Assisti hoje a uma sessão de cinema muito, muito especial, proposta pelo cineclube 7e Genre. Le Ciel de Paris (1991) é a única longa-metragem de Michel Béna, que foi assistente de André Téchiné e morreu de Sida meses antes de o seu filme estrear. Um dos protagonistas, o ator Marc Fourastier, também morreria da mesma doença poucos anos depois e este é, parece-me, o seu único filme. Claro que o grande nome aqui é Sandrine Bonnaire, que faz de Suzanne (mais uma vez, como em A nous amours, de Pialat), uma mulher dividida entre dois amigos (Marc Fourastier e Paul Blain) por eles circulando o desejo, que todavia nunca é correspondido. O tema, os atores e as cenas, lembram o cinema de Téchiné mas, ao contrário dos filmes deste, Le Ciel de Paris permanece invisível desde a estreia. Não há VHS nem DVD, nem cópia digital, apenas pode ser visto em película de 35mm como foi visto na sessão de hoje. Um filme desta qualidade e único testemunho do realizador e de um dos atores não merece cair no esquecimento como até aqui aconteceu. Paris 3,5/5
