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29.4.20

Prudence and the Pill (Fielder Cook e Ronald Neame, 1968)

Que comédia estranha. Sobre sexo e ter bebés, sobre a pílula, mas com os atores menos eróticos que conheço, David Niven e Deborah Kerr (uma das minhas atrizes preferidas). São vários casais às voltas com a desejada gravidez, eles ainda desejam mais do que elas e no final todos têm direito a um. O espectador não tem direito a nenhuma cena menos pudica, mesmo que tenha de ouvir o tempo todo falarem de sexo. O filme envelheceu mal, como os preconceitos que o habitam. Melun 2020 (2,5)
Prudence and the Pill (Fielder Cook e Ronald Neame, 1968), produção de Kenneth Harper e Ronald J. Kahn (Twentieth Century-Fox), argumento de Hugh Mills, com Deborah Kerr, David Niven, Robert Coote, Irina Demick, Joyce Redman, Judy Geeson, Keith Michell, Michael Hordern e Edith Evans, BSO de Bernard Ebbinghouse, fotografia de Ted Moore.

31.10.18

Wuthering Heights (William Wyler, 1939)

WUTHERING HEIGHTS (1939) 

O ultra-romantismo, as paixões vulcânicas, mais latinas do que britânicas, de Wuthering Heights, não são matéria para a Hollywood clássica, nem para o quase académico William Wyler (King Vidor teria sido a escolha acertada). Gostei muito da versão mexicana de Luiz Bunuel, feita no período dos grandes melodramas mexicanos dos anos 40/50, mas teria de rêver o filme para ter mais certezas. E no entanto o filme de Wyler é precioso, e é um bom exemplo dos filmes "britânicos" de Hollywood nos anos 30, alimentados pela numerosa colónia  artística inglesa da California. Olivier, Niven, Robson entre outros marcam presença nesta produção de prestígio de Samuel Goldwyn no ano mais prodigioso de Hollywood...
Wuthering Heights (1939), produzido pela Samuel Goldwyn Productions, argumento de Charles MacArthur, Ben Hecht e John Huston (adaptação do romance homónimo de Emily Brontë), com Laurence Olivier (Heathcliff), Merle Oberon (Catherine Earnshaw Linton), David Niven (Edgar Linton), Flora Robson (Ellen Dean), Geraldine Fitzgerald (Isabella Linton), Hugh Williams (Hindley Earnshaw). Vila do Conde 10.2018 DVDTECA 3,5/5

10.11.17

The Other Side of the Moon: The Life of David Niven

Ensaio de Sheridan Morley
O que me levou a ler a biografia de uma das estrelas mais insípidas do cinema? Em boa verdade, o acaso. Encontrei por uma libra uma bela edição de capa dura com muitas, muitas fotos. Mal comecei a ler vi que estava perante um autor mais do que competente (Sheridan Morley é uma autoridade no campo do cinema e das biografias) e perante um ator com uma carreira interessante, inclusive nos seus fracassos. Niven foi para Hollywood no início dos anos 30 e beneficiou do prestígio da colónia britânica naquele cidade dos sonhos. Levou muito tempo a ver o seu talento reconhecido e foi em projetos britânicos de prestígio (Wuthering Heights) que encontrou o seu lugar. O seu estúdio (Goldwyn) não sabia o que fazer dele e emprestava-o com frequência aos outros estúdios. Nunca conseguiu ser a estrela dos filmes em que entrava, mesmo no filme que lhe deu o óscar (Separate Tables). No início dos anos 60, já vivendo na Europa, é escolhido por Ian Fleming para encarnar 007 mas é Sean Connery que fica com o papel; Blake Edwards dá-lhe o principal papel em The Pink Panther mas Peter Sellers rouba as cenas a todo o restante elenco. Mas há uma dimensão da vida de Niven que muitos desconhecem. Ele era um contador de histórias nato, histórias mais ou menos verdadeiras sobre Hollywood. Escreveu livros explorando esse talento e a sua autobiografia, The Moon's a Balloon, vendeu 5 milhões de cópias, um marco na edição sobre cinema. Paris 4/5