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28.7.26

Dixiana (Luther Reed, 1930)

Dixiana é um filme musical do início do sonoro, com realização e argumento de Luther Reed a partir de uma história de Anne Caldwell. E o argumento é um dos pontos fracos deste e de muitos filmes similares da época. Um jovem aristocrata (Everett Marshall) enamora-se da artista de circo Dixiana (Bebe Daniels) mas vai ter de enfrentar dois opositores a essa relação: a sua mãe (Jobyna Howland) e um pretendente de Dixiana, financiador do teatro-circo (Ralf Harolde). Esta trama é permanentemente sabotada por números musicais e por números cómicos assegurados sobretudo pela dupla Woolsey & Wheeler. O drama é assim abafado pelos momentos de entretenimento puro, que é o grande objetivo deste tipo de filmes. A estrela do filme, Bebe Daniels, foi uma estrela do cinema mudo e conseguiu manter esse estatuto nos primeiros anos do sonoro, como atriz e cantora. Este filme testemunha o seu talento. O seu par romântico (Everett Marshall) é uma nódoa. Sobressaem Bert Wheeler e Robert Woolsey, a tal dupla cómica já consagrada nos palcos. Os últimos 20 minutos são em tecnicolor, que serve para sublinhar a beleza plástica da cena do baile. Mal o cinema sonoro nascia e já queria ser a cores. VC 2/5 

Elenco: Bebe Daniels (Dixiana Caldwell), Everett Marshall (Carl Van Horn), Bert Wheeler (Peewee), Robert Woolsey (Ginger Dandy), Joseph Cawthorn (Cornelius Van Horn), Jobyna Howland (Birdie Van Horn), Dorothy Lee (Poppy), Ralf Harolde (Royal Montague), Edward Chandler (Blondell), George Herman (Contortionist), Raymond Maurel (Cayetano Bruce), Covington (Company porter), Bill Robinson (Specialty Dancer), Eugene Jackson (Cupid)

9.7.26

Follow the Fleet (Mark Sandrich, 1936)

Follow the Fleet (Siga a Marinha, em Portugal) foi um dos maiores sucessos comerciais da dupla Fred Astaire-Ginger Rogers e da produtora RKO. Não terá o brilho dos melhores musicais e fica bem abaixo das grandes obras da MGM, mas a presença de Astaire-Rogers é mágica e faz deste filme um clássico que apetece rever sempre. Tinha-o visto em 2013 na mesma sala de cinema parisiense (Le Desperado) que agora apresenta um pequeno ciclo dedicado a Ginger Rogers. O melhor do filme é Fred Astaire, quer nas cenas musicais (dança e canta temas de Irving Berlin), quer nas cenas de pura comédia. Ele e os seus camaradas marinheiros saem do navio para conhecerem mulheres e, numa das cenas mais divertidas, dançam uns com os outros para aprenderam a dançar e conquistar as mulheres quando estiverem de licença. Grande momento musical é a dança de Let's Face the Music and Dance, que arremata o filme com chave de ouro. Paris 2013 & 2015 Le Desperado 4/4
Follow the Fleet (Mark Sandrich, 1936)
EN SUIVANT LA FLOTTE

The Story of Vernon and Irene Castle (H. C. Potter, 1939)

Com este filme terminava a dupla Fred Astaire-Ginger Rogers na RKO, iniciada em 1933 com Flying Down to Rio. Trata-de de uma boa comédia musical que toma a forma de um biopic, pois conta a carreira de um casal de dançarinos que se tornou famoso nas primeiras décadas do século XX na Europa (onde se formou) e nos EUA. Vernon Castle morreu durante a Grande Guerra e pela primeira vez Fred Astaire morreu num filme. Algo de inusitado nas comédias musicais mas que quase sempre acontece nos muito biopics musicais que se fizeram. Paris 2015 Le Desperado 4/5

42nd Street (Lloyd Bacon, 1933)

