
Karim Ainouz é um dos novos realizadores brasileiros que tem visto a sua obra circular pelo estrangeiro com alguma regularidade. Praia do Futuro, escrito por Karim Ainouz e Felipe Bragança, estrelado por Wagner Moura, foi apresentado ao público parisiense, em 2014, no Festival de cinema gay e lésbico de Paris e estreou semanas depois nas salas. O realizador esteve presente na sessão e agradeceu a alguns franceses que o ajudaram a financiar a sua primeira obra, o famoso Madame Satã, que também vai passou no festival. Praia do Futuro não é dos melhores filmes de Ainouz. Ele trocou a luminosidade do Nordeste brasileiro, que abre o filme, pelo céu de chumbo da Alemanha (o irmão do protagonista a dada altura fala de pólo norte ao referir-se à Alemanha). O melhor de Ainouz é a captação das paisagens, dos grandes espaços, e do sentimento de desconforto das personagens que as paisagens por vezes revelam. Mas o argumento tem alguns impasses. Um nadador-salvador (Wagner Moura) não consegue salvar um alemão que está de passagem pelo nordeste. Então envolve-se emocionalmente com o amigo do alemão, e resolve ir com ele para a Alemanha. Mas a sua estadia, no início marcada pelas saudades e mal-estar por ficar longe da família, torna-se definitiva. Numa terceira parte, o seu irmão mais novo, agora adulto, vai a Berlim procurar o irmão e exigir-lhe explicações sobre o abandono da família (entretanto a mãe morrera um ano antes). Esta questão é muito interessante porque vai contra a ideia e o costume enraizados de os brasileiros emigrantes ajudarem as famílias que ficam no Brasil. A emigração não quebra antes fortalece os laços familiares. Mas o protagonista deste filme abandona não só a família como se afasta do amante que o levou para a Alemanha. O final, numa praia gelada do norte da Europa, parece apontar para a reconciliação e a formação de uma nova família: os dois irmãos e o amante alemão. Um filme interessante, mas só parcialmente bem resolvido. Paris 2014 Bibliothèque 3/5
MADAME SATÃ (2002)
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