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28.7.26

Yentl (Barbra Streisand, 1983)

Uma jovem mulher, iniciada pelo seu pai no estudo da religião judaica, tem de passar por rapaz para continuar os estudos. Estamos no início do século XX, na Polónia, e a divisão do trabalho entre os sexos é de rigor. O filme foi co-escrito (com base num conto de Isaac Bashevis Singer), co-produzido, realizado e interpretado por Barbra Streisand que faz ainda o que o filme tem de melhor: interpreta as maravilhosas canções de Michel Legrand (como Papa, Can You Hear Me? ou The Way He Makes Me Feel). Já me tinha esquecido um pouco do filme, mas não da sua banda sonora (que recebeu o Academy Award). Este drama romântico sem a parte musical teria pouco interesse, já que a realização de Barbra não é muito inspirada, mas valeu-lhe mesmo assim dois Golden Globe Awards: Best Motion Picture—Musical or Comedy e Best Director. DVD 4/5
A distribuidora Lost Films teve a excelente ideia de repor nas salas uma cópia restaurada, imaculada, da estreia de Streisand na realização. Na verdade, Yentl foi o primeiro filme de Hollywood a ser escrito, produzido, realizado e interpretado por uma mulher. Na estreia não foi um grande sucesso, mas mesmo assim ficou para a história do cinema musical. Barbra ganhou o Golden Globe de melhor realização, mas foi a banda sonora de Michel Legrand que levou o prémio mais cobiçado, o Oscar, e duas das suas cancões fora nomeadas para o Oscar de melhor canção: Papa, Can You Hear Me? e The Way He Makes Me Feel. Como se sabe Yentl é uma jovem judia que aprendeu o Talmud com o pai, num momento (início do século 20 na Europa de Leste) em que esse ensino é proibido às mulheres. Depois da morte do pai, para continuar os estudos veste-se e apresenta-se como homem numa escola religiosa, onde se apaixona pelo seu melhor amigo. O filme é claramente feminista e contemporâneo quando trata da questão do travestimento e das relações sexualmente ambíguas entre os protagonistas. Como musical não apresenta grandes novidades, ainda que todas as canções sejam cantadas por Barbra Streisand (feito raro) e não haja qualquer dança. Mas a banda sonora original, que vendeu mais de três milhões de cópias, não permite o esquecimento do filme pelo menos entre os fãs dos musicais. Paris 2018 Max Linder 4/5
Reprise Lost Films, 12/12/2018

The King and I (Walter Lang, 1956)

 
Esta comédia musical é muito famosa, tanto o original da Broadway (1951), quanto a adaptação ao cinema, tratando-se de um dos clássicos de referência do cinema musical. Mas não corresponde ao tipo de musical de que mais gosto. A transposição do show da Broadway é feita sem chama para a grande tela, e como a ação passa-se quase exclusivamente em interiores, a dívida em relação à origem teatral do projeto faz-se sentir ainda mais. Que diferença em relação aos musicais de Arthur Freed na MGM! O que mais  me interessa no filme é, por um lado, a maravilhosa partitura de Rodgers & Hammerstein II, e, por outro, a prestação de Deborah Kerr, uma atriz conhecida e famosa das comédias e melodramas não-musicais. A sua prestação tem a sua classe habitual, tendo sido dobrada nas canções. Foi nomeada para o óscar, mas apenas ganhou o Golden Globe para melhor atriz. Yul Breyner, que marcou a versão cénica original de The King and I, ganhou o óscar para melhor ator, a mais prestigiada das cinco estatuetas ganhas pelo filme. Houve ainda uma nomeação para melhor filme do ano (o produtor foi Charles Bracket) e outra para melhor realizador (Walter Lang). Mas recebeu mesmo assim o Globo de Ouro para melhor filme de comédia ou musical. Nada mau. VC 08.2016 DVD 3/5

22.7.26

Oliver! (Carol Reed, 1968)

