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26.7.23

Richard YATES

NY 1926-1992

Revolutionary Road (1961, romance)

    Civilização 2009

Onze Tipos de Solidão (1962, contos 1951-1961)

    Quetzal 2011)

The Easter Parade (1976, romance)

    O Desfile de Primavera, Quetzal 2010

Liars in Love (contos, 1981)

Young Hearts Crying (1984, romance)

    Jovens corações em lágrimas ed. Quetzal 2009)

Cold Spring Harbor (1986, romance)
Perto da Felicidade, ed. Quetzal 2009
Leitura 2017

A Tragic Honesty: The Life and Work of RY (2003, biografia importante escrita por Blake Bailey)

21.4.22

MURIEL SPARK 10




Aiding and Abetting (2000)
Dois homens apresentam-se no consultório de uma psiquiatra confessando serem um Lorde que anda fugido da polícia por ter morto há décadas a ama dos seus filhos. Qual dos dois será esse Lorde? Mas a psiquiatra também tem uma vida passada, escondida pela sua nova identidade, em que cometeu um crime na sua Alemanha natal. Chantagem, ameaça de pobreza e desespero vão empurrar este trio para uma dança de quem desmascara primeiro o outro. Foi de longe o livro menos interessante que li de Muriel Spark: onde está o génio da escritora do fundamental The prime of miss Jean Brodie (1961)? Li a versão francesa Complices et comparses (Gallimard, 2002). Paris/Londres 2017 2/5
A história de Symposium (1990), ou Le banquet na edição francesa de 1991, centra-se num jantar em que os convivas pertencem à alta classe britânica, milionários mais ou menos cultos, com ou sem título aristocrático. Enquanto jantam a convite de um casal, um bando de gatunos informados pelos empregados domésticos dos ricos, assaltam a casa de um dos convivas e assassinam a mãe de um deles. O retrato deste grupo social é dado com o humor e a ironia habituais de Muriel Spark, uma escritora escocesa que nunca me decepcionou.
"Elle fut si transportée par la célèbre Assomption des Frari que William faillit la supplier de ne pas léviter"
"Ah! le gay mélancolique... mais il est très utile dans un dîner, représenta-t-elle. On peut le mettre à côté d'un arbre: il lui fera la conversation"
Mas neste romance o sobrenatural tem um papel importante através de duas personagens e das peripécias que eles suscitam: o louco Magnus e a sua sobrinha Margaret, que se encontram associados a vários assassinatos. Os romances de Muriel Spark são sempre surpreendentes, mesmo quando trilham caminhos batidos (policial, sobrenatural, comédia da aristocracia) estes são declinados de forma original. Leitura 2016 Morro de S. Paulo 4/5
THE DRIVER'S SEAT (1970)
La Place du conducteur
Folio 1987
Leituras 2025

The Go-Away Bird and Other Stories (1958) 
The Bachelors (1960)
The prime of miss Jean Brodie (1961)
The Mandelbaum gate/196
The public image (1968)
Reality and Dreams (1996) 
The Finishing School (2004) 

8.12.17

Sacha GUITRY

Faisons un rêve (Sacha Guitry, 1936)
Um advogado (Sacha Guitry) seduz uma mulher casada (Jacqueline Delubac) essencialmente com o seu discurso amoroso inflamado. Acabam por passar a noite juntos, no apartamento dele, mas de manhã o pânico perturba a sua relação, sobretudo quando o marido (Raimu) bate à porta do quarto... Poderia ser apenas teatro filmado (adapta uma peça de 1916 do próprio Guitry), mas é bem mais do que isso. Jean Renoir e Sacha Guitry são os meus realizadores franceses preferidos dos anos 30/40. Sempre que posso vejo ou revejo os filmes de Guitry, que não são fáceis de encontrar. Com Raimu. Paris 10.2016 Le Desperado 3/5 DVDTECA

Le Roman d'un tricheur (Sacha Guitry, 1936)

Les Perles de la couronne (Sacha Guitry, 1937)

Remontons les Champs-Elysées (Sacha Guitry, 1938)

