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6.5.26

Bette Davis. Sa carrière, ses films (1986)

Bette Davis. Sa carrière, ses films (1986)
Ensaio de Isabelle Champion
BIBLIOTECA
Isabelle Champion fez uma entrevista a Bette Davis, em agosto de 1985, para o jornal Clap Magazine, durante uma passagem da atriz por Paris. Na altura em França a reprise de What Ever Happen To Baby Jane? (Robert Aldrich, 1962) fez grande sucesso. O presente livro (um dos raros escritos em França sobre a atriz) certamente foi publicado porque a atriz recebeu o César d'Honneur 1986. A referida entrevista abre este livro, cuja principal parte é constituída pela filmografia completa (até 1980) de 85 filmes, ilustrados e ordenados cronologicamente pela data de rodagem. Para além da ficha técnica de cada filme, Champion acrescenta comentários da altura da estreia e comentários seus. Completam o livro um prefácio de Jacques Siclier e um breve texto biográfico assinado por Champion. Para os fãs de Bette, um livro-álbum a não deixar de ler e de admirar (tem 120 fotos a preto e branco). Vila do Conde 2019: 4,5/5

1.5.26

Alberto Cavalcanti o Cineasta do Mundo (Sergio Caldieri, 2005)

BIBLIOTECA
Alberto Cavalcanti foi um realizador e produtor de cinema com uma carreira extraordinária. Nascido no Rio do Janeiro, foi em França (anos 1920) e em Inglaterra (anos 30 e 40) que produziu e realizou filmes marcantes no campo do cinema experimental e artístico francês (Rien que les heures, o seu filme mais célebre) e no campo do documentário inglês. Trabalhou com os maiores do seu tempo. Também realizou filmes na Austria e no Brasil, onde esteve à frente da Vera Cruz, principal iniciativa privada de criar uma indústria de filmes à semelhança de Hollywood. Mas essa experiência abortada pouco depois de iniciada foi um trauma para Cavalcanti e complicou para sempre a relação do realizador com o seu país natal. Este livro fornece muitos elementos sobre Cavalcanti, mas está mal organizado. Espero um dia ler uma biografia completa e extensa sobre Cavalcanti. Vila do Conde 08.2019 2/5

4.7.23

Biblioteca Atores US

ÊTRE CARY GRANT (2021)
Ensaio de Martine Reid
Gallimard 2021
BIBLIOTECA
Leitura 09.2024




GÉANT (Adrien Gombeaud, 2025)
Capricci 2025
BIBLIOTECA Fabrice
  • James Stewart (Jonathan Coe, 1994)
O consagrado romancista britânico Jonathan Coe é um grande cinéfilo e durante um curto período dedicou-se à crítica de cinema. Escreveu pelo menos dois livros nessa área, um sobre Humphrey Bogart e este sobre James Stewart. No original inglês chama-se James Stewart: Leading Man. Não é na verdade uma biografia do ator, mas uma leitura da sua obra, da sua persona através dos muitos e importantes filmes que fez em Hollywood. Coe destaca justamente os três grupos de filmes que Stewart fez com Frank Capra, Anthony Mann e Alfred Hitchcock. Muito bom. Leitura: 2016, PV 4/5
The Films of Robert Taylor (Lawrence J. Quirk, 1975)
Este livro-álbum percorre a filmografia de Robert Taylor, um dos grandes galãs de Hollywood. Todos os filmes (cerca de 80) são apresentados pelos créditos, por um texto e por várias fotografias. A leitura dos livros desta coleção é sempre empolgante, mesmo quando o seu objeto não é um dos mais interessantes atores de Hollywood. Robert Taylor assinou contrato com a MGM em 1934 e por lá ficou até aos anos 50, quando os contratos com os estúdios acabavam. Depois criou a sua prória produtora e fez sucesso também televisão. No início da carreira, depois de ser emprestado a outras produtoras, tornou-se num dos maiores galãs românticos do cinema. Contracenou com Garbo, Harlow, Stanwick, Lamarr, Leigh, Garson, Shearer, Taylor, Gaynor, Turner, Katherine Hepburn, Dunne, entre outras top stars. Era um ator muito bonito mas cedo ficou preso a essa imagem delicada e até feminina. Tanto Taylor como a MGM sentiram necessidade de mudar essa imagem. Os anos 40, anos de guerra, ajudaram a essa mudança. Taylor passou a estar rodeado de muitos homens e poucas mulheres e a aceitar papéis de gangster e durões. E até ao fim da carreira assumiu muitas vezes papéis pouco românticos. Leitura: V.Conde 2019 5/5

