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28.7.26

Hair (Milos Forman, 1979)

Hair centra-se num pequeno grupo de hippies que vivem em Nova Iorque. Um dia encontram um jovem do interior do país que vai cumprir o serviço militar (os EUA estão em guerra), com o qual nada têm em comum. Porém, a amizade vai nascer entre eles. O filme consegue ser ao mesmo tempo uma crítica aos poderes instituídos e uma crítica ao próprio movimento hippie. Há números muito inspirados como o dos black boys/white boys  e a sequência final. Todavia, apesar do talento de Milos Forman, este filme parece-me um tanto datado, ou o problema sou eu, pois não me atrai minimamente o fenómeno hippie.. Paris 06.2017 cinema Champo 3,5/5

Carousel (Henry King, 1956)

Caso para dizer, Carousel, o musical de Rodgers and Hammerstein (1945), é muito superior à sua adaptação cinematográfica pela Fox, com realização de Henry King. Isso acontece muitas vezes com os musicais. Em Carousel, estão duas das minhas canções americanas preferidas: Soliloquy e You'll Never Walk Alone. Competentes, os protagonistas Gordon MacRae e Shirley Jones não ficam na memória e resta-nos sonhar com a participação de Frank Sinatra, que estava prevista para ser o protagonista mas que ele à última hora recusou. Vila do Conde DVD 3/5

The King and I (Walter Lang, 1956)

 
Esta comédia musical é muito famosa, tanto o original da Broadway (1951), quanto a adaptação ao cinema, tratando-se de um dos clássicos de referência do cinema musical. Mas não corresponde ao tipo de musical de que mais gosto. A transposição do show da Broadway é feita sem chama para a grande tela, e como a ação passa-se quase exclusivamente em interiores, a dívida em relação à origem teatral do projeto faz-se sentir ainda mais. Que diferença em relação aos musicais de Arthur Freed na MGM! O que mais  me interessa no filme é, por um lado, a maravilhosa partitura de Rodgers & Hammerstein II, e, por outro, a prestação de Deborah Kerr, uma atriz conhecida e famosa das comédias e melodramas não-musicais. A sua prestação tem a sua classe habitual, tendo sido dobrada nas canções. Foi nomeada para o óscar, mas apenas ganhou o Golden Globe para melhor atriz. Yul Breyner, que marcou a versão cénica original de The King and I, ganhou o óscar para melhor ator, a mais prestigiada das cinco estatuetas ganhas pelo filme. Houve ainda uma nomeação para melhor filme do ano (o produtor foi Charles Bracket) e outra para melhor realizador (Walter Lang). Mas recebeu mesmo assim o Globo de Ouro para melhor filme de comédia ou musical. Nada mau. VC 08.2016 DVD 3/5

27.7.26

Show Boat (James Whale, 1936)


REALIZAÇÃO: James WHALE ESTREIA: 14/05/1936 (EUA) 10/03/1937 MAGNÓLIA (Portugal)
Show Boat, o musical de Jerome Kern, deu origem a pelo menos duas adaptações no cinema, ambas boas mas que restam na sombra da genialidade da obra original feita para o teatro. Também o romance de Edna Ferber, em que todos os Show Boats se baseiam, teria caído no esquecimento sem o musical de Kern. A história de Ferber é uma metáfora da ascensão da arte americana ao lugar cimeiro entre as grandes culturas europeias. Tudo começa com uma troupe de artistas ambulantes que vão de terra em terra apresentar espetáculos nas cidades ribeirinhas do Mississipi. A atividade desta troupe é tão denegrida que a patroa não permite que a sua filha seja atriz. A segunda parte do filme voa sobre várias décadas. No final essa jovem tornou-se uma grande estrela dos teatros de Nova Iorque e Londres, retira-se e assiste à estreia da sua própria filha no teatro. Do Show Boat ao West End londrino, do teatro popular de feira ao teatro sofisticado internacional. Em poucas décadas a arte americana ascende de forma fulgurante, sempre com a família como suporte (mesmo que esta família seja bem problemática). Este filme seria inesquecível se tivesse um grande intérprete ou lenda do musical, mas aqui não há nada disso. Irene Dunne era uma enorme comediante da screwball comedy mas não tem o carisma de uma Judy Garland, por exemplo. E Irene é a melhor intérprete do filme, mesmo assim. Paul Robeson, cantor célebre no seu tempo, é um ator limitado mas canta de forma soberba Old Man River. 
Paris 31.05.2021 Cinémathèque 3,5/5

9.7.26

Cabaret (Bob Fosse, 1972)

 
Cabaret (1972) é um dos meus filmes preferidos de sempre. É um filme único, que não se confunde com nenhum outro. É um musical que na origem foi um musical da Broadway. É um marco na história dos musicais no cinema. É um musical passado em Berlin de 1930, é um musical político até à medula.  Liza Minnelli teve aqui o passaporte para a eternidade, e por aqui aparece uma das mulheres mais bonitas que eu já vi: Marisa Berenson (que também entra em dois outros filmes da minha vida, Barry Lindon e Morte em Veneza). Que mais? Que comprei ainda no tempo do vinil a banda sonora deste filme. Pelo menos o refrão das canções sei de cor.  Que ver o filme em sala de cinema é mais uma razão para amá-lo. Primeiro foi na Cinemateca Portuguesa em 1987 (!) e agora (2013) no cinema parisiense Le Brady. Que merece 5/5.  

