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20.11.17

Au revoir là-haut (Albert Dupontel, 2017)

Tinha gostado muito de 9 Mois Ferme (2013), uma das melhores comédias francesas recentes, mas não recebi tão bem Au revoir là-haut. Neste filme a influência de Jeunet é inegável. Ao nível do argumento, a imaginação corre solta e nunca é limitada pelo contexto histórico: dois soldados, acabada a primeira guerra, dedicam-se a uma fraude que tem por alvo os monumentos aos mortos. Ao nível formal, o filme apresenta aquele cuidado excessivo, perfecionista, preciosista dos filmes de Jeunet que nunca me entusiasmou. O filme é um sucesso de público e de crítica e confirma o gosto dos franceses por histórias imaginativas passadas nos anos 1920 como foi o caso, por exemplo, de The Artist (2011) ou Frantz (2016). Paris 2017 Odéon 2,5/5

15.9.17

Barbara (Mathieu Amalric, 2017)

Mathieu Amalric não poderia fazer um biopic certinho como muitos outros. Encontrou em Jeanne Balibar a intérprete perfeita para encarnar a cantora Barbara, que é a típica artista de culto. Os seus fãs, não muitos mas ferventes, adoram-na. O filme é feito para eles. Para quem é indiferente à cantora, o filme pode ser penoso. Assistimos à fórmula típica do filme dentro do filme, pois Amalric aparece filmando o seu biopic, ou melhor a sua atriz. Filme ambicioso, inteligente, mas por vezes dispersivo.  O filme é um dos três que podem ser o candidato francês ao Oscar. No caso de ser escolhido não terá à mínima hipotese de ganhar a estatueta. Paris Bastille 3,5/5

15.9.16

Bertrand BONELLO

NOCTURAMA (2016)
Um grupo de jovens desloca-se em Paris na preparação de atentados a vários pontos significativos da cidade: um ministério, uma estátua e alguns carros junto da Bolsa. Depois, barricam-se num grande centro comercial onde passam a noite e se dedicam aos prazeres sensoriais próprios da idade: o sexo, a música, a dança, o cuidar do corpo (maquilhagem, perfumes, roupas). Jovens mais atraídos pelo consumo e pelo luxo do que pela busca de sentido do que acabaram de fazer na cidade. Bonello filma os seus atores como Gus Van Sant filmava os seus adolescentes em Elephant: nada loquazes, misteriosos, em tudo sensuais. Paris 09.2016 3/5 
SAINT LAURENT (2014)
Já tínhamos tido direito a um medíocre biopic de Yves Saint-Laurent há meses, assinado por Jalil Lespert, mas desta vez um verdadeiro filme de autor vem entronizar cinematograficamente o grande costureiro. A diferença está no realizador: agora temos Bertrand Bonello, que já fizera um belo Appolonide. A vida de Yves não é narrada nem mostrada de forma cronológica, o realizador confia na força e expressividade das imagens para tentar dissipar um pouco a densidade e o mistério de uma vida tão exposta e ao mesmo tempo tão fugidia. Em ambos os biopics de YSL os atores são magníficos, mas Saint Laurent vai ficar na história pelo seu arrojo formal. Paris 10.2014 4/5

3.2.15

La Famille Bélier (Éric Lartigaud, 2014)


La Famille Bélier está a ser um sucesso extraordinário em França. Na sétima semana de exibição permanece em segundo lugar dos mais vistos e está a caminho dos 10 milhões de espectadores. Melhor do que qualquer blockbuster americano. Ora tenho dúvidas se se deve considerar comédias como este filme de Lartigaud como um blockbuster, embora o número de salas em que estreou vá nesse sentido. Eu fui ver o filme e custa-me perceber por que razão os franceses escolheram a família Bélier como a sua favorita. É uma família de surdos-mudos que decide candidatar-se à presidência da câmara da pequena cidade do interior onde vivem. A protagonista é a filha adolescente, que não é surda-muda e que serve de tradutora para a família. Ela prepara a admissão a um curso de canto em Paris, sem o conhecimento dos pais. O argumento é previsível e nada há de notável nesta história. Paris 2015 2,5/5

22.11.13

Camille Redouble (Noémie Lvovsk, 2013)


Camille redouble é uma das melhores comédias mainstream do cinema francês deste ano. Todas as outras boas comédias do ano apareceram da área mais independente e do cinema de autor.  Parece um remake de «Peggy Sue Casou-se» de Coppola. Uma mulher de meia idade volta aos seus dias adolescentes com a consciência do que vai acontecer na sua vida futura e com a oportuindade de mudar esse futuro. A realizadora também é a atriz principal e parte do charme desta comédia vem do seu trabalho de intérprete. Paris 3,5/5