Quadrille (Sacha Guitry, 1938)
Sacha Guitry adapta para a grande tela a sua própria peça Quadrille, filmada no mesmo ano (1937) em que estreou no teatro de Orléans. O filme herdou os mesmos intérpretes da criação da peça: Sacha Guitry, Gaby Morlay, Jacqueline Delubac, Georges Grey e Pauline Carton. Trata-se de uma screwball comedy à francesa, tão boa quanto as originais americanas. Um ator célebre de Hollywood visita Paris e consegue seduzir uma grande atriz de teatro francesa, que ia ser pedida em casamento pelo seu amante de vários anos. A crise instala-se entre o casal e exprime-se por alguns dos diálogos mais inteligentes e espantosos do cinema francês. E que dizer dos atores, que só por este filme merecem toda a nossa paixão? Um grande filme e um grande texto de teatro de Sacha Guitry. Paris 12.2017 Ecoles 4,5/5
Désiré (Sacha Guitry, 1938)
Deliciosa comédia sobre as tensas relações entre patrões e criados: a dada altura, o criado Désiré põe-se a sonhar todas as noites com a a sua patroa e esta com Désiré. Eles não sabem, mas outros ouvem-nos e isso gera os maiores constrangimentos. Mais uma vez, Guitry adapta para o cinema a sua própria peça (de 1927) com a sua trupe habitual (Guitry, Jacqueline Delubac, Pauline Carton) e a grande Arletty. Produzido por Serge Sandberg (Cinéas). Paris 12.2017 Ecoles 4/5
Donne-moi tes yeux (Sacha Guitry, 1943)

Le Comédien (Sacha Guitry, 1948)

Aux deux Colombes (Sacha Guitry, 1949)
Sacha Guitry, Suzanne Dantès, Marguerite Pierry

Guitry filma a sua própria peça com a graça habitual. Pensando que a mulher morreu num incêndio, um homem casa com a irmā dela. Mas a primeira esposa aparece-lhe em casa bem viva 20 anos depois... Talvez o melhor do filme seja o início, quando Guitry apresenta de forma original e espirituosa a sua equipa, que se prepara para fazer o filme. Paris 12.2017 Ecoles 21 & Cinémathèque 23.11.2025 Nota: 3/5

Toâ (Sacha Guitry, 1949)

REAL Sacha Guitry ARG. Sacha Guitry, baseado na sua própria peça ELENCO Sacha Guitry, Mireille Perrey, Robert Seller, Lana Marconi, Jeanne Fusier-Gir  PROD. Films Minerva ESTREIA 28.10.1949 (Paris)  VISTO Cinémathèque 20.11.2025 Nota: 3/5

Tu m'as sauvé la vie (Sacha Guitry, 1950)
REAL Sacha Guitry ARG. Sacha Guitry, baseado na sua própria peça ELENCO Fernandel, Sacha Guitry, Lana Marconi, Jeanne Fusier-Gir PROD. Films Minerva ESTREIA 20.09.1950 (Marseille)  VISTO Cinémathèque 23.11.2025 Nota: 3/5

Si Versailles m'était conté... (Sacha Guitry, 1954)
ARG.REAL. Sacha Guitry ELENCO Sacha Guitry, Georges Marchal, Claudette Colbert, Jean Marais, Micheline Presle ESTREIA 15.02.1954 (França) 9.11.1954 (Portugal) VISTO Paris 15.11.2025 Cinémathèque

Sacha Guitry et la Malibran
(Geori Boué, 2012)
Ed. la tour verte 2012
BIBLIOTECA

Sacha Guitry (Découvertes Gallimard, 2007)
A vida de Guitry esteve sempre intimamente associada ao seu trabalho (de ator, dramaturgo, realizador, encenador) pois não só o seu pai era um famoso ator (Lucien Guitry, um dos grandes do seu tempo), como Guitry se casou com mulheres que se tornaram atrizes das suas peças e dos seus filmes. O desgaste dos seus muitos casamentos teve provavelmente a ver com a excessiva dependência dessas mulheres/atrizes em relação a Guitry. Aliás, em alguns casos essas atrizes são hoje recordadas e celebradas apenas pelo trabalho que fizeram com Guitry. É apaixonante ver como Guitry permaneceu no centro da vida cultural francesa durante 50 anos aproximadamente, e a sua estrela só empalideceu no imediato pós-segunda guerra, quando foi preso e acusado de ter manifestado simpatias pelo regime nazi instalado em França. Mas nos anos 1950 ele voltaria à mó de cima, tornando-se um realizador mais popular e celebrado do que antes. Como é habitual na coleção Découvertes da Gallimard, o trabalho dos autores é impecável. Natal de 2017, Póvoa de Varzim e novembro de de 4/5

