Paris 2013 Odéon
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3.8.26
The Lady in the Van (Nicholas Hytner, 2015)
Gosto muito do cinema inglês. Mas não pelas mesmas razões que me levam a gostar do cinema francês, por exemplo. Neste admiro os filmes de autor, e por isso, atento sempre no nome do realizador. No cinema britânico atento nos atores e no argumentista, sobretudo. Realizadores pouco importantes podem dar origem a filmes memoráveis, porque outros contributos podem sobressair. É o caso de The Lady in The Van. Escrita por Alan Bennett (uma peça de teatro que também virou radiofônica) e protagonizada por Maggie Smith, esta comédia irresistível foi um sucesso em terras de Sua Majestade mas em França tem tido uma difusão muito limitada. Porém, é melhor e mais cativante do que o recente Brooklyn. Alan Bennet é um dramaturgo de sucesso, solteirão e solitário, que mantém a mãe à distância. Ele compra uma casa num bairro chic de Londres, também escolhido por uma velhota sem-abrigo que vive numa furgoneta. Esta logo ocupará a entrada da casa de Bennett e os dois estabelecem uma curiosa relação de amizade testemunhada aliás por toda a vizinhança. Bennet é ambivalente em relação à atitude a tomar perante a velhota e por isso a personagem aparece desdobrada no filme, um Bennett contracenando com outro Bennett. Assim esta comédia é mais original do que poderia à partida pensar-se, não se esgotando na história de uma sem-abrigo com uma personalidade fascinante. Um dos melhores filmes britânicos do ano passado (com 45 Years, Ex Machina, Brooklyn e Paddington). Paris 03.2016 Les Halles 4/5
28.7.26
The Party (Sally Potter, 2017)
Janet (Kristin Scott-Thomas) é eleita para o governo britânico e resolve dar uma festa para os amigos mais próximos. Mas a festa azeda rapidamente com as revelações feitas por um dos convidados... Além de ter realizado The Party, Sally Potter também escreveu o argumento, que prima pela facilidade satírica e por surpresas previsíveis. Com um texto tão fraco, os atores (que são a razão pela qual fui ver o filme) não conseguem dar o seu melhor. Grandes atores como Timothy Spall e Cillian Murphy espalham-se ao comprido, Patricia Clarkson é a víbora e a cínica de serviço, Talvez Scott-Thomas seja a que se sai melhor. Além destes há ainda Bruno Ganz (o estrangeiro), Cherry Jones e Emily Mortimer (as lésbicas). Uma festa e um filme falhados. Paris 2017 Les Halles 2,5/5
16.6.26
Bait (Mark Jenkin, 2019)
REAL.ARG Mark Jenkin EST 9.02.2019 (F. Berlim) 30.08.2019 (GB, salas) 3.06.2026 (França, salas) VISTO Paris 16.06.2026 Beaubourg
8.5.26
We Need to Talk about Kevin (Lynne Ramsay, 2010)
Kevin conta a história de uma tragédia familiar típica das capas da imprensa sensacionalista. Um jovem mata com flechas o pai e a irmã, ainda criança. A protagonista do filme é todavia a mãe, magnífica Tilda Swinton. Foi ela que o criou e o tentou salvar, é ela que ficou para expiar a tragédia da familia. Lynne Ramsay, como no seu mais recente filme (também sobre salvação de jovens e expiação), nunca envereda pelo moralismo que o tema parece pedir. A relação de causalidade entre os eventos terríveis e o processo de formação de Kevin é sugerida, nunca imposta. Tilda foi nomeada para melhor atriz nos Golden Globe e nos BAFTA. Bom filme. Vila do Conde 10.2018 DVDTECA 3/5
6.5.26
Peter Rabbit (Will Gluck, 2018)
Nnnn
Não conhecia o universo de Beatrix Potter. Apesar dos limites do filme, sobretudo ao nível do argumento, é fácil perceber por que Peter Rabbit e os amigos são tão populares. Eles enfrentam os seres humanos quando não gostam deles e quando estes não são bons para a natureza. Mas a história rocambolesca deste primeiro Rabbit deve mais aos códigos de Hollywood do que a Potter. Melun 06.2020 (2,5/5)
Peter Rabbit (Will Gluck, 2018), escrito por Rob Lieber e Will Gluck, adaptação da obra de Beatrix Potter, com Rose Byrne, Domhnall Gleeson e Sam Neill.
