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28.6.23

Le Douanier Rousseau

Le Douanier Rousseau, ou l'éclosion moderne (Musée d'Orsay, 2016)
Foi emocionante ver a obra de Douanier Rousseau, um pintor que descobri recentemente, reunida no Museu de Orsay. O melhor ficou para o final: duas salas com os grandes quadros que representam a selva com alguns estranhos seres no centro viradas para nós, quadros enigmáticos que saíram da imaginação de um pintor que nunca saiu de Paris durante toda a sua vida! Esses quadros famosos e magníficos estão espalhados pelo mundo (Paris, NY, Moscovo, Washington, Cleveland, Chicago, Bale) e foram agora reunidos, provavelmente pela primeira vez, para esta importante retrospetiva parisiense. Paris 05.2016 Musée d'Orsay 5/5

Le Douanier Rousseau (Gilles Plazy, 1992)
Découvertes Gallimard nº153
 1ª edição 1992
BIBLIOTECA
Douanier Rousseau tem uma das vidas de pintores mais impressionantes que conheço. Toda uma vida a pintar perante a risada e a chacota (quase) gerais. Foi convidado a apresentar as suas obras no Salão dos Independentes, aliás desde a primeira edição e foi muitas vezes o centro das atenções não necessariamente pelas boas razões. Mas foi também, desde o início, defendido por Seurat, Signac, Alfred Jarry, Appolinaire e, no final da vida, por Picasso, que organizou em sua honra um banquete que ficou na história da arte. Mas a sede de reconhecimento nunca largou Rousseau e durante toda a vida viveu numa pobreza evidente, sempre crivado de dívidas aos fornecedores dos materiais necessários ao seu trabalho. Tentou por várias vezes, mas em vão, que o Estado francês lhe comprasse quadros e concorreu a projetos públicos. O reconhecimento que teve foi a estima dos pares. Viveu toda a vida adulta em Paris e não fez viagens. Foi um pintor urbano (ao contrário dos impressionistas seus contemporâneos) mas a fantasia levou-o a paragens longínquas e exóticas: a pintura da selva luxuriante é uma das suas imagens de marca. Póvoa de Varzim 2016 (5/5)

Découvertes Gallimard
2ª edição 2016

4.6.18

DELACROIX

Est-ce un Delacroix ? L'art de la copie (2025)
Paris: Musée Delacroix, mai 2025

L'ATELIER AU CŒUR DE LA CRÉATION 

La Madeleine dans le désert, 1845

L'éducation de la Vierge,1842

Portrait de Auguste Richard de la Hautière, 1828

Roméo et Juliette, 1851

Le Cardinal Richelieu..., 1831?

L'annonciation, 1841

Anacréon et une jeune fille, 1834

Lionne prête à s'élancer, 1863

Étude d'un homme nu, dit Le Polonais, 1822

Un forgeron, 1833?




Delacroix no Louvre (2018)
Uma impressionante retrospetiva de Delacroix pode ser vista no Louvre até julho. Para quem não conhece bem o pintor (como eu) vai ficar surpreendido com a variedade de géneros a que se dedicou. Quadros históricos e políticos, em que a História e a mitologia servem para defender posições políticas contemporâneas; quadros em que o exotismo (do mundo árabe do norte de África) não implica preconceito, antes revela, mais do que costumes, sensibilidades particulares e diferentes vivências íntimas do tempo; quadros florais ; cenas bíblicas; quadros de animais (felinos e cavalos) em luta; retratos. Gostei particularmente dos dois primeiros grupos de quadros. Delacroix queria atingir rapidamente a fama e para isso privilegiou os salões, onde podia ser visto por um público largo e fazer escândalo. Conseguiu tudo o que queria e ainda hoje os quadros monumentais desse período de juventude estão entre os seus melhores.  Ainda jovem acompanhou um mecenas a Marrocos onde fez imensos desenhos que depois o inspiraram na pintura de cenas locais, pintadas no essencial de memória. Paris 06.2018 Louvre 4/5

