
Mizoguchi foi um realizador genial, um dos maiores mestres do cinema. Mas a ele sempre preferi Ozu, que não apenas admiro (a arte) como amo (o seu universo). Até ter visto (ontem) Contos dos Crisântemos Tardios (1939), que passou a ser o meu preferido de Mizoguchi e certamente o seu filme mais comovente. Trata-se de uma das mais belas histórias de amor da sétima arte. Um amor sacrificial, que a morte não vence. Um ator sem talento, filho e sucessor do maior ator do seu tempo, tenta vingar na arte dramática sem a ajuda familiar, tendo como único apoio o amor de uma mulher de baixa condição social que acaba por sacrificar-se para ele reconciliar-se com a família e com o sucesso. Mas é o modo como Mizoguchi conta esta história que é estarrecedor: travellings fabulosos e predomínio dos planos médios e de conjunto (raros planos aproximados) que exprimem o pudor e o sagrado do amor entre os dois amantes. E pensar que o filme é de 1939, ano mítico para o cinema americano, cheio de obras-primas. No Japão o cinema também atingia nesse ano o apogeu. Le Champo 2015 (5/5)
