Mostrar mensagens com a etiqueta Sala Cinemateca Francesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sala Cinemateca Francesa. Mostrar todas as mensagens

2.8.26

Miklós Jancsó

Miklós Jancsó na Cinémathèque
Costumo ir às sessões de cinema B da Cinemateca Francesa e geralmente tenho boas surpresas. Na verdade é o elemento surpresa que me atrai a essas sessões sempre tão concorridas. Como a Cinemateca está a apresentar uma retrospetiva de Miklós Jancsó, uma sessão dupla de cinema B foi-lhe dedicada. Mas foi uma grande desilusão. Quem me dera ter ido antes ver um velho clássico de Hollywood, mesmo de terceira categoria. La Pacifista (1970), protagonizado por Monica Vitti, é um dos piores filmes que conheço. Vizi privati, pubbliche virtù (1976), que passou por Cannes, é mais interessante. São bem filmes dos anos 70, de um realizador do Leste das ditaduras comunistas. Em ambos os filmes são encenados desafios desregrados aos poderes instituídos: no filme La Pacifista a democracia capitalista contemporânea é alvo de um belicoso grupo neo-fascista e em Vizi privati o império austro-húngaro é minado por dentro pela vida dissoluta do herdeiro do trono (que é morto a mando do próprio pai). La Pacifista: 1/5 & Vizi privati, pubbliche virtù: 2/5

1.8.26

Il Vigile (Luigi Zampa, 1960)

Alberto Sordi é um italiano do povo que envergonha a sua família, pois recusa-se a trabalhar a não ser como agente de polícia. E consegue-o por tanto chatear as autoridades municipais. Mas as coisas não vão correr como ele e os seus esperavam... O argumento é do grande Rodolfo Sonego, que tanto contribuiu para o sucesso da commedia all'italiana. Paris 02.2016 Cinémathèque 3/5

L'Onorevole Angelina (Luigi Zampa, 1947)

A Deputada Angelina é um filme exemplar do neorrealismo social do pós-guerra. Os italianos tiveram nessa altura a brilhante ideia (ou foram obrigados pelas circunstâncias) de sair dos estúdios "fascistas" e levar as câmaras para a rua, para o meio das ruínas da guerra. Essa decisão mudou o mundo do cinema. E nas ruas e entre as ruínas encontrava-se sobretudo o povo. Angelina é uma mãe de família numerosa, casada com um agente da polícia, que lidera um grupo  de mulheres desesperadas e revoltadas com a miséria em que vivem. Assaltam um armazém quando não têm nada com que alimentar a família, ocupam prédios novos destinados aos ricos quando as cheias os põem na rua. La Magnani é a encarnação perfeita da mulher do povo, forte e destemida, apartidária mas com um sentido de justiça social que se torna imprescindível ao trabalho de reconstrução nacional da época. Paris 02.2016 Cinémathèque 4/5

La Révolte des morts-vivants (Amando de Ossorio, 1971)

Sempre quis ver isto: a história e a paisagem portuguesas (e ibéricas) na base de uma ficção de cunho fantástico, ainda para mais com o mais puro espírito de série B. Umas ruínas na região de Lisboa (mas filmadas em Espanha), com um cemitério secular, é um viveiro de templários que ressuscitam para atacar quem por lá apareça. Neste caso são estrangeiros, franceses, que repudiam as superstições e os interditos locais, mas acabam vítimas dos zombies religiosos. É uma co-produção luso-espanhola que representa bem o cinema de terror espanhol dos anos 70. Paris 06.2018 Cinémathèque 2,5/5

28.7.26

Movie Movie (Stanley Donen, 1977)

Realização: Stanley DONEN

Estreia nos EUA: 22/11/1978
Estreia em Portugal: 27/11/1980

FITAS LOUCAS (Portugal)
FOLIE-FOLIE (França) 
Movie Movie, a Dupla Emoção (Brasil)

Movie Movie, realizado por Stanley Donen, inclui dois filmes curtos que parodiam o cinema clássico de Hollywood, em particular o seu otimismo inesgotável. Gostei muito da comédia musical que se inspira no clássico 42nd Street. Paris 2022 Cinémathèque 3,5/5