Delacroix and the Rise of Modern Art (National Gallery, 2016)
A exposição que a National Gallery de Londres dedica a Delacroix dá grande espaço aos pintores posteriores influenciados pelo mestre francês. Em certas salas exibem-se dois ou três quadros de Delacroix e duas ou três vezes mais quadros de outros pintores. Desconhecia que a influência de Delacroix sobre os pintores mais jovens fosse tão significativa. Mas é um facto que muitos destes inspiram-se diretamente na obra do romântico francês. De resto, parece-me que a exposição londrina não tem muitas grandes obras de Delacroix. Mesmo assim, como nunca prestei atenção à sua obra, a exposição foi uma revelação pessoal. Londres 04.2016 National Gallery 3/5

Delacroix "Une fête pour l'oeil" 
Nada sabia sobre Delacroix, pintor marcante do romantismo francês, que foi um dândi famoso e amigo de tantos homens e mulheres célebres do seu tempo, sobretudo ligado às artes. Delacroix fez sensação nos primeiros salões de arte em que participou e com a pintura Mort de Sardanopole tornou-se o chefe de fila dos pintores românticos, desafiando as regras dos neo-clássicos e dos seguidores de David. As reações de críticos e público foram violentas mas o espírito romântico estava introduzido. Em 1932 fez uma viagem a Marrocos, como convidado numa comitiva oficial do Estado francês, e trouxe de lá milhares de desenhos que deram origem a pinturas posteriores. A viagem foi uma revelação. Mesmo a antiguidade clássica que tanto amava ele foi descobri--la em solo africano (ele nunca chegou a fazer o Grand tour de Itália). Esta era a segunda viagem que fazia ao estrangeiro, depois de ter visitado em 1925 a Inglaterra, outra das suas principais influências. Delacroix dedicou grande parte da sua carreira a pintar paredes e tetos de dimensões consideráveis no Palácio do Luxemburgo,  na Biblioteca Nacional, na igreja de Saint-Sulpice e no Louvre, tendo sempre obtido tão nobres encomendas através do político Thiers. Delacroix foi até ao fim da vida um pintor nada unânime e só conseguiu entrar para o Instituto pouco antes de morrer. No entanto, foi defendido por alguns artistas, como Baudelaire, e teve uma enorme influência nas novas gerações de pintores, antecipando o impressionismo (ver quadro abaixo, La Mer de Dieppe). Leitura 03.2016 Paris 4.5/5



Delacroix Images de l'Orient (Herscher, 1995) 
BIBLIOTECA 

25.9.16

Herb Ritts en pleine lumière (MEP, 2016)

Apesar de conhecer muitas fotografias de Herb Ritts, mesmo não sabendo que são assinadas por ele, como as fotos de Madonna, foi uma revelação ver tantas das suas fotos juntas no quadro de uma retrospetiva que lhe dedica a MEP. Fotógrafo célebre, requisitado pelos famosos, Ritts elege o preto e branco, a imensa luz, as paisagens desertas, o corpo nu, o retrato humano, como obsessões que dão uma unidade notável à sua obra. Criou também alguns video-clipes, como Cherish, de Madonna, ou Wicked Games de Chris Isaac, apresntados na exposição. Só é pena que a esta ocupe duas salas, devia ser maior. MEP 5/5
Também gostei de Translúcidas, de Paolo Titolo, sobre transexuais. Dos corpos perfeitos e elásticos de Ritts passamos para os corpos imperfeitos, em transformação, dos homens em mulheres. MEP 3/5

9.9.16

Musée du Parfum de Fragonard

Reaberto, renovado há pouco tempo, o Musée du Parfum de Fragonard, é um espaço cultural magnífico na zona da Opéra de Paris. A entrada e a visita guiada são gratuitas. A famosa perfumeria está nas mãos das irmãs Costa (de origem portuguesa, disseram-me), descendentes da família fundadora da empresa no século XIX. A coleção permanente do museu é pequena mas é muito interessante, e depois de percorrê-la, passamos a olhar para os perfumes de outra maneira.

4.9.16

Museu Nacional de Arte Antiga

De volta ao MNAA, um dos meus sítios preferidos de Lisboa. Aproveitei para ver esta recente aquisição: “A Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira.

