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16.5.24

An Officer and a Gentleman (Taylor Hackford, 1982)

Filme de Taylor Hackford
Argumento de Douglas Day Stewart
Elenco: Richard Gere, Debra Winger, David Keith, Louis Gossett Jr.

Póvoa de Varzim 1983

Produção: Paramount Pictures, Lorimar Film Entertainment

29.4.21

The River (Jean Renoir, 1951)

The River, ou O Rio Sagrado em Portugal, é um filme sobre a Índia, ou a infância na Índia, e é de uma poesia no tratamento das questões da juventude, do crescimento, raros no cinema. É uma Índia um tanto sonhada, vista ou entrevista de fora, por um realizador que já trabalhara na Europa e nos EUA. Mas não é uma Índia de papelão. Porto 2001 Rivoli 5/5

3.4.21

Le Grand Chemin (Jean-Loup Hubert, 1987)

Um dos melhores filmes sobre a infância que já vi. A história é simples. Um rapaz vai passar uns tempos com uma amiga da mãe, em Rouans, aldeia de Nantes. Contrariado no início, depressa adapta-se às pessoas que o acolhem e tem uma menina da sua idade com quem pode brincar. Quantos filmes já vimos com a mesma história? Muitos, mas poucos tão bem realizados como este. Foi nomeado aos cinco Césars principais: melhor filme, realizador, argumento, atriz e ator. Richard Bohringer e Anémone levaram merecidamente o César para casa. Melun 2021 TV 4/5

12.12.20

The Wings of the Dove (Iain Softley, 1997)

Os filmes que adaptam os grandes clássicos da literatura partem com a vantagem de terem uma boa história e personagens difíceis de esquecer. Iain Softley ficou longe da excelência de James Ivory na adaptação de filmes de época mas também não fez um filme ilustrativo. Por vezes esquecemos os cenários (sumptuosa Veneza) e ficamos envolvidos no drama que une os três protagonistas: um homem sem dinheiro envolve-se com duas mulheres da aristocracia, mas está apaixonado por aquela que não pode desposá-lo pois perderia a posição na sociedade e cairia na miséria. O filme foi celebrado sobretudo pelo argumento de Hossein Amini e pela interpretação de Helena Bonham Carter, que foi nomeada ao Oscar, ao BAFTA e venceu o Golden Globe. Vi o filme pela primeira vez no cinema Nun' Álvares (Porto) em 1998. Melun 12.2020 TV 3,5/5

24.6.20

Adalen 31 (Bo Widerberg, 1969)

Mais um filme magnífico de Widerberg. O seu melhor? Foi nomeado ao Oscar e ao Golden Globe para melhor filme estrangeiro. Foi considerado o melhor filme europeu nos prémios Bodil (Dinamarca) e recebeu o Grand Prix em Cannes. Uma pequena vila prepara-se para viver um verão quente, com uma greve histórica que paralisa boa parte dos homens desde há meses. Mas os jovens iniciam-se na sexualidade e à sua maneira o verão também vai ser quente e inesquecível. Uma jovem fica grávida e  é levada a abortar e outra é hipnotizada pela namorado  para ficar ao seu dispor. Parece um filme de Bergman em que a natureza é cumplice das descobertas eróticas dos jovens. Mas a evolução política dos acontecimentos acaba com a inocência que ainda podia viver-se entre a juventude e a tragédia acontece. Lirismo e política num belo filme dos 60s. Paris 2020 Le Reflet Médicis 4/5

18.2.20

Uncut Gems (Benny & Josh Safdie, 2019)