21.4.22

MURIEL SPARK 10




Aiding and Abetting (2000)
Dois homens apresentam-se no consultório de uma psiquiatra confessando serem um Lorde que anda fugido da polícia por ter morto há décadas a ama dos seus filhos. Qual dos dois será esse Lorde? Mas a psiquiatra também tem uma vida passada, escondida pela sua nova identidade, em que cometeu um crime na sua Alemanha natal. Chantagem, ameaça de pobreza e desespero vão empurrar este trio para uma dança de quem desmascara primeiro o outro. Foi de longe o livro menos interessante que li de Muriel Spark: onde está o génio da escritora do fundamental The prime of miss Jean Brodie (1961)? Li a versão francesa Complices et comparses (Gallimard, 2002). Paris/Londres 2017 2/5
A história de Symposium (1990), ou Le banquet na edição francesa de 1991, centra-se num jantar em que os convivas pertencem à alta classe britânica, milionários mais ou menos cultos, com ou sem título aristocrático. Enquanto jantam a convite de um casal, um bando de gatunos informados pelos empregados domésticos dos ricos, assaltam a casa de um dos convivas e assassinam a mãe de um deles. O retrato deste grupo social é dado com o humor e a ironia habituais de Muriel Spark, uma escritora escocesa que nunca me decepcionou.
"Elle fut si transportée par la célèbre Assomption des Frari que William faillit la supplier de ne pas léviter"
"Ah! le gay mélancolique... mais il est très utile dans un dîner, représenta-t-elle. On peut le mettre à côté d'un arbre: il lui fera la conversation"
Mas neste romance o sobrenatural tem um papel importante através de duas personagens e das peripécias que eles suscitam: o louco Magnus e a sua sobrinha Margaret, que se encontram associados a vários assassinatos. Os romances de Muriel Spark são sempre surpreendentes, mesmo quando trilham caminhos batidos (policial, sobrenatural, comédia da aristocracia) estes são declinados de forma original. Leitura 2016 Morro de S. Paulo 4/5
THE DRIVER'S SEAT (1970)
La Place du conducteur
Folio 1987
Leituras 2025

The Go-Away Bird and Other Stories (1958) 
The Bachelors (1960)
The prime of miss Jean Brodie (1961)
The Mandelbaum gate/196
The public image (1968)
Reality and Dreams (1996) 
The Finishing School (2004) 

19.12.19

Isaac Bashevis SINGER

Enemies, a Love Story (1972)
Inimigos, uma História de Amor
Dom Quixote, 1990

Herman Broder, judeu a viver na América tendo escapado aos nazis, não escapa à sua consciência pesada por viver com duas mulheres: é casado com uma camponesa polaca que o salvou da morte nos campos de concentração e vive com outra mulher, cobiçada por todos os homens mas que o deseja como marido. Há uma terceira mulher, a primeira esposa de Herman, dada como morta, mas regressada à vida (e à vida dele). Herman sente amor por todas, mas ele sabe que está a cometer um crime (secular e religioso). Em suma ele não sabe onde se há-de meter. Não admira pois que Isaac Bashevis Singer não seja bem recebido pelo seu povo. A sua criação, Herman, é assistente de um rabino, escreve sobre temas religiosos, mas encontra-se no centro de uma comédia sexual que não tem defesa possível. Pelo que sei este tipo de personagem aparece em outras obras do escritor nobelizado e é em certo sentido uma projeção do autor. Excelente romance. Póvoa de Varzim 01.2020 4/5

