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28.7.26

Perfect Pitch 2 (Elizabeth Banks, 2015)


Perfect Pitch (2012), de Jason Moore, é um musical que teve grande sucesso nos Estados Unidos mas contou com limitada adesão no resto do mundo. Bebe na nobre tradição do musical e no mais recente e pouco apreciado gênero do teen-movie. Aliás o filme encerra uma homenagem a um dos mais famosos teen-movies dos anos 80, The Breakfast Club. No início do filme, numa das mais divertidas cenas, a líder de um grupo vocal feminino anula as hipóteses de continuar na competição ao vomitar sobre a plateia, um momento escatológico que remete para a comédia americana dos anos 90. O filme retrata o campus universitário americano através dos grupos de estudantes que se formam em torno de atividades musicais ou outras. É uma forma também de preparar os jovens para a competitividade profissional do futuro, lançando-os em torneios de grupos a capella, como neste filme. 

Isso chega a ser mais evidente em Perfect Pitch 2 (Elizabeth Banks, 2015) em que se afrontam nos palcos o grupo americano das Barden Bellas e um grupo alemão. Mas esta sequela não tem o interesse do opus original, apesar de ter sido um sucesso de público muito superior ao primeiro. Tornou-se aliás na comédia musical que mais receitas gerou nas bilheteiras desde sempre. Vi os dois filmes numa sessão muito especial, na ante-estreia do segundo filme, no cinema Max Linder repleto de fãs de Perfect Pitch. Paris 2016 Max Linder

19.4.26

The Intern (Nancy Meyers, 2015)

Nancy Meyers é das poucas realizadoras com uma carreira regular em Hollywood e, entre os seus colegas, raros são os que se dedicam por inteiro à comédia como ela, tendo feito boas comédias com Meryl Streep, Jack Nicholson, Diane Keaton e agora Robert De Niro. The Intern é sobre um reformado desocupado que procura uma rotina no mundo do trabalho acabando por oferecer-se como estagiário numa startup criada e dirigida por uma mulher muito jovem (Anne Hathaway). Os protagonistas são um casal que na realidade não formam um casal, apesar de partilharem a mesma cama de hotel numa das cenas finais. Não é uma comédia romântica ou pelo menos não o é de forma evidente: Anne Hathaway luta por manter o seu casamento e De Niro encontra na empresa uma nova companheira (René Russo) um pouco mais jovem do que ele. Por vezes o ritmo da comédia abranda demasiado, mas no seu todo é mais inteligente do que quase todas as comédias que surgiram este ano (mas ainda não vi os filmes recentes de Judd Apatow e de Woody Allen). Paris 10.2015 Odéon 2015 3/5

27.5.21

Mother's Day (Garry Marshall, 2016)

Que comédia falhada, só falta as personagens terem um letreiro no peito a indicar a cetegoria que representam... O filme pretende combater os estereótipos mas torna os ainda mais visíveis, identificáveis e em alguns minutos as personagens livram se deles num piscar de olhos... É um dos filmes corais mais patéticos que conheço e Garry Marshall já tinha assinado outro igualmente patético, New Years Day. Este é dedicado ao Dia da Mãe. Julia Roberts, que muito deve a Marshall, nunca esteve tão má, e Jennifer Aniston tão descontrolada. Melun 2021 TV 1,5/5

31.7.20

GRACE AND FRANKIE (Netflix, 2015)

Duas mulheres idosas (Jane Fonda e Lily Tomlin) iniciam uma relação de amizade e grande cumplicidade quando são abandonadas pelos maridos (Sam Waterston e Martin Sheen), que revelam ser amantes desde há 20 anos e pretendem agora casar-se. Tanto as duas amigas como o casal gay vão recomeçar uma nova vida e os pequenos problemas que encontram pelo caminho são motivo de bons momentos de comédia, apesar dos numerosos clichés. Enfim uma boa série de comédia no meio de tantas séries dramáticas e violentas que dominam a televisão. Vila do Conde 2020 Netflix 3,5/5 
GRACE AND FRANKIE (Netflix, 2015). 7 temporadas (2015-2020) com 94 episódios, Série criada por Marta Kauffman e Howard J. Morris, com Jane Fonda, Lily Tomlin, Sam Waterston, Martin Sheen, Brooklyn Decker, Ethan Embry, June Diane Raphael, Baron Vaughn. Múltiplas nomeações (Emmy, Golden Globe, Satellite, SAGA) para Fonda e Tomlin.

