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30.5.26

Adeus Cinema – Anselmo Duarte (1993)

Adeus Cinema – Anselmo Duarte: Vida e Obra de Anselmo Duarte, ator e cineasta mais premiado do cinema brasileiro (Oséas Singh Jr., 1993)
Editora: Editora Massao Ohno 179p, 1993
BIBLIOTECA

Adeus Cinema – Anselmo Duarte: Vida e Obra de Anselmo Duarte, ator e cineasta mais premiado do cinema brasileiro (Oséas Singh Jr., 1993)
Editora: Editora Massao Ohno 179p, 1993
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Vida e obra de Anselmo Duarte, ator e cineasta mais premiado do cinema brasileiro, é a autobiografia de Anselmo Duarte. Por conseguinte, um livro importantíssimo. Apesar do realizador acertar contas com muita gente do cinema brasileiro (em particular, Glauber e o cinema novo), a sua experiência e a visão que dela decorre sobre uma boa parte da história do cinema brasileiro é fascinante. Pelo menos para mim, que tenho muitas lacunas nesse assunto. Anselmo Duarte foi o principal galã do cinema popular das produtoras Atlântida e Vera Cruz (anos 1940 e 1950) e foi-se afirmando como realizador perante a desconfiança dos colegas. Mas ao segundo filme, fez história no cinema brasileiro, a partir do estrangeiro. O Pagador de Promessas venceu a Palma de Ouro de Cannes em 1962, percorreu triunfante os festivais e de certa forma o seu feito nunca mais foi repetido. No entanto, diz o realizador, pouco a pouco a sua obra foi sendo afastada para um limbo da narrativa histórica, celebrante do cinema novo. Não tenho o contraponto às posições de Anselmo Duarte (afinal, trata-se de uma autobiografia), mas é verdade que muitas das suas teses parecem fazer sentido, e o que mais me tocou foi a sua defesa racional e justa do cinema popular, muitas vezes denegrido injustamente. A sua obra pertence a essa vertente do cinema, mas com qualidade que frequentemente falta aos filmes populares. Fiquei com muita vontade de ver os outros seus filmes, pois só conheço O Pagador de Promessas. Um livro a revisitar. Leitura em maio de 2014. Nota: 4/5

26.4.26

Sai da frente! A vida e a obra de Mazzaropi (2010)

Sai da frente! A vida e a obra de Mazzaropi (2010)
Autor: Marcela Matos
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Nunca me tinha acontecido isto: ler um livro sobre uma personalidade do cinema cuja filmografia me é totalmente desconhecida. Já tinha ouvido falar de Mazzaropi e sabia que ele era uma peça incontornável no cinema brasileiro. Foi um ator cómico que carregava os filmes consigo, como Totó em Itália ou Louis de Funès em França. Mas no cinema do Brasil a importäncia era bem maior do que aqueles cómicos nos respetivos cinemas nacionais. Mazzaropi teve de financiar, produzir, escrever, realizar e protagonizar os filmes para ter trabalho no cinema. Ele começou por trabalhar em grandes estúdios brasileiros nos anos 1950, que tentavam imitar os americanos ou a Cinecittä. No entanto, nem com o enorme sucesso dos filmes de Mazzaropi aqueles estúdios vingaram. Mazzaropi (neto de portugueses e italianos) teve de criar uma indústria só para si, erigindo bons estúdios no campo, em Taubaté, Sao Paulo, e trabalhando sempre com a mesma equipa. O sucesso durou anos e anos até à sua morte. É sempre comovente quando um povo inteiro (na realidade, mais o sul do Brasil) se identifica tanto com uma personagem de cinema e se revê nela. Mazzaropi criou o caipira (homem da roça, do campo) mais famoso do cinema brasileiro e transformou uma tradiçao literária consagrada na personagem de Jeca Tatu por Monteiro Lobato. Mas Mazaroppi começou por ser um grande ator cómico no circo, no teatro ambulante e depois fixo e na televisao, bem no início desta no Brasil em 1950 (o país foi o quarto no mundo a introduzir a televisão, depois dos EUA, França e GB). Mas foi o Brasil que lhe deu maior celebridade em todo o país. Agora resta-me ver alguns filmes com este Totó tropical. Leitura 2014 (4/5)

19.10.14

La Littérature Russe


Esta foi a minha leitura de comboio deste fim de semana. Pus em ordem (cronológica e por afinidades intelectuais) a já considerável quantidade de nomes que conheço da literatura russa por ter lido as obras ou por conhecer de fama. É uma literatura inesgotável e tanto mais apaixonante quanto desanimadora é a situação da Rússia de hoje. Depois de ler esta breve história da literatura russa, um nome despertou a minha curiosidade: Leskov. Será uma das minhas próximas leituras?

