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1.8.26

La Révolte des morts-vivants (Amando de Ossorio, 1971)

Sempre quis ver isto: a história e a paisagem portuguesas (e ibéricas) na base de uma ficção de cunho fantástico, ainda para mais com o mais puro espírito de série B. Umas ruínas na região de Lisboa (mas filmadas em Espanha), com um cemitério secular, é um viveiro de templários que ressuscitam para atacar quem por lá apareça. Neste caso são estrangeiros, franceses, que repudiam as superstições e os interditos locais, mas acabam vítimas dos zombies religiosos. É uma co-produção luso-espanhola que representa bem o cinema de terror espanhol dos anos 70. Paris 06.2018 Cinémathèque 2,5/5

30.7.26

Suspiria (Luca Guadagnino, 2018)

Luca Guadagnino conseguiu fazer um remake atual e pertinente do clássico de Dario Argento, Suspiria (1977). O notável argumento é de David Kajganich, que se baseou no argumento de Argento mas criou uma obra própria, em que uma história de terror (género muito em voga nos anos 70) se entrelaça com a história política da Alemanha, com o seu passado, o Nazismo, e o seu presente, as Brigadas Vermelhas de outono de 1977.  O filme original de Argento é considerado barroco na sua estética visual (os espelhos, a chuva e o vento, as cores, os planos, a música dos Goblin...), mas o atual Suspiria parece ter desviado essa qualidade para o campo narrativo, já que são muitas as camadas de sentido que se acumulam como o feminismo, o Nazismo, a culpa nacional, a maternidade, a loucura, entre outras. David Kajganich peca certamente por excesso, sendo difícil acompanhar a história da academia de dança que é um antro de bruxas e ao mesmo atentar nos vários sentidos que a história implica. No entanto nada é verdadeiramente forçado, pois a história da bailarina americana que vai ser a escolhida para integrar a irmandade de bruxas, suporta naturalmente as temáticas que Kajganich/Guadagnino propõem. As muitas atrizes do filme são incríveis, mas a grande presença aqui é mesmo Tilda Swinton. E gostei muito da música de Thom Yorke (Radiohead). Paris 12.2018 4/5

Call Me by Your Name (2017)

Em menos de uma semana vi os meus dois filmes preferidos de 2017: Phantom Thread e este Call Me By Your Name. O primeiro é formalmente mais arrojado, o segundo mais emocionante. Nota máxima para ambos. A história de Call Me é quase banal: um amor de verão, intenso e passageiro (mas marcante). Mas os amantes são um rapaz adolescente, Elio (Timothée Chalamet), e um jovem adulto (Armie Hammer), e a paixão entre eles nasce e cresce na casa de campo dos pais de Elio (Michael Stuhlbarg, Amira Casar), no norte de Itália. A beleza da natureza e da arquitetura antiga circundantes é apenas superada pela beleza e intensidade da paixão entre os dois jovens. O argumento de James Ivory e a interpretação de Timothée Chalamet têm colecionado nomeações e prémios, tendo Ivory recebido o BAFTA e o Oscar. Um filme que me fez chorar, numa das melhores cenas, a do discurso do pai de Elio no final. Paris 03.2018 (5/5)

28.7.26

Yentl (Barbra Streisand, 1983)

Uma jovem mulher, iniciada pelo seu pai no estudo da religião judaica, tem de passar por rapaz para continuar os estudos. Estamos no início do século XX, na Polónia, e a divisão do trabalho entre os sexos é de rigor. O filme foi co-escrito (com base num conto de Isaac Bashevis Singer), co-produzido, realizado e interpretado por Barbra Streisand que faz ainda o que o filme tem de melhor: interpreta as maravilhosas canções de Michel Legrand (como Papa, Can You Hear Me? ou The Way He Makes Me Feel). Já me tinha esquecido um pouco do filme, mas não da sua banda sonora (que recebeu o Academy Award). Este drama romântico sem a parte musical teria pouco interesse, já que a realização de Barbra não é muito inspirada, mas valeu-lhe mesmo assim dois Golden Globe Awards: Best Motion Picture—Musical or Comedy e Best Director. DVD 4/5
A distribuidora Lost Films teve a excelente ideia de repor nas salas uma cópia restaurada, imaculada, da estreia de Streisand na realização. Na verdade, Yentl foi o primeiro filme de Hollywood a ser escrito, produzido, realizado e interpretado por uma mulher. Na estreia não foi um grande sucesso, mas mesmo assim ficou para a história do cinema musical. Barbra ganhou o Golden Globe de melhor realização, mas foi a banda sonora de Michel Legrand que levou o prémio mais cobiçado, o Oscar, e duas das suas cancões fora nomeadas para o Oscar de melhor canção: Papa, Can You Hear Me? e The Way He Makes Me Feel. Como se sabe Yentl é uma jovem judia que aprendeu o Talmud com o pai, num momento (início do século 20 na Europa de Leste) em que esse ensino é proibido às mulheres. Depois da morte do pai, para continuar os estudos veste-se e apresenta-se como homem numa escola religiosa, onde se apaixona pelo seu melhor amigo. O filme é claramente feminista e contemporâneo quando trata da questão do travestimento e das relações sexualmente ambíguas entre os protagonistas. Como musical não apresenta grandes novidades, ainda que todas as canções sejam cantadas por Barbra Streisand (feito raro) e não haja qualquer dança. Mas a banda sonora original, que vendeu mais de três milhões de cópias, não permite o esquecimento do filme pelo menos entre os fãs dos musicais. Paris 2018 Max Linder 4/5
Reprise Lost Films, 12/12/2018