12.6.20

5 Flights Up (Richard Loncraine, 2015)

Um filme romântico que cairia no esquecimento não fossem os atores. Por causa de Diane Keaton, até me dispus a ver o filme dobrado em francês. Em Portugal estreou nas salas (abril de 2016, com o título Ruth & Alex) quase dois anos depois de o filme ter sido apresentado no Festival de Toronto (setembro de 2014) e em França apenas saiu em DVD. A história é comovente: um casal habita há 40 anos no mesmo apartamento, que adoram, mas decidem mudar-se. Num só dia, a invasão dos potenciais compradores, e o leilão que se segue, assim como a operação por que passa a cadelinha deles, levam-nos a mudar de ideias e a continuar a vida feliz na mesma casa de sempre. Melun 2020 (2,5/5)
5 Flights Up (Richard Loncraine, 2015), ou Ruth & Alex, escrito por Charlie Peters, com Diane Keaton, Morgan Freeman, Cynthia Nixon

11.4.20

Tab Hunter Confidential (Jeffrey Schwarz, 2015)

Um dos melhores documentários que vi recentemente. Tab Hunter publicou em 2005, com grande sucesso, Tab Hunter Confidential: The Making of a Movie Star. Este documentário segue de perto o livro e as muitas revelações nele contidas. Tab Hunter foi uma estrela da Warner nos anos 50, o maior galã do estúdio, mas hoje poucos sabem quem é porque não deixou filmes memoráveis. E fez muitos, entre westerns e filmes românticos (com Nathalie Wood). Enquanto isso, de forma camuflada, Hunter vivia os seus amores proibidos com homens, entre os quais Anthony Perkins, futura estrela de Psico. Nos anos 60 anulou o seu contrato com a Warner e a partir daí a sua carreira foi errática: fez teatro, filmes de baixo orçamento e trabalhou com John Waters, no clássico Polyester com Divine. O documentário cobre exemplarmente toda a carreira de Tab Hunter assim como a sua vida pessoal, mostrando como durante muito tempo foi problemática a vida de um homossexual sob os holofotes da fama. Muito bom. Melun 2020 (4,5/5)
Tab Hunter Confidential (2005), realizado por Jeffrey Schwarz, produzido por Allan Glaser.

7.1.16

Bridge of Spies (Steven Spielberg, 2015)

Spielberg mostra-se mais uma vez mestre na arte cinematográfica de recorte clássico, desenterrando um episódio de espionagem entre os EUA e a URSS nos anos 50/60 para apresentar o herói mais capriano da sua filmografia. Tom Hanks segue as pisadas das personagens idealistas, confiantes, fortes e humanas de James Stewart mas duvido que hoje aceitemos bem essas personagens sem nuances sombrias para representar o povo americano. Oscar & Bafta Actor in a Supporting Role para Mark Rylance. Paris 2016: 3/5 

16.8.15

Danny Collins Nunca É Tarde (Dan Fogelman, 2015)

Fui ver este filme para matar saudades de um cinema cada vez mais raro: um cinema adulto que privilegia as personagens "redondas", longe da tontice adolescente que domina o cinema de Hollywood atual. Um cinema adulto que aproveita o talento dos grandes atores americanos, inclusive dos menos jovens. Foi bom rever Annette Bening, que admiro bastante mas tem andado desaparecida; os jovens Jennifer Garner e Bobby Cannavale também estão bem; mas o protagonista Al Pacino, num papel semelhante ao que teve no filme recente Manglehorn, volta a cair num cabotinismo nem sempre fácil de digerir. Ele é Danny Collins, uma estrela rock que recebe como presente de aniversário uma carta que John Lennon lhe escreveu 40 anos antes mas que nunca lhe tinha chegado às mãos. Esse facto leva-o a mudar as prioridades da sua vida e a procurar o filho que nunca chegou a conhecer. Esta história é baseada em factos reais. Infelizmente este filme escrito e realizado pelo estreante Dan Fogelman não consegue evitar um tom formatado próprio da telenovela, Cine-Teatro Garrett 2/5

27.2.15

50 Tons de Cinza (Sam Taylor-Johnson, 2015)

Fifty Shades of Grey, o filme, vem ocupar no imaginário erótico do público (essencialmente feminino) o lugar de Nove Semanas e Meia. Cada geração tem o erotismo de pacotilha que merece. O filme é uma ilustração baça do best-seller de livraria, mas a história que nos é contada é confrangedora q.b., arrasa todas as conquistas das feministas, e reencena a história da menina bem comportada, hipnotizada pelo príncipe perfeito (Grey é milionário, poderoso, bonitão e dominador). O sadismo de Grey é apresentado como uma doença, causada por uma mulher emancipada, mais velha, que terá abusado dele. Só mesmo uma virgem poderá desfazer o monstro em Grey. Como pode tamanho conservadorismo encontrar eco em tantos corações e mentes pelo mundo afora? Salvador 2015 Center Lapa 2/10