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25.7.26

O Homem que Virou Suco (João Batista de Andrade, 1980)

Um retrato duro do trabalhador no Brasil dos anos 80. Uma crítica impiedosa à forma como o patronato (pequeno ou grande) esmaga os trabalhadores, retirando-lhes tudo, só não lhes tiram a vida porque precisam do corpo operário. José Dumont no protagonista recebeu prémios em Gramado, Brasília e Huelva. Melun 2020 TV 3/5

21.7.26

Festa (Ugo Giorgetti, 1989)

Festa é descendente de À Espera de Godot. No primeiro andar de uma mansão decorre uma festa, que nunca vemos; no rés-do-chão três homens, dois jogadores de bilhar e um tocador de gaita esperam a sua vez de intervirem na festa, mas isso não acontece. À volta deles, garçons e criadas da casa andam de um lado para o outro, ocupados. Antonio Abujamra, Adriano Stuart e Jorge Mautner são os três à espera e nem direito a uma bebida têm. Têm o estatuto dos artistas, que trabalham quando são chamados, para distrair um público imprevisível que se tem de contentar a todo o custo. Inclusive pela arte e pelas habilidades que dominam. O filme mostra situações universais dos profissionais dependentes, mais ou menos humilhados. Mas o tédio não afeta só os personagens mas também os espectadores, como me aconteceu a mim por momentos. O elenco inclui ainda Otávio Augusto, Ney Latorraca, Patrícia Pillar e José Lewgoy. O filme foi o grande vencedor em Gramado (melhor filme, argumento e atores). Melun 2020 TV 3/5

9.7.26

Eles Não Usam Black Tie (Leon Hirszman, 1981)

REAL Leon Hirszman ARG Leon Hirszman e Gianfrancesco Guarnieri, baseado na peça Eles não usam black-tie (Gianfrancesco Guarnieri) ELENCO Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri, Milton Gonçalves, Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes, Flávio Guarnieri FOTO Lauro Escorel PALMARÉS Festival de Veneza, onde recebeu o Grande Prêmio do Júri ESTREIA 5.09.1981 (F. Veneza), 20.09.1981 (Brasil) VISTO Porto 26.10.2025 Trindade
EXIBIÇÃO
Porto, cinema Trindade 26.10.20, 11h Ciclo É Tudo Brasil!

O Baiano Fantasma (Denoy de Oliveira, 1984)

José Dumont, excelente, protagoniza uma história de favela, com a sua população na luta diária pela sobrevivência, incluindo aqueles que querem dar a volta por cima com esquemas fora da lei. O Brasil não parece ter mudado mesmo. Melun, março de 2021 TV 2,5/5

Duas Estranhas Mulheres (Jair Correia, 1981)

Filme em dois episódios, Diana e Eva. Duas belas atrizes: Patrícia Scalvi e Fátima Celebrini. A primeira mata o marido, a segunda é morta por um homem que lhe dá boleia. Mas as tramas são mais complexas e raiam o surrealismo que na época não era assim tão supreendente. Diana encontra num bar um homem, sósia do seu marido, mas que a trata melhor, na verdade é uma projeção do seu desejo e insatisfação. Matando o marido mata o amante. Melun 2020 (2/5)
Duas Estranhas Mulheres (Jair Correia, 1981). Produção de Cassiano Esteves (Jair Correia Filmes, Marte Filmes, UCB), roteiro de Leila Maria Bueno e Jair Correia, com Patrícia Scalvi, Hélio Porto, John Doo, Fátima Celebrini, Vandi Zachias. *Troféus APCA: Melhor diretor, atriz (Patricia Scalvi) e ator coadjuvante (Vandi Zachias).

O Olho Mágico do Amor (J. Garcia e Í. Martins, 1981)

Uma jovem (Carla Camurati) começa a trabalhar num escritório e logo descobre que no apartamento contíguo uma prostituta (Tânia Alves) recebe os seus clientes. De certa forma é uma iniciação sexual da jovem, que tem namorado mas que pouco depois o abandona, quando sente que a sexualidade não tem limites... O filme ganhou importantes prémios na época, mas parece-me um exemplo pálido do cinema brasileiro que se fazia então. Melun 2020 (3,5/5) 
O Olho Mágico do Amor (José Antônio Garcia e Ícaro Martins, 1981). Produção da Olympus Filme. Roteiro de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, com Carla Camurati, Tânia Alves, Ênio Gonçalves, Arrigo Barnabé, Hércules Barbosa, Walter Casagrande, Luiz Felipe, Luiz Roberto Galizia, Sérgio Mamberti, Cida Moreira, Jorge Mautner. Fotografia de Antonio Meliande, trilha sonora de Luiz Lopes. Recebeu 9 Troféus APCA: Filme, Diretor, Atriz (Carla Camurati, Tânia Alves), Roteiro, Atriz Coadjuvante (Cida Moreira) e Fotografia. Em Gramado, recebeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante (Carla Camurati) e foi nomeado para melhor filme. Teve cerca de 800 mil espectadores. Um sucesso.

