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28.7.26

Cazuza, o Tempo não Pára (2004)

Filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Um dos meus biopics preferidos de sempre. Cazuza é o grande poeta, a par de Renato Russo, do rock brasileiro, e a qualidade e plasticidade das suas canções não param de ganhar versões não roqueiras, como confirma um disco deste ano de Leila Pinheiro e Roberto Menescal dedicado ao cancioneiro de Cazuza. Este foi também a primeira grande estrela brasileira a morrer de sida e a sua agonia foi mais ou menos pública. Bem, tudo isso (e muito mais) está no musical que foi feito (outro enorme sucesso nos teatros) e neste filme que foi consagrado pela Academia Brasileira de Cinema com 12 nomeações e com troféus para melhor filme, realizador, roteiro adaptado, fotografia e trilha sonora. Fernando Bonassi e Victor Navas escreveram o roteiro a partir do livro Cazuza, Só As Mães São Felizes, da mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, e da jornalista Regina Echeverria. Um livro magnífico, aliás. No filme algumas das melhores cenas são as que juntam Cazuza (Daniel de Oliveira) e a sua mãe (Marieta Severo), assim como o seu pai (Reginaldo Faria). Ou seja, as cenas musicais (nos palcos e fora deles), as cenas entre amigos e as cenas familiares articulam-se muito bem, mas as cenas entre mãe e filho são justas e comoventes, são antológicas. Além disso, como filme que retrata uma época, os anos 1980, é inolvidável (destaque para a fotografia, que nada embeleza, de Walter Carvalho). Vi o filme apenas em 2009 (cinco anos após a estreia) no cinema Nouveau Latina, certamente no contexto do Festival de cinéma brésilien de Paris, pois o filme, fora do circuito de festivais, não se estreou, parece-me, em país nenhum. No Brasil estreou em 2004 e foi um enorme sucesso, com mais de três milhões de espectadores. Um excelente filme do mainstream brasileiro. Melun 2020 Youtube (4/5)  
Cazuza, o Tempo não Pára (Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004), produzido por Daniel Filho (co-produção Globo Filmes e Columbia TriStar Filmes do Brasil), roteiro de Fernando Bonassi e Victor Navas, adapta Cazuza, Só As Mães São Felizes (Lucinha Araújo e Regina Echeverria), com Daniel de Oliveira (recebeu os prémios da APCA e o Grande Otelo de melhor ator), Marieta Severo, Reginaldo Faria, Maria Flor.

21.7.26

Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)


Deve ser o filme brasileiro mais famoso internacionalmente. Mas não é o melhor e não está entre os meus preferidos do cinema brasileiro. Mas gosto da montagem vibrante, da sucessão vertiginosa das histórias, da voz off e da encarnação de certos atores. Revisto em em 2015 na TV Band "Sessão Especial" 3/5

9.7.26

A Erva do Rato (Julio Bressane, 2008)

 

Filme de Julio Bressane
Estreia em França 10 06 2009

A Erva do Rato foi um dos poucos filmes de Bressane que consegui ver. Foi em 2009, aquando da estreia do filme em Paris, com o título literal L'herbe du rat. Tal como tinha acontecido em França, também em Portugal o filme foi lançado (em 2014) de forma discreta, em poucas salas e em sessões únicas. O filme, inspirado em dois contos de Machado de Assis, conta-nos a história de uma intimidade singular, secreta, criada entre um homem e uma mulher, que se encontraram no cemitério. Passa por aqui a admiração de Bressane por Oliveira. O cinema de Bressane sempre foi para poucos, talvez mais do que o de Oliveira, mas ao longo de décadas criou uma obra de grande originalidade e intransigência, celebrada aqui e ali, mas cuja repercussão não o fez sair do circuito arte e ensaio mais secreto. Paris, 2009   Nota: 4/5

Filme de Julio Bressane

EP maio de 2014

6.7.26

Divã, O Filme (José Alvarenga JR., 2009)

Divã, o Filme foi primeiramente um livro de sucesso de Martha Medeiros. O filme também foi um sucesso de público e é protagonizado por um atriz popular da TV Globo, Lília Cabral. Ela é uma mulher que decide terminar o casamento porque não se sente amada pelo marido. História banal mas apresentada em flasbacks com muito humor. Para quem gosta deste tipo de humor ligeiro e feminino tipo Bridget Jones. Melun 02.2021 TV 2,5/5

