Um dos filmes mais originais que vi ultimamente foi La Academia de las Musas (2015) de José Luis Guerin. Mesmo para quem se habituou ao talento excecional do realizador, este seu último filme desconcerta. Um professor de literatura numa universidade fala sobre o amor e as musas dos grandes líricos do passado. Na plateia da sua aula, vários rostos femininos, mais ou menos jovens, seguem com interesse o professor e interpelam-no. A questão que se põe com prioridade é a das musas hoje e a reativação do seu papel. Todo o filme remeterá para esta questão fascinante e veremos a teia de relações afetivo-intelectuais que o professor estabelece com várias mulheres, incluindo a sua esposa.
Formalmente o filme não é menos impressionante. Guerin multiplica os grandes planos de rostos femininos vistos através de vidros (das casas, dos carros, vidros molhados pela chuva) que dão ao filme uma identidade visual única. Um dos raros grandes filmes espanhóis dos últimos anos. Paris O5.2016 ESM 4/5