Estreia nos EUA: 23/02/1933

RUA 42
Estreia em Portugal: 14/03/1934
Cinemateca Portuguesa: 20/09/2010

42nd Street é um dos musicais mais importantes da história do cinema, a ponto de ter inspirado, 50 anos mais tarde, um musical da Broadway. Originalmente 42nd Street é um romance de Bradford Ropes, uma escritora e argumentista de Hollywood. A história é típica dos musicais do passado e do presente: a montagem de um espetáculo e a ascensão de uma nova estrela, que substitui à última hora a estrela escalada para a produção. O filme é um típico backstage musical e todas as pequenas histórias que animam as personagens apagam-se para o espetáculo brilhar. Como o filme se passa durante a Grande Depressão, o sacrifício coletivo impõe-se com uma força dramatúrgica própria. Nesse sentido, são impressionantes os ensaios do corpo de bailarinos, levados à exaustão, sob a autoridade do diretor e dos seus acólitos que nada fazem senão gritar. São cenas que vimos muitas vezes, como em A Chorus Line ou Fame. O que faz este filme ser tão maravilhoso que me levou a vê-lo com prazer duas vezes na mesma semana? Não é certamente o seu registo de comédia. Há alguns diálogos ou falas que pretendem fazer rir mas nem nos fazem sorrir. Alguns atores secundários são muito limitados. Valem pela sua fotogenia adequada ao papel mas suspeitamos que pelo mesmo motivo, pelo mesmo papel, vâo aparecer tal e qual em outros filmes. Nem Ginger Rogers escapa a essa pecha do cinema industrializado. O melhor do filme é quando vemos o musical pronto no final, com números musicais e coreografias encenados no palco, tudo concebido e filmado pelo mago Busby Berkeley. Inesquecíveis os travellings das pernas das coristas, sobretudo o que nos mostra o interior das coxas, filmadas como uma arcada de colunas de mármore... As canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras) são outros dos trunfos do filme, assim como as duas atrizes principais, a estrela consagrada (Bebe Daniels) e a novata que a vai substituir no espetáculo Pretty Lady e tornar-se a nova sensação da Broadway (Ruby Keeler). Os homens não têm grandes oportunidades de brilhar. Paris 02.2019 Sala Christine 4/5 
42nd Street (1933). Argumento de Rian James, James Seymour e Whitney Bolton. Coreografia de Busby Berkeley. Intérpretes: Warner Baxter, Bebe Daniels, George Brent, Ruby Keeler, Dick Powell, Ginger Rogers.
Canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras)
You're Getting To Be A Habit With Me (cantado por Bebe Daniels)
It Must Be June (cantado por Bebe Daniels, Dick Powell e coro) 
Shuffle Off to Buffalo (cantado e dançado por Ruby Keeler e Clarence Nordstrom, com Ginger Rogers, Una Merkel e coro)
Young and Healthy (cantado por Dick Powell, Toby Wing e coro)
42nd Street (cantado e dançado por Ruby Keeler, cantado por Dick Powell)

Lloyd Bacon, um realizador esquecido de Hollywood, assinou excelentes musicais para a Warner nos anos 30. Pelo menos dois merecem ficar como marcos da comédia musical: 42nd Street (1933) e Footlight Parade (1933). Ambos têm coreografia do grande Busby Berkeley e é em boa parte devido a ele que estes filmes são vistos com prazer e admiração ainda hoje. Os dois filmes também partilham os autores das canções: Harry Warren (música) e Al Dubin (letras).
42nd Street é o mais famoso dos filmes de Bacon/Berkeley e tem lugar cativo na lista dos grandes musicais. Trata-se de um musical de bastidores, pois apresenta a história da produção de um musical da Broadway, com espaço para as intrigas amorosas entre os artistas, para as cenas de ensaios e, claro, para a apresentação do espetáculo em causa e o seu inevitável sucesso. Mas o melhor continua a ser as coreografias de Berkeley e a sua tradução cinematográfica. VC 2015 DVDTECA Nota: 4/5

1.7.26

Honolulu (Edward Buzzell, 1939)

Honolulu (Edward Buzzell, 1939)
Uma estrela de cinema (Robert Young), farto do assédio das fãs, encontra por acaso um sósia e decide trocar com ele os planos  que têm para os dias seguintes. O ator viaja para Honolulu, para as plantações que pertencem ao seu sósia, e este viaja para Nova Iorque. Como nem os familiares nem os amigos mais chegados se apercebem da troca, multiplicam-se as cenas cómicas próprias deste tipo de história. Esta comédia (o realizador, Edward Buzzell, dirigiu os irmãos Marx em dois filmes) é enriquecida por momentos musicais pouco entusiasmantes (mas gostei bastante da dança de Eleanor Powell), com música de Georgie Stoll e Franz Waxman. A mesma MGM que produziu Honolulu estava a preparar uma revolução na comédia musical, Wizard of Woz. Vila do Conde 1.2018 DVDTECA 3/5

1.6.26

Female (Michael Curtiz, 1933)

REAL Michael Curtiz, William Dieterle (uncredited), William A. Wellman (uncredited, 17 scenes) ARG Gene Markey, Kathryn Scola, baseado no romance Female (Donald Henderson Clarke, 1933) PROD Robert Presnell Sr. Warner Bros. ELENCO Ruth Chatterton, George Brent EST 11.11.1933

DVD Warner Bros. 2013
DVDteca


2.10.23

It Happened One Night (Frank Capra, 1934)