Uncut Gems é o terceiro filme que vejo de Benny and Josh Safdie e o mesmo estado de ansiedade se apodera sempre de mim perante uma história que obceca os irmãos Safdie: a queda inelutável de um homem jovem que toma as decisões erradas, é certo, e o destino encarrega-se de sabotar-lhes todas as oportunidades de sucesso. Nesse sentido as histórias dos Safdies são um tanto sádicas e põem o espectador na posição desconfortável de testemunhar os sucessivos tombos do protagonista. Por esse motivo já evitei os outros filmes dos Safdies. Mas o filme é excelente, provavelmente o melhor dos realizadores, com uma interpretação assombrosa de Adam Sandler, merecedora no mínimo de uma nomeação ao Oscar. Com Kevin Garnett, Lakeith Stanfield, Julia Fox, Idina Menzel e Eric Bogosian, A BSO é de Daniel Lopatin. Recebeu o prémio New York Film Critics Circle Best Director e foi considerado um dos 10 melhores filmes do National Board Review. Vila do Conde 02.2020 Netflix 3/5

10.10.19

Thelma e Louise (Ridley Scott, 1991)

No ano passado (2018) Thelma e Louise foi reposto nas salas numa versão restaurada. Foi agora escolhido para uma sessão do cineclube de Sciences-Po (Sorbonne). Vi o filme na estreia, marcou-me como marcou muita gente na altura e não é que o filme continua a emocionar e a divertir os mais jovens? Que dupla feminina a trilhar o terreno masculino por excelência, a estrada. Grande filme feminista pelo qual Callie Khouri recebeu o Oscar e o Golden Globe pelo argumento. Merecido. E Susan Sarandon e Geena Davis ganharam o papel das suas vidas. Também com Harvey Keitel, Michael Madsen e Brad Pitt. Foi ainda nomeado para melhor filme na competição do Golden Globe, do BAFTA e do César (Meilleur film étranger). Paris 2019 Christine 4/5

8.4.19

Morte a Venezia (Luchino Visconti, 1970)

São tantas as maravilhas deste filme que esquecemos facilmente os seus elementos datados (abundância de zooms tão anos 70 ou as discussões insuportáveis sobre a arte). O melhor para mim é o filme mudo dentro do filme, que revela como num sonho as paisagens íntimas do protagonista (Dirk Bogarde), um compositor que passa umas semanas em Veneza para descansar. O referido filme mudo tem como centro o jovem Tadzio e a mãe (Silvana Mangano), uma família da elite em férias. Este pequeno mundo conheceu Luchino Visconti muito bem, da sua infância, e talvez por isso a sua representação no filme tenha uma dimensão evanescente e irreal. O filme é também um canto do cisne, pois o músico desperta para o amor pela última vez. Magnífica a cena do barbeiro, quando ele se embeleza e se prepara para o grande encontro (o amor? a morte?). Paris 2019 FQL 4,5/5

7.2.19

Two Lovers (James Gray, 2008)

Two Lovers é o meu filme preferido de James Gray. Dez anos depois da estreia pude confirmar a forte impressão que o filme me causou na altura. No início do filme, um homem jovem (Joaquin Phoenix) tenta mais uma vez o suicídio, sequela de uma desilusão amorosa. Pouco depois ele conhece duas mulheres, uma que o ama (Vinessa Shaw), outra (Gwyneth Paltrow) que o quer como confidente, mas por quem ele se apaixona perdidamente. Tal como a cabeça do protagonista, o tom do filme é grave e a luz é fria (exemplares as cenas de madrugada no cimo do prédio onde os dois amigos/amantes moram). Gray por vezes é um realizador frio, mas aqui a emoção está sempre presente. Muito bom. Paris 2019 Bercy 4,5/5

13.12.18

The Third Man (Carol Reed, 1949)

The Third Man recebeu a Palma de Ouro em Cannes e foi muito bem feito! O filme, escrito por Graham Greene, hoje muito esquecido, é brilhante. Um americano naïf, bem intencionado (chama-se Holly Martins!), moralmente irreprensível (Joseph Cotten) chega a Viena no imediato pós-guerra, transformada num ninho de contrabandistas e forças policiais de várias potências europeias. Acima de todos, reina o seu amigo Harry (Orson Welles), contrabandista maior, que acaba de ser assassinado. Mas nada é o que parece... A dada altura Holly é acusado por uma criança de ter morto o seu pai, e a multidão não hesita em persegui-lo. A cena lembra Fritz Lang mas mais ainda as cenas de linchamento público do pós-guerra... O filme também recebeu o BAFTA para melhor filme britânico. Paris 4,5/5

