Les chemins de la mer, não sendo dos melhores romances de Mauriac, apresenta mesmo assim uma história e personagens cativantes (e até certo ponto, recorrentes do seu universo ficcional). O chefe de uma família terratenente, rica, suicida-se e segue-se a falência da casa. A viúva e os filhos reagem à pobreza de forma diferente, mas todos são afetados negativamente pela nova situação. A viúva acaba por morrer pouco depois, o filho mais velho cai numa doença sem fim à vista, a filha Rose emprega-se numa livraria (e vê anulado o casamento com um jovem de boas famílias) e o filho mais novo casa-se com a filha dos antigos caseiros da família, que são os únicos que beneficiam da falência dos patrões... Não há neste romance a abordagem da luta de classes mas a diferenciação das classes e as estratégias da sua manutenção estão no centro da narrativa... Salvador da Bahia 4/5
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27.7.19
22.3.16
Les Anges noirs (Mauriac, 1936)
Le sagouin, Thérèse Desqueyroux, Génitrix e Les Anges noirs. São esses os romances que li de François Mauriac, prémio Nobel, sempre com devoção e encantamento. Comecei por ser atraído pelo estilo do autor, mas logo de seguida o universo das suas histórias acabaram por me conquistar. Histórias passadas entre a burguesia rural, terratenente, e as alianças familiares para manter ou aumentar o poder. E histórias sobre aqueles que entravam essas engrenagens. Em Les anges noirs, Gabriel Gradère escreve uma confissão que envia a um padre de Liogeats onde vive o seu filho Andrés. Teve uma vida dissoluta e marcada pelo Mal. Mas o pior está para vir. Viaja para Liogeats onde vai resolver pelo crime uma disputa familiar que ameaça a ruína de seu filho. A intriga lembra uma soap de província mas o estilo e a força literária das personagens acabam por prevalecer. Paris 4/5
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