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22.5.24

Françoise SAGAN

OEUVRES (1993)
Bouquins Robert Laffont 1993
Préface de Philippe Barthelet 
BIBLIOTECA

LES FAUX-FUYANTS (1991)
Quatro amigos da alta sociedade parisiense viajam com destino a Lisboa, durante a segunda guerra mundial, enquanto a França está a ser bombardeada pelos alemães. São recolhidos por uns agricultores após perderam o carro de luxo num ataque que fez uma vítima mortal: o motorista deles. Segue-se uma comédia que opõe os parisienses finos aos campesinos grossos. Mesmo assim todos juntos vão salvar as colheitas e a atração sexual entre os dois grupos não faltará. Poderia ser uma peça de teatro como as que Sagan escreveu nos anos 60 (as únicas que conheço). Mas é um romance, divertido muitas vezes, mas também caricatural. A socialite Diane é a personagem mais interessante e parece ser um alter ego da própria Sagan. Ainda não foi desta que me cansei desta escritora francesa. Vila do Conde 07.2020 (3/5)
Le livre de poche, 1979
DES YEUX DE SOIE (1975)
Conhecia os romances (bons) e as peças de teatro (simpáticas) mas desconhecia os contos. O universo estreito da escritora mantém-se o mesmo, de obra para obra. Gente rica, profissionais de topo da cultura e as personagens que são atraídas por quem tem dinheiro e pode garantir conforto material. Foi nesse mundo que Sagan se moveu e fez muito bem em testemunhá-lo literariamente. Em 1975, a juventude de Sagan já passara, e essa experiência caracteriza uma boa parte das personagens desta coletânea de contos. As protagonistas são quase sempre mulheres de meia-idade, confrontadas com as traições dos maridos, e com a traição da própria vida, que não cumpriu o que parecia ser uma promessa. Umas vivem do dinheiro de maridos ricos, outras servem-se do dinheiro para pagar a companhia de um jovem. Em todas a desilusão é evidente. Num dos contos, uma mulher conseguiu afastar dela o marido rico garantindo uma mesada principesca. À primeira contrariedade resolve matar-se... Viagem Porto/Paris 01.2020 3/5

15.8.23

BRANQUINHO DA FONSECA


Mortágua 1905 - Cascais 1974

POESIA: Poemas - 1926; Mar Coalhado - 1932; Poesias - 1964; 
TEATRO: Posição de Guerra - 1928; Teatro I - 1939; 
CONTOS Zonas - 1931; Caminhos Magnéticos - 1938; O Barão - 1942; Rio Turvo - 1945; Bandeira Preta - 1956; 
ROMANCE Porta de Minerva - 1947; 
NOVELA: Mar Santo - 1952. 
Antologias organizadas: Contos Tradicionais Portugueses As Grandes Viagens Portuguesas

O BARÃO (1942)
Livros de Bolso 
Europa-América
BIBLIOTECA
Leitura 2023 agosto 3/5


RIO TURVO (1945)
Relógio d'Água Clássicos
BIBLIOTECA
NT

25.5.23

Martin AMIS

País de Gales 1949-2023, escreveu 15 romances

1° THE RACHEL PAPERS (1973)


2° DEAD BABIES (1975)

3° SUCCESS (1978)

Dois irmãos dividem o posto de narrador neste primeiro romance que leio de Martin Amis. Gregory Riding, rebento de uma família abastada, e o seu irmão adotivo Terence Service, que foi criado pelos Riding quando ficou órfão aos nove anos (o pai matou a irmã na sua presença e já tinha provavelmente matado a mãe). São agora adultos e partilham um apartamento em Bayswater, Londres, mas não podiam ser mais diferentes um do outro. Greg é muito atraente, tem um grande emprego e tem uma vida social e (bi)sexual invejável. Terry é vendedor por telefone, vive ameaçado de perder o emprego, e tem uma vida social e (hetero)sexual miserável. Conhecemos a história deles pelos testemunhos cruzados com que interpelam o leitor, manipulando-o, tentando anular ou desacreditar a voz do outro. Neste estratagema reside grande parte da comicidade deste romance. Greg, sobretudo ele, é a primeira vítima do seu discurso hiperbólico, auto-glorificador, raiando a caricatura. Talvez por serem muito jovens e ambos rejeitarem a vida de casal, quase só falam de sexo, e as mulheres são todas "gajas". Temos assim um divertido romance sobre uma certa masculinidade (doentia). Tenho de ler mais Martin Amis. Paris/Londres 07.2018 4/5