4.7.26

Cabra Marcado para Morrer (Eduardo Coutinho, 1983)

 
Finalmente vi o famoso documentário de Coutinho, recentemente restaurado. É, efetivamente, um grande momento de cinema e um retrato implacável do Brasil profundo e injusto. É um documentário, mas aqui há heróis, todos vindos do povo brasileiro. Paris 01.2018 FCBP NOTA: 4,5/5

24.5.26

O Segredo da Múmia (Ivan Cardoso, 1982)

A Cinemateca Francesa dedicou em 2015 uma sessão dupla de cinema bis a Ivan Cardoso, autor de filmes clássicos na área do fantástico. Foram grandes sucessos no Brasil, mas achei-os muito fracos, com falta de ritmo e com interpretações desastrosas, apesar de ter grandes intérpretes. Agradou-me a irreverência do argumento e o erotismo herdado das pornochanchadas, mas o resultado final não é fácil de digerir. Passou no Fantasporto. Paris, Cinemateca Francesa 2015 2/5

7.5.26

Bete Balanço (Lael Rodrigues, 1984)

Estreia no Brasil: 30 07 1984

Este filme é um marco do cinema brasileiro, mas não pelas suas qualidades cinematográficas. O filme lembra os pobres filmes musicais dos anos 80, como Flashdance, que marcaram muitos jovens mas nada trouxeram à arte do musical (na época só me lembro de um ou outro verdadeiramente notável, como One From the Heart ou Pennies From Heaven). Bete Balanço apanha a movida carioca no seu auge, com o brock explodindo. Um dos seus poetas, Cazuza, aparece no filme, como personagem e também atuando com o seu grupo Barão Selvagem. O filme aliás, segue o roteiro esquemático que os musicais nunca abandonaram desde o início do cinema sonoro. Uma jovem da província (Débora Bloch) vai tentar a sua sorte na grande cidade. Ela pretende ser famosa, talvez na música. O filme tem um ou outro video clip como se costumava fazer, em que ação para e a música domina. Este filme é precioso porque alguns artistas que ficaram davam aqui os primeiros passos. O filme não ganhou prémios e não subiu ao pódio, mas conquistou o público (1,3 milhão de espectadores) e o estatuto de clássico entre a geração que se reconheceu nele. Melun 2020 (3,5/5) 

Bete Balanço (Lael Rodrigues, 1984). Produzido por Carlos Alberto Diniz, Ponto Filmes e CPC. Roteiro de Lael Rodrigues e Yoyo Wurch. Elenco: Débora Bloch, Diego Vilella, Lauro Corona, Cazuza, Maria Zilda, Andrea Beltrão, Hugo Carvana. Atuações musicais de Cazuza, Barão Vermelho, Lobão e os Ronaldos, Celso Bules Boy e Metralhatxeca. Prémio APCA de Melhor atriz (Débora Bloch). Trilha sonora do Barão vermelho e outros.

29.4.26

Bar Esperança, o Último que Fecha (Hugo Carvana, 1983)

Bar Esperança, o Último que Fecha, de Hugo Carvana, é uma comédia de grupo, geracional, que fixa um momento da sociedade brasileira, nos últimos anos da ditadura. Apresenta muitos atores marcantes desses anos, da televisão mas também do cinema, que aliás interpretam artistas, uns mais instalados do que outros, mas todos precisando da amizade de uns dos outros à mesa de um bar tradicional carioca. É uma comédia bem brasileira, que celebra a amizade, o afeto fácil, a cumplicidade, aspetos identitários do Brasil ou pelo menos que muitos estrangeiros associam ao Brasil. Os protagonistas, interpretados de forma sublime por Carvana e pela impagável Marília Pera, formam um casal com filhos que vivem uma história de amor de invejável solidez mas que é perturbada pela instabilidade profissional do marido, um escritor frustrado. Há muitas coisas maravilhosas neste filme, como certas personagens e a importância da música na vida delas. Ouvimos o brock mas sobretudo a MPB, no caso Meu bem, meu mal, de Caetano Veloso, cantada pelo compositor, por Carvana e por Marília. Paris 2017 Cinemateca 4/5

