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15.3.14

O Rio (1997)

O Rio (1997) é um dos grandes filmes de Tsai Ming-Liang, tendo sido galardoado com o Urso de Prata em Berlim. É (mais) um retrato da absoluta solidão que assola as cidades contemporâneas. Neste filme, nem a família redime esse flagelo. Um pai, uma mãe e o filho, cada um à sua maneira procura o amor algures, longe da família. A casa da família, à beira da inundação irreversível, é um lugar cada vez mais inabitável para os três protagonistas. O pai recorre às saunas gay, a mãe tem um amante que a rejeita e o filho entre um encontro fortuito com uma antiga amiga e uma relação numa sauna gay, recebe as intensas experiências físicas da misteriosa doença que lhe ataca a nuca.
Estes são seres sonâmbulos, que buscam o amor onde quer que ele possa acontecer, sem qualquer noção de pertença ao espaço físico ou social que devia ser o deles. É uma forma de alienação típica dos grandes centros urbanos e dos protagonistas dos movimentos migratórios que perdem as raizes mas não alcançam outras.
Dixit Ming-Liang falando da sua experiência:  "I feel I belong neither to Taiwan nor to Malaysia. In a sense, I can go anywhere I want and fit in, but I never feel that sense of belonging."
Porto 1998 Casa das Artes
Porto 2001 Passos Manuel
Paris 2014 Cinémathèque 
(5/5)