Ainda me lembro de quando vi It Happened One Night na Cinemateca Portuguesa, em 1991... esse e vários filmes de Frank Capra, na retrospetiva a ele dedicada. Aconteceu uma Noite é um filme muito importante, não tanto pela proeza rara de ter recebido os cinco óscares principais (Best Picture, Director, Screenplay, de Robert Riskin, Actress, Actor), mas por representar, com grande apuro artístico, o nascimento de um género de comédia que viria a ficar para a história: a screwball comedy. Uma herdeira rica (Claudette Colbert), em fuga para se casar com o homem que o pai não aprova, conhece um jornalista (Clark Gable) na viagem entre Miami e Nova Iorque. Os dois acabam por se apaixonar, depois de uma longa viagem em que ficou mais que provado terem génios incompatíveis. Esta comédia romântica é também um road movie que representa a evolução do cinema americano no sentido da sua maior americanização (e maior independência face às influências europeias que eram fortes no tempo do cinema mudo). Paris 01.2018 Sala Christine 4/5

DVDTECA 7:

Platinum Blonde (1931)
Mr. Deeds Goes to Town (1936)
Lost Horizon (1937)
Mr Smith Goes to Whashington (1939)
State of the Union (1948)
Pocketful of Miracles (1961) 

ARSENIC & OLD LACES (1944)
DVD-Livre Hors Collection Éditions 2006
Livro de Marc Mémoire
DVDTECA

27.3.20

Bad Sister (Hobart Henley, 1931)


Bad Sister é o filme de estreia de Bette Davis mas ela não é a irmã malvada do título, interpretada pela também estreante Sidney Fox. Este primeiro passo de Bette não seria portanto um modelo para a sua restante carreira, durante a qual ela seria quase sempre a protagonista e a má da fita. O filme é, na verdade, sobre uma família feliz e unida que beira a tragédia quando Sydney Fox, ambiciosa e arrogante, leva o pai à ruína. Ela é perdoada e casa com um dos seus muitos pretendentes. Entretanto já havia lançado o seu antigo noivo (Conrad Nagel, um galã da época) para os braços da irmã (Bette Davis) e também tinha sido enganada por um arrivista (Humphrey Bogart), que lhe rouba o dinheiro e a abandona num quarto de hotel. Tudo isto num filme de apenas uma hora... Melun 03.2020 TV 3/5
Pre-Code drama, produzido por Carl Laemmle Jr. (Universal), argumento de Edwin H. Knopf, Tom Reed e Raymond L. Schrock, adapta romance The Flirt (Booth Tarkington, 1931), com Bette Davis, Sidney Fox, Conrad Nagel, Humphrey Bogart, ZaSu Pitts.
DVD Bach Films 2007
Série Les Grands Classiques d'Universal
DVDTECA


31.10.18

Wuthering Heights (William Wyler, 1939)

WUTHERING HEIGHTS (1939) 

O ultra-romantismo, as paixões vulcânicas, mais latinas do que britânicas, de Wuthering Heights, não são matéria para a Hollywood clássica, nem para o quase académico William Wyler (King Vidor teria sido a escolha acertada). Gostei muito da versão mexicana de Luiz Bunuel, feita no período dos grandes melodramas mexicanos dos anos 40/50, mas teria de rêver o filme para ter mais certezas. E no entanto o filme de Wyler é precioso, e é um bom exemplo dos filmes "britânicos" de Hollywood nos anos 30, alimentados pela numerosa colónia  artística inglesa da California. Olivier, Niven, Robson entre outros marcam presença nesta produção de prestígio de Samuel Goldwyn no ano mais prodigioso de Hollywood...
Wuthering Heights (1939), produzido pela Samuel Goldwyn Productions, argumento de Charles MacArthur, Ben Hecht e John Huston (adaptação do romance homónimo de Emily Brontë), com Laurence Olivier (Heathcliff), Merle Oberon (Catherine Earnshaw Linton), David Niven (Edgar Linton), Flora Robson (Ellen Dean), Geraldine Fitzgerald (Isabella Linton), Hugh Williams (Hindley Earnshaw). Vila do Conde 10.2018 DVDTECA 3,5/5

19.7.17

20.000 Years in Sing-Sing (Michael Curtiz, 1933)

Um filme de Michael Curtiz pouco conhecido com duas estrelas maiores: Spencer Tracy & Bette Davis. O filme passa-se quase todo na prisão de Sing-Sing, onde se encontra criminoso interpretado por Tracy. Um dia, o diretor da prisão liberta-o para que ele visite a sua namorada (Davis), que está a morrer. Cinémathèque 2013 & DVD Trésors de Warner 3,5/5

26.12.13

Way Out West (James W. Horne, 1937)


O Bucha e o Estica já não têm para mim a mesma piada que tiveram quando era miúdo. Os irmãos Marx resistiram melhor, isto para não falar de Buster Keaton, que não faz parte das minhas lembranças de infância. Way Out West foi realizado por e produzido por Stan Laurel e Hal Roach para os Hal Roach Studios. VC 2013 DVDTECA (2,5)