Lucky Me (Jack Donohue, 1954)

Lucky Me é uma comédia musical com Doris Day, uma daquelas comédias ligeiras, deliciosamente patetas (e wasp) que se faziam à volta da atriz. As coreografias são mínimas e o canto de Day é pouco expressivo, mas tudo isso está em sintonia com a pouca ambição do argumento. Day e alguns amigos do teatro de vaudeville (destaque para o cómico Phil Silvers) tentam montar um show mais ambicioso, ao mesmo tempo que ela conhece um estranho (Robert Cummings) por quem se apaixona, que vem a ser um famoso songwriter. Lucky Me foi o primeiro musical feito em CinemaScope. VC 07.2018 DVD 2,5/5

27.7.26

The Wizard of Oz (Victor Fleming, 1939)

The Wizard of Oz é um dos filmes mais icónicos do cinema. Na verdade, um facto cultural da maior relevância do século 20. Consagrou o tecnicolor, deu origem a uma das carreiras mais incríveis do showbizz (Judy Garland), deu-nos um clássico do cancioneiro americano (Over the Rainbow, de Harold Arlen e Yip Harburg), que venceu o Oscar para Best Original Song, iniciou o período mais famoso dos musicais da história, o dos musicais em tecnicolor da MGM (quase sempre produzidos por Arthur Freed). Herbert Stothart também recebeu o oscar para Best Original Score. Apesar de uma produção atribulada (teve cinco realizadores), o milagre está à vista, vê-se e escuta-se sempre que voltamos a ele. Um dos poucos filmes realmente para todas as idades e sensibilidades. A viagem de Dorothy e dos seus amigos, imperfeitos e incompreendidos, em busca de justiça e... amor, é das histórias mais emocionantes que conheço. Para rever sempre. Paris 2018 Archipel 5/5 

Realização: Victor Fleming, King Vidor Argumento: Noel Langley, Florence Ryerson, Edgar Allan Woolf Produtora: MGM - Metro-Goldwyn-Mayer  Produtor: Mervyn LeRoy  Produtor associado: Arthur Freed  Fotografia: Harold Rosson Coreografia: Bobby Connolly, Arthur Appell Autores da música: Harold Arlen & Edgar "Yip"  

Intérpretes:  Judy Garland (Dorothy Gale), Frank Morgan (o rofessor Marvel/o feiticeiro de Oz), Ray Bolger (Hunk), Bert Lahr (Zeke), Jack Haley (Hickory), Billie Burke (Glinda), Margaret Hamilton (Almira Gulch), Charley Grapewin (o tio Henry), Pat Walshe (Nikko), Clara Blandick (a tia Em), The Singer Midgets (The Munchkins), Mitchell Lewis (un guarda), Lois January (a mulher de Emerald City com o gato), Prince Denis (um Munchkin), Ethel W. Denis (uma Munchkin), Jerry Maren (um Munchkin).

