O último filme de Larry Clark está a ser o acontecimento cinematográfico da rentrée do novo ano. Os Cahiers dedicam-lhe 1/3 do número de janeiro. É acontecimento em França não só porque é uma excelente obra de cinema mas também porque Clark saiu pela primeira vez dos EUA para filmar. E escolheu Paris. Clark filma a juventude de famílias desafogadas que se reúne na rive droite, no espaço do Palais de Tokyo, para andar de skate e fazer tudo o que lhes dá na telha. Inclusive para se prostituir. Vemos então jovens angélicos a sair com velhos ricos que só pagam com maços de notas de 100 euros. Um desses encontros termina com uma orgia de violência, o suicídio de um dos jovens e um carro queimado. Estamos no centro da capital, não nas mal-afamadas cités.
Clark, como grande fotógrafo que é, explora novos caminhos para a imagem no cinema, integrando muitas gravações de telemóvel, captadas com diferentes graus de nitidez pelos próprios jovens do grupo, o que reforça a visão da juventude a partir do seu interior, sem juízos externos. Clark também não recua na apresentação do sexo explícito e perturbante, sobretudo quando se passa entre adolescentes e velhos. Glorificado pela sua estética, o cinema de Clark é mais crítico do que se pensa. A câmara de Clark quer retribuir em beleza toda a sensualidade e beleza efémera destes jovens efebos mas o que eles fazem com esses atributos inspira ao espectador sentimentos dúbios. Um grande filme (mas longe de me despertar o entusiasmo que tenho por outras obras menores). Paris 2015 Odeon 4/5
