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| Claude Sautet, Michel Serrault e Emmanuelle Béart |
E se o último filme de Claude Sautet fosse o seu melhor?
Ontem vi Nelly et Monsieur Arnaud (1995) e fiquei abismado com a perfeição, com o trabalho de relojoaria que o filme apresenta quando está quase a fazer 20 anos. Terei de (re)ver as obras-primas dos anos 1970 com Romy Schneider e Michel Piccoli para verificar a minha hipótese. Afinal, ainda recentemente descobri que os últimos filmes de François Truffaut estão entre os seus melhores, em todo o caso entre os meus preferidos do realizador.
Nelly et Monsieur Arnaud é fiel à marca do autor: a burguesia em primeiro plano, a importância do trabalho e da profissão, as cenas em público (na rua, no restaurante, no café) multiplicam-se, os sentimentos e a interioridade como o mais importante do argumento. Como definir a relação entre Nelly e o senhor Arnaud? Eis o eixo do filme, que todavia não dá resposta à pergunta. Uma relação tão reticente à definição como a relação de Nelly com o marido e o novo namorado, como a relação entre o senhor Arnaud e a sua mulher, entre outras que o filme vai expondo. Um filme extraordinário. Paris 2014 Cinemateca 5/5