4.12.17

H. G. WELLS

H. G. Wells (Laura El Makki)
Peguei nesta biografia por causa de Rebecca West, cuja biografia me tinha fascinado há meses. Wells foi talvez o homem mais importante na vida amorosa de Rebecca West, tendo tido um filho dele. Mas Rebecca foi apenas uma das muitas amantes de Wells, que se manteve casado com Jane até à morte desta. Wells tornou-se desde cedo (aos 30 anos) um homem cèlebre em todo o mundo e apesar de ter escrito muitos romances e ensaios ao longo da vida, a sua celebridade deveu-se ao impacto que tiveram as suas obras de ficção científica publicadas entre 1895 e 1898: The Time Machine, The Island of Doctor Moreau, The Invisible Man e The War of the Worlds. Quem não as conhece mesmo sem as ter lido? Parece-me que o resto da obra está esquecida e o próprio Wells apercebeu-se de que, mesmo mantendo a celebridade (visitava e entrevistava os líderes políticos dos EUA e da Rússia, por exemplo), cada vez menos gente lia os seus livros. Ele pôde mesmo testemunhar o sucesso daquelas obras iniciais no cinema e até na rádio, como a famosa dramatização radiofónica feita por Orson Welles (o escritor não gostou mesmo nada da brincadeira do realizador até se aperceber de que o seu nome voltava a ser popular devido ao grande impacto do programa de rádio). Paris 2017 3/5

10.11.17

The Other Side of the Moon: The Life of David Niven

Ensaio de Sheridan Morley
O que me levou a ler a biografia de uma das estrelas mais insípidas do cinema? Em boa verdade, o acaso. Encontrei por uma libra uma bela edição de capa dura com muitas, muitas fotos. Mal comecei a ler vi que estava perante um autor mais do que competente (Sheridan Morley é uma autoridade no campo do cinema e das biografias) e perante um ator com uma carreira interessante, inclusive nos seus fracassos. Niven foi para Hollywood no início dos anos 30 e beneficiou do prestígio da colónia britânica naquele cidade dos sonhos. Levou muito tempo a ver o seu talento reconhecido e foi em projetos britânicos de prestígio (Wuthering Heights) que encontrou o seu lugar. O seu estúdio (Goldwyn) não sabia o que fazer dele e emprestava-o com frequência aos outros estúdios. Nunca conseguiu ser a estrela dos filmes em que entrava, mesmo no filme que lhe deu o óscar (Separate Tables). No início dos anos 60, já vivendo na Europa, é escolhido por Ian Fleming para encarnar 007 mas é Sean Connery que fica com o papel; Blake Edwards dá-lhe o principal papel em The Pink Panther mas Peter Sellers rouba as cenas a todo o restante elenco. Mas há uma dimensão da vida de Niven que muitos desconhecem. Ele era um contador de histórias nato, histórias mais ou menos verdadeiras sobre Hollywood. Escreveu livros explorando esse talento e a sua autobiografia, The Moon's a Balloon, vendeu 5 milhões de cópias, um marco na edição sobre cinema. Paris 4/5

15.10.17

Literatura 1979

Affaires étrangères (Jean-Marc Roberts, 1979)
Affaires étrangères, romance de Jean-Marc Roberts, recebeu o prémio Renaudot em 1979, um dos mais importantes prémios literários franceses. E mereceu-o. Tantos anos passados, as qualidades de escrita do famoso editor francês são evidentes. Um estilo despojado e preciso, e ágil. Louis Coline é o protagonista, um jovem que vive com Nina e trabalha nos grandes Magasins de Paris. O seu novo diretor, Bertrand, vai mudar a sua vida através de uma sedução, de uma manipulação de personalidade, que faz com que Louis abandone Nina e as amizades do casal. Não há uma dimensão sexual nesta sedução profissional mas o facto é que o protagonista se afasta de todos e começa uma nova vida com outras pessoas, precisamente o que se passa com muitos casamentos. Paris 3,5/5

22.9.17

Rubens (Taschen)

Com este precioso livro da Taschen (feito para as massas) fiquei a perceber melhor o que eram os grandes ateliers de onde saíam obras em catadupa assinada por um mestre da moda. E poucos terão havido como Rubens, cujos ateliers formaram grandes pintores e promoveram o trabalho especializado: um pintava flores, outro as formas humanas, outro os animais mortos... Nunca prestei atenção a Rubens, mas agora alguns dos seus quadros fascinam-me. Não se conhecendo o contexto em que foram produzidos, nem imaginamos a ousadia (estética, política) que certos quadros encerram, mas que na superfície (da nossa ignorância) nos parecem académicos e sem vida. Vila do Conde 2017: 5/5