22.11.18

Cold War (Pawel Pawlikowski, 2018)

Um casal (inspirado nos pais do realizador) é apanhado nas malhas da guerra fria entre o Leste europeu comunista e a Europa democrática, mas o seu amor não esmorece. Primeiro juntos na Polónia, depois separados entre a pátria e Paris, encontros fugazes na Jugoslávia, juntos em Paris, depois juntos na Polónia, por fim juntos na eternidade. Que bela históra de amor em tempo de guerra, filmada em preto e branco, com a música popular tradicional como matéria de ficção (ele é músico, ela é cantora, a música expõe e consagra o regime político, está ao serviço da revolução). Muito bom. Paris 2018 (4/5)

4.2.18

The Post (Steven Spielberg, 2017)

The Post é o último de uma linhagem nobre de filmes sobre a liberdade de imprensa, que se defende dos ataques do poder político quando este se revela autoritário. Foi o que aconteceu quando informações secretas da Casa Branca foram parar aos jornais, informações que revelavam a grande mentira de sucessivos governos relativamente à intervenção militar americana no Vietnam. Todos os filmes que eu conheço deste subgénero são bons e o de Spielberg é um dos melhores, tendo o trunfo de reunir pela primeira vez um dos seus atores preferidos, Tom Hanks, com Meryl Streep, a grande luz do filme. Paris 2018: 4/5
The Post (Steven Spielberg, 2017), com Meryl Streep e Tom Hanks, música de John Williams, três prémios da National Board Review (Best Film, Best Actor, Best Actress), o filme e Streep foram nomeados ao Oscar, nomeados ao Golden Globe (Streep, Hanks, Spielberg, John Williams, argumento de Liz Hannah e Josh Singer, e melhor filme).

28.1.18

Faute d'Amour (Andreï Zvyagintsev, 2017)

Este é um dos melhores filmes de 2017 segundo quase toda a gente. Um drama familiar que alfineta aqui e ali os podres da sociedade russa. Um casal está a divorciar-se e marido e mulher empurram o filho um para o outro. O indesejado foge de casa e as buscas começam... Pouca coisa parece escapar à crítica que o filme encerra: os novos ricos, o egoísmo das pessoas, a organização do trabalho, as relações entre gerações. Merece todos os prémios que recebeu e vai receber.  Foi nomeado como melhor filme no Oscar, no Golden Globe e o BAFTA. Paris 2018 (4/5)

25.8.17

Carrington (Christopher Hampton, 1995)

Um filme muito belo sobre a pintora Dora Carrington (Emma Thompson) e, em particular, sobre a sua relação com o escritor Lytton Strachey (Jonathan Pryce), grandes nomes da cultura britânica  do início do século XX. Christopher Hampton encontrou o tom justo para este biopic: nem didático, nem impressionista. Tinha visto Carrington na estreia, há 20 anos: Lisboa, Monumental, 1996. Agora, em DVD. VC 4/5

10.2.16

The Fabulous Baker Boys (Steven Kloves, 1989)

The Fabulous Baker Boys é um filme que ficou na memória dos apaixonados de Michelle Pfeiffer. Pertence ao período em que esta atriz fez vários filmes memoráveis como Ligações Perigosas ou A Idade da Inocência. Mas o interesse do filme ultrapassa a prestação de Pfeiffer. O filme conta a história de dois irmãos artistas, pianistas de hotel, que contratam uma cantora para dar uma nova vida ao seu número musical. É praticamente o único filme realizado por Steven Kloves, que depois realizou mais um filme e tornou-se argumentista (dos filmes de Harry Potter e de super-heróis). Os irmãos Jeff e Beau Bridges também são impecáveis. O melhor é a atmosfera melancólica que o filme transmite, a usura do tempo a desgastar as relações profissionais e pessoais entre irmãos que trabalham juntos desde pequenos. No entanto, foi um dos poucos filmes de que gostei bem mais na primeira vez que o vi do que na segunda. Vi-o na estreia (1990?) e nunca mais me esqueci dele, e vi-o agora numa sessão do cineclube Chronic'art numa cópia em 35mm também ela desgastada pelo uso. Pfeiffer foi nomeada ao Oscar de melhor atriz e Dave Grusin ao Oscar de melhor score musical. Pffeifer obteve o Golden Globe e o BAFTA. Paris 2016 L'Archipel 3/5

