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23.8.18

As Férias do Senhor Hulot (Jacques Tati, 1953)

O solitário senhor Hulot vai passar férias a uma estância balnear, frequentada por gente comum que se instala num hotel com pensão completa (que antecipa os sofisticados resorts de hoje). O turismo de massas no seu início, que apanha a boleia do boom económico  francês dos pós-guerra. Mas Tati não faz nenhum documentário, nem filme realista ortodoxo, muito menos ilustrativo da sociedade do seu tempo. Através do corpo e do som, que ele trabalha como poucos e nas condições que só o cinema permite, o realizador revela não tanto a psicologia mas o estar em sociedade dos seres. Todos vigiamos o nosso corpo (pelo menos quando não estamos sós) mas a câmara de Tati diverte-se e diverte-nos a mostrar as inúmeras ocasiões em que o corpo nos foge ao controlo e entra em interação com o meio ambiente, os outros corpos e a natureza (e as máquinas, etc.). Tati provavelmente não inventou nada (o cinema mudo descobriu tudo isto) mas renovou a tradição do slapstick, com muito humor que resiste até hoje. Póvoa de Varzim 2018 Cineclube Octopus 3,5/5 
Prémios: recebeu o Prix Louis Delluc, foi nomeado à Palma de Cannes, ao Oscar para melhor argumento e está no top da National Board Review.