OTHER PEOPLE: A MYSTERY STORY (1981)

Koba, o Terrível (Teorema, 2003)

HOUSE OF MEETINGS (2007)

Dois irmãos (melhor, meios-irmãos) encontram-se num gulag soviético e entre eles estabelece-se uma rivalidade porque um deles casou-se com uma mulher que o outro também deseja. O narrador-protagonista, um dos irmãos não identificado, passa em revista a história da vida soviética, sobretudo das vítimas do regime, a partir da segunda guerra mundial. Um balanço deprimente, outra coisa não seria de esperar. Curiosamente o outro livro que li de Martin Amis, no início deste mês, Success (1978), trata de dois meios-irmãos que disputam as mulheres a que deitam mão, em particular a irmã dos dois, que mantinha desde a infância uma relação incestuosa com o irmão e mais tarde também com o meio-irmão. Será uma obsessão de Amis esta temática dos irmãos rivais? House of Meetings é menos interessante do que Success. Por vezes, o narrador abusa da informação sobre a realidade soviética que quer transmitir atrapalhando a ficção. Mas a superioridade de Amis sobre quase todos os seus pares não está em causa. A estrutura e a escrita do romance são muito boas. VC 07.2018 3/5 A Casa dos Encontros (Teorema)

MONEY: A SUICIDE NOTE (1984)
Dinheiro (Teorema, 2009; Quetzal, 2012), 

LONDON FIELDS (1989)
London Fields (Teorema, 2009)

YELLOW DOG (2003)

LIONEL ASBO: STATE OF ENGLAND (2012)

THE PREGNANT WIDOW (2010)
A Viúva Grávida (Quetzal, 2010)

THE INFORMATION (1995)
Informação (Quetzal, 2012)

THE ZONE OF INTEREST (2014)
A Zona de Interesse (Quetzal, 2015)

TIME'S ARROW: OR THE NATURE OF THE OFFENCE (1991)
A Seta do Tempo (Quetzal, 2016)

NIGHT TRAIN (1997)
O Comboio da Noite (Quetzal, 2019)

INSIDE STORY (2020)

10.9.22

Armistead MAUPIN

Washington, D.C. 1944



MICHAEL TOLLIVER LIVES (2007)
Michael Tolliver est vivant (L'Olivier, 2008)
7° volume das crónicas de São Francisco
Leituras 2022

SURE OF YOU (1990)
Leituras 2012 3/5

MAYBEE THE MOON (1992)

4.3.22

Dominique FERNANDEZ

LA GLOIRE DU PARIA (1987)
É o primeiro romance francês a abordar a sida (1987). Trata da relação conjugal entre dois homens que moram em Paris, um bastante mais velho do que o outro. Mais do que a idade, o que os diferencia é a respetiva visão do mundo, nomeadamente do mundo homossexual que passava por transformações radicais nos anos 70 e 80. Leitura agradável. Porto Lisboa 03.2022   3/5

4.1.22

Une Mort Irrégulière (Béatrix Beck, 1950)

Breve romance que enaltece a figura da mulher nos anos 40, anos de guerra. As mulheres ficaram em casa (os homens na guerra) e não cabem mais no papel de esposas e mães dóceis que muitas vezes lhes cabiam. Mostram outras facetas mais cruéis e pragmáticas. A protagonista é estrangeira em França e em breve fica viúva (o homem, de origem russa, morre na guerra) e tem inimigos em todo o lado: autoridades, vizinhos, senhorios. Interessante. Paris 2021 3/5

19.8.19

COLETTE

CLAUDINE À PARIS (1901)
Claudine e o pai mudam-se da província para Paris. Claudine é adolescente e, como o pai, devora e adora livros. A jovem vai depressa conhecer o amor, primeiro por um primo da sua idade que está mais interessado em rapazes (para Claudine, mas não para ele, é evidente que o primo está apaixonado por um amigo), e depois pelo tio. Eu pensava que Claudine, a série de romances que tornou célebre e popular a jovem Colette, era literatura para meninas e moças. Fui logo logo desenganado. Há uma paixão homossexual claramente apresentada, há uma amiga de Claudine da província que conta sem rodeios como foi desflorada e entretida por homens velhos e há Claudine que se deixa cortejar por um tio... Um romance impossível hoje de ser publicado, por ter uma heroina de boas famílias tão jovem rodeada de tais comportamentos e personagens. Li a edição Le Livre de poche, 1978. Bahia 08.2019 4/5
GIGI (1944)
Um livro de contos extensos com interesse muito desigual. Gigi é o mais famoso deles, por ter inspirado o grande musical da MGM com Leslie Caron. Há muito de Claudine (protagonista de uma série de romances de Colette) em Gigi, uma menina petulante e rebelde, que não se deixa intimidar pelas mulheres da família que querem fazer dela uma noiva ideal para um partido rico. Li a edição do Le Livre de poche (1967). Bahia 08.2019 3/5