7.1.16

Bridge of Spies (Steven Spielberg, 2015)

Spielberg mostra-se mais uma vez mestre na arte cinematográfica de recorte clássico, desenterrando um episódio de espionagem entre os EUA e a URSS nos anos 50/60 para apresentar o herói mais capriano da sua filmografia. Tom Hanks segue as pisadas das personagens idealistas, confiantes, fortes e humanas de James Stewart mas duvido que hoje aceitemos bem essas personagens sem nuances sombrias para representar o povo americano. Oscar & Bafta Actor in a Supporting Role para Mark Rylance. Paris 2016: 3/5 

17.10.15

The Color of Money (Martin Scorsese, 1986)

Vi ontem The Color of Money e por fim um sonho de cinéfilo se tornou realidade: ver toda a obra ficcional de Martin Scorsese. Agora é continuar com coisa tão boa como descobrir os filmes pela primeira vez: revê-los. Há poucos Scorsese que não tenho vontade de rever, três aliás já me passaram três vezes pelos olhos: Taxi Driver, Casino e Goodfellas. Ainda esta semana revi New York New York, um dos meus preferidos dele mas não muito amado nem pelo realizador nem pelo público em geral. The Color of Money é em primeiro lugar um grande duelo entre atores, Tom Cruise e Paul Newman, ambos soberbos. O bilhar não me interessa nada e o filme não mudou a minha indiferença em relação a este jogo, mas Scorsese encontrou nesta atividade mais um pretexto para o seu jogo preferido, a arte de filmar. Mais um grande filme de Scorsese. Paris 2015 Cinémathèque 4/5
Oscar para Paul Newman e nomeação para Richard Price (argumento). Mary Elizabeth Mastrantonio foi nomeada (como atriz num papel secundário) ao Oscar, ao Golden Globe e ao prémio do NYFCC.

16.3.15

Inherent Vice (Paul Thomas Anderson, 2014)

Paul Thomas Anderson é um dos realizadores americanos mais ambiciosos. Como os escritores que tentam escrever o grande romance americano (e alguns acabam conseguindo), Anderson tenta com os seus filmes fazer um retrato abrangente da sua América. Desta vez adaptou um desses grandes escritores conterrâneos, Thomas Pynchon, e fez um filme forte, marcante e complexo. O problema é que o enredo é complexo demais, pois com duas horas de filme continuam a surgir personagens novas, cada uma mais excêntrica do que outras. E por vezes tive a impressão de que a tecla da excêntricidade faz cair o filme para um exibicionismo gratuito. Tal como o protagonista Joaquin Phoenix, excelente mas cabotino, que tem uma personagem difícil de compor. Mas gostei muito de ver o filme, apesar destes senões. Paris FQL 3,5/5

10.2.15

It Follows (David Robert Mitchell, 2014)


Jovens são contaminados depois de relação sexual. Passam a ser perseguidos por seres que os tentam matar. Livram-se desse mal passando-o a outros através do sexo. Eis a matéria ficcional do filme. De vez em quando vem da América um filme de terror que se destaca de uma produção abundante mas convencional. It Follows é bom, sobretudo quando prova que aprendeu com Carpenter a sugerir mais do que a mostrar a ameaça que é a fonte deste tipo de filmes. E a soberba banda sonora de Disasterpeace (Rich Vreeland) ecoa as hipnotizantes bandas de Carpenter. Paris 3/5