Eu não evoluo, viajo. José Escada retrospetiva (2016)

Trata-se da primeira exposição retrospetiva dedicada ao pintor José Escada (Lisboa, 1934-1980). Uma vida e uma carreira breves e marcadas pelas dificuldades financeiras e de reconhecimento artístico e pelo exílio (em França) por incompatibilidade com o regime de Salazar. Boa exposição, de inegável importância histórico-cultural. F. C. Gulbenkian 3/5

23.5.16

Charles Gleyre (1806-1874). Le romantique repenti

Charles Gleyre (1806-1874). Le romantique repenti é a primeira grande retrospetiva de um autor importante da pintura académica do século XIX. Nunca tinha ouvido falar deste pintor. A sua obra não é muito atraente, mas a sua carreira é interessante. Ele fez uma viagem pioneira ao Oriente (1934-1938), bem mais ousada do que a de Delacroix. Aliás o seu mecenas americano, John Lowell Jr., morreu durante a viagem e por isso hoje grande parte desse trabalho de Gleyre encontra-se nos EUA. Quando voltou a Paris, tornou-se um pintor académico reconhecido e um grande professor. Boa exposição. Musée d'Orsay 3/5

5.5.16

Amadeo Souza-Cardoso (Grand Palais, 2016)

Amadeo Souza-Cardoso (Grand Palais, 2016)
Nunca pensei ver uma exposição no Grand Palais dedicada a um artista português, mas felizmente isso aconteceu. Amadeo de Souza-Cardoso era a hipótese mais óbvia para tal feito e a exposição está a ser um sucesso. Sendo um grande pintor desconhecido internacionalmente, impressionou-me ver as salas do Grand Palais cheias de curiosos. Era notável a sua satisfação e admiração perante o que viam. Como disse a comissária da exposição Helena de Freitas este evento marca continuidade do reconhecimento cada vez mais alargado de Souza-Cardoso. Reconhecimento que aliás começou em vida do pintor: três dos meus quadros preferidos pertencem hoje ao Art Institut of Chicago, tendo sido adquiridos por um colecionador americano no célebre Armory Show de 1913. Paris 5/5

Amadeo Souza-Cardoso. Peintre Portugais (1995)
Centre Culturel C. Gulbenkian - Portugal 1995
BIBLIOTECA F

30.4.16

Georges de LA TOUR

GEORGES DE LA TOUR
Entre Ombre et Lumière
Paris: Jacquemard-André 2025
VISTO 03.02.2026

Obras apresentadas:
Le vieil homme c. 1618 San Francisco
Vielle Femme c.1618, San Francisco
Le vielleur au chien 1620s, Berges
Les mangeurs de pois c.1620 Berlin
Le vielleur à la sacoche c.1640 Remiremont
Saint Jérôme pénitent c. 1630 Estocolmo
Saint Jérôme pénitent c. 1630 à l'auréole Grenoble
Saint Thomas c. 1636 Paris
Saint Grégoire c.1630 Lisboa
Saint Philippe c1620 Norfolk
Saint Jacques Le Mageur c.1620 col part
Saint Jacques Le Mineur c.1620 Albi
Saint Pierre repensant 1645 Cleveland
Saint Pierre repensant, d'après La Tour, c.1647 Vic sur Seille
Saint Jacques le Majeur (atelier) c. 1643 col particulier m
Saint Jérôme lisant (atelier) c.1649 Nancy
Job raillé par sa femme c.1630 Épinal
La Femme à la puce c1632-1935 Nancy
L'argent versé 1620s Lviv Ucrania
La découverte du corps de saint Alexis, d'après c1648 Nancy
Le Nouveau-né c. 1647-1648, M. Rennes
Saint François en extase (d'après La Tour) c. 1643 Le Mans
La Madeleine pénitente c. 1635-1649 Washington
Saint Sébastien soigné par Irene d'après 1640s Orléans
Le souffleur à la pipe 1646 Tokyo
La Fillette au brasero 1640s Abu Dhabi
Saint-Jean Baptiste dans le désert c.1650 Vic sur Seille
Les joueurs de dès 1640s Stockton on Tees
Le Reniement de Saint Pierre 1650 Nantes


Outros pintores contemporâneos representados:
Louis Finson 1580-1617
Jean le Clerc
Mathieu Le Nain 1607-1677
Hendrick Ter Bruggen 1588-1629
Trophime Bigot 1579-1650
Adam de Coster c. 1586-1643

Georges de La Tour 1593 - 1652 (Prado, 2016)