Foi com este filme (de Victor FLEMING) que começou o período mais glorioso dos musicais no cinema, com Arthur Freed como o grande arquitecto e Judy Garland a grande estrela feminina. Over the Rainbow recebeu o óscar (assim como a banda sonora), e tornou-se num dos grandes clássicos de Hollywood. Mas o melhor é mesmo a criação de um clássico do cinema para todas as idades a partir de um esquecido livro. Não é uma adaptação é uma criação superior a matéria de partida. Paris 2021 L'archipel 5/5

Whitney (Kevin Macdonald, 2018)

Os heróis americanos parecem ter sempre umas falhas algures (muitos vezes na infância) que se prestam divinamente ao tratamento cinematográfico de Hollywood. Whitney Huston subiu agora o último degrau do Olimpo, não com a morte mas com esta via dolorosa em forma de documentário mas que tem a força dramática de um biopic. Muito bom. Paris 2018 3,5/5

22.7.26

A Chorus Line (Richard Attenborough, 1985)

A Chorus Line, o filme, não ficou para a história, nem sequer para a história dos musicais no cinema. Mas a versão teatral é um dos maiores êxitos de sempre da Broadway. O filme, porém, é muito pouco lembrado e quase só encontrei referências negativas. Mas eu gostei de o ver. Até revi várias sequências mais marcantes. A Chorus Line é um musical sobre a produção e arte dos musicais, um tema tão antigo quanto a história dos musicais no palco e no cinema. Um diretor (Michael Douglas) tem de escolher friamente, entre os bailarinos que se apresentam para uma audição, aqueles que farão parte de um espetáculo futuro. A história centra-se nas motivações e angústias dos bailarinos e passa-se no palco onde decorre a audição. Deve ter sido difícil transpor esta história para o cinema, de tão estática apesar do movimento constante dos dançarinos. A realização de Richard Attenborough não esteve à altura do potencial do original, ele não é de todo Bob Fosse. Já a música é memorável, em especial o clássico "One", de Marvin Hamlisch e Edward Kleban (que assinam todas as canções). O argumento é de Arnold Schulman, que adapta o musical homónimo (1975) de James Kirkwood Jr e Nicholas Dante. Atores: Michael Douglas (Zach, o coreógrafo), Alyson Reed (Cassie), Terrence Mann (Larry, coreógrafo asssistente), Sharon Brown (Kim, secretária de Zach). Visto em DVD: 3,5/5 
Números musicais:  
"I Hope I Get It" (com todo o elenco) 
"Who Am I Anyway?" (Paul) 
"I Can Do That" (Mike) 
"At the Ballet" (Sheila, Bebe e Maggie) 
"Surprise, Surprise" (Richie e os dançarinos) 
"Nothing" (Diana)  
"Dance: Ten; Looks: Three" (Val) 
"Let Me Dance for You" (Cassie) 
"One" (ensaio com todo o elenco) 
"What I Did for Love" (Cassie) 
"One" (Finale com todo o elenco)

18.7.26

Minha Vida em Marte (Susana Garcia, 2018)

Minha Vida em Marte é uma comédia realizada por Susana Garcia baseada no texto de Mônica Martelli, que também protagoniza o filme. Tudo começou em 2005, com o monólogo Os Homens São de Marte… E É pra Lá que Eu Vou, um sucesso extraordinário no teatro, repetido em 2014 no cinema com o filme homónimo. Minha Vida em Marte é a continuação desse texto original. Fernanda (Mônica Martelli), 45 anos, casada com Tom (Marcos Palmeira), com uma filha pequena, vê o seu casamento chegar ao fim, por falta de interesse de ambos os esposos, mas também por infidelidade do marido. Fernanda vira-se para o amigo e sócio de trabalho, Aníbal (Paulo Gustavo), para sobreviver ao período pós-separação. No essencial, o filme é a relação de amizade inabalável entre Fernanda e Aníbal, que viajam a Nova Iorque e a uma estância de recuperação espiritual, sem grandes resultados no nível de stress de Fernanda. Mas para mim o filme é o show de Paulo Gustavo, superestrela no Brasil, que rouba todo o filme aos restantes atores. Foi por ele que ri muito, durante o tempo todo. Brasil 2018? Salvador 3,5/5

9.7.26

Fevereiros (Doc. 2017)

Documentário de Marcio Debellian
V2018 abril Paris 4/5

Fevereiros, de Marcio Debellian, com argumento de Diana Vasconcellos e Marcio Debellian, é um documentário excelente sobre Maria Bethânia e a homenagem que lhe foi feita em 2016 pela escola de samba carioca Mangueira. Para o desfile no sambódromo, a Mangueira investigou a relação de Bethânia com as religiões que co-existem na Bahia, e em particular em Santo Amaro, terra de Bethânia e Caetano. As gravações em Santo Amaro são magníficas e os depoimentos de Bethânia e Caetano também. Amei. Paris 2018 4/5

