Gosto muito, mesmo muito deste filme de Antonioni. Vi-o pela primeira vez em 2008 no cinema Champo e agora revi-o no cinema da mesma rua, Filmothèque du Quartier Latin. Em ambas as sessões muitos, muitos jovens (hoje eu era o mais velho na plateia). O filme fala da juventude que no final dos anos 60 se ergueu contra o sistema burguês dominante, juntando-se aos movimentos dos negros e revolucionários que tinham o mesmo inimigo. Nesse sentido, Zabriskie Point é datado: impossível compreendê-lo sem o conhecimento dos problemas da época em que foi realizado. Nunca tinha encontrado essa relação tão direta à realidade política nos filmes que vi de Antonioni. Mas Zabriskie também é marcado pelas temáticas mais obviamente associadas ao cinema do realizador. A incomunicação entre as personagens é evidente, não só a do protagonista, mas entre os jovens, e entre estes e a geração mais velha. O protagonista entra também numa espiral de perda de contacto ou de crença na realidade que o circunda, o que lembra as conhecidas crises de outras personagens antonionianas. Como noutros filmes do italiano, a paisagem é em si um estado da alma, e neste caso que outra poderia ser escolhida senão o deserto americano? Muito bom. Paris 2017 FQL 4,5/5