1.7.14

La Gravure Originale au 18e siècle (1963)

É a primeira vez que leio um texto sobre gravura, geralmente leio sobre pintura: La Gravure Originale au 18e siècle, de Jean Adhémar (Editions Aimery Somogy, 1963). É apaixonante. Adhémar escreve muitíssimo bem, com uma clareza inultrapassável. Por vezes é difícil acompanhar a terminologia própria desta arte, que utilizava técnicas muito diferentes. A gravura no século XVIII atingiu o seu apogeu como arte de reprodução (com vista à divulgação) das obras, antes do surgimento da fotografia. Mas a gravura também é uma arte em si, não sujeita à função de reprodução de obras consagradas da pintura. Tocou-me particularmente o caso de Canaletto, o famoso pintor de magníficas vistas de Veneza. Em meados do século ele realizou algumas gravuras que marcaram a sua época. Tal como na pintura, Canaletto limitou-se a retratar Veneza, mas nas gravuras optou por uma Veneza quotidana, do trabalho, dos ofícios urbanos, dos lugares pouco habitados, enquanto na pintura só encontramos a Veneza pomposa das classes abastecidas, a cidade em festa oficial. Fragonard, Piranesi, Hogarth e Watteau são outros dos nomes fundamentais da arte da gravura do século das Luzes. Excelente leitura. Paris 2014 (4,5/5)

5.5.14

Mario Monicelli (2007)

ed. Mediane, 2007
Percorrendo as páginas deste livro, que visita por meio de fotogramas, cartazes e fotos de set a filmografia completa de Mario Monicelli, é que me apercebo de que este mestre da comédia assinou muitos dos meus mais amados filmes do cinema italiano. A começar por aqueles em que filmou Totò. Grande Monicelli!

20.4.14

Robert DESSAIX

NIGHT LETTERS (1995)

Night Letters é o primeiro romance do australiano Robert Dessaix. Trata-se de um especialista da cultura russa e dedicou um dos seus romances mais recentes a Turgueneiv, o que me leva a querer ler esse livro um dia.
O protagonista de Night letters é um escritor australiano que contraiu o vírus HIV e encara a vivência dos seus últimos dias (estamos no início dos anos 1990) fazendo uma viagem a Veneza, passando pela Suíça. Embora ele mude a sua forma de encarar a sua experiência, procurando viver intensamente cada momento dos seus dias, a viagem que faz parece ser fundamentalmente idêntica às viagens que ele preza e sempre fez: viagens culturais, que apelam à erudição e à sensibilidade de cada um; viagens espirituais, mais do que físicas.
No início da leitura temi que o romance fosse um ensaio travestido de romance sobre temas caros a Dessaix, nomeadamente sobre elementos da cultura russa. Mas afinal esse aspeto ensaístico é muito interessante e são fascinantes as observações e reflexões sobre Dante, Santo António, Casanova, a pintura italiana renascentista, entre outros. Mas nesta sua última viagem talvez o que cativou mais o protagonista fossem as várias narrativas, histórias, que outras personagens do livro lhe foram contando. A sua própria história aproximava-se do fim e ele sabia que a sua vida não teria um sentido e um desenlace claro e significativo que ele procurava nas narrativas que ouvia. Um belo primeiro romance. Leitura 2014 Nota: 4/5

30.3.14

Self-Portrait (1979)

SELF-PORTRAIT, 1979
Gene Tierney protagonizou alguns dos grandes clássicos dos anos 1940 e certamente não deve haver cinéfilo que não tenha um desses filmes entre os seus preferidos. Foi dirigida por Ford, Lubitsch, Mankiewicz, Preminger, Lang, Stahl, Tourner, Hathaway, King e Sternberg numa breve carreira (1940-1964). Em 1979 publicou a sua autobiografia, Self-Portrait, e ficamos a saber dos seus graves problemas de saúde, que a levou a ser internada por várias vezes em hospitais psiquiátricos. No auge, com menos de 40 anos, abandona a carreira.
O título da tradução francesa é a frase com que começou a sua relação a sério com o cinema. Quando em 1938, ainda menor, visitava os estúdios da Warner, o realizador Anatole Litwak deu-lhe esse conselho. Depois de seis meses a contrato com a Columbia, não renova a experiência e regressa à Broadway, onde consegue sucesso. A Fox consegue-lhe outro contrato e então em 1940 começa verdadeiramente a sua carreira. Paris 2014 (4/5)

24.3.14

Lewis Carrol no país das maravilhas (1997)

