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1.7.26

Jota (Carlos Saura, 2016)

Jota (Carlos Saura, 2016)
Os documentários musicais de Carlos Saura têm cada vez menos interesse cinematográfico, pois de filme para filme repete-se o dispositivo de filmar artistas em palcos montados em estúdio. Todavia, os filmes mantêm uma qualidade documental notável. Certamente danças e cantares tradicionais como a jota e o flamenco nunca foram tão bem filmados como nos filmes de Saura. E quase todos  os números musicais são excelentes. Paris 01.2017 (2,5/5)

22.5.26

Zonda ou Argentina (Carlos Saura, 2015)

O novo filme de Carlos Saura repete o dispositivo formal de Fados, que consiste em gravar em estúdio vários números musicais. Desta vez o destino é a Argentina, mas da sua música não escolheu o tango, que é o bilhete-postal do país, mas o folclore argentino, as canções dos aldeões e dos gaúchos. Nunca tinha ouvido tão belas Zambas e Chacareras, cantadas e tocadas por artistas de eleição. Saura utiliza os mais sofisticados recursos do cinema para dar voz à arte fugaz da canção popular. E assim o seu cinema continua a ser tão político como o fora nas obras-primas dos anos 70. Estreia: 03.2015.  Paris 01.2016 (3/5)

9.8.22

La Librería (Isabel Coixet, 2017)

La Librería merece estar numa lista dos filmes mais sedutores do ano passado (mas estreou em 2017 em Espanha). Narra a história de uma viúva, ávida leitora, que decide abrir uma livraria numa pequena vila costeira. A história não é original, vem num livro (adaptado pela realizadora Isabel Coixet) da escritora britânica Penelope Fitzgerald. A viúva (Emily Mortimer) não tem grandes apoios para abrir a livraria, mas quando abre os clientes aparecem, em particular um grande leitor (Bill Nighy), que se torna seu amigo. Mas uma aristocrata local (Patricia Clarkson) faz tudo para expulsar a livreira da velha casa que ela ocupou. O filme é uma produção espanhola mas é britânico até à medula. Foi nomeado para 12 Goyas e recebeu três dos principais prémios:  Película, Dirección e Mejor guion adaptado (dois prémios para Isabel Coixet). Foi um sucesso em Espanha, onde fez 500 000 espectadores. Paris 01.2019 Cinéma Lucernaire 4/5

9.5.18

Todos lo Saben (Asghar Farhadi, 2018)

Todos lo Saben tem um argumento típico de Asghar Farhadi, que oscila entre o drama e o thriller familiar. Um casamento numa pequena povoação espanhola é o cenário de um rapto de uma adolescente que vai escancarar amores e ódios do passado afinal ainda vivos. O mais interessante não será tanto descobrir os autores do rapto, mas perceber como o ódio passa de geração em geração e pode concretizar-se por meios inesperados. Uma história vivida no seio de uma familia mas com sugestivas conotações sociais políticas.  O filme é uma coprodução entre Espanha, França e Itália, é falado em espanhol, e tem um carismático trio de protagonistas: Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín. Paris 2018 Bercy 3,5/5

15.5.16

La Academia de las musas (José Luis Guerin, 2015)




Um dos filmes mais originais que vi ultimamente foi La Academia de las Musas (2015) de José Luis Guerin. Mesmo para quem se habituou ao talento excecional do realizador, este seu último filme desconcerta. Um professor de literatura numa universidade fala sobre o amor e as musas dos grandes líricos do passado. Na plateia da sua aula, vários rostos femininos, mais ou menos jovens, seguem com interesse o professor e interpelam-no. A questão que se põe com prioridade é a das musas hoje e a reativação do seu papel. Todo o filme remeterá para esta questão fascinante e veremos a teia de relações afetivo-intelectuais que o professor estabelece com várias mulheres, incluindo a sua esposa. 
Formalmente o filme não é menos impressionante. Guerin multiplica os grandes planos de rostos femininos vistos através de vidros (das casas, dos carros, vidros molhados pela chuva) que dão ao filme uma identidade visual única. Um dos raros grandes filmes espanhóis dos últimos anos. Paris O5.2016 ESM 4/5





7.2.14

Las brujas de Zugarramurdi (Álex de la Iglesia, 2013)


Las brujas de Zugarramurdi (2013) de Álex de la Iglesia é uma comédia de horror espanhola cuja principal originalidade é aproveitar a tradição europeia, espanhola, do imaginário da bruxaria para fazer entretenimento de qualidade. Os americanos detêm o monopólio de tratamento ao nível da cultura de massa de muitas tradições fantásticas com origem europeia. De forma intermitente, os europeus conseguiram contrariar esse domínio, mas há sempre paragens de produção nessa área e será sempre difícil de retomar esse esforço. 
Álex de la Iglesia tem tido o mérito de insistir nessa linha de produção popular virada para o fantástico e é um dos poucos a fazê-lo na Europa. Porém, os resultados nem sempre são bons. Las brujas é um filme por vezes muito divertido e outras vezes enfadonho. Merecia um argumento mais sucinto. Os atores são muito bons.
Este filme venceu 8 prémios Goya 2014 (entre eles, o de melhor atriz secundária para Terele Pávez e o de melhor montagem). Foi o que venceu mais estatuetas, o que me leva a pensar que o cinema espanhol está mesmo a atravessar um momento menos bom. Paris 2014 Le Nouveau latina 3/5
A banda sonora de Joan Valent foi nomeada para vários prémios. O filme foi produzido porEnrique Cerezo Producciones Cinematográficas S.A. e La Ferme! Productions.