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23.11.20

Pauvres humains et ballons de papier (Sadao Yamanaka, 1937)

É considerado o melhor dos três filmes que chegaram até nós de Sadao Yamanaka. É uma obra-prima de contenção e elegância, mas também de humanidade. O filme é um jidaigeki (um filme histórico) mas as personagens parecem-nos próximas. Os dramas que as personagens vivem são por vezes insondáveis e só com o desfecho nos damos conta do sofrimento delas. Um grande filme. Melun 2020 TV 4/5

6.9.17

Nuages épars (Mikio Naruse, 1967)

As estreias de filmes recentes empalidecem quando têm a concorrência de um Naruse por perto. Quando foi a última vez que vi um melodrama deste calibre? Um homem e uma mulher recém-viúva apaixonam-se, mas o amor deles é maldito e impensável: o homem atropelou mortalmente o marido dela. Como ultrapassar tamanho acontecimento? Uma história de amor ferida e condenada à partida. Paris 2017 Reflet Médicis 4,5/5

11.1.17

Le Grondement de la montagne (Mikio Naruse, 1954)

Um casal de idosos assiste à grave crise do casamento dos filhos. Diz-se que Naruse é o cineasta do casal e nada mais certeiro se pensarmos neste filme. Todos os filmes que conheço do mestre japonês são excelentes. Um autor de que gosto cada vez mais. Neste Yôko Mizuki adapta o mestre Yasunari Kawabata. Paris 2017 Reflet Médicis 4/5

16.12.15

Une femme dans la tourmente (Mikio Naruse, 1964)

Vi poucos filmes de Naruse mas os que vi são maravilhosos, inesquecíveis. Agora estreou em França (era inédito nas salas francesas) Une Femme dans la tourmente e o encantamento pelo universo de Naruse repete-se. É a história de um amor socialmente problemático, que os protagonistas não conseguem impor no meio dos preconceitos sociais do Japão da época (anos 50/60). Paris 2015 Reflet Médicis 4/5

11.2.14

Dodeskaden (Akira Kurosawa, 1970)

Um filme inesperado de Kurosawa, tendo em conta o que conheço dele. A história de alguns habitantes de um bairro de lata japonês. A miséria material e moral poucas vezes foi mostrada desta forma no cinema. No início lembrei-me do famoso filme Feios, Porcos e Maus (1976) de Ettore Scola, posterior ao filme de Kurosawa. A miséria absoluta, o comportamento reprovável de muitas das personagens, o registo cómico sempre presente, enfim, uns feios, porcos e maus japoneses. Mas à medida em que o negrume avança e e beco sem saída destas vidas se instala, dei comigo a pensar no filme de Manoel de Oliveira, O Gebo e a Sombra (2012). Baseado em Raul Brandão, o último Oliveira coloca-nos face a uma família mergulhada na miséria que parece ser a sorte comum dos habitantes do lugar onde habitam. A miséria é social (não escolheu apenas aquela família) e portanto as causas são sociais (podemos concluir). Belos gestos cinematográficos de dois gigantes, Oliveira e Kurosawa, que têm um sentido humanista e crítico como não encontramos na maior parte da produção de cinema de hoje. Paris 2014 Le Desperado 3,5/5