Hotel By The River (Hong Sangsoo, 2018)
Uma tragédia familiar num hotel à beira rio. Dois irmãos vão encontrar-se com o pai, um poeta célebre, no hotel em que este está hospedado. Ele é reconhecido e celebrado por uma empregada do hotel e duas clientes, mas os filhos vêem o pai como alguém que abandonou a família e os traumatizou de alguma forma. Argumento simples e mais dramático do que habitualmente em Sangsoo. Paris 09.2020 Lucernaire 3/5
GRASS (2017)
Num café, casais e amigos falam, discutem, saem do café e regressam, leem e escrevem. O espaço, elogiado por alguns, está à disposição deles, não vemos os empregados, nem temos uma visão geral do café. Nem este nem as ruas nem o bairro têm o glamour de Paris (muito longe disso), mas é no cinema de Rohmer que pensamos ao vermos a ação de um filme ser até este ponto iluminada e formada pela fala. Uma das personagens é escritora e parece inspirar-se nas conversas e vivências a que assiste no café, mas um dos clientes percebe e interpela-a. Paris 01.2019 Sala Le Reflet Médicis 3/5
La Caméra de Claire (Hong Sang-Soo, 2017)
Ocorre-me muitas vezes pensar que o cinema terá sido inventado para glorificar a beleza feminina. Este e outros filmes de Sang-Soo têm-me seduzido em primeiro lugar pela beleza estonteante de Kim Min-Hee, a musa do momento do realizador. Com Min-Hee qualquer argumento por mais mínimo que seja se torna interessante. Em La caméra de Claire, duas mulheres (Min-Hee e Isabelle Huppert) encontram-se nas ruas de Cannes e tornam-se boas amigas. Uma perdeu o emprego outra o companheiro, ambas estão com a mesma disponibilidade para a partilha de afetos. Mesmo nos seus filmes menores, Sang-Soo surpreende e encanta. Paris 03.2018 L'Arlequin 3,5/5
On the Beach at Night Alone (Hong Sang-Soo, 2017)
A tristeza imensa deste filme, que surpreende um pouco no cinema de Sang-Soo, perturbou-me. Ouvimos ao longo do filme um quinteto de Schubert, mas é igualmente a sua Viagem de Inverno (Winterreise) que me vem à mente, pois a história passa-se no inverno, na Alemanha e na Coreia do Sul, e centra-se nas visitas da jovem atriz Kim Min-Hee aos amigos, o que dá lugar àquelas cenas, típicas do realizador, de refeições bem regadas a álcool, sob o efeito do qual o humor dos convivas muda radicalmente. E que procura Min-Hee? Morrer com elegância, ela insiste. E assim estas visitas parecem ter um ar de despedida... Paris 01.2018 Reflet-Médicis 3,5/5
Le Jour d'après (Hong Sang-Soo, 2017)
Quando assistia ao último filme de Sang-soo, que estreou ontem em França, dei por mim a pensar nas semelhanças com o último filme de Philippe Garrel, estreado na semana anterior: número reduzido de personagens e de locais onde estes circulam, a infidelidade como tema central da trama, o don juanismo de uma das personagens principais (uma jovem mulher em Garrell, um homem de meia-idade em Sang-soo), o preto e branco da fotografia. Preferi Garrell, mais desesperado, mais negro. O coreano marca-nos pela leveza com que trata questões profundas (a filosofia de vida de uma das personagens defende que nada é verdadeiramente grave) e o humor está sempre à espreita. Um crítico e editor de livros respeitado no seu país vê-se envolvido com três mulheres, que unanimamente o consideram um cobarde, embora não desistam dele. Um dos filmes do ano. Paris 06.2017 4/5
Yourself and Tours (Hong Sang-Soo, 2016)
Yourself and Yours é a décima-oitava longa-metragem do coreano Hong Sang-soo. E é um dos seus filmes mais enigmáticos e também mais inspirados. Dois namorados brigam e separam-se por um tempo. Enquanto ele sofre e deprime, ela multiplica os encontros com vários homens (mais velhos, quarentões) mas não se envolve com nenhum pois, devido a surtos de amnésia, não os reconhece no encontro seguinte. Ela bebe e esquece muito. O namorado, para tê-la de volta, terá de aceitar as suas condições. O filme, como outros do realizador coreano, permite várias leituras. Paris 02.2017 Le Reflet-Médicis
Right Now, Wrong Then (Hong Sang-Soo, 2015)
O último filme de Hong Sangsoo é aquele em que senti, pela primeira vez, que o método do realizador não me seduzia. Método? Talvez. A mesma história é apresentada duas vezes seguindo o ponto de vista de diferentes personagens. Portanto, duas histórias diferentes. Um jovem realizador chega a uma pequena cidade para fazer uma conferência após a exibição de um dos seus filmes. Na única noite que passa na cidade conhece uma jovem e alguns dos seus amigos. Cenas de sedução, de café, de restaurante e de bebedeira surgem sempre nos filmes do realizador coreano. Mas pela primeira vez não achei muita graça a tudo isso. Paris 03.2016 3/5
Hill of freedom (Hong Sang-Soo, 2015)
Complexo e simples ao mesmo tempo: mais uma vez Hong Sangsoo no seu melhor. Um jovem japonês envia uma carta de amor a uma jovem coreana que tinha cohecido há algum tempo. Enquanto a jovem lê a carta, o apaixonado está hospedado numa pensão perto da casa dela. Entretanto ele vai conhecendo alguns coreanos do bairro. Paris 09.2015 L'Archipel 4/5