Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil 1960s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil 1960s. Mostrar todas as mensagens

9.7.26

Tocaia no Asfalto (Roberto Pires, 1962)

 
Um clássico do cinema baiano, com uma excelente cena de abertura (genérico) na tradição do cinema noir. O protagonista (Agildo Ribeiro) é contratado para matar um empresário com grandes ambições políticas. Este filme noir é banhado pela forte luz da Bahia, das suas praias e das suas mulheres sensuais (o assassino fica hospedado no bordel local...). Melun 2021 TV 3/5

4.7.26

A Opinião Pública (Arnaldo Jabor, 1966)

A primeira longa-metragem de Arnaldo Jabor é um documentário sobre o brasileiro comum, os seus sonhos e desilusões em meados dos anos 60. Por vezes é muito confuso e as gravações parecem pouco pertinentes para os fins do filme. Paris, novembro de 2017 Cinemateca 2/5

Saravah (Pierre Barouh, 1969)

TÍTULO: Saravah (1969)
REALIZAÇÃO: Pierre Barouh
ARGUMENTO: Pierre Barouh
GÉNERO: Documentário musical
ORIGEM: França, Brasil
ESTREIA: 10.07.2024 (França)
ELENCO: Baden Powell, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Marcia, Pixinguinha, João da Baiana, Luiz Carlos Vinhas, Raul de Souza e Pierre Barouh.
VISTO: Paris 28.06.2024 L'Entrepôt NOTA: 4/5

São Paulo S.A. (Luiz Sérgio Person, 1965)

 

Walmor Chagas e Eva Wilma

SÃO PAULO, S.A. (1965), é mais um excelente filme que nos ajuda a perceber o que foi o cinema novo brasileiro ou pelo menos o cinema moderno que aquele inspirou. O filme ecoa muitas coisas vistas nos cinemas novos dos anos 1960, mas o facto de passar-se numa das maiores cidades-metrópole do mundo torna-o especial. O protagonista é um homem jovem que não quer mas tem de se submeter às exigências da vida moderna (consumismo crescente, ambição profissional imparável) e da vida tradicional (casamento para ter uma vida sexual e constituir família). A tudo o jovem adulto se dobra mas o corpo e a mente resistem e a realidade à sua volta é cada vez mais irreal. Uma antiga amante suicida-se e ele é o único a compreender (e a invejar) a coragem do seu gesto. Nos principais papeis os maravilhosos e quão jovens Walmor Chagas e Eva Wilma. Um dos meus filmes preferidos do cinema brasileiro. Paris 04.2015 Cinémathèque 4/5

24.5.26

Antonio das Mortes (Glauber Rocha, 1969)

 
VISTO Paris 13.03.2025 Cinémathèque 


Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964)

Reposição em França: 
Capprici Films 30 08 2023

Noite Vazia (Walter Hugo Khouri, 1964)

Noite Vazia é um filme famoso, entre outras razões por ter mostrado que o cinema moderno brasileiro não se reduzia ao cinema novo de Rocha, Guerra ou Santos. Em São Paulo, dois amigos procuram espantar o tédio passando a noite com duas prostitutas. Walter Hugo Khouri fez mesmo um filme na contramão dos filmes mais conhecidos do cinema novo, ao propor uma abordagem intimista (não sociológica nem mitológica) de um grupo social, a burguesia, não privilegiado pelo cinema novo. Os limites de Noite Vazia advêm das suas referências: é um filme demasiado calcado em Antonioni na abordagem da incomunicabilidade entre os seres (sobretudo entre homens e mulheres) e na atenção à arquitetura moderna como expressão desse mal-estar. Brilham Odete Lara e Norma Bengell. Paris, Cinemateca Francesa 2017 3,5/5

1.5.26

Vai Que É Mole (J.B. Tanko, 1960)


(Texto de 2013)
Vai Que é Mole (1960) é uma comédia musical popular, realizada por J.B. Tanko, com a dupla Grande Otelo e Ankito, e também Jô Soares, Otelo Zeloni e Renata Fronzi. É divertida devido sobretudo aos atores, em especial Grande Otelo, e ao pitoresco de muitas situações. Mais uma vez, o 'portuga' aparece como personagem incontornável das comédias populares brasileiras desta época (anos 50 e 60). 
(Texto de 2017)

Estas comédias brasileiras antigas lembram também as congéneres portuguesas: nada se salva a não ser os grandes atores carismáticos, que acabam por levar o filme às costas. Em Vai Que É Mole, comédia contemporânea da bossa nova, é um Brasil brejeiro e arcaico que é exposto, com uma história de mal-entendidos à volta de pequenos ladrões que armam a confusão a 100 à hora. Diverti-me a ver agora este filme, como já tinha acontecido da primeira vez que o vi. Como é que um filme tão medíocre me faz passar bons momentos? Porque Grande Otelo e Ankito formam uma dupla irresistível, a que se junta Jô Soares, muito jovem mas já gordinho (chama-se Bolinha) além de outros. Os diálogos por vezes acertam em cheio, mas é o slapstick que mais me encanta nesta comédia. A rever, pois não. TV 2013 & 2017:  3/5