4.7.26

Mangue Negro (Rodrigo Aragão, 2008)

Mangue Negro é uma surpresa do cinema brasileiro contemporâneo. É um filme de terror gore feito com pouco mais de 15 mil euros, uma proeza tendo em conta os dignos efeitos especiais. O filme tem uma imagem e um universo muito próprios, com muitos e visíveis defeitos, mas desculpáveis perante o resultado final. Porém, é o argumento que é sedutor. A história, convencional, de uma aldeia meio deserta atacada por mortos-vivos é transformada pelo cenário impressionante: o mangue brasileiro, zona de pântanos onde uma população de caranguejos, ostras e peixes alimentava outrora as pessoas. O mangue está completamente poluído, envenenando os poucos seres humanos que ali vivem e por fim matando-os com os mortos-vivos que surgem da lama. Da Lama ao Caos, intitulava-se um dos discos de Chico Science, expoente do manguebeat. A mensagem política do filme é transparente, aquele lugarejo piscatório é extinto devido à ação humana. A natureza vinga-se criando os mais bizarros monstros, não apenas os zombies, mas as pequenas criaturas que entram e saem dos corpos humanos ainda vivos. O registo gore exprime exemplarmente este caos apocalítico. Só espero que Rodrigo Aragão consiga mais meios para fazer filmes tão interessantes como este mas com um acabamento técnico superior. Paris: Cinemateca (2015) 3/5

24.5.26

A Guerra dos Rocha (Jorge Fernando, 2008)

 
Esta comédia da Globo é um remake de um filme argentino (as realidades nacionais são semelhantes). A família em primeiro lugar...ou o dinheiro? Ary Fontoura é uma mãe que tenta viver com os seus três filhos mas acaba por ser expulsa das suas casas. Até que ela desaparece e é dada como morta... Melun 2020 (2/5) 

A Guerra dos Rocha (Jorge Fernando, 2008), produzido por Total Entertainment e Globo Filmes, remake do filme argentino Esperando la Carroza (1985), com Ary Fontoura, Diogo Vilela, Marcello Antony, Lúcio Mauro Filho.

Durval Discos (Anna Muylaert, 2002)

O filme de estreia de Anna Muylaert revelou uma roteirista ímpar. Um jovem não muito jovem hippie, cultor dos discos de vinil, dedica-se à venda desses objetos tão amados (nos quais foram publicados muitos dos maiores clássicos da música popular brasileira que enchem o filme) na casa onde vive com a mãe. Um solteirão voltado para o passado cujo cocoon vai ser violentamente abanado com a chegada de uma moça (Letícia Sabatella) e em seguida de uma menina que vão trazer a violência mais negra do Brasil para o seu mundo. Ele resiste aos avanços da vizinha (Marisa Orth) mas deseja a bela estranha que põe dentro de casa, ao mesmo tempo que a explora pagando-lhe uma ninharia pelo trabalho doméstico. Alheia às fantasias do filho, a mãe (Etty Fraser) vive as alegrias próprias de uma avó quando se vê com uma criança em casa. Esta menina é um anjo exterminador, como se verá. Magnífico filme. Melun 2020 (4,5/5)

Durval Discos (Anna Muylaert, 2002), produzido por África Filmes, Dezenove Som e Imagem, roteiro de Anna Muylaert, com Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth e Letícia Sabatella. Recebeu 7 prémios em Gramado (Kikitos de Ouro para Melhor Filme, Prêmio do Júri Popular, Prêmio da Crítica, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte).

Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

Deve ser o filme brasileiro mais famoso internacionalmente. Mas não é o melhor e não está entre os meus preferidos do cinema brasileiro. Mas gosto da montagem vibrante, da sucessão vertiginosa das histórias, da voz off e da encarnação de certos atores. Revisto em em 2015 na TV Band "Sessão Especial" 3/5

Anjos do Sol (Rudi Lagemann, 2006)

Um tema terrível (a prostituição infantil no sertão e nas grandes cidades) num filme justo mas difícil de ver. Não passa de um bom filme, com atuações desiguais, mas que ganhou os principais prémios do cinema brasileiro em 2006/2007: em Gramado, recebeu vários Kikitos (melhor filme, argumento, atriz e ator) e foi nomeado para melhor filme nos prémios ACIE, Contigo e Guarani. Melun 2020 (3/5) 

Anjos do Sol (Rudi Lagemann, 2006), Globo Filmes, com Antonio Calloni, Otávio Augusto, Darlene Glória.