Yolanda ant the Thief (Vincente Minnelli, 1945)

A história passa-se num país (caricaturado) da América Latina (que estava na moda em Hollywood nos anos 40), que mais parece uma monarquia governada pela família Aquaviva, que, na verdade, detém o monopólio da economia do país. A fortuna Aquaviva tem uma nova e jovem herdeira, Yolanda (Lucille Bremer), que sai do convento (ou de uma escola religiosa) diretamente para o mundo dos negócios. Aparece então um estrangeiro caça-fortunas, um americano obviamente (Fred Astaire), que se faz passar pelo anjo da guarda da jovem crente e consegue retirar-lhe a fortuna. Mas há um verdadeiro anjo (Leon Ames) por perto (os anjos também estavam na moda no cinema americano da época) que vai aproximar o vigarista e a vítima no sentido do amor, do casamento e da procriação. Estamos em pleno terreno da fantasia, que o cinema musical tantas vezes pisa, levada aqui longe demais, o que talvez explique o desastre comercial do filme na estreia. Mas hoje ele faz a delícia dos amantes das comédias musicais. Tem um grande momento musical no ballet do sonho (ou antes, pesadelo) de Astaire, com coreografia de Eugene Loring, que antecipa o ballet do sonho de Gene Kelly em Um Americano em Paris. Há cenas de comédia saborosas (a primeira visita de Astaire ao palácio de Yolanda) e os momentos musicais e de dança são maravilhosos. Já é bastante. Paris: Le Desperado (2013) & Ecoles 21 (2018) 4/5    

Yolanda ant the Thief (1945). Comédia musical. Realização: Vincente Minnelli. Produção: Arthur Freed (MGM). Argumento: Irving Brecher. Coreografia: Eugene Loring. Atores principais: Fred Astaire, Lucille Bremer, Frank Morgan, Mildred Natwick, Leon Ames. Música: Harry Warren, Lyrics: Arthur Freed. 

Bingo - O Rei das Manhãs (Daniel Rezende, 2017)

Bingo - O Rei das Manhãs conta a história de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo num programa matinal do canal SBT nos anos 80. Enquanto filme sobre os bastidores da televisão o filme é muito interessante, já no que respeita à vida pessoal do entertainer (antigo galã das pornochanchadas) as coisas não vão tão bem. Mas é mesmo assim um dos bons filmes brasileiros do ano passado. Realização de Daniel Rezende. Com Vladimir Brichta, Leandra Leal, Cauã Martins, Augusto Madeira, Ana Lucia Torre. O argumento é de Luiz Bolognesi. Paris, abril 2018 Festival Arlequin 3/5

4.7.26

Cabra Marcado para Morrer (Eduardo Coutinho, 1983)

 
Finalmente vi o famoso documentário de Coutinho, recentemente restaurado. É, efetivamente, um grande momento de cinema e um retrato implacável do Brasil profundo e injusto. É um documentário, mas aqui há heróis, todos vindos do povo brasileiro. Paris 01.2018 FCBP NOTA: 4,5/5

1.7.26

Honolulu (Edward Buzzell, 1939)

Honolulu (Edward Buzzell, 1939)
Uma estrela de cinema (Robert Young), farto do assédio das fãs, encontra por acaso um sósia e decide trocar com ele os planos  que têm para os dias seguintes. O ator viaja para Honolulu, para as plantações que pertencem ao seu sósia, e este viaja para Nova Iorque. Como nem os familiares nem os amigos mais chegados se apercebem da troca, multiplicam-se as cenas cómicas próprias deste tipo de história. Esta comédia (o realizador, Edward Buzzell, dirigiu os irmãos Marx em dois filmes) é enriquecida por momentos musicais pouco entusiasmantes (mas gostei bastante da dança de Eleanor Powell), com música de Georgie Stoll e Franz Waxman. A mesma MGM que produziu Honolulu estava a preparar uma revolução na comédia musical, Wizard of Woz. Vila do Conde 1.2018 DVDTECA 3/5

8.5.26

We Need to Talk about Kevin (Lynne Ramsay, 2010)