As Sete Vampiras (Ivan Cardoso, 1986)

A Cinemateca Francesa dedicou em 2015 uma sessão dupla de cinema bis a Ivan Cardoso, autor de filmes clássicos na área do fantástico. Foram grandes sucessos no Brasil, mas achei-os muito fracos, com falta de ritmo e com interpretações desastrosas, apesar de ter grandes intérpretes. Agradou-me a irreverência do argumento e o erotismo herdado das pornochanchadas, mas o resultado final não é fácil de digerir. Paris, Cinemateca Francesa 2/5

A Próxima Vítima (João Batista de Andrade, 1983)

Estreia no Brasil: 10 11 1983
Este clássico do cinema policial brasileiro tem roteiro de Lauro César Muniz e do próprio realizador. Baseia-se em factos verdadeiros relativos ao serial killer que assassinou várias prostitutas e nunca foi descoberto. Mas quem faz a investigação para descobrir a identidade do assassino é um jornalista (Antônio Fagundes), que se interessa por uma prostituta menor (Mayara Magri) durante a sua pesquisa. Logo ele vai compreender a sombria realidade não só desse mundo da exploração da mulher mas também da sujeira da política, que, em meio a eleições, faz aparecer um culpado dos crimes, negro, para tirar dividendos políticos. O Brasil não mudou muito, e o filme continua actual. Com Antônio Fagundes, Louise Cardoso, Gianfrancesco Guarnieri, Othon Bastos, Aldo Bueno (melhor ator coadjuvante em Gramado) e Mayara Magri (atriz revelação em Gramado). Melun 2020 TV 3,5/5

Festivais: APCA Ator, APCA Atriz, Festival Figueira da Foz, Gramado Ator, Gramado Atriz, Gramado FilmeN

Pra Frente Brasil (Roberto Farias, 1982)

Pra frente Brasil (1982), sem ser uma grande obra, é um clássico por retratar o auge da ditadura militar que vigiava todo e qualquer cidadão para o manter na linha e não resistir ao poder instalado. É a história deste filme: um brasileiro comum apolítico é preso por erro e acaba morrendo às mãos do seu torturador. À procura desse brasileiro desaparecido (Reginaldo Faria), temos António Fagundes e Natália do Vale, um trio de ouro da televisão brasileira.  Paris 12.2017 3/5

28.4.26

Índia, a filha do sol (Fábio Barreto 1982)

O longa de estreia de Fábio Barreto é um belo filme sobre o amor de uma índia (Glória Pires) por um cabo do exército (Nuno Leal Maia) no interior de Goiás. O cabo aparece para resolver um problema num garimpo de pedras preciosas e atrai uma jovem índia para lhe fazer companhia, mas a natureza e intenções do homem cedo se revelam. Filme que oscila entre a doçura da música de Caetano Veloso "Luz do sol" e da protagonista, as paisagens exuberantes, e a violência do militar. O filme é baseado num conto de Bernardo Élis. Muito bom. Melun, janeiro de 2021 TV 3,5/5

A Marvada Carne (André Klotzel, 1985)

Filme de estreia de André Klotzel, baseado nos escritos do folclorista Cornélio Pires, que estudou e divulgou a cultura caipira, em particular a sua música, pois foi produtor musical. O filme pode ser visto como uma comédia romântica caipira, embora este género esteja associado à vida urbana. Carula (Fernanda Torres) é uma jovem do campo simples que tem o sonho de casar e passa o tempo a rogar a Santo António que lhe dê um homem. Aparece-lhe um caipira sem eira nem beira (Adilson Barros) mas despertar-lhe o interesse vai ser difícil, menos todavia do que atraí-lo para o casamento. Carula vai ter de usar de artimanhas para conseguir o seu fim. Além da história de amor, o filme entra pelo domínio do fantástico, com o aparecimento ao protagonista de seres maravilhosos (um saci e uma feiticeira, estupenda Regina Casé) típicos da cultura caipira. O filme recebeu os principais Kikitos no festival de Gramado: melhor filme (para o júri oficial e popular), melhor realizador, argumento, atriz e BSO de Rogério Duprat. Melun, dezembro de 2020 TV 4/5

Menino do Rio (Antônio Calmon, 1982)