Isaac B. Singer: A Lifel
(Farrar Straus Giroux, 2006)
Isaac Bashevis Singer: A Life (Florence Noiville, 2003)
Apenas conheço a obra de Isaac Bashevis Singer de forma indireta, pelos filmes, nomeadamente a adaptação de Barbra Streisand (Yentl, 1983) de un conto do escritor. A leitura da biografia de Singer, da autoria da francesa Florence Noiville, levou-me a desejar muito ler os romances e os contos do autor que sempre escreveu em Yiddish. A sua vida impressiona, pois atravessou incólume as tragédias do século. Nasceu na Polónia e lá viveu os primeiros 30 anos de vida. Viu os seus (a comunidade judia da Polónia) serem perseguidos pelo polacos, russos e alemães. Antes da segunda guerra seguiu o irmão mais velho, Joshua Israel, também escritor, até Nova Iorque, onde ficaria durante o resto da sua vida. Nos anos 50 tornou-se famoso, primeiro nos EUA, depois no mundo inteiro, quando os seus contos foram publicados (em inglês) em revistas importantes. Facto único na história da literatura: Singer escreveu uma obra dupla, por um lado em Yiddish, por outro em inglês (com a ajuda de vários tradutores), mas estes não eram uma versão fiel dos primeiros, mas tinham características próprias para serem bem recebidos pelo público não judeu. Como muitas vezes acontece na arte, Singer retrata-se nos protagonistas de vários dos seus romances e contos, nomeadamente no que respeita à sua relação libertina com as mulheres (esta dimensão da sua obra nunca foi bem recebida pelos judeus). Em 1978, quando recebeu o Nobel, a sua obra estava nos píncaros (mas ainda levou algum tempo a ser traduzida na Polónia, terra natal de Singer), hoje não sei em que pé se encontra, junto dos leitores, uma obra que me parece fascinante. Paris 4/5

5.12.19

LORD BYRON

Lord Byron (Daniel Salvatore Schiffers, 2015)
Folio Biographies
BIBLIOTECA
Figura essencial do romantismo inglês, Byron viajou muito, tendo passado grande parte da sua vida adulta fora de Inglaterra. Foi um grande sedutor que procurava acima de tudo a solidão. Acumulou paixões e escandalos (foi amante da sua meia-irmã). Escreveu Childe Harold's Pilgrimage (1812), a sua grande obra, que o tornou célebre na Europa, e alguns contos que ficaram para a posteridade. Para além destes contos, que quero ler, pouca coisa me interessou em Byron, um homem incapaz de amar de verdade uma mulher. Paris 12.2019 3/5

Hugh Grant: The Unauthorised Biography (Jody Tresidder, 1996)

Hugh Grant: The Unauthorised Biography
(Jody Tresidder, 1996)
BIBLIOTECA

Talvez seja a primeira biografia de Hugh Grant, publicada ainda no rescaldo do escândalo de Grant com a prostituta americana Divine Brown. Infelizmente, esse escândalo paira sobre todo o livro, e a parte final é a transcrição das entrevistas que Grant deu aos grandes entrevistadores-entertainers americanos nas semanas a seguir ao escândalo. Grant atingiu a celebridade com Quatro Casamentos e um Funeral, de Mike Newell, em 1994, e desde então tem-se mantido sob os holofotes. Grandes momentos dessa fama pós-Newell: Sense and Sensibility (1995), Notting Hill (1999), Bridget Jones's Diary (2001), About a Boy (2002) e Love Actually (2003). Mas até 1994 Grant já somava quase 20 filmes, o primeiro dos quais feito no último ano da Universidade, com os colegas. Três grandes momentos nos anos 80/90: Maurice (1987), The Remains of the Day (1993), ambos de James Ivory, e Bitter Moon (Polanski, 1992), o filme que terá convencido Newell a dar-lhe o papel de Four Marriages. Começou por fazer papel de gentleman em vários filmes mas Newell viu nele um talento natural para a comédia, um Cary Grant para os nossos tempos. E é nesse registo que tem dado o seu melhor, sobretudo nas comédias românticas. Paris 3/5

27.11.19

Agatha CHRISTIE

A POCKET FULL OF RYE (1953)
Une poignée de seigle
Le Masque




THE THIRTEEN PROBLEMS (1932)
Miss Marple au club du mardi
Club des Masques 1997
Leituras 06.2025 Berlin

The Thirteen Problems (Collins Crime Club, 1932) é a coletânea que reúne as primeiras histórias de Miss Marple.

AGATHA CHRISTIE (1998)
Autor: Huguette Bouchardeau
Flammarion 1998
BIBLIOTECA
Uma biografia escorreita sobre a grande dama do romance psicológico de dedução. Um dos raros nomes que marcaram o século em que viveu. Quem não a conhece, mesmo que não a tenha lido? Escreveu muito e viajou muito, acompanhando o marido arqueólogo pelo mundo. As suas persongens célebres (Hercule Poirot) estão aí, mas a marca Agatha Christie também. A fama em vida foi imensa, embora o reconhecimento crítico não atingisse nem de perto a popularidade da autora. Paris 3/5
AGATHA CHRISTIE, LA REINE DU CRIME (2018)
Documentário de André Schäfer