27.7.26

Show Boat (James Whale, 1936)


REALIZAÇÃO: James WHALE ESTREIA: 14/05/1936 (EUA) 10/03/1937 MAGNÓLIA (Portugal)
Show Boat, o musical de Jerome Kern, deu origem a pelo menos duas adaptações no cinema, ambas boas mas que restam na sombra da genialidade da obra original feita para o teatro. Também o romance de Edna Ferber, em que todos os Show Boats se baseiam, teria caído no esquecimento sem o musical de Kern. A história de Ferber é uma metáfora da ascensão da arte americana ao lugar cimeiro entre as grandes culturas europeias. Tudo começa com uma troupe de artistas ambulantes que vão de terra em terra apresentar espetáculos nas cidades ribeirinhas do Mississipi. A atividade desta troupe é tão denegrida que a patroa não permite que a sua filha seja atriz. A segunda parte do filme voa sobre várias décadas. No final essa jovem tornou-se uma grande estrela dos teatros de Nova Iorque e Londres, retira-se e assiste à estreia da sua própria filha no teatro. Do Show Boat ao West End londrino, do teatro popular de feira ao teatro sofisticado internacional. Em poucas décadas a arte americana ascende de forma fulgurante, sempre com a família como suporte (mesmo que esta família seja bem problemática). Este filme seria inesquecível se tivesse um grande intérprete ou lenda do musical, mas aqui não há nada disso. Irene Dunne era uma enorme comediante da screwball comedy mas não tem o carisma de uma Judy Garland, por exemplo. E Irene é a melhor intérprete do filme, mesmo assim. Paul Robeson, cantor célebre no seu tempo, é um ator limitado mas canta de forma soberba Old Man River. 
Paris 31.05.2021 Cinémathèque 3,5/5

26.7.26

Star! (Robert Wise, 1968)

Estreia no Reino Unido: 18/07/1968

Biopic musical de Gertude Lawrence
"Star!" (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn) foi nomeada para o Oscar da melhor canção original
Tenho DVD GB com bonus Fox 2012

Centennial Summer (Otto Preminger, 1946)

REALIZADOR: Otto Preminger ARGUMENTO: Michael Kanin, baseado no romance Centennial Summer, de Albert E. Idell PRODUÇÃO: Otto Preminger (20th Century Fox) ELENCO: Jeanne Crain, Cornel Wilde, Linda Darnell FOTO: Ernest Palmer ESTREIA: 08.1946 (EUA) 19.05.1947 A TIA DE PARIS (Portugal) VIS 20.01.2025 Cinémathèque

CANÇÕES: The Right Romance, Up with the Lark, All Through the Day, In Love in Vain, Cinderella Sue, Two Hearts Are Better Than One (cortada do filme)

22.7.26

Fame (Alan Parker, 1980)

Anúncios da imprensa
Coleção de João Mestre
Blog Museu do Cinema

REALIZADOR Alan Parker ARGUMENTO Christopher Gore PRODUÇÃO David De Silva, Alan Marshall, M-G-M ELENCO Eddie Barth, Irene Cara, Lee Curreri, Laura Dean, Antonia Franceschi, Boyd Gaines, Albert Hague, Tresa Hughes, Steve Inwood, Paul McCrane, Anne Meara, Joanna Merlin, Barry Miller, Jim Moody, Gene Anthony, Ray Maureen Teefy FOTO Michael Seresin MÚSICA Michael Gore ESTREIA 16.05.1980 (EUA) 23.01.1981 (Portugal) VISTO PV 1981, VC 08.2016 DVDteca 3/5 Paris 30.06.2025 Cinémathèque


Poucos musicais dos anos 80 tiveram tanto êxito, a ponto de originar uma famosa série televisiva e um musical no teatro. No entanto, o argumento de Christopher Gore (nomeado para o Oscar) é muito simples: assistimos às provas de seleção dos estudantes de uma escola de artes do espetáculo em Nova Iorque e, em seguida, à rotina das aulas. A música de Michael Gore contribuiu muito para o sucesso do filme e fez de Irene Cara uma estrela nesse início de década. Pela primeira vez na história dos Oscars, duas canções do mesmo filmes são nomeadas para melhor canção: Fame (Michael Gore e Dean Pitchford) e Out Here on My Own (Michael Gore e Lesley Gore), interpretadas por Irene Cara. Fame recebeu o Oscar e o Golden Globe para a melhor canção. 