BIBLIOTECA:
Chéri (1920) Verdes Amores / Le Blé en Herbe (1923) Prison et paradis (1932) Mes apprentissages (1936) Bella-Vista (1937) Le képi (1943) Le Fanal bleu (1947) Gigi (1960) Trois… Six… Neuf… (1970) Colette, une certaine France (1999) O Fim de Chéri (?)Claudine à Paris ( ?) La maison de Claudine (?) Billets de théâtre (Félin, 2008) 

15.8.19

Mary Shelley. La jeune fille et le monstre (Cathy Bernheim, 1997)

Toda a gente conhece Frankenstein, um dos mitos mais duradouros da cultura ocidental. Tal como aqueles cantores pop que ficam para sempre associados a um único hit, Mary Shelley ganhou a eternidade através da sua criatura, um monstro que não tem nome, mas ficou conhecido pelo nome do cientista que o criou (Frankenstein). Este romance é uma das grandes obras da literatura de ficção-científica e foi escrito depois de um serão entre Mary e Percy Shelley, e o amigo Byron, na Suíça, dedicado à invenção de histórias de terror, na linha da literatura gótica que estava em voga na altura. Parece que os restantes livros de Mary Shelley não suportaram bem a passagem dos séculos. A autora desta boa biografia destaca ainda The Last Man  entre os romances de Shelley. Mas as surpresas da biografia relacionam-se sobretudo com a personalidade e a vida de Mary. A mãe e o pai eram escritores conhecidos por defenderem e divulgaram ideias modernas próximas do iluminismo francês e escreveram livros sobre os direitos dos homens e, mais especificamente, das mulheres. Mary Shelley fugiu com o amante Percy Shelley quando tinha 15 ou 16 anos, mas Percy era casado e tinha filhos. A fuga para o continente era o passo mais óbvio. Durante anos viajaram, sobretudo em Itália, Suíça e França e o seu quotidano era feito de intermináveis leituras e outras ocupações culturais. A lista de obras que liam é deveras impressionante, parece que nada foi esquecido entre as obras de referência da literatura ocidental. Cathy Bernheim insiste, e bem, na  descrição do estatuto da mulher no tempo do pré-romantismo. A irmã de Mary e a mulher de Shelley suicidam-se e torna-se claro que a posição insustentável em que ambas se encontravam por serem mulheres muito contribuiu para esse desfecho trágico. Mary teve um destino de mulher excecional. Ainda menor foge com o amante (casado com outra), vive do seu trabalho de escritora, foi mãe várias vezes mas apenas um rapaz conseguiu chegar à idade adulta. Enquanto viúva, tratou de divulgar a obra do marido, Percy B. Shelley, apesar da oposição e da chantagem exercida pelo sogro e avô do seu filho. Um livro cheio de surpresas que vai muito além do poder do mito Frankenstein. Vila do conde 3/5

2.8.16

Enquête sur Sherlock Holmes (1997)

Ensaio de Bernard Oudin
Se há personagem literária que merece uma biografia essa é Sherlock Holmes, criado por Arthur Conan Doyle em 1887. Muitos pensaram que Sherlock realmente existia, foram criados em todo o mundo clubes em seu nome, e são incontáveis os filmes e as séries televisivas que o têm como personagem principal. VC 2016 3/5

Godard (Le cinéma) (Découvertes Gallimard, 2006)

Dos vários livros dedicados a personalidades da cultura e das artes da coleção Découvertes da Gallimard que já li, este é o menos biográfico. A biografia de Godard está na sua obra. A vida dele confundiu-se desde jovem adulto com o cinema, seja como cinéfilo, seja como realizador. O livro é portanto uma excelente introdução ao seu cinema, aos seus filmes, que são contextualizados e comentados, por vezes deixando-me na mesma perplexidade que me provocam certos filmes de Godard. Digamos que não mudei muito a minha visão e adesão aos filmes de Godard que, independentemente da sua qualidade e importância estética, tanto me impacientam (Pierrot le fou) como me entusiasmam (Le Mépris, Vivre sa vie). VC 2016    3/5