Um bom documentário sobre a rainha (literária) do crime. Os livros que escreveu não deixam adivinhar a mulher forte, independente e bem à frente do seu tempo que foi Agatha. Melun 01.2021 TV 3/5

20.8.19

Charlotte BRONTË

JANE EYRE (1847)
Jane Eyre, de Charlotte Brontë é um dos romances mais populares de sempre. Será um dos melhores? Tenho as minhas dúvidas. O livro conta a história de Jane Eyre, órfã criada por uma tia má, que a despreza e na companhia dos primos que lhe batem. Por isso é um alívio para Jane ter sido mandada para um internato onde mais tarde se torna professora. Em seguida torna-se precetora de Adéle, filha de Mr Rochester e por ele se apaixona. Mas no último momento o casamento que a uniria ao patrão é anulado (ele já era casado) e ela abandona a casa que seria sua. Como na ficção mais popular que ainda hoje predomina (na literatura, na televisão, no cinema), os amantes separam-se, passam por duras provas (ambos quase morrem, ela de fome e frio, ele num incêndio) até voltarem a encontrar-se no final. Não é difícil ver aqui os ingredientes que garantiam (e garantem) a adesão popular ao romance. Ecos de contos infantis conhecidos (Cinderela), de Dickens, do romance gótico, os tiranos são punidos, os bons são recompensados. E o romance tem aquele suspense muito presente na literatura inglesa da época, que migrará mais tarde para as novelas. Excelente. Li a edição O Grande Amor de Jane Eyre (Livraria Romano Torres «Obras Escolhidas», 1955). Bahia 08.2019 4,5/5




19.8.19

COLETTE

CLAUDINE À PARIS (1901)
Claudine e o pai mudam-se da província para Paris. Claudine é adolescente e, como o pai, devora e adora livros. A jovem vai depressa conhecer o amor, primeiro por um primo da sua idade que está mais interessado em rapazes (para Claudine, mas não para ele, é evidente que o primo está apaixonado por um amigo), e depois pelo tio. Eu pensava que Claudine, a série de romances que tornou célebre e popular a jovem Colette, era literatura para meninas e moças. Fui logo logo desenganado. Há uma paixão homossexual claramente apresentada, há uma amiga de Claudine da província que conta sem rodeios como foi desflorada e entretida por homens velhos e há Claudine que se deixa cortejar por um tio... Um romance impossível hoje de ser publicado, por ter uma heroina de boas famílias tão jovem rodeada de tais comportamentos e personagens. Li a edição Le Livre de poche, 1978. Bahia 08.2019 4/5
GIGI (1944)
Um livro de contos extensos com interesse muito desigual. Gigi é o mais famoso deles, por ter inspirado o grande musical da MGM com Leslie Caron. Há muito de Claudine (protagonista de uma série de romances de Colette) em Gigi, uma menina petulante e rebelde, que não se deixa intimidar pelas mulheres da família que querem fazer dela uma noiva ideal para um partido rico. Li a edição do Le Livre de poche (1967). Bahia 08.2019 3/5

BIBLIOTECA:
Chéri (1920) Verdes Amores / Le Blé en Herbe (1923) Prison et paradis (1932) Mes apprentissages (1936) Bella-Vista (1937) Le képi (1943) Le Fanal bleu (1947) Gigi (1960) Trois… Six… Neuf… (1970) Colette, une certaine France (1999) O Fim de Chéri (?)Claudine à Paris ( ?) La maison de Claudine (?) Billets de théâtre (Félin, 2008) 

15.8.19

Claire GALLOIS

LE COEUR EN QUATRE (1981)
A história de Le coeur en quatre é banal. Uma mulher vai a Estocolmo e conhece um cientista laureado do Nobel, por quem se apaixona apesar da pouca atração que sentiu por ele nos primeiros momentos. Ela vive em Paris com o marido, professor universitário, e com um filho pequeno. Ele vive em Inglaterra. Durante alguns anos mantêm uma relação que um dia termina. Claire Gallois tem uma escrita que nunca deixa o leitor aborrecer-se com a previsibilidade da história. Li a edição do Livre de Poche (1982). Salvador da Bahia 08.2019 2,5/5

Mary Shelley. La jeune fille et le monstre (Cathy Bernheim, 1997)