23.4.26
Another Year (Mike Leigh, 2010)
REALIZADOR Mike Leigh ARGUMENTO Mike Leigh PRODUÇÃO Georgina Lowe // Film4 UK Film Council Thin Man Films ELENCO Jim Broadbent, Lesley Manville, Ruth Sheen FOTO Dick Pope MÚSICA Gary Yershon ESTREIA F. Cannes 2010 / 27.01.2011 (Portugal) VISTO Paris: Odéon 2011 Paris 29.03.2025 Cinémathèque NOTA 4/5 DVDTECA
Mr. Turner (Mike Leigh, 2014)
MR. TURNER (2014)
Mike Leigh é o realizador britânico contemporâneo que eu mais admiro e amo, e Topsy Turvy, um biopic de 1999 sobre uma dupla de compositores de operetas do século XIX, é o meu filme preferido dele. Mr. Turner, outro biopic sobre o maior pintor inglês, é mais um grande filme de Mike Leigh, mais uma obra-prima. É sempre difícil fazer um grande filme sobre um criador, Pialat fez um sobre Van Gogh, mas Mike Leigh não lhe fica atrás e assina um filme belíssimo, um filme histórico que nos devolve um grande criador através do homem, do ser humano único que ele foi, com o seu lado desprezível (na relação com os filhos e com criada) e o seu lado generoso (na relação com o pai e com a mulher que o acompanhou nos últimos dias). E, claro, existem cenas maravilhosas que nos sugerem a origem da sua inspiração e sobretudo sobre a aceitação e rejeição da sua obra pelo meio social e artístico da época. O ator principal (Timothy Spall) e todos os outros são magníficos, como sempre nos filmes de Leigh. Paris 12.2014 Arlequin 4,5/5
20.4.26
Late Night (Nisha Ganatra, 2019)
Late Night é uma das boas comédias deste ano (pelo-me por uma boa comédia!). Emma Thompson é uma estrela da televisão, dona e senhora de um daqueles talkshows do fim da noite em que o apresentador rouba quase sempre a cena aos convidados. Emma é assim, nem se preocupa em disfarçar, e é adorada pelo público que com ela cresceu. Tornou-se uma profissional fria e inacessível, que não conhece o nome dos profissionais que escrevem o que ela diz há anos. A entrada de uma mulher na equipa exclusivamente masculina vai mudar as coisas e sabemos de antemão para onde vai a história, já vimos isto outras vezes, a queda de um ídolo do seu pedestal. O melhor do filme é o que se passa nos bastidores, na relação entre as várias personagens, a evolução de Emma é apenas o que permite rematar a história central. Paris 09.2019 Bibliothèque 3/5
ELENCO Emma Thompson, Mindy Kaling, John Lithgow, Reid Scott, Amy Ryan, Denis O'Hare, Hugh Dancy, Max Casella, Paul Walter Hauser, John Early, Megalyn Echikunwoke, Ike Barinholtz, Halston Sage, Seth Meyers, Bill Maher, Faith Logan, Annaleigh Ashford, Marc Kudisch, Jake Tapper, Maria Dizzia REAL. Nisha Ganatra PROD. Howard Klein, Mindy Kaling, Ben Browning, Jessie Henderson ARG. Mindy Kaling
ESTREIA 25.01.2019 (F. Sundance) 21.08.2019 (França) TVCine 20.04.2020 PROGRAMA DA NOITE (Portugal)
18.4.24
Ex-Machina (Alex Garland, 2014)
Civil War (2024)
Filme de Alex Garland
Paris 2024 Les Halles 3/5
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| 1º EX MACHINA (2014) |
No ano passado vi um excelente filme de FC britânico, Under the Skin de Jonathan Glazer. Este ano os britânicos (produção da Film4 coma Universal Pictures) voltam a surpreender com este Ex-Machina, estreia na realização do conhecido argumentista (The Beach, 28 Days Later) Alex Garland. Um jovem é escolhido para fazer um trabalho aliciante: testar uma nova máquina humana, criada por um milionário que, tal como Kurtz de Heart of Darkness, vive isolado numa casa na floresta e desenvolve comportamentos marcados pela loucura e pela megalomania. O argumento é muito bom e a realização está à altura. Paris 06.2015 (4/5)
4.4.23
Archipelago (Joanna Hogg, 2010)
Paris 2023 Reflet Medicis 4/5
Uma família de classe média-alta passa uns dias na casa de campo, numa ilha britânica. Os dois irmãos não se entendem e as divergências aumentam com a passagem dos dias. A mãe espera pelo marido para gerir a tensão familiar, mas ele nunca aparece. Excelente filme.