1.5.26

É Proibido Fumar (Anna Muylaert, 2008)

O meu filme preferido de Anna Muylaert, muito por causa da presença da diva Glória Pires num grande papel. Ela é uma professora de violão com a vida amorosa em cacos. A chegada de um novo vizinho (o titã Paulo Miklos) entusiasma-a mas logo logo chega (novamente) a deceção. O desenlace é memorável. Não espanta que os roteiros de Muylaert sejam tão admirados (e premiados). Muito bom. Melun 2020 (4,5/5)

É Proibido Fumar (Anna Muylaert, 2008), produzido por África Filmes e Dezenove Som e Imagem, com Glória Pires, Paulo Miklos, Alessandra Colassanti, Dani Nefussi, música de Marcio Nigro, recebeu vários prémios Grande Otelo (filme, diretor, argumento, música), Candango (Filme, Roteiro, Ator, Atriz, Atriz coadjuvante, Música), e troféus da APCA (Melhor Atriz e Diretora). Teve pouco mais de 10 mil entradas.

O Quinze (Jurandir Oliveira, 2004)

O Quinze é a primeira obra de Rachel de Queiroz, que o escreveu aos 18 anos e publicou em 1930. Trata dos efeitos numa família de camponeses nordestinos da grande seca de 1915  no Ceará. O casal e os filhos têm de abandonar a pequena quinta de que se ocupavam e fazer-se à estrada, quase morrendo todos de fome. Um filho morreu e outro fugiu com um grupo de retirantes. Com a ajuda de conhecidos, a família vai para São Paulo, não sem antes entregar outro filho à madrinha dele, uma professora solteira que deseja educá-lo. Li que o filme é extremamente fiel ao livro, o que em si mesmo é uma qualidade rara (hoje toda a gente quer ser original à força). Bom filme. Melun 2020 TV 3,5/5

O Ano em que meus pais saíram de férias (Cao Hamburguer, 2006)

 
O Ano em que meus pais saíram de férias (2006) caiu como uma luva no 16º Festival de cinema brasileiro de Paris, que privilegiava as temáticas do futebol e do impacto da ditadura na sociedade brasileira. Este filme de Cao Hamburguer é feito do ponto de vista de um menino, que sonha com a vitória do Brasil no mundial de 1970, mas cujos pais são levados pela polícia militar nesse mesmo ano. Uma realização sensível e escorreita garantiu um sucesso nas salas e faz do filme um bom exemplo do cinema popular de qualidade do recente cinema brasileiro. Paris, Majestic Bastille 01.2008    3,5/5

Lavoura Arcaica (Luiz Fernando Carvalho, 2001)

 
REALIZADOR Luiz Fernando Carvalho ARGUMENTO Luiz Fernando Carvalho, baseado no romance homónimo de Raduan Nassar PRODUÇÃO Luiz Fernando Carvalho ELENCO Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat, Luiz Fernando Carvalho, Pablo César Câncio, Denise Del Vecchio, Mônica Nassif, Renata Rizek, Felipe Abreu Salomão, Samir Muci Alcici Júnior, Leda Samara Antunes, Raphaela Borges David, Fábio Luiz Marinho de Oliveira, Laura Hallack Ferreira, Kika Kalache, Kalil Ibrahim Mansur, Sula Moreira Miana MÚSICA Marco Antônio Guimarães PALMARÉS Prémios CANDANGO: Melhor Filme, BSO, Atores (Selton Mello, Leonardo Medeiros, Juliana Carneiro da Cunha ESTREIA 29.10.2001 (Brasil) 9.07.2003 À LA GAUCHE DU PÈRE (França) Nitrato 1.05.2025 cinemas Trindade (Porto) (Portugal) VISTO Paris 2008 L'Arlequin NOTA 4/5

30.4.26

Trair e coçar é só começar (Moacyr Goés, 2006)

Atores globais de grande talento subaproveitados numa trama que levou cerca de 6 milhões de brasileiros ao teatro antes de virar um filme. Comédia de costumes sobre as traições entre casais. Uma criada (Adriana Esteves) tenta encobrir o que se passa mas acaba por prejudicar e ser culpabilizada por todos. O ritmo e o humor são forçados e nem o trabalho dos atores salva esta adaptação de um clássico do teatro popular. Melun 2020 (2/5)