Toda a gente conhece Frankenstein, um dos mitos mais duradouros da cultura ocidental. Tal como aqueles cantores pop que ficam para sempre associados a um único hit, Mary Shelley ganhou a eternidade através da sua criatura, um monstro que não tem nome, mas ficou conhecido pelo nome do cientista que o criou (Frankenstein). Este romance é uma das grandes obras da literatura de ficção-científica e foi escrito depois de um serão entre Mary e Percy Shelley, e o amigo Byron, na Suíça, dedicado à invenção de histórias de terror, na linha da literatura gótica que estava em voga na altura. Parece que os restantes livros de Mary Shelley não suportaram bem a passagem dos séculos. A autora desta boa biografia destaca ainda The Last Man  entre os romances de Shelley. Mas as surpresas da biografia relacionam-se sobretudo com a personalidade e a vida de Mary. A mãe e o pai eram escritores conhecidos por defenderem e divulgaram ideias modernas próximas do iluminismo francês e escreveram livros sobre os direitos dos homens e, mais especificamente, das mulheres. Mary Shelley fugiu com o amante Percy Shelley quando tinha 15 ou 16 anos, mas Percy era casado e tinha filhos. A fuga para o continente era o passo mais óbvio. Durante anos viajaram, sobretudo em Itália, Suíça e França e o seu quotidano era feito de intermináveis leituras e outras ocupações culturais. A lista de obras que liam é deveras impressionante, parece que nada foi esquecido entre as obras de referência da literatura ocidental. Cathy Bernheim insiste, e bem, na  descrição do estatuto da mulher no tempo do pré-romantismo. A irmã de Mary e a mulher de Shelley suicidam-se e torna-se claro que a posição insustentável em que ambas se encontravam por serem mulheres muito contribuiu para esse desfecho trágico. Mary teve um destino de mulher excecional. Ainda menor foge com o amante (casado com outra), vive do seu trabalho de escritora, foi mãe várias vezes mas apenas um rapaz conseguiu chegar à idade adulta. Enquanto viúva, tratou de divulgar a obra do marido, Percy B. Shelley, apesar da oposição e da chantagem exercida pelo sogro e avô do seu filho. Um livro cheio de surpresas que vai muito além do poder do mito Frankenstein. Vila do conde 3/5

14.8.19

Silent Movies (Neil Sinyard, 1990)

Silent Movies é uma excelente introdução ao período do cinema mudo (expressão problemática para caracterizar um universo de filmes que não eram exibidos em silêncio, mas eram acompanhados de música). Vi muito poucos filmes (longas-metragens) deste período (cerca de 70), com pena minha. Os dois que vi este ano porque foram repostos nas salas francesas (Les trois lumières, de Fritz Lang, e Our Hospitality, de Buster Keaton) são grandes filmes. O livre privilegia o cinema americano, que quase sempre esteve à frente dos outros. Depois da primeira guerra o cinema europeu despertou e conseguiu propor grandes obras e artistas, mas estes foram logo atraídos por Hollywood. A leitura deste álbum confirmou que o essencial eu já sabia (estrelas, autores, correntes, obras de referência, etc.) mas confirmou também que desconheço quase tudo... Tenho de ficar mais atento. Vila do Conde 4,5/5

27.7.19

Les chemins de la mer (François Mauriac, 1939)

Les chemins de la mer, não sendo dos melhores romances de Mauriac, apresenta mesmo assim uma história e personagens cativantes (e até certo ponto, recorrentes do seu universo ficcional). O chefe de uma família terratenente, rica, suicida-se e segue-se a falência da casa. A viúva e os filhos reagem à pobreza de forma diferente, mas todos são afetados negativamente pela nova situação. A viúva acaba por morrer pouco depois, o filho mais velho cai numa doença sem fim à vista, a filha Rose emprega-se numa livraria (e vê anulado o casamento com um jovem de boas famílias) e o filho mais novo casa-se com a filha dos antigos caseiros da família, que são os únicos que beneficiam da falência dos patrões... Não há neste romance a abordagem da luta de classes mas a diferenciação das classes e as estratégias da sua manutenção estão no centro da narrativa... Salvador da Bahia 4/5