Mesmo tendo preparado com cuidado o fim de semana em Madrid, quase me escapava a melhor exposição que se pode ver na cidade: Georges de La Tour, no Prado. Valeu-me ter visto os cartazes de rua a anunciar a exposição. O Prado conseguiu reunir 31 dos 40 quadros atribuídos a La Tour. Suponho portanto que esta retrospetiva é bem representativa da obra do pintor. Podemos ver, por exemplo, alguns Apóstolos de Albi, conjunto de 13 de que se conhecem apenas seis originais. Esse trabalho de La Tour é influenciado por Caravaggio (os modelos são gente vulgar, os apóstolos são retratados como gente humilde), assim como os três quadros que representam batoteiros e ladrões em plena ação. La Tour gostava de repetir personagens, como prova a série de Marias Madalenas, de tocadores de sanfona, dos batoteiros, de São Jerónimo. Viveu em Lunéville desde 1620 até à sua morte (1652) e os últimos anos foram dedicados aos noturnos de carácter religioso, de simplicidade comovente e ambiente silencioso, mas sem atributos sagrados, o que tem justificado uma leitura laica dessas obras. Madrid 2016 (5/5)

GEORGES DE LA TOUR
Histoire d'une découverte (2004)
Autores: Jean-Pierre Cuzin et Dimitri Salmon
Découvertes Gallimard nº 329 (2004)
BIBLIOTECA
Leituras, dezembro de 2025

GEORGES DE LA TOUR. Le maître des nuits
 (Robert Fohr, 1997)
Ed. Serpenoise 1997, 95p álbum
BIBLIOTECA

GEORGES DE LA TOUR (Anne Reinbold, 1991)
Editora Fayard 1991
BIBLIOTECA
Leituras 2010s
Leituras, janeiro de 2026

Sorolla Tierra adentro (Madrid, 2016)

Há muitos anos visitei o Museu Sorolla em Madrid. Foi há tanto tempo que não me lembrava da beleza dos seus jardins sevilhanos, com uma pequena fonte e bancos em azulejo. É um oásis na malha urbana e vertical de uma cidade que não esconde a sua formação imperial. Agora voltei ao pequeno museu para ver uma exposição temporária, temática, dedicada ao próprio Sorolla. Chama-se Tierra Adentro e apresenta a pintura paisagística do pintor. Para mim, Sorolla é o pintor da luz e do mar, dos corpos e da água. Mas ele afinal também pintou o interior e as cidades. Na exposição há vários quadros que representam Granada, Toledo e várias cidades de Castela. Esses quadros foram pintados num contexto cultural que enaltecia o nacionalismo espanhol e as suas particularidades regionais. A exposição cita vários escritores espanhóis que manifestam o amor pela sua terra. Madrid 3/5

17.4.16

Light, time, legacy - Francis Towne’s watercolours of Rome

Light, time, legacy - Francis Towne’s watercolours of Rome. Chama-se assim a excelente exposição que o British Museum está a apresentar desde janeiro. Francis Towne caiu no esquecimento durante um século mas desde os anos 1920 tem sido reabilitado e reconhecido como um grande aguarelista britânico. Como muitos artistas seus contemporâneos, visitou e pintou Roma (1780-81) e foi essa produção de aguarelas que o tornaram grande aos olhos dos seus contemporâneos. Uma boa descoberta. Londres 04.2016 3,5/5

1.4.16

Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature

Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature, é uma pequena exposição apresentada pelo Museu Cognacq-Jay sobre um pintor um pouco esquecido do século XVIII, século a cuja arte é dedicado aquele Museu. Huet teve uma carreira típica de artista consagrado para aquele século: tornou-se membro da Academia em 1768 (como "artiste animalier"), teve em 1869 a sua primeira participação no Salon des Arts e em 1770 obteve um atelier/apartamento no Louvre. Especializou-se na pintura de gênero, de géneros pouco nobres como a pintura de animais, e num gênero popular como o pastoral. Não tentou a pintura histórica, a mais importante. Algumas das suas melhores pinturas são: Un dogue se jetant sur des oies (1869, pintura com que foi recebido na Academia), Un loup percé d'une lance (1771) e Le Petit Chien au ruban bleu  (1771). Com o tempo passou a dedicar-se à pintura e ao desenho para decoração de interiores. Fornece modelos de tapeçaria para a manufatura real de Beauvais, e a partir de 1783 até à sua morte é um dos principais colaboradores da manufatura de Jouy, fundada por Oberkampf em Jouy-en-Josas. Paris 3/5

24.3.16

Renaud Monfourny & Tony Hage na M.E.P.