Oliver! (1968) é um dos melhores musicais da história e foi devidamente recompensado pelo público (foi um enorme sucesso) e pela indústria (nomeado para 11 Oscars, venceu 6, incluindo melhor filme e melhor realizador, além dos Golden Globe para o melhor filme e melhor ator, Ron Moody). O filme é académico como quase todos os musicais dos anos 60, mas é emocionante enquanto drama e cativante como musical. A música de Lionel Bart é o seu principal trunfo, anteriormente testado no teatro (o musical Oliver! é um dos mais populares de sempre). RTP1 2019 4/5  
Oliver! (1968), produzido por John Woolf (Romulus Films), realizado por Carol Reed, argumento de Vernon Harris (adapta o  musical de Lionel Bart de 1960 e Charles Dickens). Elenco: Ron Moody, Oliver Reed, Mark Lester.
Principais canções: "Food, Glorious Food", "Consider Yourself", "As Long as He Needs Me", "You've Got to Pick a Pocket or Two", "Where Is Love?", "Reviewing the Situation".

7.5.26

Les Girls (George Cukor, 1957)

Realização de George CUKOR
Estreia nos EUA: 3/10/1957

AS GIRLS

Estreia em Portugal: 31/12/1957

Les Girls (George Cukor, 1957), musical, prod. Sol C. Siegel e Saul Chaplin,  argumento de John Patrick (história de Vera Caspary), música de Cole Porter, coreografias de Jack Cole, com Gene Kelly, Kay Kendall, Mitzi Gaynor, Taina Elg, Jacques Bergerac, Leslie Phillips, Henry Daniell, Patrick Macnee, *Golden Globe for Best Motion Picture – Musical/Comedy, *Golden Globe Best Actress (Kay Kendall e Taina Elg).

Lisboa 1996 Cinemateca 4/5

Paris 19.09.2024 Cinémathèque

DVD fr col Comédies Musicales n°28 2011


LES GIRLS (1957)
DVD Col Comédies Musicales n°28 2011 

DVDTECA

1.4.26

Kramer Vs. Kramer (Robert Benton, 1979)

KRAMER VS KRAMER (1979)
Uma das boas e mais fortes memórias da minha adolescência, Kramer contra Kramer tem os dois atores que eu mais admirava na altura, Dustin Hoffman e Meryl Streep, ambos galardoados com o óscar por este filme (respetivamente Best Actor e Best Actress in a Supporting Role). Um homem e uma mulher lutam pela guarda do filho menor (diz-nos o título), mas em primeiro plano estão os sentimentos complexos de ser mãe e de ser pai; é um dos melhores que conheço sobre a paternidade. Recebeu o óscar de melhor filme, melhor realizador e argumento (ambos para Benton) e o Golden Globe para melhor filme e melhor argumento. Muito bom. Paris 03.2017 Christine 4/5
ESTREIA 21.03.1980 (Portugal)
PALMARÉS
OSCAR 5 prémios: Filme, Realizador, Argumento, Ator (Dustin Hoffman), Atriz secundária (Meryl Streep). 9 nomeações, inc. Atriz secundária, Ator secundário, Foto, Montagem. GOLDEN GLOBE 4 prémios: Filme, Argumento, Ator, Atriz. NBR Top Ten Films, Atriz (Meryl Streep)
Coleção Jorge Tomé Santos
Programa de sala (Cinema 222)

4.7.24

Dance with Wolves (Kevin Costner, 1990)


TÍTULO: Dance with Wolves (1990)
REALIZAÇÃO: Kevin Costner
ARGUMENTO: Michael Blake, que adapta o seu próprio homónimo romance.
PRODUÇÃO: Kevin Costner e Jim Wilson // Tig Productions Majestic Films International
MÚSICA: John Barry
GÉNERO: Western - Drama - Aventura     ORIGEM: EUA
ESTREIA: 19.10.1990 (US) 8.03.1991 DANÇA COM LOBOS (Portugal)
ELENCO: Kevin Costner, Mary McDonnell, Graham Greene, Rodney A. Grant
PRÉMIOS: 7 Óscar (Best Picture, Best Director for Costner, Best Adapted Screenplay, Best Film Editing, Best Cinematography, Best Original Score, Best Sound Mixing), Golden Globe Award for Best Motion Picture
BO: 22M (Budget) 424M (BO)
VISTO: Portugal 1991     NOTA: 3/5