24.7.19

Daphne du MAURIER

Rebecca (1938)
Romance de Daphne Du Maurier
Li Rebeca logo a seguir a Jane Eyre (Charlotte Bronte), dois livros que queria ler há pelo menos 20 anos... Os livros têm vários pontos em comum, como a protagonista, que é uma mulher de baixa classe que se apaixona (e casa) por um homem rico. Mr. de Winter é viúvo (Rebeca), e Mr. Rochester é casado com uma mulher louca de que ninguém tem conhecimento (Jane Eyre). O novo casal não será feliz enquanto não matar a primeira mulher. E o recomeço da vida de ambos os casais é assinalado pelo incêndio da mansão onde os homens e a primeira mulher viveram. Manderley é a famosa casa de Rebeca de Winter (haverá casa mais célebre na literatura?) e Thornfield é a casa de Mr. Rochester: as novas Mrs. de Winter e Mrs. Rochester nunca possuiriam a casa das antecessoras. Rebeca é uma obra-prima de suspense psicológico, onde uma personagem já morta é o motor de toda a trama. Um dos melhores romances que li até hoje. Li a edição da Livros do Brasil (2001) com tradução de Alda Rodrigues. Praia das Caxinas 2019 5/5
Daphne du Maurieré autora de Frenchman's Creek (1941), um belo romance de amor e aventuras. Dona St Columb, a protagonista, é uma aristocrata inglesa do século 17 que regressa à sua casa à beira mar com os dois filhos, desejosa de abandonar a vida agitada de Londres, onde criou fama de mulher emancipada e dada à vida boémia. Mas junto ao mar conhecerá o Francês, um pirata da Bretanha, que se dedica a pilhar barcos e as casas dos ricos locais e por isso ganhará uma reputação terrível. Com ele Dona viverá a sua maior aventura (participará, travestida de rapaz, de um ataque aos seus vizinhos aristocratas) e a sua maior história de amor. A narrativa e o estilo de Daphne du Maurier são esplêndidos e justificam que a autora continue a ser lida e apreciada como o foi no seu tempo de vida. O humor dos diálogos e das situações é constante e é bem explorado o tema das ideias feitas sobre ingleses e franceses, que ainda hoje perduram. Li a versão francesa L'Aventure vient de la mer (Le Livre de Poche, 1981). Salvador, Bahia 2019 4,5/5

BIBLIOTECA:
Hungry Hill (1944fr)
Manderley For Ever (2015)

22.7.19

Isabel RIO NOVO

Madalena (2020)
Leitura 2022
A Febre das Almas Sensíveis (2018)
Romance de Isabel Rio Novo

Ao segundo livro tornei-me fã de Isabel Rio Novo. Pertence a uma família literária que muito admiro, a dos escritores íntimos da sociedade portuense, que fazem a sua crónica desde os primórdios do romantismo (Camilo, Agustina, Cláudio). Rio Novo aborda neste romance o Porto oitocentista e o enorme estrago humano que a tuberculose fez na sociedade e em particular nos maiores talentos literários e artísticos da época. Mas os protagonistas são uma família de classe média baixa em meados do século XX, quando os progressos da cura da tuberculose eram muito maiores. Excelente. Caxinas 2021 4,5/5
Rio do Esquecimento (2016)
Um excelente romance que convoca Agustina, Camilo e Mário Cláudio, três dos meus escritores preferidos. Como acontece em romances destes autores, Isabel Rio Novo privilegia a família e os laços familiares como centro da narrativa, apesar de uma ou outra personagem se destacarem. Póvoa de Varzim 4/5
Fortuna, Caso, Tempo e Sorte (2024)
Ensaio de Isabel Rio Novo
Leituras 2024
BIBLIOTECA

15.7.19

Hollywood 1930's (1985)

Obra de Jack Lodge
Hollywood. Les Années 30 (C.I.L., 1985)

Original: Hollywood 1930's (Gallery, 1985)
Trata-se de um álbum que apresenta uma panorâmica da produção de Hollywood nos anos 30, período glorioso para as comédias (Lubitsch, os irmãos Marx, Chaplin, Preston Sturges argumentista), para as comédias musicais (Fred Astaire & Ginger Rogers, Busby Berkeley), para os filmes de monstros (da Universal, sobretudo) para os filmes de gangsters (Hawks, Lang, Curtiz). Também houve bons dramas, um ou outro filme de guerra ou western (géneros que iriam ter outra importância nas décadas seguintes). Um capítulo é dedicado às stars (Greta Garbo, Marlene Dietrich, Katherine Hepburn, Clark Gable, Shirley Temple, Bette Davis), outro aos estúdios e por fim o último é dedicado ao ano capital de 1939, que nos deu muitas obras-primas. Já conhecia quase todos os filmes essenciais da época mas este texto de Jack Lodge tem a qualidade de sistematizar a informação mais importante que diz respeito à produção de Hollywwod desses anos. E claro tomei notas das minhas lacunas e de alguns filmes e nomes que faço questão de conhecer. Vila do Conde 4/5

Hollywood 1930's, edição original em inglês de 1985, mesmo ano da edição francesa que li: Hollywood. Les Années 30 (C.I.L., 1985).

