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2.4.26

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)

Lino Ventura (Gilles Durieux, 2001)
Um dos atores mais amados pelos franceses, Lino Ventura representa efetivamente as qualidades da bondade, da coragem, da simplicidade pessoal daqueles que nasceram entre o povo. No caso de Ventura, ele representa o emigrante que se integrou na sociedade francesa, apesar das atitudes racistas que teve de suportar desde a escola primária. Nasceu em Parma, Itália, e foi criado pela mãe, tendo raramente visto o pai. Mae e filho passaram períodos muito difíceis e emigraram para Paris quando ele era bem pequeno. Ventura nunca deixou de celebrar e de voltar a Parma. Teve uma primeira carreira como lutador de catch, tenho sido campeão europeu na modalidade e em seguida tornou-se organizador de lutas. Mas nos anos 50 estrearia no cinema pela porta grande, ao lado de Jean Gabin, dirigidos por Jacques Becquer. Ne touchez pas au grisby e um marco do cinema policial frances. Foi dirigido ao longo dos anos por alguns grandes realizadores, como Claude Sautet e Melville. Desde a primeira cena que gravou, com um diálogo longo com o monstro sagrado Gabin, tornou-se evidente que era talhado para interpretar personagens destemidas e positivas, e interpretava-as muito naturalmente. A câmara gostava dele. O último filme que vi com ele foi Montparnasse 19, de Becquer, no qual fazia o seu primeiro papel de composição, o de um marchand de arte que se aproveita da morte de Modigliani para comprar todas as suas obras ao preço da chuva. Foram cenas poderosas. Esta biografia de Gilles Durieux, que conheceu Ventura, não é exemplar  nem de referência, mas cumpre o papel de oferecer uma narrativa razoável da vida do grande ator. Paris 04.2018 3/5

7.4.25

Biblioteca Atores FR


LES RENAUD-BARRAULT (2000)
Autor: gérard Bonal
Seuil 2000
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (1986)
Autor: Jean-Marc Loubier
Editions Ramsay 1986
BIBLIOTECA F

LOUIS JOUVET (2021)
Obra de Olivier Rony
Folio Biographies n°154 (2021)
BIBLIOTECA


24.4.17

Touchez pas au grisbis (1954)

A matriz deste film noir de Jacques Becker é obviamente americana. Até o argumento faz lembrar outros filmes americanos. Jean Gabin roubou umas barras de ouro para poder reformar-se. Mas esse último golpe vai custar a vida de dois amigos, pois um rival no mundo do crime (Lino Ventura) pretende eliminá-lo e apoderar-se do ouro. Uma atmosfera de desencanto e de cansaço domina o filme e as personagens, que pouco falam a não ser para dizer o essencial. Um filme seco e enxuto como os melhores policiais. Paris 2017 Le Champo 3,5/5

8.3.17

L'Arme à gauche (Claude Sautet, 1964)

O terceiro filme de Sautet é de 1963 mas é como se a nouvelle vague não tivesse acontecido. Uma história típica dos filmes noir americanos: um grupo de bandidos atraem um especialista em barcos (Lino Ventura) para desencalhar o barco que roubaram para contrabandear armas. Ele a a proprietária do barco ficam reféns dos contrabandistas e a longa sequência passada no mar e no barco é admirável. Uma boa surpresa, esta reposição de um filme pouco conhecido de Sautet. Paris 2017 FQL 3/5

20.5.15

Jean-Pierre MELVILLE

UN FLIC (1972)
Un flic junta Alain Delon e Catherine Deneuve, duas estrelas maiores dos anos 70, mas a química entre os dois não resulta. Poucos filmes vi de Melville mas já deu para perceber que o realizador é insuperável nas (longas) cenas de ação envolvendo polícias e ladrões, um mundo masculino feito de poucas palavras, muita ação e alguma honra. Em Un Flic assistimos a dois assaltos espetaculares, sendo o assalto do comboio particularmente impressionante para um filme europeu. O filme é um dos menos bons de Melville mas hoje não há polars franceses com este nível. Paris 05.2015 Le Reflet Médicis 3,5/5

LE CERCLE ROUGE (1970)
Le Cercle Rouge é um dos melhores filmes de Melville e inclui o tour de force do assalto à joalharia da Place Vendôme, quase meia hora de ação sem qualquer fala. Aliás este tipo de cena que envolve um assalto meticuloso tornou-se uma imagem de marca de Melville, estando presente em três dos quatro filmes que acabo de ver dele. Outra coisa surpreendente é a representação glacial de França, de Paris, que já tinha sido evidente em Un Flic. A Paris de Melville apenas existe sob um céu de chumbo ou sob chuva e as gabardines cobrem muitas personagens (mas não o guarda-chuva, que nem polícias nem ladrões usam). Mas é a atmosfera humana dos seus filmes que é pouco menos do que glacial. Em Melville só temos direito a corações no inverno: quase nenhuma das personagens tem companheira. Também em vão podemos esperar um sorriso de alguém. Em Le Cercle Rouge, a personagem do chefe de polícia (Bourvil) tem um único momento de ternura na sua vida: quando chega a casa e dá de comer aos gatos. Em todos os filmes que conheço de Melville é esta cena dos gatos a mais ternurenta. Um grande polar à francesa. Paris 05.2015 4/5

L'ARMÉE DES OMBRES (1969)
Este é um dos melhores filmes de Melville. Soube que foi estreado nos Estados Unidos apenas em 2006, tendo recebido uma série de prémios para melhor filme do ano. Quando estreou em França, o acolhimento não foi muito favorável. Afinal o filme trata da Resistência francesa durante a segunda Guerra Mundial e o contexto politico em que é visto influencia a sua leitura. Voltei a encontrar neste filme alguns traços presentes nos filmes de Melville da mesma época. Um classicismo extremo na realização que apenas acentua a representação glacial da sociedade francesa durante a guerra onde tudo está suspenso. As cidades estão vazias, as estradas também. O mais curioso é que os resistentes (Lino Ventura, Simone Signoret, entre outros) assemelham-se aos ladrões de outros filmes, preparando meticulosamente os assaltos ao ocupante nazi. E neste tipo de cenas, com poucas falas e muita ação, Melville é insuperável. Paris 05.2015 Arlequin 4/5
LE SAMOURAI (1967(
Nunca tinha visto este grande clássico. Merece todos os elogios que fui ouvindo sobre ele. Sério candidato ao melhor polar, ao melhor film noir europeu de sempre. E no entanto a história já foi mil vezes contada. Um homem (Alain Delon) é contratado para matar outro, mas logo vê-se perseguido pela polícia que o quer prender e pelos contratantes que o querem eliminar. Paris 12.2018 Ecoles 21 4/5

20.1.15

Classe tous risques (Claude Sautet, 1960)


Um dos maiores filmes noir do cinema francês, assinado por um realizador que se iria consagrar mais tarde com um cinema bem diferente. Lino Ventura é magnífico no papel de um assaltante a quem as coisas correm mal e que se vê no fim da linha, depois de ter perdido a mulher, os filhos e a amizade dos pouco amigos que tinha. Paris 2015 Le Champo 4/5
Classe tous risques (1960), argumento de José Giovanni, Claude Sautet e Pascal Jardin (adapta romance de José Giovanni), com Lino Ventura, Belmondo e Sandra Milo, música de Georges Delerue.