Muriel fait le désespoir de ses parents (1995)
Em 2008, quando vi Dans la vie (2007), de Philippe Faucon, fiquei conquistado com o tom realista e justo que ele encontrou para contar uma história de amizade entre duas mulheres de origem árabe na França contemporânea. Muriel, que foi encomendado e estreado pelo canal Arte em 1995 e estreado nas salas em 1997, é outra surpresa. Filme protagonizado e escrito (em parceria com o próprio realizador) por Catherine Klein. Muriel faz os seus pais desesperarem porque resolve assumir a sua sexualidade: apaixonou-se e fez amor com uma mulher, fez amor com um rapaz sem sentir amor por ele, porque calhou. É um retrato da juventude no momento da sua emancipação dos pais, antes de assumirem as responsabilidades da vida adulta por completo e sem retorno. Claro que faz lembrar Rohmer, e não só pela presença de Marie Rivière como mãe de Muriel, mas pela leveza com que trata as relações entre os jovens e entre as gerações. Mas aqui, pormenor significativo, não encontramos os jovens burgueses e cultos de Rohmer, mas os jovens das comunidades imigrantes, cujas diferenças culturais desaparecem perante a sede de experiências amorosas e festivas que procuram saciar. O multiculturalismo social francês como raramente visto no cinema. Paris, 12.2014 Le Brady 4/5
FATIMA (2015)
Fátima conta a história de uma família francesa de origem árabe, uma mãe e duas filhas adolescentes, que lutam por um lugar ao sol numa sociedade que lhes impõe vários obstáculos. A filha mais velha entra para a faculdade para evitar cair na situação da mãe, que acumula os trabalhos de mulher-a-dias para sobreviver e dar um futuro às filhas. O filme é excelente ao mostrar uma história bem francesa dos dias de hoje, fazendo-o sem ponta de moralismo, pelo contrário as personagens são tratadas com uma dignidade notável. É sem dúvida um dos melhores filmes franceses de 2015. César de melhor filme, Prix Louis Delluc, Lumière para o argumento, para além de várias outras nomeações. Paris 11.2015 (4/5)