Obra de Stephanie Lovett Stoffel
Leio mais um volume da coleção Découvertes Gallimard. Tal como os Pré-Rafaelitas (leitura imediatamente anterior a esta), Lewis Carroll foi um vitoriano eminente. Viveu no e marcou o período politicamente dominado pela rainha Vitória.
Claro, todos sabemos, ele é o autor da Alice in the Wonderland e foi um grande fotógrafo da época. Nasceu na província inglesa numa família numerosa e feliz, teve inicialmente uma educação caseira (dada pelo pai) e depois frequentou boas public schools antes de entrar na universidade de Oxford, onde ficou durante toda a sua vida profissional. Foi professor de matemática e desde cedo um grande amador de arte e espetáculos (por exemplo, admirou desde o início os Pré-Rafaelitas). Especializou-se na fotografia retratista e são famosas (e polémicas) as suas fotografias de meninas. 
Viveu solteiro durante toda a vida. Antes da reforma da universidade de Oxford, ocorrida no início da carreira de Lewis Carroll, era regra a universidade alojar os seus professores na condição de eles permanecerem solteiros. Mas Lewis optou por essa condição e tornou-se, devido à celebridade em vida conquistada com Alice, numa instituição em Oxford.
Dedicou-se, a par do professorado, a publicar livros didáticos sobre matemática. Acompanhou a passagem da sua Alice ao teatro (1886), que resultou numa comédia musical, um clássico de Natal até aos anos 1930. Escreveu outras obras que se tornaram clássicos: The Hunting of the Snark, um poema nonsense publicado com enorme sucesso em 1876, e o romance Sylvie and Bruno, que não obteve a mesma repercussão das outras obras. As suas obras foram publicadas com ilustrações, uma arte muito novecentista, e para tal escolheu os meus desenhadores da época. Lewis Carrol também desenhava mas preferida orientar o trabalho de um especialista com talento. VC 2014: 4/5

15.3.14

The Pre-Raphaelites (1999)

Ensaio de Laurence des Cars
Há muito que a pintura dos Pré-Rafaelitas me fascina, mas pouco conhecia da sua história como movimento artístico. Um livrinho de divulgação, originalmente publicado em francês na coleção Découvertes Gallimard, serviu para me inteirar de toda a história do grupo. O meu interesse por estes artistas vitorianos cresceu ainda mais. The Pre-Raphaelites: Romance and Realism (1999), de Laurence des Cars. Paris 2014 (4/5)

1.2.14

Marina TSVETAEVA

Moscovo 1892 - Yalabuga 1941


Marina Tsvetaeva, eterna rebelde.
Adoro ler biografias. Geralmente leio biografias pouco extensas, para ficar com uma ideia do que foi a vida de determinada personalidade histórica que me interessa por algum motivo, e raras vezes leio biografias-calhamaços, que esmiúçam o mínimo suspiro do biografado. Mas devo dizer que quando li destas biografias de longo fôlego acabei por gostar muito. Lembro-me, por exemplo, do caso de Jean Giraudoux que, não fosse a ambição do biógrafo, não tinha conhecido o papel que o grande dramaturgo francês teve na instrução do exército português no durante a primeira guerra mundial e os escritos que deixou sobre essa experiência. Lembro-me também da leitura de Glória, a genial biografia que Vasco Pulido Valente escreveu sobre a ascensão e a queda de um político português do século XIX. Neste caso, todos os louros vão para o biógrafo. Geralmente um biógrafo não é um grande escritor ou mesmo ensaísta. Há o caso célebre de Stefan Zweig, excelente romancista que foi igualmente um autor de biografias que ainda hoje são reeditadas. E houve também Henri Troyat, grande biógrafo e bom romancista popular, mas de qualidade (foi membro da Académie Française e ganhou o Goncourt por L'Araigne, em 1938). Penso, aliás, que a sua obra romanesca já está a ser esquecida, mas as suas biografias podem ler-se com proveito. Tendo nascido em Moscovo em 1911, Troyat passou quase toda a sua em vida em França. Escreveu sobretudo biografias de escritores russos e franceses. Já tinha lido há uns anos a biografia de Tourgueniev e haja saúde hei-de ler as biografias que ele dedicou aos grandes escritores russos do século XIX.