26.8.17

Evelyn WAUGH

VILE BODIES (1930)
Os anos 1920 foram anos loucos: um novo mundo começava depois da guerra, e o prazer era o valor máximo. Mas foram por isso mesmo anos frívolos, e provavelmente neles nasceram os antepassados dos famosos e dos paparazzi de hoje. Corpos Vis (1930) é uma sátira à alta sociedade desses anos, cujas festas não prescindiam de escândalos absurdos, que acabavam na imprensa para regozijo de uns e vergonha de outros. As personagens são esquemáticas, caricaturais, e os omnipresentes diálogos regorgitam de tiradas cheias de superlativos e má-língua. Tudo isto é bem vindo numa série televisiva, mas num romance tornou-se para mim fastidioso. VC 08.2017 BMPV 2,5/5

BIBLIOTECA:
Brideshead Revisited (1945)  Helena / Helena (1950) As desventuras do Senhor Pinfold  / The ordeal of Gilbert Pinfold (1957) Homens em Armas / Men at Arms (1972)  O Ente Querido / The Loved One (1973) 

21.8.17

H. G. CANCELA

IMPUNIDADE (2014)
Difícil apresentar ou resumir a história deste romance, cujos meandros vão sendo revelados pouco a pouco. Talvez isso não seja importante. Logo de entrada (e vai ser assim todo o caminho) encontramo-nos perante seres magoados, náufragos de uma tragédia familiar de que nada sabemos mas a seu tempo saberemos. Duas crianças, o narrador, suposto pai das crianças, a mãe destas, uma outra mulher e o seu filho adolescente. Pouco falam, pouco fazem e pouco sabemos das suas motivações; e as crianças não são crianças, tolhidas já pelos crimes dos adultos. O narrador descreve imperturbável os escassos movimentos dos personagens, mas tudo é engolido pelo silêncio e pelo calor do interior de Espanha no verão. Mas há as breves notas sobre o corpo das mulheres, revelando um narrador perturbado, por momentos. Impunidade foi finalista do prémio da APE, o júri acertou ao considerá-lo merecedor de tal galardão. Praia das Caxinas 08.2017 3,5/5 BMPV

16.8.17

Glenway WESCOTT

Kewaskum, Wisconsin 1901 - Rosemont, New Jersey 1987

THE GRANDMOTHERS (1927)
Harper Novel Prize

THE PILGRIM HAWK: A LOVE STORY (1940)
Até há bem pouco tempo não sabia da existência de Glenway Wescott. Mas a leitura desta novela famosa acabou por revelar-me um escritor excelente. Americano de origem, Wescott viveu em França durante a maior parte da sua carreira. Tem uma obra brevíssima, o que me intriga, pois deve ter sido reconhecido pelos seus pares. Esta novela relata a visita do casal Cullen a uma amiga que vive em França. A visita dura apenas umas horas, mas o pouco que se passa nesse encontro atinge uma dimensão, uma espessura romanesca, que só a grande arte literária pode ambicionar. A senhora Cullen tem um falcão de que não se separa, e que exerce um fascínio evidente sobre Alex (a anfitriã) e principalmente sobre o seu amigo Alwyn Tower (o narrador), não deixando de revelar ao mesmo tempo todas as agruras do casamento dos Cullens. Um excelente livro. VC 08.2017 BMPV 4,5/5

APARTMENT IN ATHENS (1945)
Editions du Rocher
Tradução de Alain Spiess e Philippe Mikriammos
Prefácio de David Leavitt
BIBLIOTECA
Le Livre de Poche 2007
NT

BIBLIOTECA:
The Pilgrim Hawk (1940)
Apartment in Athens (1945)

3.8.17

Literatura 1910s

Summer (Edith Wharton, 1917)
Este romance faz este ano precisamente um século. A sociedade descrita no romance mudou muito, mas não mudou o prazer que dá a sua leitura. Gostei mais, porém, dos outros dois textos de Wharton lidos antes deste: Souls Belated e Ethan Frome. A protagonista de Verão (ou Sussurros de Verão, na versão que li) é Charity Royall, filha adotiva do advogado Royall, grande eminência da pequena localidade onde vivem. Charity é muito jovem e desperta para o amor e a sensualidade, mas as suas origens mais do que modestas (ela vem de Montanha, uma aldeia isolada, povoada por seres discriminados como hoje são os ciganos) determinam o seu destino tenebroso. Ela é cortejada por um jovem com cultura muito superior à sua e da grande cidade, mas também é assediada pelo próprio padrasto, que tudo faz para casar com ela. Um notável romance que fala de questões ousadas. VC 2017 4/5

