Numa povoação piscatória do Chile um amor homossexual é possível mas enfrenta obstáculos sociais, por vezes sobredimensionados por quem tem de os vencer. Dois jovens seguem vias diferentes na vida: um fica e luta no meio que sempre amou, o outro escolhe o exílio e o afastamento da família. Paris 2021 Beaubourg 3,5/5
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4.7.21
13.11.19
Patricio GÜZMAN
LA CORDILLERA DE LOS SUEŇOS (2019)
A Cordilheira dos Andes é imponente e misteriosa, mas no seu interior os Chilenos descobriram riquezas (como o cobre) que ajudaram a construir um país rico (no contexto sul americano) mas extremamente desigual. Mais uma vez, Gúzman aborda as feridas da sociedade chilena abertas pela ditadura de Pinochet, que ainda hoje estão longe de estarem cicatrizadas, como os as manifestações sociais atuais revelam. Grande figura deste filme é Pablo Salas, que passou a vida a filmar as ruas e a insatisfação da população. Não se exilou, ficou no Chile para essa missão sem preço. Paris 11.2019 Beaubourg 3/5
EL BOTÓN DEL NÁCAR (2015)
Há três anos vi um dos melhores documentários de que tenho memória: Nostalgia da Luz, do chileno Patricio Gúzman. Agora estreou em França o seu novo documentário, igualmente excelente, El Botón de nácar. Como no filme anterior, o realizador articula a história trágica do Chile (a extinção de um povo milenar autóctone pelos colonos europeus) com os ensinamentos da natureza, neste caso da água. Imagino que os próprios chilenos passem a ver o seu país de forma diferente depois de assistirem a este documentário, formalmente belíssimo. Paris 11.2015 3/5
15.6.16
El Lugar sin limites (José Donoso, 1966)
El Lugar sin limites (1966), do chileno José Donoso, é um grande romance do período áureo da literatura latino-americana. Uma história que pode ser resumida em poucas palavras remete, no entanto, para temas profundos e complexos próprios da História da América Latina. Uma aldeia em vias de desaparecimento: o grande cacique local, apresentado como pessoa bondosa, pretende esvaziar a aldeia para tornar-se dono de todos os terrenos e destiná-los ao cultivo da vinha. Mas a aldeia parece ter como únicos habitantes as putas do bordel local, entre as quais La Manuela, um travesti que vai protagonizar a tragédia motivada pelas frustrações de todas as personagens, putas e clientes. É um daqueles livros que apetece voltar a ler mal se acaba, tal é a maestria do escritor em pintar ambientes, climas, personagens e paixões diversas. Londres 2016 (4,5/5)
13.1.15
Ardiente paciencia (Antonio Skármeta, 1985)
Este romance está na origem de um famoso filme, O Carteiro de Pablo Neruda, título português que resume o achado desta história sul-americana. Skármeta conta, com os restos das tintas do realismo mágico, o encontro e a amizade entre um jovem carteiro e o seu único cliente, o poeta nacional chileno Pablo Neruda. Uma amizade que durou até à morte deste, logo a seguir à tomada do poder por Pinochet. Um livro sobre as palavras e a poesia. Paris 2015: 3/5
6.11.14
La Contadora de películas (Hernan Rivera Letelier, 2009)
La raconteuse de films é a primeira obra que leio deste autor chileno (Talca, 1950). É uma história deliciosa para cinéfilos. Numa aldeia do deserto de Atacama, pouco antes da chegada da televisão, a única filha de uma família numerosa pobre é escolhida para ir assistir aos filmes que passam no cinema local e depois contá-los à família e aos vizinhos que, devido ao talento da contadora, formam uma assistência cada vez mais numerosa. Um livro que vale pela história mas não pelo estilo, pouco atraente. Paris 2014: 2,5/5
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