Trair e coçar é só começar (Moacyr Góes, 2006), produzido por Diler Trindade (20th Century Fox), roteiro de Marcos Caruso e Jandira Martini, adapta peça teatral de Marcos Caruso (1986), com Adriana Esteves, Cássio Gabus Mendes, Otávio Muller, Bianca Byington, Mônica Martelli, Mário Schoemberger, Aílton Graça, Fabiana Karla, Márcia Cabrita, Cristina Pereira, Lívia Rossy, Thiago Fragoso, Mário Borges, Chris Amorim.

29.4.26

Casa da Mãe Joana (Hugo Carvana, 2008)

Os brasileiros continuam a apostar nas comédias sexuais, mas sem a frontalidade das pornochanchadas dos anos 70. Comédias sexuais para toda a família, digamos. Em A Casa da Mãe Joana, três amigos, para não perderem o apartamento, têm de satisfazer as fantasias sexuais mais absurdas de coroas que os procuram. O roteiro garante uma sucessão de papeis para os atores e as atrizes da Globo brilharem. Mas o resultado não é melhor do que as novelas. Melun 2020 (2,5/5) 

A Casa de Mãe Joana (Hugo Carvana, 2008), produzido por Martha Alencar (Globo Filmes), roteiro de Paulo Halm, com José Wilker, Paulo Betti, Antônio Pedro, Pedro Cardoso, Juliana Paes, Laura Cardoso, Fernanda de Freitas, Cláudio Marzo, Agildo Ribeiro e Malu Mader.

A Partilha (Daniel Filho, 2001)

Depois de tantas comédias brasileiras espalhafatosas e com pouco interesse que vi recentemente, foi com receio que me pus a ver A Partilha que, precisamente há 20 anos, estreou no Brasil e teve muito sucesso, quase 1,5 milhão de espectadores nas salas. O filme é uma comédia dramática bem interessante e sublimada pelo quarteto de atrizes da Globo, encabeçado por Glória Pires, e o bom texto é na origem uma peça teatral de Miguel Falabella. A música é de Nelson Motta e Ed Motta (nomeada ao Guarani) e as atrizes são Glória Pires (venceu o Guarani e foi nomeada ao Grande Otelo), Andrea Beltrão (nomeada ao Grande Otelo), Lília Cabral e Paloma Duarte. Elas são irmãs e reencontram-se para fazer a partilha dos bens que a mãe lhes deixou. Previsivelmente há muitas brigas, reconciliações, risos e lágrimas. Um condensado da vida. Melun 2021 TV 3,5/5

A Dona da História (Daniel Filho, 2004)

João Falcão escreveu uma peça teatral que fez grande sucesso em 1998 e foi mais tarde adaptada ao cinema por João Emanuel Carneiro, Daniel Filho e Tatiana Maciel. Nos cinemas repetiu o sucesso (pouco mais de 1 milhão de espectadores) com a ajuda do talento do realizador Daniel Filho e dos atores globais Marieta Severo, Antônio Fagundes, Débora Falabella e Rodrigo Santoro. Mas o filme é pouco mais do que esquecível. Acompanhamos a vida do mesmo casal antes de se casarem e 30 anos depois, quando se divorciam. No entanto, o filme não resulta bem como comédia apesar do carisma dos atores. Melun 03.2021 TV 2/5 

28.4.26

View From the Top (Bruno Barreto, 2003)

DVDTECA

View From the Top tem um elenco incrível (Gwyneth Paltrow, Christina Applegate, Mark Ruffalo, Candice Bergen, Kelly Preston, Mike Myers) mas totalmente desaproveitado por um argumento (estreia de Eric Wald) e por uma realização medíocres. Bruno Barreto fez uma série de filmes nos EUA, onde viveu durante alguns anos, mas aparentemente nenhum deles ficou para a história. Quando regressou ao Brasil, a criatividade voltou a manifestar-se (gostei de Flores Raras, por exemplo). View From the Top conta a história de uma jovem provinciana (Gwyneth Paltrow) que ambiciona ser uma hospedeira de topo e consegue-o. VC 2017 julho DVDteca 2/5

Deus é Brasileiro (Carlos Diegues 2003)

 Filme de Carlos Diegues
Castello Lopes Multimedia 2003