30.4.26

O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, 1962)

Descobri este filme mítico em 2008, quando foi reposto em Paris numa cópia restaurada. Foi uma excelente surpresa. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e foi nomeado aos óscares para melhor filme estrangeiro, mas não era no entanto um filme representativo do cinema novo tão celebrado na época. Tinha um certo receio em ver esta adaptação da obra de Dias Gomes, pois não sendo conhecido por ser formalmente ousado como as obras do cinema novo, restaria pouco de atual com esta história de religiosidade popular que apresenta um Brasil profundo, mas um tanto arcaico e pouco aberto às mudanças urbanas da modernidade. Erro meu. O filme narra de forma impecável a promessa feita por um homem humilde de transportar às costas uma enorme cruz até a uma igreja no centro de Salvador. Os atores são excelentes e é das poucas oportunidades que tive até hoje de ver nas salas duas grandes damas do cinema brasileiro: Glória Menezes e Norma Bengell. Obrigatório. Paris 2008 Espace Saint-Michel   4/5

29.4.26

O Assalto ao Trem Pagador (Roberto Farias, 1962)

 
Este é um dos melhores filmes brasileiros de sempre e um dos meus preferidos. O filme lembra pela história filmes americanos e italianos da época mas é brasileiro até à medula. É um filme de favela, quase um género do cinema carioca. O filme começa com o assalto a um comboio que transportava uma pequena fortuna. Os assaltantes, quase todos negros favelados, não podem gastar o dinheiro para não serem apanhados. Mas o louro com olhos azuis do grupo (Reginaldo Faria) pode porque não levanta suspeitas. Claro que o filme é um retrato das contradições sociais gritantes do Brasil, infelizmente bastante atual. Melun 2021 TV 4,5/5

28.4.26

Ganga Zumba (Carlos Diegues, 1963)

Ganga Zumba é a longa-metragem de estreia de Carlos Diegues e uma obra marcante do cinema novo. Nada a ver com o cinema comercial da década anterior, com estrelas da comédia e galãs românticos e em que os negros apenas tinha papéis periféricos. Com Ganga Zumba os negros ocupam todo o espaço e são protagonistas de uma história de resistência ao poder absoluto dos escravocratas coloniais. Claro que isto rima com a realidade do Brasil na época em que o filme foi feito e exibido, 1963/1964, com a subida ao poder de novos ditadores. Diegues resolveu ressuscitar o Quilombo dos Palmares a que voltaria nos anos 80 com um filme a cores. Os quilombos eram "sociedades" que reuniam escravos fugidos das fazendas para viverem em liberdade. Mas este filme de 1963, com grande banda sonora de Moacir Santos e com a presença do genial Cartola, tem um ritmo lento que o torna pouco atraente ao espetador, pelo menos a mim. Paris 12.2017 Cinemateca Brasileira 2,5/5

Porto das Caixas (Paulo Cesar Saraceni, 1962)

Porto de Caixas é um clássico brasileiro do cinema novo. Tal como Vidas Secas, que adapta Graciliano Ramos, Porto tem um argumento original de Lucio Cardoso, outro expoente da literatura brasileira dos anos 1930/40. Anos mais tarde Paulo Cesar Saraceni adaptará o romance mais famoso de Cardoso, A Casa Assassinada, aliás citada e mostrada no filme de 1962. Porto das Caixas é a história de uma mulher que culpa o marido pela vida miserável a que a condena. A frustação é tal que abandoná-lo não chega: põe-se à procura de um homem que a ajude a matar o marido. A história tem muito a ver com The Postman Always Rings Twice (1934), de James M. Cain, várias vezes adaptada ao cinema (Garnett, Visconti, Rafelson). Mas o contexto brasileiro dá um sentido mais radical a esta história. A miséria das condições de vida do casal não é nada comparada à miséria moral da protagonista (no romance de Cain e nos filmes nele baseados há um motivo materialista na decisão da mulher, pois ela espera receber um dinheiro com a morte do marido). O filme não está à altura do excelente argumento, mas não deixa de ser uma importante obra na renovação do cinema brasileiro moderna. Música (sem bossa nova) de Tom Jobim. Paris 2017 Cinemateca 3/5

A Grande Cidade (Carlos Diegues, 1966)

O segundo filme de Cacá Diegues é momento importante do cinema novo. O filme encara de frente a realidade feita de enormes desigualdades sociais do Brasil, a grande cidade que vive da miséria dos que chegam do sertão. Neste filme Luiza chega do nordeste à procura do noivo, que se tornou um perigoso bandido. Mas é o malandro mas simpático Calunga que tem alguns dos melhores momentos do filme, ele quase o converte num musical. Bela obra. Paris 2017 Cinemateca Francesa 3/5