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3.10.19

Francis Ford COPPOLA 1970s

APOCALIPSE NOW (1979)
Apocalypse Now Final Cut é a terceira versão da obra-prima da Nova Hollywood, assinada por Francis Ford Coppola. Embora não seja um dos meus filmes preferidos, é inegável tratar-se de um dos grandes filmes da história. Por uma vez, a versão cinematográfica supera o original literário (Heart of Darkness de Conrad), se bem que o argumento de Coppola e John Milius se inspire livremente, mais do que transpõe, a obra de Conrad. Do princípio ao fim, Apocalypse Now expõe a loucura como estado normal da guerra. Matar o semelhante talvez não seja assim tão próprio da natureza animal pois para os homens isso tem um preço, a alienação. O encontro com Kurtz (Brando) é amortecido pelas situações de loucura uma mais agressiva do que outra que Martin Sheen enfrenta pelo caminho (a sua missão é eliminar o coronel Kurtz). Um filme maior com Marlon Brando, Robert Duvall (que recebeu um BAFTA e um Golden Globe), Martin Sheen, Frederic Forrest, Albert Hall, Sam Bottoms, Laurence Fishburne, Dennis Hopper e Harrison Ford. O filme recebeu a Palme d'Or, foi nomeado para 8 Oscar (inluindo melhor filme, realizador e argumento), Golden Globe (venceu três categorias: realizador, ator secundário e banda sonora) e 9 BAFTA (venceu o de realizador e de ator secundário). Foi ainda nomeado para o César de meilleur film étranger, e Coppola recebeu o prémio David di Donatello para o melhor realizador estrangeiro. No cinema Cidade do Porto vi em 2002 Apocalypse Now Redux e agora em Paris a versão definitiva. 4,5/5

11.12.18

Fargo (Ethan e Joel Coen, 1996)

A restauração digital de Fargo motiva a sua reposição nas salas, quase 22 anos depois de Frances McDormand (Oscar Best Actress) e dos irmãos Coen (Oscar Best Original Screenplay, Prix de la mise en scène em Cannes) terem recebido alguns dos prémios mais prestigiados do cinema. As qualidades do filme permanecem intactas, com uma história, personagens e ritmo fabulosos. E atores que nunca mais esquecemos: Frances McDormand, William H. Macy, Steve Buscemi, Peter Stormare, Harve Presnell. Um clássico a pôr ao lado dos filmes de Tarantino da mesma época. Paris Filmothèque QL 4/5
Prémio: Cannes Realizador, Oscar Atriz, Oscar Realizador N, Oscar Argumento, Oscar Filme N, GGlobe Filme N, GGlobe Realizador N, BAFTA Realizador, BAFTA Filme N, BAFTA Argumento N, César Filme Estrangeiro N, Spirit Filme, Spirit Realizador, NBR Top, NBR Atriz, NBR Realizador.

24.5.18

As Asas do Desejo (Wim Wenders, 1987)

Berlim é uma cidade que certamente concentrou muitos anjos em boa parte do século 20. Todas as dores e desesperos se abateram sobre a cidade dividida. Os anjos auscultam serenos impávidos essa infelicidade generalizada. Wim Wenders assina um filme muito belo nas imagens e nos textos, que são da sua autoria mas foram inspirados por Rainer Maria Rilke. Hoje não recebo o filme com o assombro que me suscitou na estreia, era eu um cineclubista e militante do arte e ensaio mais exigente do que sou hoje. Recebo-o com alguma indiferença, acho que prefiro mesmo a fase americana de Wenders. Com este filme Wenders foi considerado o Melhor Realizador em Cannes, recebeu o Independent Spirit Award for Best International Film, e foi nomeado para o César du Meilleur film étranger e para o BAFTA Award for Best Foreign Language Film. Paris 3/5