Fame (Alan Parker, 1980)

9.7.26

A Lira do Delírio (Walter Lima Júnior, 1978)

A Lira do Lírio, de Walter Lima Júnior, é um filme desconcertante, aliás como muitos filmes brasileiros da mesma época. A minha primeira reação foi de considerar o filme francamente mau, que não tem lugar entre os melhores do cinema brasileiro. No entanto, as coisas não são assim tão simples. O filme começa com cenas de carnaval nas ruas de Niterói, cenas que vão reaparecer ao longo da trama policial principal e que introduzem quase todas as personagens do filme. E a narrativa nunca se leva a sério, o drama do rapto do bebê e o assassínio do homossexual, por exemplo, são confusa e rapidamente expeditos. Gostei desta carnavalização da realidade do submundo carioca, mas muitas vezes fiquei com a impressão de que estava a assistir a um trabalho de conceção e realização desastrado. O registo demasiado livre dos atores não me agradou, a única enorme exceção foi a protagonista, a fabulosa Anecy Rocha. Paris: Cinemateca 2,5/5

Braza Dormida (Humberto Mauro, 1928)

Brasa Dormida é primeiro filme mudo brasileiro que vi. E Humberto Mauro é o primeiro autor do cinema brasileiro. Portanto é um filme da maior importância. Conta a história de dois jovens que se apaixonam mas o pai da jovem faz tudo para impedir esse amor. Como se vê, o enredo não interessa. A beleza plástica dos planos, sobretudo dos planos dos rostos dos atores são notáveis. Paris 23.03.2015 Cinemateca Francesa 3/5

Anchors Aweigh (George Sidney, 1945)

 
Anchors Aweigh, intitulado Escale à Hollywood em França, é um dos meus musicais preferidos. Mas não me lembro de ter visto antes este filme, que é tão famoso devido à sequência em que Gene Kelly dança com o desenho animado Jerry Mouse. Mas esse é apenas um dos trunfos deste clássico. Adoro o argumento: dois marinheiros com quatro dias de licença, o garanhão Gene Kelly e o tímido Frank Sinatra, saem do navio excitados em busca de mulheres mas acabam por fazer de ama de um rapazinho que fugiu de casa para entrar na Marinha. Mas esse menino é criado pela bela e jovem tia Susie (Kathryn Grayson) e é por ela que os dois marinheiros se vão apaixonar. Grande momento do filme é a interpretação da canção "I Fall in Love Too Easily" por Sinatra (canção de Jule Styne e Sammy Cahn, nomeados para o oscar). Paris 2015 Cinemateca Francesa 4/5

High Society (Charles Walters, 1956)

Este clássico da comédia musical é importante por vários motivos. Trata-se do último filme de Grace Kelly, antes da sua passagem para a realeza europeia. Duas instituições americanas encontraram-se pela primeira vez num filme: Frank Sinatra e o seu ídolo Bing Crosby. E Louis Armstrong tem uma participação extensa com a sua orquestra. Além disso, Cole Porter assina as composições originais deste filme que é uma espécie de remake musical do famoso The Philadelphia Story, peça de 1939, que deu origem ao filme de George Cukor de 1941, com Katharine Hepburn na protagonista de ambas as produções. High Society é bem inferior a The Philadelphia Story e nessa comparação reside o principal problema. A energia e o ritmo do filme de Cukor, uma das melhores comédias de sempre, nunca são igualados e os atores-cantores não têm o talento de Hepburn e Cary Grant. Tinha visto filme em 2013 e quis vê-lo novamente na Cinemateca Francesa pensando que se tratava de uma cópia restaurada. Não foi assim. Curiosamente, na sessão a que assisti havia uma claque que aplaudia os números musicais, sobretudo os de Louis Armstrong e no final houve muitos aplausos. Sinal de que os espetadores não se enganaram quando em 1956 fizeram de High Society um dos dez filmes mais vistos nos EUA. Paris: Le Desperado 2013 & Cinemateca Francesa 2015 3/5

Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948)


 
Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948) é o primeiro filme em que Marilyn Monroe tem o papel de protagonista e, ainda longe de Niagara (1953), que a consagrou como estrela, ela incendeia a tela e deixa os homens com os olhos em bico. Que presença! Ela nasceu para a comédia musical e isso nunca foi desmentido, apesar de alguns bons (melo)dramas que fez depois.
O filme de Phil Karlson tem apenas 60 minutos, tem um argumento rasteiro como poucos e deve ter servido como entrada para um filme de maior prestígio. Mas ver Marilyn dançar e cantar é um prazer indescritível que me vai obrigar a ver mais vezes este filme menor. Paris 11.2014 & 2022 Cinemateca Francesa 3.5/5
Ladies of the Chorus (Columbia, 1948), em francês Les Reines du music-hall, comédia musical com Marilyn Monroe, Adele Jergens, Rand Brooks e Nana Bryant. As músicas de Lester Lee & Allan Roberts: Anyone Can See I Love You (Marilyn Monroe), Every Baby Needs a Da Da Daddy (Marilyn Monroe), I'm So Crazy for You (Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees), The Ladies of the Chorus (Marilyn Monroe, Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees, e outros) e You're Never Too Old (Nana Bryant).

KANSAS CITY CONFIDENTIAL (1952)
DVDTECA

THE SECRET FOUR (1952)
DVDTECA

Ladies of the Chorus (Phil Karlson, 1948) é o primeiro filme em que Marilyn Monroe tem o papel de protagonista e, ainda longe de Niagara (1953), que a consagrou como estrela, ela incendeia a tela e deixa os homens com os olhos em bico. Que presença! Ela nasceu para a comédia musical e isso nunca foi desmentido, apesar de alguns bons (melo)dramas que fez depois.
O filme de Phil Karlson tem apenas 60 minutos, tem um argumento rasteiro como poucos e deve ter servido como entrada para um filme de maior prestígio. Mas ver Marilyn dançar e cantar é um prazer indescritível que me vai obrigar a ver mais vezes este filme menor. Paris 11.2014 & 2022 Cinemateca Francesa 3.5/5

Ladies of the Chorus (Columbia, 1948), em francês Les Reines du music-hall, comédia musical com Marilyn Monroe, Adele Jergens, Rand Brooks e Nana Bryant. As músicas de Lester Lee & Allan Roberts: Anyone Can See I Love You (Marilyn Monroe), Every Baby Needs a Da Da Daddy (Marilyn Monroe), I'm So Crazy for You (Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees), The Ladies of the Chorus (Marilyn Monroe, Adele Jergens, dobrada por Virginia Rees, e outros) e You're Never Too Old (Nana Bryant).

All That Jazz (Bob Fosse, 1979)

Há meses vi All That Jazz em dvd, agora não perdi a oportunidade de voltar a vê-lo numa sala com um grande ecrã (da cinemateca francesa). Parece que vi outro filme. Ainda melhor. Não creio que depois de All That Jazz tenha surgido um musical mais arrojado e importante. Tal como Woody Allen e Ingmar Bergman, no auge nos mesmos anos 70, Bob Fosse põe a morte no centro da sua obra, mas a partir da arte que ele domina melhor, o showbizz. Arte do entretenimento, arte feita para agradar ao público. A morte toma as formas atraentes de Jessica Lange, que provoca o coreógrafo interpretado por Roy Scheider, que não se deixa intimidar antes a tenta seduzir. Que ideia magnífica de falar do diálogo entre nós e a morte... O filme é extremamente original, mas irregular, e Fosse não recua perante nenhuma fonte que o possa inspirar: alta cultura (Vivaldi), publicidade, televisão, stand-up comedy, musical da Broadway... Os musicais dos anos 60 e 70 parecem ser sempre uma imitação dos musicais da idade de ouro de Hollywood, apenas Bob Fosse consegue evitar essa esterilidade e fazer algo novo, que só poderia ter sido feito no presente (do filme). E o melhor do filme talvez sejam mesmo os números musicais, alguns deles extraordinários. Paris 2017 5/5
All That Jazz é uma comédia musical produzida pela Columbia, com argumento de Robert Alan Arthur e Bob Fosse. Um musical maravilhoso e original sobre a criação artística, a vida e a morte. Filme de autor (coisa pouco comum na comédia musical), semi-autobiográfico, inspirado no filme Federico Fellini's 8½, conta a vida agitada e em permanente crise de Joe Gideon (Roy Scheider), bailarino, coreógrafo e realizador, a braços com graves problemas cardíacos. O filme recebeu a Palme d'Or de Cannes, foi nomeado para nove oscars, tendo recebido quatro, nomeadamente para Ralph Burns pela música. DVD 4/5

