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9.7.26

High Society (Charles Walters, 1956)

Este clássico da comédia musical é importante por vários motivos. Trata-se do último filme de Grace Kelly, antes da sua passagem para a realeza europeia. Duas instituições americanas encontraram-se pela primeira vez num filme: Frank Sinatra e o seu ídolo Bing Crosby. E Louis Armstrong tem uma participação extensa com a sua orquestra. Além disso, Cole Porter assina as composições originais deste filme que é uma espécie de remake musical do famoso The Philadelphia Story, peça de 1939, que deu origem ao filme de George Cukor de 1941, com Katharine Hepburn na protagonista de ambas as produções. High Society é bem inferior a The Philadelphia Story e nessa comparação reside o principal problema. A energia e o ritmo do filme de Cukor, uma das melhores comédias de sempre, nunca são igualados e os atores-cantores não têm o talento de Hepburn e Cary Grant. Tinha visto filme em 2013 e quis vê-lo novamente na Cinemateca Francesa pensando que se tratava de uma cópia restaurada. Não foi assim. Curiosamente, na sessão a que assisti havia uma claque que aplaudia os números musicais, sobretudo os de Louis Armstrong e no final houve muitos aplausos. Sinal de que os espetadores não se enganaram quando em 1956 fizeram de High Society um dos dez filmes mais vistos nos EUA. Paris: Le Desperado 2013 & Cinemateca Francesa 2015 3/5

7.5.26

The Country Girl (George Seaton, 1954)

Um trio de ouro (Bing Crosby, Grace Kelly e William Holden) num filme com uma história (de Clifford Odets) inesperada: um ator famoso (Bing Crosby) atravessa uma crise pessoal e profissional aguda, devido à sua insegurança, alcoolismo e depressão. Grace Kelly faz de sua mulher e tem um papel sombrio que lhe valeu o Oscar. E muito estranho ver dois ícones da comédia romântica e musical, como Kelly e Crosby, interpretarem um casal mergulhado na depressão e na miséria. Ainda assim, o filme pode ser considerado um (drama) musical, pois Crosby canta quatro canções assinadas por Harold Arlen e Ira Gershwin. O filme foi nomeado para sete óscares: ganhou dois (atriz e argumento) e perdeu os outros cinco (incluindo melhor filme, ator e realizador) para On the Waterfront (Elia Kazan). Foi uma derrota justa, pois o filme de Kazan é muito melhor do que o de Seaton. VC 2016 DVD 3/5

28.6.14

Mogambo (John Ford, 1953)

Não consta das obras-primas de John Ford, mas é um dos meus preferidos dele. Um daqueles filmes que tento rever sempre que posso, tal é o prazer garantido. A razão mais imediata do fascínio do filme é Ava Gardner, que deve ter sido por este filme que foi considerada o mais belo animal do mundo. Afinal, a história passa-se na selva africana e animais é o que não faltam para eleger o mais belo. Os filmes de Hollywood passados em África constituem quase um género em si e sempre me fascinaram (Hatari!, The African Queen, vários Tarzan, Out of Africa). Este é um dos melhores. Paris 2014 Le Champo 4,5/5

27.3.14

Dial for Murder (Alfred Hitchcock, 1954)

Desde o ano passado que esta obra de Hitchcock tem sido lançada em 3D em alguns países, tal como o realizador a concebeu. Claro que fiquei curioso em saber como o mestre tinha utilizado esta técnica da moda na época, ele que gostava de desafios formais. Não é dos melhores filmes de Hitch, mas tem Grace Kelly... Pontualmente, como quando aparece a mão da protagonista a agarrar a tesoura para atacar o assassino, a técnica 3D justifica as suas potencialidades. Muitas vezes, porém, até nos esquecemos de que estamos a ver um filme em 3D... Ainda assim o filme que mais me impressionou feito em 3D foi The Creature of the Black Lagoon, do mesmo ano do filme de Hitchcock. Paris 2014 Le Brady 3/5