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3.11.21

L'Eclisse (Michelangelo Antonioni, 1962)

L'Eclisse (Michelangelo Antonioni, 1962)

O que fica de mais fulgurante do filme é a beleza de Mónica Vitti e Alain Delon, a beleza das mãos de ambos... As mãos que se procuram e logo se afastam... O filme está todo nesse pormenor, que revela que é uma história de amor bem particular, marcada pela hesitação feminina (que ecoa a transformação radical do estatuto da mulher na época do filme). Paris Le Champo 2010 & Porto 2021 Trindade 4,5/5

23.5.21

Le Amiche (Michelangelo Antonioni, 1955)

Le Amiche (Michelangelo Antonioni, 1955)

Extraordinário filme sobre a amizade e o amor. Como sempre com Antonioni, há uma grande compreensão do mundo feminino. Nunca tinha associado Antonioni a Pavese, mas de facto o tema da solidão dos seres é central na obra de ambos. São dois dos meus italianos preferidos. Antonioni é um dos primeiros a adaptar uma obra de Pavese ao cinema. Trata-se de uma história de grupo. Algumas amigas burguesas, independentes, tentam animar uma delas, que tentou o suicídio. Mas as coisas do coração são imprevisíveis... Melun 2021 TV 4/5

2.10.17

Zabriskie Point (1970)

Gosto muito, mesmo muito deste filme de Antonioni. Vi-o pela primeira vez em 2008 no cinema Champo e agora revi-o no cinema da mesma rua, Filmothèque du Quartier Latin. Em ambas as sessões muitos, muitos jovens (hoje eu era o mais velho na plateia). O filme fala da juventude que no final dos anos 60 se ergueu contra o sistema burguês dominante, juntando-se aos movimentos dos negros e revolucionários que tinham o mesmo inimigo. Nesse sentido, Zabriskie Point é datado: impossível compreendê-lo sem o conhecimento dos problemas da época em que foi realizado. Nunca tinha encontrado essa relação tão direta à realidade política nos filmes que vi de Antonioni. Mas Zabriskie também é marcado pelas temáticas mais obviamente associadas ao cinema do realizador. A incomunicação entre as personagens é evidente, não só a do protagonista, mas entre os jovens, e entre estes e a geração mais velha. O protagonista entra também numa espiral de perda de contacto ou de crença na realidade que o circunda, o que lembra as conhecidas crises de outras personagens antonionianas. Como noutros filmes do italiano, a paisagem é em si um estado da alma, e neste caso que outra poderia ser escolhida senão o deserto americano? Muito bom. Paris 2017 FQL 4,5/5

25.7.15

Antonioni aux origines du pop (2015)

Exposição da Cinémathèque Française
Antonioni é um dos realizadores mais permanentemente modernos. Soube renovar o seu cinema e dialogar com as artes visuais do seu tempo. Soube produzir imagens que se tornaram pop. A exposição que esteve na Cinémathèque Française este ano permitiu confirmar estas ideias consensuais com o apoio de documentos, projeção de sequências de filmes, obras de arte. Na sua juventude e já adulto, Antonioni foi um fã de carteirinha das estrelas de cinema, tendo organizado álbuns de postais dessas estrelas. A apresentação das páginas dos álbuns inicia a exposição e é um dos seus momentos mais curiosos, talvez o meu preferido, pois é o Antonioni cinéfilo que é revelado. Cinémathèque Française 3/5