Bettina Rheims ocupa os vários andares superiores e todos os espaços nobres da M.E.P., mas descendo ao subsolo ainda há para ver três minúsculas exposições também interessantes: uma dedicada a fotógrafos de Taiwan, outra a Tony Hage e por fim a que mais me tocou, Sui Generis, de Renaud Monfourny. 
Pris sur le vif, de Tony Hage (Beirute, 1961), apresenta uma série de fotos de celebridades do mundo da moda e do cinema nos nos 1980. Publicadas originalmente na imprensa, as fotos revelam uma época em que as celebridades se deixavam fotografar com um à vontade que hoje se tornou difícil.  
Renaud Monfourny é um grande fotógrafo que ajudou a tornar a revista Inrockuptibles uma referência. Eu lembro-me de ter visto algumas das fotografias expostas, todas a preto e branco, que muitas vezes ocupavam uma página inteira da revista. São todas, se não erro, de grandes figuras do rock pop independente dos anos 90. Uma espécie de madrinha do indie rock, Patti Smith tem um lugar de destaque a abrir a exposição,  uma parede só pra ela. Gostei também muito das fotos de Elliot Smith, Bjork e, claro, Morrissey!

21.3.16

Hubert Robert (1733-1808) Un Peintre Visionnaire


Hubert Robert 1733-1808 Un Peintre Visionnaire, no museu do Louvre, é a primeira retrospetiva do pintor em Paris desde 1933. Hubert Robert fez a sua formação em Roma, onde permaneceu como pensionista da Academia de França entre 1754 e 1965. Tendo Pannini e Piranesi como referências na pintura de arquitetura, HR tornou-se com o tempo um pintor de arquitetura, sobretudo de ruínas. Havia na época a moda da Antiguidade, a "anticomania" que tinha a arte antiga como modelo e as escavações arqueológicos como método. Foi Diderot quem falou em "poética das ruínas" para deifinir a arte de HR. Na estadia romana foi companheiro de Fragonard na Academia e no trabalho, tendo feito pinturas e desenhos com a mesmas temáticas em 1759-60 (há uma sala na exposição dedicada a essa amizade e trabalho) . O estudo da paisagem e atenção ao pitoresco, assim como a técnica de fra presto (desenho ou pintura livre e esboçada) são influências de Fragonard sobre HR. O pintor não se cansou de desenhar Roma, como as obras de construção da fonte de Trevi ou  Les Cascatelles de Tivoli (feito mais tarde em 1768 como homenagem a Joseph Vernet, maior paisagista francês). Também foi criador de jardins: o parc de Méréville foi a sua obra-prima. Foi conservador do Louvre (1795) e o quadro de receção na Academia, Le port de Rome (1766), foi um dos 20 que expôs no Salão de 1767, que o consagrou em Paris depois da estadia em Roma. Uma enorme exposição (140 quadros) que me revelou um fantástico pintor. Paris 2016 Musée du Louvre 5/5

18.3.16

Philippe Halsman (Jeu de Paume, 2016)

A última vez que fui à Jeu de Paume foi para ver as fotos de Marilyn Monroe tiradas por Philippe Halsman. De longe, foram as fotos de Marilyn as que mais me seduziram. Para além da musa, outro artista teve direito a uma sala que lhe era inteiramente dedicada: Dali. Mas este não tinha um pingo de sex-appeal... Halsman tinha um método engraçado: punha os famosos a saltar sobre um colchão para os apanhar em pleno salto... entre o céu e a terra. É a jumpology. Escreve Halsman, "Quando saltamos,  a máscara cai e a verdadeira personalidade se revela". Não conhecia nem o nome do fotógrafo antes de ter visto esta retrospetiva de cerca de 300 obras. Apenas conhecia algumas fotos de estrelas de Hollywood. Paris 2016: 4/5

8.2.16

Alfons Mucha e le atmosfere Art Nouveau (2015)

