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30.7.26

Call Me by Your Name (2017)

Em menos de uma semana vi os meus dois filmes preferidos de 2017: Phantom Thread e este Call Me By Your Name. O primeiro é formalmente mais arrojado, o segundo mais emocionante. Nota máxima para ambos. A história de Call Me é quase banal: um amor de verão, intenso e passageiro (mas marcante). Mas os amantes são um rapaz adolescente, Elio (Timothée Chalamet), e um jovem adulto (Armie Hammer), e a paixão entre eles nasce e cresce na casa de campo dos pais de Elio (Michael Stuhlbarg, Amira Casar), no norte de Itália. A beleza da natureza e da arquitetura antiga circundantes é apenas superada pela beleza e intensidade da paixão entre os dois jovens. O argumento de James Ivory e a interpretação de Timothée Chalamet têm colecionado nomeações e prémios, tendo Ivory recebido o BAFTA e o Oscar. Um filme que me fez chorar, numa das melhores cenas, a do discurso do pai de Elio no final. Paris 03.2018 (5/5)

30.4.26

Corpo Elétrico (Marcelo Caetano, 2017)


REALIZADOR: Marcelo Caetano ARGUMENTO: Marcelo Caetano ELENCO: Kelner Macêdo/Elias, Lucas Andrade/Wellington, Welket Bungué/Fernando, Ana Flavia Cavalcanti/Carla, Ronaldo Serruya/Arthur, Henrique Zanoni/Anderson FILMAGENS: Itahaém, São Paulo PALMARÉS: Prêmio APCA de melhor filme do ano, Prémios Guarani (nomeado para melhor filme e argumento original) ESTREIA: Vitrine Filmes 17.08.2017 (Brasil) 16.05.2018 (França) VISTO: Paris 06.04.2018 L'Arlequin NOTA: 4/5

Depois de Mektoub, My Love, de Abdellatif Kechiche, surge outro excelente filme sobre a sensualidade e a sexualidade da juventude. Em Mektoub, Amin testemunha deleitado mais do que participa na troca de afetos entre os seus amigos; em Corpo Elétrico, Elias multiplica as experiências sexuais com vários parceiros, experiências que depois narra e evoca com evidente prazer sensual. Também em Mektoub o corpo era elétrico: o início do filme mostrava uma tórrida relação sexual entre dois jovens, aliás testemunhada pelo protagonista numa curiosa cena peeping tom. O olhar e a palavra também contam e muito nas experiências sensuais a que os jovens deste filme se lançam. O filme de Kechiche passa-se no período de férias, sem os constrangimentos que o trabalho normalmente impõe ao espírito e ao corpo. O filme de Caetano filma, pelo contrário, o trabalho numa oficina de costura, onde trabalha o protagonista Elias mas também um dos seus amantes, entre outros amigos. Entre o trabalho e o prazer (bebida, festa e sexo) oscila a vida de Elias, mas há outros exemplos de relacionamento no filme: o casal de namorados muito jovens que deseja mais do que tudo casar, o jovem imigrante africano para quem a família está acima de tudo o resto, o grupo de drag queens que nunca se separam. Mais do que narrativo, Corpo Elétrico é filme de atmosfera, um filme de personagem. Gosto cada vez mais desses filmes. 

 

24.8.20

Man in an Orange Shirt (Michael Samuels, 2017)

Os constrangimentos do amor homossexual nos anos 1940 e em 2017. A história de dois homens que à distância de 70 anos não conseguem ter uma vida amorosa plena: um casa-se para encobrir uma vida homossexual desejada, outro (o neto do primeiro) esconde a sua vida à avó que o criou (e que julgou vencer o pecado do marido). O filme é da BBC e conta de certa forma uma história da família do argumentista Patrick Gale. Com Vanessa Redgrave, Julian Morris e Oliver Jackson-Cohen. Recebeu o International Emmy Award for Best TV Movie or Miniseries. VC 2020 (3/5)

10.6.18

The Cakemaker (Ofir Raul Graizer, 2017)

The Cakemaker é uma co-produção entre a Alemanha e IsraeI e de facto a história passa-se em Berlim e em Jerusalem. Um engenheiro israelita vive entre as duas cidades, tendo numa mulher e filho, na outra um namorado. Um dia morre e o companheiro alemão decide ir conhecer a sua família a Israel. Fiquei sobretudo interessado pelo retrato de uma comunidade judaica particularmente puritana, um cenário um pouco assustador, não se tratando porém dos judeus extremistas. A história é interessante mas é narrada de forma um tanto morna. Paris 2018 (2,5/5)

9.12.17

God's Own Country (Francis Lee, 2017)

God's Own Country é um drama romântico sobre a paixão entre dois trabalhadores rurais. Começa por lembrar Brokeback Mountain, pois o amor entre os protagonistas nasce quando eles pastoreiam animais num local isolado e frio. Mas John e Gheorghe têm uma passado e uma vida homossexual (mais ou menos) assumida. A relação entre os dois vai levar à mudança significativa de hábitos e de atitude de um deles. Um dos mais belos filmes do ano. Paris 4/5