Este filme capta como poucos uma época e uma cidade num determinado momento da sua história. O menino do Rio foi primeiro uma canção de Caetano Veloso, projetada para a eternidade na voz de Baby Consuelo, consagrada na abertura da novela Água Viva... Uma canção e um filme que transmitem uma atmosfera e mesmo qualidades sensoriais, a maresia, o calor, e o ritmo lento da juventude que se dedica ao surf e à asa delta nas praias do Rio. O filme parece um filme hippie fora de época, com rapazes e moças de cabelos longos, em encontros na praia ou nas casas de praia, mas esta atmosfera despreocupada esconde os problemas familiares dos dois amigos protagonistas, marcados pela ausência dos pais. Um deles ficou sem família, o outro nunca vê a sua. Os laços entre o jovem rico, que vive numa vivenda na praia, e o jovem pobre, sem casa, estreitam-se e eternizam-se quando um tenta salvar o outro no mar, morrendo na tentativa. O filme parece inócuo como A Lagoa Azul, filme da mesma altura, mas a sua história reserva boas surpresas. Foi um grande sucesso de público e marcou uma geração. Podia tê-lo visto na minha juventude se eu fosse brasileiro, mas assim não aconteceu. Foi bom ter descoberto o filme agora. Melun 2020 (3,5/5)

Menino do Rio (Antônio Calmon, 1982), produzido por Embrafilme, Filmes do Triângulo, Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas (Lucy e Luiz Carlos Barreto), argumento de André De Biase e Tonico De Biase, roteiro de Antonio Calmon e Bruno Barreto, com André De Biase e Cláudia Magno, Claudia Ohana, fotografia de Carlos Egberto, música de Guto Graça Mello, canções de Guilherme Arantes, Lulu Santos e Nelson Motta (letras).  

Trilha sonora do filme1.De Repente, California (Lulu Santos e Nelson Motta), por Ricardo Graça Mello 2.We Got the Beat (Charlotte Caffey), por The Go-Go's (as Go. Go's) 3.Tesouros da Juventude (Lulu Santos e Nelson Motta), por Lulu Santos 4.Corpos de Verão (Guilherme Arantes e Nelson Motta), por Bebel Gilberto (as Bebel)  5.Perdidos na Selva (Julio Barroso), por Gang 90 & Absurdettes 6. Garota Dourada (Wander Taffo, Nelson Motta e Lee Marcucci), por Rádio Táxi 7.Sob o Azul do Mar (Guilherme Arantes e Nelson Motta), por Ricardo Graça Mello  8.Our Lips are Sealed (Jane Wiedlin e T. Hall), por The Go-Go's (as Go. Go's)  9.Turbilhão de Emoções (Guto Graça Mello), por Guto Graça Mello.

Menino Do Rio - Trilha Sonora Original Do Filme (1981)
LP Vinil CBS 1981
DISCOTECA

Quilombo (Carlos Diegues, 1984)

Co-produção entre o Brasil e a França, conta a fascinante história do quilombo dos Palmares, em Pernambuco, Brasil. Foi o maior quilombo da história do Brasil. Quilombo era um território para onde fugiam os escravos e onde viviam livres, desafiando o poder colonial português. Nos Palmares surgiram mitos como Ganga Zumba e Zumbi, personagens centrais deste filme. Um filme que teve uma produção atribuladíssima, com uma rodagem de pesadelo, segundo li. Mas resultou finalmente num bom filme. Adorei ver atores como Vera Fischer, Zezé Motta, Maurício do Valle (imortal cangaceiro de Glauber) ou Grande Otelo. Participam também dois nomes da música brasileira: o soul man Toni Tornado e o grande sambista João Nogueira. As músicas (enfim, toda a banda sonora), de Gilberto Gil, tornaram-se clássicos da MPB.  Quilombo (Brasil, 1984) Cinemateca Francesa (2013) 3,5/5 

26.4.26

Pixote, a Lei do Mais Fraco (Hector Babenco, 1980)

REAL Hector Babenco ARG Hector Babenco e Jorge Durán, romance-reportagem Infância dos Mortos (José Louzeiro, 1977) ELENCO Fernando Ramos da Silva, Gilberto Moura, Edílson Lino, Jorge Julião, Marília Pêra, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha MÚSICA John Neschling FOTO Rodolfo Sanches ROD São Paulo ESTREIA 26.09.1980 (Brasil, estreia limitada) 18.09.1981 (Brasil) 19.02.1982 (Portugal)

EXIBIÇÃO
Porto, cinema Trindade 28.10.25, 21h30 Ciclo É Tudo Brasil!