1.7.17

D.H. LAWRENCE

THE MAN WHO DIED (1930)
The Man Who Died é o último romance (ou novela) de D.H. Lawrence, mas é o primeiro livro que leio dele. Não estava preparado para tamanha beleza de texto e de imaginacão romanesca. O livro entrelaça a história de um galo com a história de Jesus ressuscitado, no dia seguinte à sua morte. A descrição dos animais e da natureza é das melhores que já li e a observação da vida que irrompe em cada ser na sua juventude também dá origem a uma narrativa dos homens igualmente sugestiva. Um conto filosófico, como lhe chama Drieu la Rochelle no prefácio àversao francesa que li e que também é assinada pelo escritor francês. O texto francês (de 1933) é de uma qualidade sem igual, certamente por ter sido vertido por um grande escritor. Foi inicialmente publicado na célebre coleção L`'Imaginaire da Gallimard. Leitura durante a viagem Paris-Londres 07.2017 4,5/5

8.6.17

The Collaboration: Hollywood's Pact with Hitler (Urwand, 2013)

Li A Colaboração: o pacto entre Hollywood e o Nazismo (Leya, 2014), que resultou de uma grande investigação sobre a colaboração entre os nazis e os estúdios de Hollywood. Os Alemães foram muitas vezes representados nos filmes de Hollywood a seguir à Primeira Guerra, mas a imagem deles era frequentemente negativa. Com a ascensão de Hitler ao poder, as autoridades alemãs começaram a fazer chantagem com Hollywood, ameaçando proibir a estreia de filmes americanos caso os EUA não anuíssem às exigências alemãs. Pouco a pouco, os alemães impuseram as suas condições (o mercado alemão era importante para as exportações americanas) aos estúdios americanos: o povo alemão era visto a uma luz favorável ou neutra, nada de crítica ao regime nazi, desaparecimento dos judeus nos filmes americanos. Vários títulos com protagonistas judeus ou que visavam a crítica da situação política e social na Alemanha viram a sua produção anulada por pressão dos alemães. Um livro cheio de revelações interessantes. Salvador da Bahia 4/5

15.2.17

Pissarro. Patriarche des impressionistes (2012)

Pissarro nasceu nas Antilhas dinamarquesas, formou-se em França e pintou durante um tempo na Venezuela. Tudo durante a sua juventude. Quando se estabeleceu em França, em adulto, e constituiu família, não mais saiu do país a não ser para visitar os filhos que escolheram Londres para morar. Até aos 40 anos viveu de uma pensão dos pais, pouco a pouco foi ganhando notoriedade, mas sempre com dificuldades para sustentar a família numerosa. Viveu em várias pequenas localidades perto de Paris, até comprar casa em Eragny. Pintou sobretudo a natureza, as paisagens rurais, com ou sem a figura humana. No final da vida, inclusive por motivos de saúde, pintou várias séries de vistas urbanas, pintadas a partir da janela dos quartos que arrendava para o efeito. Pintou sobretudo Paris e Rouen. Participou em vários salons oficiais, mas também nos salons dos recusados e mais tarde dos impressionistas. Aderiu durante um tempo ao neo-impressionismo de Signac e Seurat. Um artista exemplar, pela solidariedade que revelou com os amigos e colegas pintores, e pela constante busca de novas formas de expressão. Belo livro. Vila do Conde 2017: 5/5

13.2.17

Luchino Visconti (Gaia Servadio, 1981)

