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9.3.14

Federico FELLINI

E. LA NAVE VA (1983)
Vi pela primeira vez este filme há mais de vinte anos e nunca mais o esqueci.
É a história de um grupo de aristocratas que na véspera da primeira guerra mundial embarcam num navio para lançar ao mar as cinzas da maior cantora de ópera do tempo. É um filme operático a vários títulos e é um requiem por um mundo que acabava: o século XIX, a Belle Epoque, a ópera como género popular, a "inocência" da aristocracia. 
Fellini e o fiel Tonino Guerra assinam o argumento. Fellini fez um filme que consegue, em muitos momentos geniais, transmitir a desmesura da ópera. Sublime. Paris 2014Le Nouvel Odeon Porto 22.12.2025 Batalha 5/5

LA STRADA (1954)
Um filme comovente e triste sobre dois seres solitários, uma mulher ingénua e generosa (Giuletta Masina) e um entertainer popular autoritário e machista (Anthony Quinn), que não se suportam mas acabam por amar-se a seu modo. Curiosamente trata-se da mesma história de Macdam Cowboy, que vi recentemente e de que, aliás, gostei bem mais. Um marco no cinema italiano, com uma Giulietta Masina inesquecível. Paris 09.2016 FQL 3/5

I VITELLONI (1953)
Não foi a primeira vez que vi este filme, mas gostei especialmente de o ver agora. Talvez por razões pessoais, porque a forma como o vemos (este filme em particular) depende muito do período da vida em que nos encontramos. O filme fala dos vitellone, que na gíria de Rimini, designa os jovens trintões desocupados, ainda a viver com os pais, indecisos quanto ao rumo que há-de tomar as suas vidas. O filme é ao mesmo tempo uma comédia, um filme melancólico e um retrato sociológico. Por todas estas razões adoro o filme. É comovente e divertido e a arte de Fellini atinge um dos seus pontos altos. Nem me ocorre falar do neorrealismo seu contemporâneo, de tal modo o filme parece rebentar com todas as costuras com que se costuma definir aquele movimento.
Vi-o agora na Filmoteca de Catalunya, numa sala cheia que no fim da sessão aplaudiu o filme. Tal como em França se faz quando se gosta do que se viu. Na Time Out de Barcelona, na secção Outro Cinema, quer dizer, para além da exibição comercial, apenas a Filmoteca marca presença. Também em Barcelona, o circuito de arte e ensaio parece estar pela rua da amargura.  Filmoteca de Catalunya 2014:  4,5/5

LO SCEICCO BIANCCO (1952)
Le Cheik blanc é o primeiro filme realizado a solo por Federico Fellini e é absolutamente maravilhoso. Todo o amor de Fellini à cultura popular de evasão está bem presente neste filme. Mas de forma crítica. Um casal em lua de mel chega a Roma, ele tem um programa apertado de visitas à família mas ela tem o projeto secreto de encontrar-se com o cheik branco, um personagem da literatura de evasão, que alimenta os sonhos de muitas mulheres. O casal vai conseguir tudo o que quer mas com muito stress à mistura. O argumento é de Federico Fellini, Tullio Pinelli e Ennio Flaiano, a música de Nino Rota, e a interpretação de Alberto Sordi, Brunella Bovo, Leopoldo Trieste e Giulietta Masina, Paris 06.2020 Le Champo 4/5