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26.5.22

Boilly (Musée Cognac-Jay, 2022)

Louis-Léopold Boilly (1761-1845) foi um um pintor que se destacou como (grande) retratista e cronista da sociedade do seu tempo. Nos seus quadros, que privilegiam os grupos, o coletivo,  aparece quase sempre o seu auto-retrato. Foi o primeiro pintor a apresentar trompe l'oeil num salão oficial de arte. Gostei das suas séries de quadros Les Grimaces e dos mais de cinco mil retratos que fez dos seus contemporâneos (pintava-os em duas horas e com as mesmas dimensões). Paris 2022 Musée Cognac-Jay 4/5

20.6.21

L’Empire des sens (Musée Cognacq-Jay, 2021)

L’Empire des sens, de François Boucher a Jean-Baptiste Greuze, é uma viagem ao erotismo na pintura francesa do Oitocentos. Destaque para Boucher e a sua fixação na bunda feminina, como o escandaloso l'Odalisque brune. Nunca esquecerei os muitos quadros com ninfas nuas na natureza rodeadas de seres e objetos que simbolizavam, para o apreciador da época, o desejo masculino, a perda da virgindade, a concepção, etc. Uma exposição interessantíssima. Paris 2021 Musée Cognacq-Jay 5/5

1.4.16

Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature

Jean-Baptiste Huet, le plaisir de la nature, é uma pequena exposição apresentada pelo Museu Cognacq-Jay sobre um pintor um pouco esquecido do século XVIII, século a cuja arte é dedicado aquele Museu. Huet teve uma carreira típica de artista consagrado para aquele século: tornou-se membro da Academia em 1768 (como "artiste animalier"), teve em 1869 a sua primeira participação no Salon des Arts e em 1770 obteve um atelier/apartamento no Louvre. Especializou-se na pintura de gênero, de géneros pouco nobres como a pintura de animais, e num gênero popular como o pastoral. Não tentou a pintura histórica, a mais importante. Algumas das suas melhores pinturas são: Un dogue se jetant sur des oies (1869, pintura com que foi recebido na Academia), Un loup percé d'une lance (1771) e Le Petit Chien au ruban bleu  (1771). Com o tempo passou a dedicar-se à pintura e ao desenho para decoração de interiores. Fornece modelos de tapeçaria para a manufatura real de Beauvais, e a partir de 1783 até à sua morte é um dos principais colaboradores da manufatura de Jouy, fundada por Oberkampf em Jouy-en-Josas. Paris 3/5

26.1.16

Musée Cognacq-Jay

Boucher
O Musée Cognacq-Jay (1929) é um pequeno e simpático museu situado no bairro parisiense Marais. Abriga a coleção de arte de Ernest Cognacq e de sua esposa Marie-Louise Jay, comerciantes que criaram no século XIX os armazéns da Samaritaine, símbolo do Paris burguês do último século. O museu que hoje é acessível a todos (é gratuito) é especializado nas artes do século XVIII, pois a partir de certa altura Ernest Cognacq passou a comprar apenas peças deste período.  Os irmãos Goncourt, entre outros, já haviam reconhecido o valor de determinadas vertentes da arte setecentista, tendo isso contribuído para a valorização progressiva dessas peças na segunda metade de oitocentos. Curiosamente Cognac começou por adquirir pintura contemporânea, aliás de forma avisada, pois teve na sua coleção alguns dos maiores pintores do seu tempo. Essa parte da coleção ficou para o seu principal herdeiro, enquanto o restante formou o acervo que hoje está no museu do Marais. Cognacq era um pequeno burguês de origem humilde, sem educação artística notável, e teve de se servir de conselheiros para decidir o que comprar. Não tinha hábitos mundanos que associamos à elite de Paris no tempo em que o fundador da Samaritaine viveu. Não recebia em casa e não mostrava a sua coleção, a não ser de forma excecional quando esta já adquirira a fama merecida. Pela primeira vez li um guia de museu, que me levou depois a descobrir in loco o próprio museu. É um passeio cultural muito interessante. Mergulhamos no século das Luzes através de alguma da sua melhor arte: vários Boucher, Canaletto, Guardi, um Rembrandt, vários Hubert Robert, um pequeno Chardin, muitas peças de porcelana de Meissen e de Sèvres. Faltou pelo menos Fragonard e Watteau, mas há no museu muita pintura influenciada por esses dois gigantes franceses.