Gaia Servadio era amiga de Luchino Visconti. Mas escreveu uma biografia com grande objetividade, que não lembra nada os testemunhos que os amigos e familiares costumam fazer sobre figuras públicas. Visconti nasceu no seio da aristocracia de Milão e nunca deixou de ser rico, muito rico. Foi encenador de teatro e de ópera, um dos grandes da altura, mas é como realizador de filmes que é hoje lembrado. Começou pelo teatro nos anos 30, em seguida estreou-se no cinema, com Ossessione, e em ambos os campos trouxe um realismo renovador que marcou a época. Na juventude sentiu-se atraído pelo fascismo (apoiado pela aristocracia de onde provinha) tenho viajado para a Alemanha para assistir as grandes paradas militares nazis. Mas a sua formação artística e intelectual em Paris e em Roma, na mesma altura, foi feita entre comunistas, que acabaram por o conquistar. Até ao fim da vida, Visconti manteve-se próximo dos comunistas italianos. Foi assistente de realização de Jean Renoir, um notório apoiante da esquerda em França. A partir dos anos 40 a sua condição contraditória de aristocrata comunista marcou a receção da sua obra. Eu ignorava todo este contexto em que foi feita e recebida a sua obra cinematográfica. Os seus filmes, que eu via sobretudo pelo prisma da estética, encerram posições políticas que remetem para o presente da produção e não para o passado da intriga (Senso, Il Gattopardo). Uma excelente biografia. Paris 2017: 5/5

9.2.17

The National Gallery London (Homan Potterton, 1977)

Este é um bom guia do acervo da National Gallery de Londres, um dos principais museus do mundo. Li-o na primeira edição, de 1977, com muitas fotografias a preto e branco, e esse é o principal defeito desta edição. De resto, é excelente. Homan Potterton expõe sucintamente a história do museu e também algumas noções relativas à conservação das obras. The National Gallery é um dos poucos grandes museus que consegue expor permanentemente ao público todo o seu acervo (cerca de dois mil quadros). Não tem muitas obras, é certo, mas o que tem é de grande importância estética e histórica. O museu não nasceu de nenhuma coleção real, como era habitual à época, mas sim de uma coleção privada (do imigrante russo John Julius Angerstein) comprada pelo governo britânico em 1924. Outras coleções se juntaram ao acervo inicial assim como as aquisições que os sucessivos diretores fizeram. Primeiro privilegiaram-se as obras dos grandes pintores (italianos, sobretudo), depois passou-se a adquirir as obras pelo seu valor representativo e histórico. Vila do Conde 2017 (4/5)

13.12.16

Colleen McCULLOUGH L2

Desta vez li o livro (Tim, 1974) sem conhecer o filme, sem mesmo saber que o primeiro livro de Colleen Mccullough, além de ser um enorme sucesso, inspirou pelo menos dois filmes, o primeiro dos quais com o jovem Mel Gibson no papel do protagonista. O romance narra a história de amor entre uma solteirona rica, quarentona, e um jovem excecionalmente belo mas com um atraso mental que o afasta de uma vida normal. Protegido pelos pais e pela irmã, gozado pelos colegas de trabalho, lamentado pela sociedade, Tim encontra em Mary Horton alguém que pouco a pouco se torna a sua melhor amiga e a sua companheira para a vida. Leitura e história interessantes, embora tudo se encaixe de forma demasiado perfeita. As personagens são pouco complexas e as importunas são simplesmente afastadas para tornar o romance entre Tim e Mary idílico. Foi o romance mais próximo da chamada literatura cor de rosa que eu já li. Vou querer ver os filmes, pois a história e os atores (Pier Laurie & Mel Gibson, Candice Bergen & Tom McCarthy) prometem.Viagem Paris-Salvador 2017: 3,5/5
Nos anos 80, Colleen McCullough era uma escritora famosa em todo o mundo, assim como em Portugal (publicada pela Difel). Duas amigas minhas na altura leram vários livros dela mas eu não me interessava por uma literatura que suspeitava estar próxima da narrativa telenovelesca. E essa intuição tinha a sua razão de ser. Li agora As Senhoras de Missalonghi (1987), que conta a história de três mulheres que vivem sozinhas numa casa velha, numa pobreza evidente. Mas a sua condição é consequência de uma sociedade (Austrália, na primeira metade do século XX) que subordina as mulheres aos homens. Numa pequena povoação chamada Byron, fundada por um Hurlingford, quase tudo pertence a esta família, mas todos os negócios e heranças ficam com os filhos varões e as mulheres recebem casas e não são incentivadas a trabalhar. As viúvas e as solteiras caem facilmente na pobreza. Missy é uma dessas solteironas que não tem perspetivas de vir a melhorar a sua condição. Mas como acontece nas narrativas cor de rosa típicas, Missy vai passar de patinho feio da família a mulher independente e rica, que terá nas mãos o destino das fortunas dos parentes Hurlingford. A parte final do romance, com esta transformação radical da heroína, é uma decepção. Paris 2016: 3/5