Tanto paleio introdutório para falar da biografia que acabei de ler há duas semanas e que, por me ter impressionado tanto, não consegui escrever mais cedo umas palavras sobre. 
Marina Tsvetaeva, l'eternelle insurgée, intitulou assim Henri Troyat a biografia que escreveu nos anos 90 sobre a célebre poetisa russa. Marina Tsvetaeva (1894-1941) pertencia à elite intelectual da Rússia de fins do século XIX, pois o pai dirigiu e chegou a fundar um museu de belas artes em 1912, cuja inauguração teve a presença do Tsar. Marina, até ao tempo da Revolução soviética, gozou de uma boa situação material, o que assegurou a sua independência em todos os domínios. Teve uma educação (línguas, música) esmerada e desenvolveu uma personalidade apaixonada e com agudo espírito crítico. Antes da maioridade, viajou sozinha até Paris, o que me deixou perplexo, pois ainda hoje muitas mulheres adultas não se atrevem a fazer uma viagem sozinhas digamos, ao Brasil. Casou-se cedo com Serge Efron e nunca desfez o casamento, apesar das suas ardentes paixões epistolares e não apenas epistolares com promissores (ou consagrados) poetas. Teve uma filha em 1912, ano em que casou. A poesia de Marina foi reconhecida logo ao primeiro livro publicado, Album du soir, em 1910. Nesse ano, ela e a irmã viajaram sozinhas para estarem presentes no enterro nacional de Tolstoi, na datcha Iasnaia Poliana do grande Leão. Para além de Tolstoi, Puchkine e Gogol foram outras referências marcantes na vida espiritual de Marina.
Marina, nesses anos preparatórios da Revolução, vai brilhar no meio literário russo, participando em muitas sessões de leitura de poesia e conhecendo quase todos os grandes nomes desse período excepcional da cultura russa. Mas chega a Revolução e tudo se desfaz. O marido junta-se aos Brancos, que lutam contra os bolcheviques, Marina fica em Moscovo, um tanto indiferente ao que se passava à sua volta. No entanto, não só Marina assiste ao desaparecimento (físico) de grandes nomes da cultura russa com o governo dos bolcheviques, como todo a sua segurança material desaparece, pois os bens e o dinheiro passam agora todo para o Estado soviético. Vivendo uma situação cada vez mais insustentável, pede e consegue autorização oficial para sair do país.
Começa o exílio em 1922, primeiro em Praga, depois em Paris (1925), onde ficará durante quase 20 anos. O relato da sua vida na comunidade russa parisiense nos anos 20 e 30 é a parte mais impressionante do livro, talvez só sendo superada pelo período final na Rússia que a levou ao suicídio.
Em Paris, tal como a maioria dos russos imigrados, Marina vive fechada na comunidade, que tem uma imprensa e uma vida cultural notável mas pouco permeável à vida francesa. Marina leva esse padrão à caricatura. Apesar de dominar a língua francesa, praticamente só lê em russo e não tem relações com franceses, apesar da sua fama de grande poetisa russa (e do prestígio poético dos russos, tendo Ivan Bounine recebido o prémio Nobel em 1933). Marina apenas sonha com a sua Rússia, apesar de quase todas as notícias que de lá chegam serem desapontantes.
Entretanto, o seu marido evolui politicamente, passando pouco a pouco para o lado dos bolcheviques, chegando mesmo a participar no recrutamento de russos emigrados que quisessem regressar à União Soviética. Começa a nascer e a crescer com força em Serge Efron e na filha deles Ariadna o projeto de regresso à Rússia. Marina é muito céptica, e afirma mesmo que na Rússia soviética será impedida de escrever.
O isolamento da família de Marina em Paris é cada vez mais uma realidade e as posições políticas que os russos de Paris lêem nos poemas e noutros escritos de Marina afastam-na de quase todos. Durante toda a estadia em Paris (que Marina sempre viveu como passageira) Marina viveu de forma absolutamente miserável, muitas vezes vivendo da solidariedade material dos poucos amigos e admiradores que lhe restavam.
Com a guerra entre a Alemanha (que Marina adorava, e cuja língua e literatura conhecia bem) e a Rússia, Marina resolve partir para a terra natal, para onde já tinham ido aliás o marido e a filha. Marina chega à Rússia em plena guerra e tudo corre mal: o marido e depois a filha são levados pela polícia e Marina deixa de ter notícias deles (ele é fuzilado em 1941, a filha será reabilitada em 1955), e ela vive no terror de ter o mesmo destino juntamente com o filho mais novo. O clima de suspeição e medo abafa tudo à sua volta e em breve, com o bombardeamento de Moscovo, exila-se no campo com o filho. Mas nos primeiros dias da sua instalação num cabana miserável, decide que o melhor será não insistir em viver e mata-se.
Henri Troyat não precisa de forçar o pathos pois os acontecimentos vividos por Marina Tsvetaeva são de tal modo eloquentes que a sua simples enumeração produz no (neste) leitor uma angústia derivada da antevisão do desenlace final.
Podemos ler uma boa biografia, e de razoável extensão, e no entanto permanece o mistério do sentido da vida do biografado. É o que acontece com Marina Tsvetaeva, l'eternelle insurgée. As interpretações que Troyat vai tecendo sobre a ação e a obra de Matina são justas e inteligentes, mesmo assim, ficamos perplexos perante o destino desta mulher e da sua família.
Marina Tsvetaeva, l'eternelle insurgée: uma leitura marcante para abrir o ano. Paris 02.2014 (5/5)

MARINA TSVETAEVA, COMMENT ÇA VA LA VIE?
Ensaio de Linda Lê
Ed. Jean-Michel Place-poésie 2002
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