Vizinha da exposição de Giotto no Palazzo Reale (Milão), a exposição Alfons Mucha e le atmosfere Art Nouveau não poderia ser mais diferente. Ele foi um dos melhores ilustradores do século XIX, tendo revolucionado a arte do cartaz publicitário. Por exemplo, é conhecida a sua colaboração com a atriz estrela Sarah Bernhard. Mucha, durante alguns anos, fez os cartazes que divulgavam as suas peças e quando ela partiu em turnê pelos Estados Unidos esses cartazes serviram de inspiração para os novos cartazes. Quase invariavelmente vemos nas obras de Mucha mulheres jovens e sensuais em cenários em que a Natureza ou certos elementos desta estão presentes. Dedicada ao mundo natural, algumas séries de estampas ficaram famosas, como as Estações ou as Pedras Preciosas. 02.2015 Milão 4.5/5
Giotto levou-me a visitar o Palazzo Reale, mas acabei também por ver no mesmo espaço a exposição sobre Alfons Mucha (1860), o artista checo de Art Nouveau que se destacou na ilustração, exaltando a beleza e a juventude através da figura feminina. De facto, o imaginário plástico que descobri na exposição não me era nada estranho, o que revela o quanto a obra de Mucha influenciou o século XX. No entanto eu não reconheci o seu nome. Mucha teve em Paris uma colaboração muito produtiva e que durou vários anos com a grande diva do teatro Sarah Bernhardt. O cartaz Gismonda (1894) tornou Mucha conhecido em todo o lado. Aquando da turné americana de Sarah, Mucha reaproveitou os cartazes para promover as peças da atriz. Em 1896, Mucha criou um famoso cartaz publicitário para os cigarros Job, assim como as estampas Les Saisons. A exposição apresenta com razão peças de artes decorativas, sobretudo cerâmica, que retomaram ilustrações de Mucha. Uma excelente exposição. 4.5/5

7.2.16

Scorsese L'Exposition

Nunca tinha visto uma exposição de cinema com tanta gente... E tantos jovens! Bem, a exposição e Scorsese merecem tal sucesso. A exposição organiza-se segundo um critério temático: a família, a amizade marcada pela fraternidade entre irmãos, a cinefilia, a música, entre outros, são temas fortes do cinema de Scorsese. Podemos ver adereços de filmagens, cartazes, fotos de filmagens, storyboards e muitos excertos dos filmes projetados em grandes ecrãs. O habitual nas exposições de cinema. Paris Cinemateca Francesa 3/5

22.1.16

Images du Grand Siècle (2016)

Images du Grand Siècle
L'estampe française au temps de Louis XIV, 1660-1715

Gosto de exposições temporárias não muito extensas que me permitem passar pelo menos duas horas mergulhado num trabalho concebido por especialistas sobre obras de arte quase sempre do passado. Desde que li um livro sobre a estampa no século XVIII passei a olhar para as gravuras, estampas e desenhos com outro interesse. 
Esta exposição é constituída por estampas parisienses da coleção da Biblioteca Nacional de França. Apesar destas limitações, é uma excelente exposição. A França torna-se no principal produtor de estampas e gravuras no final do século XVII. O reinado de Louis XIV é a idade de Ouro da gravura francesa. E foram as políticas oficiais que valorizaram as belas artes e as artes decorativas como símbolos do gosto francês.  A parte de que mais gostei foi a das estampas feitas a partir de grandes obras de antigos e contemporâneos. Há artistas que ficaram célebres pelas gravuras que fizeram a partir de grandes obras, como Jean Pesne com as obras de Poussin. Também Etienne Baudet fez muitas gravuras a partir de Poussin, que conheceu em Roma.

Poussin interpretado por Etienne Baudet

Outros exemplos que vi e admirei na exposição. La Sainte Famille de Jesus, c.1677, obra-prima de Gérard Edelinck a partir do quadro homônimo de Rafael; obras de Gaspard Duchange (1662-1757) ilustre gravador de história; Gilles Rousselet (1610-1686) gravou as suas melhores obras a partir de quadros de Guido Reni sobre a história de Hércules; Girard Audran (1640-1703), grande gravador da escola francesa, gravou estampas monumentais a partir das Batailles d'Alexandre, de Charles Le Brun, primeiro pintor do rei; Sébastien Leclerc (1637-1714) obteve imenso sucesso com as gravuras a partir de tapeçarias de Le Brun para as fábricas Gobelins; François de Poilly (1623-1693) gravou muito Philippe de Champanhe.
Hércules de Guido Reni interpretado por Rousselet

Outras partes interessantes da exposição: a gravura religiosa (a mais importante), as cenas de gênero, como as moralidades de Nicolas Guérard (1648-1719, publicou uma centena de pranchas de moralidades) e as gravuras de moda, nas quais se especializou a dinastia Bonnard. Paris 2016 BNF 5/5