Kevin conta a história de uma tragédia familiar típica das capas da imprensa sensacionalista. Um jovem mata com flechas o pai e a irmã, ainda criança. A protagonista do filme é todavia a mãe, magnífica Tilda Swinton. Foi ela que o criou e o tentou salvar, é ela que ficou para expiar a tragédia da familia. Lynne Ramsay, como no seu mais recente filme (também sobre salvação de jovens e expiação), nunca envereda pelo moralismo que o tema parece pedir. A relação de causalidade entre os eventos terríveis e o processo de formação de Kevin é sugerida, nunca imposta. Tilda foi nomeada para melhor atriz nos Golden Globe e nos BAFTA. Bom filme. Vila do Conde 10.2018 DVDTECA 3/5

7.5.26

Hairspray (Adam Shankman, 2007)

Agora que revi Hairspray (vi-o na estreia em 2007 no UGC Les Halles) não tenho qualquer dúvida tratar-se de um dos musicais mais inspirados e mais encantadores dos útimos 20 anos. Tudo começou com o filme Hairspray, também musical, escrito e realizado por John Waters em 1988. Não foi um sucesso comercial mas tornou-se num filme de culto. Em 2002 foi transformado num musical da Broadway, mantendo as linhas gerais da história e as personagens, mas tanto quanto sei a música é completamente original, tendo sido composta para o musical da Broadway. Marc Shaiman compôs a música e escreveu as letras, escritas em colaboração com Scott Wittman. O filme de Adam Shankman adapta o musical da Broadway, que foi um enorme sucesso e continua a ser representado. Acredito que o filme mantem intactas as qualidades do musical. Uma história que mistura lutas sociais (raciais) com programas populares de televisão, mensagem social com entretenimento televisivo. Traci Turnblad é uma adolescente gordinha, de classe média-baixa, que vai lutar contra todos os preconceitos sociais e culturais dos anos 50, e triunfar sobre eles. Uma luta e ascensão pontuadas por grandes canções que aliam os géneros populares daqueles anos: soul, rock, pop. Um filme que vou querer rever mais vezes. Vila do Conde 4/5

Elenco: Nikki Blonsky (Tracy Turnblad), John Travolta (Edna Turnblad), Christopher Walken (Wilbur Turnblad), Michelle Pfeiffer (Velma Von Tussle), Zac Efron (Link Larkin), Brittany Snow (Amber Von Tussle)  

Números musicais: 
"Good Morning Baltimore" – Tracy (Nikki Blonsky)  "The Nicest Kids in Town" – Corny and Council Members (James Marsden)  "It Takes Two" – Link (Zac Efron)  "(The Legend of) Miss Baltimore Crabs" – Velma and Council Members (Michelle Pfeiffer) "I Can Hear the Bells" – Tracy (Nikki Blonsky)  "Ladies' Choice" – Link (Zac Efron)  "The Nicest Kids in Town (Reprise)" – Corny, Council Members, Penny, Edna, Wilbur (James Marsden)  "The New Girl in Town" – Amber, Tammy, Shelley, and The Dynamites (Brittany Snow)  "Welcome to the 60's" – Tracy, Edna, The Dynamites, and Hefty Hideaway Employees (Nikki Blonsky & John Travolta)  "Run and Tell That" – Seaweed, Little Inez, and Detention Kids (Elijah Kelley ft. Taylor Parks)  "Big, Blonde and Beautiful" – Motormouth (Queen Latifah)  "Big, Blonde and Beautiful (Reprise)" – Velma and Edna (Michelle Pfeiffer & John Travolta)  "(You're) Timeless to Me" – Wilbur and Edna (Christopher Walken & John Travolta)  "I Know Where I've Been" – Motormouth (Queen Latifah)  "Without Love" – Link, Tracy, Seaweed, Penny, and Detention Kids (Zac Efron, Nikki Blonsky, Elijah Kelley, Amanda Bynes)  "(It's) Hairspray" – Corny and Council Members (James Marsden)  "You Can't Stop the Beat" – Company (Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta and Queen Latifah)  "Come So Far (Got So Far to Go)" (end credits) – (Queen Latifah, Zac Efron, Nikki Blonsky, and Elijah Kelley)  "Mama, I'm a Big Girl Now" (end credits) – Ricki Lake, Marissa Jaret Winokur, and Nikki Blonsky with Harvey Fierstein  "Cooties" (end credits) – Aimee Allen

Mamma Mia: Here We Go Again! (Oliver Parker, 2018)


