Estreou ontem em Paris, numa versão restaurada, The Honey Pot (1967), um dos últimos filmes de Joseph L. Mankiewicz. Tratando-se de um dos meus realizadores preferidos e sendo este filme de 1967 um dos poucos que ainda não tinha visto da sua carreira (realizou 20 filmes) não foi difícil preterir todas as estreias da semana para ver um filme dos sixties.
Mankiewicz é o cineasta da palavra. Nos seus filmes encontramos os diálogos e a voz off mais literários do cinema, e durante a maior parte do tempo somos seduzidos pela palavra tanto quanto pelos atores, sempre magníficos, ou pela realização. The Honey Pot, mais uma vez, apresenta uma história de um cinismo avassalador, como só em Mankiewicz é possível encontrar. Um milionário americano a viver num palazzo de Veneza decide fingir-se moribundo e atrair ao seu pote de mel três das suas antigas conquistas femininas para se divertir com o espetáculo da sua concupiscência. Impossível resumir as voltas que dá esta peça de teatro encenada pelo milionário como o último acto da sua existência. Brilhante. Paris, Filmothèque QL 2014 (4/5)
