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15.9.17

Barbara (Mathieu Amalric, 2017)

Mathieu Amalric não poderia fazer um biopic certinho como muitos outros. Encontrou em Jeanne Balibar a intérprete perfeita para encarnar a cantora Barbara, que é a típica artista de culto. Os seus fãs, não muitos mas ferventes, adoram-na. O filme é feito para eles. Para quem é indiferente à cantora, o filme pode ser penoso. Assistimos à fórmula típica do filme dentro do filme, pois Amalric aparece filmando o seu biopic, ou melhor a sua atriz. Filme ambicioso, inteligente, mas por vezes dispersivo.  O filme é um dos três que podem ser o candidato francês ao Oscar. No caso de ser escolhido não terá à mínima hipotese de ganhar a estatueta. Paris Bastille 3,5/5

15.9.16

Bertrand BONELLO

NOCTURAMA (2016)
Um grupo de jovens desloca-se em Paris na preparação de atentados a vários pontos significativos da cidade: um ministério, uma estátua e alguns carros junto da Bolsa. Depois, barricam-se num grande centro comercial onde passam a noite e se dedicam aos prazeres sensoriais próprios da idade: o sexo, a música, a dança, o cuidar do corpo (maquilhagem, perfumes, roupas). Jovens mais atraídos pelo consumo e pelo luxo do que pela busca de sentido do que acabaram de fazer na cidade. Bonello filma os seus atores como Gus Van Sant filmava os seus adolescentes em Elephant: nada loquazes, misteriosos, em tudo sensuais. Paris 09.2016 3/5 
SAINT LAURENT (2014)
Já tínhamos tido direito a um medíocre biopic de Yves Saint-Laurent há meses, assinado por Jalil Lespert, mas desta vez um verdadeiro filme de autor vem entronizar cinematograficamente o grande costureiro. A diferença está no realizador: agora temos Bertrand Bonello, que já fizera um belo Appolonide. A vida de Yves não é narrada nem mostrada de forma cronológica, o realizador confia na força e expressividade das imagens para tentar dissipar um pouco a densidade e o mistério de uma vida tão exposta e ao mesmo tempo tão fugidia. Em ambos os biopics de YSL os atores são magníficos, mas Saint Laurent vai ficar na história pelo seu arrojo formal. Paris 10.2014 4/5

2.6.15

L'Ombre des femmes (Philippe Garrel, 2015)

Tenho gostado muito dos últimos filmes de Garrell. Parece fazer sempre o mesmo filme, com pequenas variações, sobre as vidas cinzentas dos parisenses. Neste filme um homem e uma mulher amam-se e vivem juntos mas são também infiéis um ou outro. A narração off tão nouvelle vague deste filme não consegue definir o que vai no coração das personagens: "não sente ciúme nem ódio" diz-se a dada altura do homem. Fotografia maravilhosa de Renato Berta. Paris 2015 Les Halles 4/5