11.6.19

Angst (Stefan Zweig, 1920)

ANGST (1920)
Irene é uma mulher da burguesia vienense, casada e com filhos, que para além de ter uma existência confortável, tem um amante jovem e pobre. Um dia uma mulher começa a fazer chantagem com Irene e o mundo desta se desmorona. Como acontece habitualmente com Zweig, toda a ação que importa passa-se no espírito da personagem principal. O equilíbrio da vida de Irene sustenta-se por um fio...que durante uns dias ameaça romper-se... Uma novela clássica. Paris 06.2019 4/5

BIBLIOTECA 12
L'amour d'Erika Ewald (1904) Legende dune vie (1919) Der Amokläufer (1922) Carta de uma Desconhecida (1922) Vinte e Quatro Horas na Vida de uma Mulher (27) La Confusion des sentiments (1927) Le voyage dans le passé (1929) Le Chandelier enterré (1937) Le Joueur d'échecs (1943) Kleist/Holderin/Nietzsche (1951) Pays, villes, paysages (1981) Journaux (1984) Album Zweig (Pochoteque 1997) 

7.6.19

Manon Lescaut (Abbé Prévost, 1731)

Les aventures du Chevalier Des Grieux et de Manon Lescaut foi publicado pela primeira vez em 1731 como parte de obra mais vasta, foi publicado de forma autónoma em 1733 e numa edição revista e definitiva em 1753. Mas esta obra clássica adotou desde cedo o título Manon Lescaut pois é esta a personagem que se tornou mítica com o tempo. Puccini e Massenet dedicaram-lhe óperas famosas, entre outros que foram tocados por tão fascinante e misteriosa personagem. Dela sabemos apenas o que Des Grieux nos conta, a palavra é sempre a sua e de mais ninguém. Des Grieux é um nobre que se apaixona por Manon Lescaut, do origem modesta, e não a larga mais. Desce com ela e por ela os degraus todos da sociedade, até serem expulsos desta através do exílio forçado nas colónias. Des Grieux é uma e outra e outra vez traído por Manon, que à mínima contrariedade financeira se prostitui. Encontram alguns inimigos (os ex-amantes despeitados de Manon) mas são eles que se infligem os principais golpes, por quererem tudo da maneira mais fácil, como dois adolescentes mimados. A candura da narrativa de Des Grieux contrasta com as peripécias reprováveis dos amantes (ele chega a matar um homem sem que isso lhe pese na consciência). Um elemento interessante do romance é o realismo da apresentação do submundo de Paris, povoado de escroques e mulheres de vida fácil (o irmão de Manon é o seu principal chulo). Um grande clássico. Paris 4,5/5

1.6.19

Vivien Leigh a Biography (Anne Edwards, 1976)

La vie déchirante de Vivien Leigh é a primeira biografia completa da grande atriz inglesa, que se imortalizou como Scarlett O'Hara, de E Tudo o Vento Levou. O grande tema do livro é a paixão (e o casamento) com Laurence Olivier. Conheceram-se quando ambos já eram casados e tinham filhos. O casamento dos dois foi um dos mais míticos do século. Tornaram-se Sir e Lady Olivier. Trabalharam muitas vezes juntos no teatro mas raramente no cinema (em Lady Hamilton, de Alexander Korda, grande amigo e protetor do casal). Na verdade desprezavam o cinema, fizeram-no para ganhar dinheiro (e no caso de Laurence Olivier, o dinheiro era para investir no teatro). Para além de Scarlett, Vivien Leigh foi uma inesquecível Blanche, do Elétrico Chamado Desejo, personagem que ela criou em Londres (dirigida pelo marido) e imortalizou no cinema (frente a Brando, dirigidos por Elia Kazan). Brilhou no teatro em Shakespeare, Shaw, Anouilh, Williams ou Rattigan. Esta biografia de Anne Edwards foi ultrapassada por outras melhores e mais recentes mas tem a vantagem de se basear em depoimentos de amigos e familiares que entretanto já faleceram. Londres 3,5/5