29.4.19

Mrs. Doubtfire (Chris Columbus, 1993)

Tootsie nos anos 80, Mrs Doubtfire nos anos 90: duas comédias, a primeira excelente, a segunda muito boa, sobre um homem (ator) que tem de passar-se por mulher para conseguir trabalho. Mrs. Doubtfire é um daqueles filmes que todos conhecemos mesmo sem termos visto já que em algum momento vimos ainda que distraidamente algumas cenas antológicas nas passagens pela televisão. O argumento, a realização e o carisma dos atores fazem desta comédia um clássico das tardes de domingo. VC 04.2019 DVDteca 3,5/5
DVD 20th Fox 2001
Bonus: Comentários áudio, etc.
DVDteca

2.3.18

The Shape of Water (Guillermo del Toro, 2017)

O filme de Del Toro é uma das surpresas do ano. No essencial é a história de amor entre uma mulher solitária (Sally Hawkins, nomeada para o óscar de melhor atriz) e um monstro aquático encontrado pelos americanos na América do Sul e que é alvo de cobiça dos russos (vivia-se a guerra fria). O filme cruza aliás vários géneros, desde a fantasia ao drama. Eu gostei particularmente da dimensão cinéfila do filme. Este inspira-se em histórias que o cinema consagrou, como o monstro da Lagoa Negra ou a Bela e o Monstro. E um dos personagens (Richard Jenkins, nomeado para  o óscar de melhor ator secundário), homossexual e tão solitário quanto a heroina, refugia-se no passado dos musicais de Hollywood dos anos 30/40, o cinema de Betty Grable, Alice Faye e Carmen Miranda, porque todos o rejeitam no presente. Alexandre Desplat recebeu o Oscar, o Golden Globe e o BAFTA pela banda sonora. Um dos melhores filmes do ano. PV 2018 Garrett 3,5/5

10.10.15

Some Like it Hot (Billy Wilder, 1959)

Qualquer cinéfilo que se preze já viu e reviu Some Like it Hot, umas das melhores comédias de sempre, assinada por Billy Wilder e estrelada por Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis. Como muitos outros filmes de Wilder, esta comédia continua a ser reposta nas salas (de Paris) e reeditada em DVD. Brilhante comédia de enganos e de aparências, com uma graça que resulta do argumento inteligente, da realização e da interpretação perfeitas. Li há pouco nas memórias de Wilder que as filmagens foram complicadas devido ao comportamento de Marilyn, que aliás repetia-se com outros realizadores. Uma cena complexa (a da praia) foi filmada em 20 minutos quando estavam previstos vários dias. Uma cena simples exigiu a Marilyn 65 takes! No final Wilder e Arthur Miller (marido de Marilyn) trocaram telegramas violentos sobre Marilyn. Mas esta raramente foi tão bem filmada como aconteceu com Wilder (dois filmes). Paris 2009 Reflect-Medicis & 2015 Le Desperado 5/5
Some Like it Hot (Billy Wilder, 1959), Fox, argumento de I.A.L. Diamond e Billy Wilder, com Marilyn Monroe (*Golden Globe), Tony Curtis, Jack Lemmon (*Golden Globe e *BAFTA), George Raft, Pat O’Brien, Joe E. Brown, Nehemiah Persoff, Joan Shawlee, Billy Gray, Dave Barry, Mike Mazurki, George E. Stone, Harry Wilson, Barbara Drew, Beverly Wills, Edward G. Robinson Jr, música de Adolph Deutsch. Billy Wilder foi nomeado ao Oscar de melhor realizador e ganhou o Golden Globe, nomeado ao melhor filme para o BAFTA, ganhou o Golden Globe.

Coleção Jorge Tomé Santos