9.8.22
La Librería (Isabel Coixet, 2017)
La Librería merece estar numa lista dos filmes mais sedutores do ano passado (mas estreou em 2017 em Espanha). Narra a história de uma viúva, ávida leitora, que decide abrir uma livraria numa pequena vila costeira. A história não é original, vem num livro (adaptado pela realizadora Isabel Coixet) da escritora britânica Penelope Fitzgerald. A viúva (Emily Mortimer) não tem grandes apoios para abrir a livraria, mas quando abre os clientes aparecem, em particular um grande leitor (Bill Nighy), que se torna seu amigo. Mas uma aristocrata local (Patricia Clarkson) faz tudo para expulsar a livreira da velha casa que ela ocupou. O filme é uma produção espanhola mas é britânico até à medula. Foi nomeado para 12 Goyas e recebeu três dos principais prémios: Película, Dirección e Mejor guion adaptado (dois prémios para Isabel Coixet). Foi um sucesso em Espanha, onde fez 500 000 espectadores. Paris 01.2019 Cinéma Lucernaire 4/5
17.2.22
17.5.21
Agatha and the Curse of Ishtar (Sam Yates, 2019)
Recém divorciada do primeiro marido, Agatha Christie começa a escrever um romance não policial, para fugir ao estereótipo de romancista do crime. Resolve igualmente ir ao Egito onde se inteira de um caso de tráfico ilegal de achados arqueológicos. Várias mortes acontecem, a começar pela morte de um macaco de estimação... Agatha irá tudo resolver, como se fosse a heroína de um dos seus romances. Melun 05.2021 TV 3 /5
3.1.21
Johnny English Strikes Again (David Kerr, 2018)
Rowan Atkinson é um dos comediantes mais marcantes dos últimos 40 anos. Cresci com ele na pele de Black Adder e Mr. Bean. Johnny English é uma criação mais recente, julgo que apenas foi apresentada no cinema. Mais uma vez o agente secreto mais desastrado de que há memória vai atuar ao serviço de sua Majestade, ou melhor, da Prime Minister britânica (Emma Thompson). Muito divertido. VC 2020 Netflix 3,5/5
24.8.20
Man in an Orange Shirt (Michael Samuels, 2017)
Os constrangimentos do amor homossexual nos anos 1940 e em 2017. A história de dois homens que à distância de 70 anos não conseguem ter uma vida amorosa plena: um casa-se para encobrir uma vida homossexual desejada, outro (o neto do primeiro) esconde a sua vida à avó que o criou (e que julgou vencer o pecado do marido). O filme é da BBC e conta de certa forma uma história da família do argumentista Patrick Gale. Com Vanessa Redgrave, Julian Morris e Oliver Jackson-Cohen. Recebeu o International Emmy Award for Best TV Movie or Miniseries. VC 2020 (3/5)
1.6.20
The Sense of an Ending (Ritesh Batra, 2017)
Certamente o romance de Julian Barnes é melhor do que a sua adaptação ao cinema. A história de The Sense of an Ending tem a complexidade dos grandes romances, que dificilmente o cinema pode atingir (apesar do bom argumento de Nick Payne). Um homem de idade tem coisas no passado que não estão resolvidas, que ele calou para a sua ex-mulher e para si mesmo. São coisas da sua juventude, do seu primeiro amor, das amizades da universidade, de suicídios cuja explicação permaneceu obscura. O filme oscila entre o presente e o passado juvenil das personagens com desenvoltura mas sem brilho. Naturalmente o elenco britânico é o grande trunfo do filme: Jim Broadbent, Charlotte Rampling, Harriet Walter, Billy Howle, Emily Mortimer e Michelle Dockeryn. Melun 2020 (3,5/5)
21.5.20
Emma (Autumn de Wilde, 2019)
Gostei muito desta adaptação do clássico de Jane Austen. A nova geração consegue de facto tirar o pó que encontramos sempre nas adaptações mais ilustrativas. Aconteceu este ano com Little Women e agora acontece com Emma. Esta é uma jovem com vocação de solteirona e alcoviteira, que se diverte a fazer e desfazer as relações dos seus amigos. Estes percebem e afastam-se. Mas no universo de Austen, temos sempre um fim feliz garantido. Emma desfaz os seus erros e também entra na carreira do casamento, mas por amor, que é a grande causa de Austen nos seus livros. Melun 2020 (3,5/5)
Emma (Autumn de Wilde, 2019), argumento de by Eleanor Catton, adaptação de Jane Austen (1815), Emma (Anya Taylor-Joy), Mr. Woodhouse (Bill Nighy), Harriet (Mia Goth), Johnny Flynn (George Knightley), Josh O'Connor (Mr. Elton), Callum Turner (Frank Churchill), Miranda Hart (Miss Bates)
Emma (Autumn de Wilde, 2019), argumento de by Eleanor Catton, adaptação de Jane Austen (1815), Emma (Anya Taylor-Joy), Mr. Woodhouse (Bill Nighy), Harriet (Mia Goth), Johnny Flynn (George Knightley), Josh O'Connor (Mr. Elton), Callum Turner (Frank Churchill), Miranda Hart (Miss Bates)
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