7.5.26

Funny Girl (W. Wyler, 1968)

Realização de William Wyler
Estreia nos EUA: 18/09/1968

Esta obra de William Wyler é famosa porque é o filme de estreia de Barbra Streisand, que com ele se tornou numa estrela global de primeira grandeza e viria a ganhar, com Funny Girl, o Oscar, o Golden Globe e o Donatello de melhor atriz. Mas, para além das músicas maravilhosas de Jule Styne e Bob Merrill e da estreante Streisand, pouco se aproveita hoje de verdadeiramente relevante neste musical pesado, convencional, que não marcou a sua época, aliás pouco rica em musicais memoráveis. O filme é um biopic de Fanny Brice, estrela dos musicais da Broadway do início do século. Mas o argumento prefere concentrar-se na vida privada de Brice (a sua paixão pelo marido) do que na sua carreira. No entanto, as melhores cenas para mim são as que se passam no meio teatral, no palco ou nos bastidores. Como não sou fã de Streisand, a atriz, não tenho grande apreço por este filme, a não ser pelos brilhantes momentos musicais. Paris 2017 Cinema Christine 4/5

Realização: William Wyler, Argumento: Isobel Lennart Auteur de l'oeuvre originale : Isobel Lennart Produtora: Columbia Pictures, Rastar Productions, Produtor: Ray Stark, Fotografia: Harry Stradling Autores das canções originais: Jule Styne & Bob Merryl ("People", "Don't rain on my parade", "Funny girl", "The Swan")

Intérpretes: Barbra Streisand (Fanny Brice), Omar Sharif (Nick Arnstein), Kay Medford (Rose Brice), Anne Francis (Georgia James), Walter Pidgeon (Florenz Ziegfeld), Lee Allen (Eddie Ryan), Mae Questel (Madame Strakosh), Gerald Mohr (Branca), Frank Faylen (Keeney), Mittie Lawrence (Emma), Gertrude Flynn (Madame O'Malley), Penny Santon (Madame Meeker)

FUNNY GIRL - UMA RAPARIGA ENDIABRADA
Estreia em Portugal: 25/03/1969
Porto: 14/10/1969
FUNNY GIRL (1968)
DVD Columbia 2001
DVDTECA
DVD francês de 2001 com extras, os mesmos da edição original americana da Columbia. Featurettes: Barbra et le cinéma (Barbra in Movieland, no original) Portrait de Barbra Streisand (This Is Streisand), Les succès de Barbra Streisand.

FUNNY GIRL 1964
Original Broadway Cast 1964
CD Angel Records 1992
DISCOTECA

FUNNY GIRL (1968)
Original Soundtrack Recording
CD CBS
DISCOTECA

Calamity Jane (Gerard Butler, 1953)

Comédia musical passada num contexto típico do western, centrada num cabaret-saloon. Doris Day é uma cowgirl de modos masculinos com muitos amigos entre os homens mas nenhum amante. Ela vai aprender a ser feminina quando contrata artistas de cabaret. Só o carisma de Doris Day e Howard Keel justificam hoje o interesse por esta comédia do oeste que respondeu à moda da época. Vila do Conde 2019 3/5
Produção de William Jacobs (Warner), argumento de James O'Hanlon, com Doris Day e Howard Keel. Oscar for Best Song: Secret Love (Sammy Fain e Paul Francis Webster).
As canções (Sammy Fain e Paul Francis Webster): Calamity Jane: The Myth, The Woman  The Legend / The Deadwood Stage (Whip-Crack-Away!) / I Can Do Without You / It's Harry I'm Planning to Marry / Just Blew in from the Windy City / Hive Full of Honey / Keep It Under Your Hat / My Heart Is Higher Than a Hawk (Deeper Than a Well) / A Woman's Touch / The Black Hills of Dakota / Secret Love.

Hairspray (Adam Shankman, 2007)

Agora que revi Hairspray (vi-o na estreia em 2007 no UGC Les Halles) não tenho qualquer dúvida tratar-se de um dos musicais mais inspirados e mais encantadores dos útimos 20 anos. Tudo começou com o filme Hairspray, também musical, escrito e realizado por John Waters em 1988. Não foi um sucesso comercial mas tornou-se num filme de culto. Em 2002 foi transformado num musical da Broadway, mantendo as linhas gerais da história e as personagens, mas tanto quanto sei a música é completamente original, tendo sido composta para o musical da Broadway. Marc Shaiman compôs a música e escreveu as letras, escritas em colaboração com Scott Wittman. O filme de Adam Shankman adapta o musical da Broadway, que foi um enorme sucesso e continua a ser representado. Acredito que o filme mantem intactas as qualidades do musical. Uma história que mistura lutas sociais (raciais) com programas populares de televisão, mensagem social com entretenimento televisivo. Traci Turnblad é uma adolescente gordinha, de classe média-baixa, que vai lutar contra todos os preconceitos sociais e culturais dos anos 50, e triunfar sobre eles. Uma luta e ascensão pontuadas por grandes canções que aliam os géneros populares daqueles anos: soul, rock, pop. Um filme que vou querer rever mais vezes. Vila do Conde 4/5

