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29.5.22

Raphaël (National Gallery, 2022)

Uma exposição rara... e cara! Rafael em todas as suas facetas: desenhador, pintor, designer, arquitecto... Rafael apropriou-se do génio dos seus contemporâneos, como Da Vinci, Durer, Perugino. Na exposição abundam as Madonnas, aliás a pintura de inspiração religiosa é dominante, como era de esperar. Rafael trabalhou durante vários anos para dois papas. Londres 2022 National Gallery 4/5

27.3.22

Homosexuels et lesbiennes dans l'Europe nazie (2021)

Desde o fim do século 19, com o primeiro movimento (na Alemanha) de defesa dos direitos dos homossexuais até à perseguição destes pela Alemanha nazi. Mais de 50 anos com altos e baixos na aceitação dos homossexuais, mas com algumas constantes, como a da penalização dos atos homossexuais na Alemanha e na Grã-Bretanha durante o período. Muito bom. Paris 2022 Mémorial de la Shoah 4/5

15.3.22

Julie Manet Mémoire de l'impressionnisme (2021)

Julie Manet foi filha de Berthe Morisot e sobrinha de Édouard Manet. Foi filha do impressionismo assim como a sua própria memória. Foi casada com Rouart, um especialista e grande colecionador de arte. Trata se de famílias não apenas muito ricas como do topo da elite artística de Paris. Julie não conheceu outra vida senão a do luxo e a do extremo bom gosto artístico. Todos na família praticavam a pintura desde cedo e alguns foram grandes pintores (como a mãe e o tio). Breve mas muito interessante exposição. Paris 2022 Musée Marmottan Manet 4/5

1.6.21

Peintres femmes, 1780-1830 (Musée du Luxembourg, 2021)

De certo modo, o quadro que mais me impressionou na exposição não é provavelmente um dos melhores, mas é aquele que resume para mim o espírito da exposição. Nesse quadro vemos um atelier de pintura cheio de aprendizes, todas mulheres, um cenário onde só me lembrava de ter visto homens. O século 18 testemunhou uma presença crescente das mulheres artistas, um fenómeno imparável até hoje. Mas a Revolução Francesa pareceu contrariar essa tendencia, pois algumas dessas mulheres pintoras tiveram de exilar-se para continuar a trabalhar (e a viver). Mas a Revolução significou também o acesso ao trabalho de todas as mulheres, sem distinção social. Paris 2021 Musée du Luxembourg 4/5

Voyage sur la route du Kisokaidō. De Hiroshige à Kuniyoshi (Musée Cernushi, 2021)

Há uma via terrestre entre Edo e Kyoto que era percorrida por turistas, peregrinos, monges. No século 19, quatro artistas maiores fizeram dezenas de estampas sobre essa via, onde vemos a natureza (em particular aquelas montanhas icónicas como o Fuji), os caminhantes e as povoações-paragens. Paris 2021 Musée Cernushi 4/5

25.6.20

James Tissot. L'ambigu moderne (Musée d'Orsay, 2020)

O musée d'Orsay reabriu as portas com James Tissot, pintor de nome e gostos ingleses, mas francês de Nantes, cidade portuária que lhe passou para sempre a paixão pelas atividades à beira-mar. Vendo a retrospetiva da sua obra, nota-se que ele pouco se interessava pela paisagem em si mas pelas pessoas, pelas mulheres sobretudo, e sim, também pela natureza como quadro da ação humana. Para um francês nascido e vivido num século tão rico de pintura francesa, surpreende as suas influências inglesas (os pré-rafaelitas) e alemãs (do Renascimento). Recusou a participação de um salão dos impressionistas e viveu uma década de glória em Inglaterra, onde fez muitas das suas melhores obras. Na parte final da vida, estabeleceu-se em França e dedicou-se à arte religiosa, tenho ilustrada uma Vida de Jesus que marcou a cultura da época. Paris 2020 Musée d'Orsay 4/5

14.1.20

Léonard de Vinci (Le Louvre, 2020)

Há poucas pinturas de Leonardo. E muito poucas na exposição do Louvre. Mas sobram os desenhos preparatórios das grandes obras e os estudos de reflexografia. A exposição acaba por ser sobre o trabalho material e o alcance teórico da obra de Leonardo. E há também as obras do seu atelier e do atelier de Verrochio, onde ele fez a sua aprendizagem. Paris 4/5

12.9.19

Paris romantique 1815 – 1848 (Paris, 2019)

No Petit Palais vemos a evolução da cidade de Paris no período do romantismo, a sua renovação urbanística e os seus protagonistas do mundo da arte (pintores e escritores sobretudo). No Musée de la Vie romantique privilegiam-se os salões literários, que criaram uma nova sensibilidade e influenciaram as esferas cultural e política. Paris 4/5