Singin' in the Rain (S. Donen, G. Kelly, 1952)

Singin' in the Rain (S. Donen, G. Kelly, 1952)
Realização: Stanley Donen, Gene Kelly
Estreia nos EUA: 27/03/1952

Estreia em Portugal: 18/12/1952
Reposição nas salas em Portugal: 01/1996

Um dos meus filmes preferidos desde a infância, revisitado em sala, em Lisboa, Vila do Conde (Festival de curtas) e Paris. Quando a noite e a chuva se tornam dia e sol nos pés e no sorriso de Gene Kelly! 

Lisboa, Cinemateca 1991 
Lisboa, Ávila 1996 
Paris, Le Desperado 2015 
Vila do Conde, FICMVC 2021 
Paris, Cinémathèque 2022

Roseland (James Ivory, 1977)

Estreia nos EUA: 16/10/1977
Estreia em França: 15/10/1997

Não é difícil perceber que Roseland é um filme datado e que está praticamente esquecido, só podendo ser visto em retrospetivas completas nas cinematecas, como a que está a decorrer na Cinémathèque de Paris. E no entanto é um filme que me encantou. Os anos 70 gostavam da dança, foram os anos de Bob Fosse, de John Travolta, de filmes que se passavam nas pistas de dança. Roseland é um salão de dança em Nova Iorque, onde homens e mulheres dançam valsa todas as semanas e participam em campeonatos. Seguimos três histórias quase autónomas, não fora o local comum e algumas personagens que fazem a ponte entre essas histórias: a professora de dança e o mestre de cerimónias. As histórias, e as suas personagens principais, são comoventes. Na primeira, uma viúva (Teresa Wright) não gosta do seu par de dança mas apenas com ele consegue ver-se quando era jovem ao lado do marido no espelho do salão. Na segunda história, um gigolo (Christopher Walken) é seduzido por uma jovem recém-separada (Geraldine Chaplin) mas não consegue abdicar da mulher mais velha da qual depende financeiramente. Na terceira história, uma mulher relembra o homem com quem dançava sempre. O argumento é da fiel colaboradora de Ivory, Ruth Prawer Jhabvala. Paris 2022 Cinémathèque 3,5/5

4.7.26

O Homem das Multidões (Marcelo Gomes, 2012)

Este é um dos melhores filmes brasileiros recentes. Estreou no Brasil em 2014 e no ano seguinte em França. Adapta um conto de Edgar Allan Poe, mas passa-se em Belo Horizonte. Um condutor e uma controladora do tráfego do metro, além de colegas, têm em comum a extrema solidão em que vivem. Pouco a pouco se aproximam umdo outro e no final talvez uma haja uma história improvável de amor. O filme tem um ritmo lento, feito de gestos de rotina, sempre solitários. Cao Guimarães é um artista plástico e essa sensibilidade e experiência foi fundamental para o arrojo formal desta obra ambiciosa, filmada no raro formato quadrado, tipo instagram, com planos sublimes. Uma enorme surpresa vinda do Brasil. Paris 2015 Cinemateca Francesa 4/5

A Opinião Pública (Arnaldo Jabor, 1966)

A primeira longa-metragem de Arnaldo Jabor é um documentário sobre o brasileiro comum, os seus sonhos e desilusões em meados dos anos 60. Por vezes é muito confuso e as gravações parecem pouco pertinentes para os fins do filme. Paris, novembro de 2017 Cinemateca 2/5