Elenco: Nikki Blonsky (Tracy Turnblad), John Travolta (Edna Turnblad), Christopher Walken (Wilbur Turnblad), Michelle Pfeiffer (Velma Von Tussle), Zac Efron (Link Larkin), Brittany Snow (Amber Von Tussle)  

Números musicais: 
"Good Morning Baltimore" – Tracy (Nikki Blonsky)  "The Nicest Kids in Town" – Corny and Council Members (James Marsden)  "It Takes Two" – Link (Zac Efron)  "(The Legend of) Miss Baltimore Crabs" – Velma and Council Members (Michelle Pfeiffer) "I Can Hear the Bells" – Tracy (Nikki Blonsky)  "Ladies' Choice" – Link (Zac Efron)  "The Nicest Kids in Town (Reprise)" – Corny, Council Members, Penny, Edna, Wilbur (James Marsden)  "The New Girl in Town" – Amber, Tammy, Shelley, and The Dynamites (Brittany Snow)  "Welcome to the 60's" – Tracy, Edna, The Dynamites, and Hefty Hideaway Employees (Nikki Blonsky & John Travolta)  "Run and Tell That" – Seaweed, Little Inez, and Detention Kids (Elijah Kelley ft. Taylor Parks)  "Big, Blonde and Beautiful" – Motormouth (Queen Latifah)  "Big, Blonde and Beautiful (Reprise)" – Velma and Edna (Michelle Pfeiffer & John Travolta)  "(You're) Timeless to Me" – Wilbur and Edna (Christopher Walken & John Travolta)  "I Know Where I've Been" – Motormouth (Queen Latifah)  "Without Love" – Link, Tracy, Seaweed, Penny, and Detention Kids (Zac Efron, Nikki Blonsky, Elijah Kelley, Amanda Bynes)  "(It's) Hairspray" – Corny and Council Members (James Marsden)  "You Can't Stop the Beat" – Company (Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta and Queen Latifah)  "Come So Far (Got So Far to Go)" (end credits) – (Queen Latifah, Zac Efron, Nikki Blonsky, and Elijah Kelley)  "Mama, I'm a Big Girl Now" (end credits) – Ricki Lake, Marissa Jaret Winokur, and Nikki Blonsky with Harvey Fierstein  "Cooties" (end credits) – Aimee Allen

27.4.26

Once a Clear Day You Can See Forever (Vincente Minnelli, 1970)

Once a Clear Day You Can See Forever reúne grandes nomes do cinema musical do passado (Minnelli, Alan Jay Lerner e Montand) com uma estrela em ascensão no final dos anos 60: Barbra Streisand. Sem fazer a mínima sombra aos clássicos do passado, Melinda (título alternativo) vê-se com bastante agrado precisamente pelos nomes envolvidos. Para mim, o melhor são as canções de Alan Jay Lerner (lyrics) e de Burton Lane (score), algumas ficaram mesmo no repertório até hoje (mas é verdade que na base do filme está o musical homónimo da Broadway). A história anda à volta da relação entre um psiquiatra (Montand) e uma jovem (Barbra) que, ao submeter-se a umas sessões de psiquiatria, descobre uma antiga encarnação. Sob hipnose, a jovem transforma-se numa aristocrata inglesa que protagoniza cenas oníricas de grande beleza plástica. Quando canta, Barbra é enorme, mas também há cenas em que o seu histrionismo é quase insuportável. Para além de Montand, aparece num pequeno papel Jack Nicholson, cool como sempre. VC agosto de 2017 3,5/5

Kiss of the Spider Woman (Bill Condon, 2025)

REALIZAÇÃO Bill Condon  PRODUÇÃO Matt Geller, Barry Josephson, Greg Yolen, Tom Kirdahy  ARGUMENTO Bill Condon, Terrence McNally, Manuel Puig ELENCO Tonatiuh, Diego Luna, Jennifer Lopez, Tony Dovolani, Josefina Scaglione, Bruno Bichir, Aline Mayagoitia, Kevin Michael Brennan, Thomas Canestraro, Eduardo Ramos, David Turner, Odain Watson, Lynn Favin, Debra Cardona, Christian Galvis, Maile Makaafi, Will Fitz, Alec Preston, Judy Rotardier ESTREIA 26.01.2025 (F. Sundance)  9.10.2025 O BEIJO DA MULHER ARANHA (Portugal) 18.02.2026 (França) VISTO Paris 20.02.2026 Les Halles
Cartaz da estreia francesa