19.6.19

Hammershøi (Musée Jacquemart-André)

Hammershøi é um mestre da pintura dinamarquesa. Destacou-se entre os pintores da sua geração. Pintou um retrato de grupo que deu que falar, com cinco personalidades do seu tempo, seus amigos. Pintou algumas paisagens notáveis e, sobretudo, muitas pinturas de interiores, com uma luz pálida e fria. As pinturas retomam os mesmos objetos e os mesmos elementos humanos (uma mulher de costas), assim como a perspetiva austera. Paris Musée Jacquemart-André 4/5

22.4.19

Sorolla - Spanish Master of Light (National Gallery, London 2019)

Facto muitas vezes lembrado em Londres, por estes dias. Sorolla não tem uma retrospetiva da sua obra neste país desde 1908, há mais de um século... Nessa época Sorolla era um dos maiores pintores do mundo. Grandes retrospetivas aclamadas pela crítica em Paris, Londres e EUA. Esta fama não foi confirmada no futuro. Mas o pintor de Valencia tem quadros de grande beleza e modernidade como a Siesta (foto) e muitos outros onde trabalha a luz natural, nomeadamente da costa mediterrânea, como poucos pintores seus contemporâneos. Foi igualmente um grande retratista e ainda um pintor atento aos problemas sociais mais graves do seu tempo. Cada uma dessas facetas do seu trabalho mereceu uma sala pelo menos da exposição da National Gallery de Londres. 4/5

8.9.18

Michael Jackson: On the Wall (National Portrait Gallery, 2018)

Michael Jackson inspirou grandes artistas de várias artes. Muitas das obras criadas, certamente as melhores, podem ser vistas nesta excelente exposição londrina. Obras críticas, hagiográficas, apaixonadas, de Keith Haring a Andy Wharol, passando por David LaChapelle. Muito bom 4/5

21.1.18

Gauguin. L'alchimiste (Grand Palais)

Uma das exposições mais procuradas da temporada é esta retrospetiva de Gauguin, que apresenta as pinturas mas também as excelentes cerâmicas do artista. Paris 4/5

4.12.17

Maria By Callas (Seine Musicale)

Esta exposição é muito simples: uma sucessão cronológica de fotos, discos, excertos musicais para audição, vídeos, e alguns objetos e móveis. Já estive em exposições muito, muito maiores mas poucas vezes me demorei tanto numa exposição. Os fãs de Callas, que já conhecem a sua vida e obra, voltam a ouvir cada excerto musical proposto e cada intervenção da cantora à frente das câmaras, demoram mais do que é normal a folhear o álbum da vida da Divina. Portugal está presente na exposição. Aparece documentada a lendária Traviata de Callas no São Carlos, em 1958, cuja gravação pirata não para de ser reeditada, há um excerto da entrevista que Callas deu a um jornalista da RTP à chegada a Lisboa, e por fim, é exposto um exemplar da revista VIDA, com Callas na capa e um artigo sobre a cantora assinado por João Bénard da Costa e Luísa Jacobetty. Pas mal. Paris 4/5

30.11.17

Rubens, portraits princiers (Musée du Luxembourg, 2017)

Rubens foi um pintor prolífico e produziu muito com o atelier onde mantinha vários colaboradores. Esta exposição apenas apresenta retratos das famílias reais para as quais Rubens trabalhou sempre com grandes resutados e com satisfação para os monarcas que o contratavam. Essa produção de retratos de corte não é numericamente importante na obra imensa de Rubens, mas é de uma grande qualidade. Foi (também) por esses retratos que a sua fama passou facilmente as fronteiras e fez dele um grande diplomata na cena europeia. Paris 4/5

9.5.17

L' Art de DC - L'Aube des Super-Héros (Le Musée Art Ludique, 2017)

Nunca fui fã dos super-heróis; na verdade só me interessaram quando nos anos 90 surgiram muitos e bons filmes (Batman, Spider Man) dando-lhes uma nova vida artística e sobretudo comercial. Através desta excelente exposição, que vi demoradamente e com interesse, pude conhecer a origem dos super-herois da Detective Comics: Superman, Batman, Supermulher, entre outros. Penso que mais de metade da exposição é dedicada ao Superman e ao Batman, que foram criados na viragem dos anos 30/40, portanto, em tempo de guerra e de confronto das armas e da força de cada opositor. Superherois nascidos em tempos negros, primeiro na banda desenhada e, no caso de Superman, no cinema de animação dos irmãos Fleischer, logo a seguir à sua criação em papel. A exposição apresenta muitas pranchas de BD e muitos objetos, como os fatos inconfundíveis dos super-herois. Paris 4/5