanceadas. Gosto de biografias sérias, mais ou menos eruditas, com ou sem notas de rodapé, breves ou exaustivas, mas que tenham as qualidades de um ensaio de história. Como queria ler com urgência algo sobre Fragonard, peguei na biografia romanceada de Sophie Chauveau. Afinal acabei por gostar de ler a obra, apesar da irritação que me provoca o caráter romanceado da mesma. Digamos que como obra de ficção não se sustenta minimamente. Muitas exclamações e reticências para o meu gosto, frases e expressões banais que servem para fazer avançar a ação. Para mim só interessavam os factos e a interpretação dos mesmos pela autora e, claro, tudo numa linguagem clara, que expõe o sentido da obra de Fragonard de forma simples e correta. Soube depois, quando vi a exposição do Museu do Luxemburgo, que a romancista deu largas à imaginação para preencher lacunas biográficas deixadas em aberto pela historiografia pela não existência de documentos que autorizassem a sua cobertura. Por exemplo, o filho que Fragonard teve com a cunhada mas que foi criado como se fosse do pintor e da mulher. Chauveau desenvolve esse episódio como se fosse um facto indesmentível. Mas o que mais gostei foi ter ficado com um retrato colorido e com algum pormenor sobre as condições em que artistas como Fragonard viviam e trabalhavam. A biografia não é demasiado psicológica (ainda bem) e dá a devida atenção às inovações da obra de Fragonard nos seus aspetos materiais e simbólicos assim como sociais e culturais. Paris 4/5
ST. AUBYN
SOME HOPE (1994)
Edward St. Aubyn é o autor britânico de uma série de romances fortemente inspirados na sua própria biografia, publicados a partir dos anos 90, que têm por protagonista Patrick Melrose. Esses romances formam um ciclo, já encerrado nos anos 2000, que foram publicados em francês pouco depois da sua publicação original inglesa, mas que em Portugal só chegaram às livrarias nos últimos anos pela Sextante. O que se estranha pois a edição portuguesa esteve atenta à nova geração de escritores britânicos dos anos 80. Li então por estes dias Après tout, tradução francesa de Some Hope (1994), e gostei francamente do que li. Um mergulho cáustico na aristocracia inglesa, minada pela urgência do aparecer na esfera mundana. Patrick Melrose, saído de uma vida de toxicodependente, recupera a lucidez que não traz, porém, qualquer consolo, antes a perceção aguda da podridão que o rodeia. Gostaria de ler os outros volumes do ciclo. Milão, Janeiro de 2016: 4/5
30.12.15
Giotto (Marcelin Pleynet, 1985)
Acho que nunca tinha lido antes uma biografia/monografia de um criador tão antigo... Com Giotto a pintura entrou na modernidade que o Renascimento viria a desenvolver. A pintura ocidental nunca mais foi a mesma. O livro de Pleynet não é fácil. Sobretudo quando tenta definir a revolução plástica de Giotto, e o que o diferenciava de outros grandes pintores que o influenciaram como Cimabue e Cavallini. Ou quando associa o trabalho de Giotto com as transformações doutrinárias da Igreja, com a aposta desta na figura de São Francisco para renovar a adesão dos crentes. Tudo questões fascinantes mas por vezes nada fáceis de seguir. Mas é um estudo rigoroso e exaustivo dentro dos limites de uma coleção de divulgação. Giotto foi contemporâneo de Dante e da criação do... Purgatório, que teve uma certa importância na evolução da pintura. Dante refere-se a Giotto na sua Divina Comédia, ainda o pintor era vivo. Mas já era reconhecido pelos seus contemporâneos como o melhor de todos. Este livrinho está cheio de reproduções de pinturas de Giotto, quase todas de frescos. Afinal o que estará na exposição de Giotto que verei dentro de dias? Mistério... Vila do Conde 4/5
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