Mamma Mia: Here We Go Again! (2018), com argumento do próprio realizador, Oliver Parker, é a sequela de Mamma Mia! (2008), enorme sucesso de bilheteira naquele ano. Este segundo filme está uns pontos abaixo do primeiro, devido sobretudo à ausência de novidade, mas também à ausência de Meryl Streep, que reinava sobre o elenco do primeiro filme. A personagem de Streep, Donna, faleceu faz um ano e a sua filha Sophie (Amanda Seyfried) decide reinaugurar a casa-hotel de Donna. Enquanto esperamos por esse dia, e perante a expectativa sobre quem aparecerá na festa (os três pais, o namorado, virão?), assistimos à história da jovem Donna (Lily James), ao seu envolvimento com três rapazes antes de se instalar na ilha grega para ter e criar a filha. Esta história, inspirada e fluente, é de Oliver Parker, Catherine Johnson e Richard Curtis, três britânicos. Johnson é a autora do livro que inspirou o musical londrino e escreveu o argumento do primeiro filme. Curtis assinou algumas das comédias românticas mais memoráveis desde os anos 90. Eles sabem o que fazem. No elenco, o destaque vai para Lily James, que dá vida à jovem Donna, e para Cher, que domina a sequência final com a sua voz grave e andrógina, que dá uma dimensão surpreendente às cancões dos Abba, normalmente associadas a timbres agudos e melodiosos. Obviamente que todo o encanto irresistível do filme assenta nas canções dos Abba, que resistem a qualquer canto amador. Foi um prazer ver este filme, mesmo na versão dobrada brasileira. Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, agosto de 2018, em Salvador, Bahia 4/5
Elenco: Donna (Meryl Streep), Sophie (Amanda Seyfried), jovem Donna (Lily James), Tanya (Jessica Keenan Wynn), Rosie (Alexa Davies), Harry (Hugh Skinner), Sam (Jeremy Irvine), Bill (Josh Dylan), Dominic Cooper, Pierce Brosnan, Colin Firth.
Números musicais:
When I Kissed the Teacher (Young Donna and the Dynamos, Vice-Chancellor) 
I Wonder (Departure) (Young Donna and the Dynamos)
One of Us (Sophie, Sky)
Waterloo (Young Harry, Young Donna)
Why Did It Have to Be Me? (Young Bill, Young Donna, Young Harry)
I Have a Dream (Young Donna)
Kisses of Fire (Lazaros)
Andante, Andante (Young Donna)
The Name of the Game (Young Donna)
Knowing Me, Knowing You (Young Donna, Young Sam)
Mamma Mia (Young Donna and the Dynamos)
Angel Eyes (Rosie, Tanya, Sophie)
Dancing Queen (Sophie, Rosie, Tanya, Sam, Bill, Harry)
I've Been Waiting for You (Sophie, Rosie, Tanya)
Fernando (Ruby, Fernando)
My Love, My Life (Young Donna, Donna, Sophie) 
Super Trouper (Ruby, Donna, Rosie, Tanya, Sophie, Sky, Sam, Bill, Harry, Fernando, Young Donna, Young Rosie, Young Tanya, Young Bill, Young Sam, Young Harry) 
The Day Before You Came (Donna)

1.5.26

As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017)

As Boas Maneiras é um filme brilhante que marcará o ano cinematográfico. Um conto maravilhoso e de terror, passado em São Paulo, entre os bairros ricos e as favelas: uma mulher cuida de uma criança que não é sua e que se transforma em lobisomem. Foi Prémio Especial do juri de Locarno. VISTO: Paris 3.2018 NOTA: 4/5

Domingo (Felipe Barbosa, 2018)


Terceiro filme de Felipe Barbosa, um dos mais interessantes realizadores brasileiros. Numa quinta no sul do Brasil, perto da fronteira com o Uruguai, uma família reune-se para celebrar o novo ano, marcado pela eleição de Lula da Silva a Presidente do país. A política está sempre presente ou latente nesta comédia de costumes que opõe proprietários agarrados aos seus privilégios e caseiros explorados, mas acordados pelo novo poder de Lula. Um realizador a ver sempre. 
REALIZAÇÃO: Fellipe Barbosa e Clara Linhart  ESTREIA: Estreia em França: 10/10/2018 VISTO: Paris Beaubourg 10.2018 NOTA: 3/5

Arábia (2017)

Filme de Affonso Uchôa e João Dumans
Arábia é um filme sobre um homem comum, que deixou na Terra pouco mais do que um caderno onde conta a sua vida marcada pela solidão e pela exploração no mundo do trabalho. O filme tem passado tão despercebido entre os cinéfilos quanto o seu protagonista entre os poucos seres humanos que com ele se cruzaram ao longo da vida. O filme é de 2017 e estreou no Brasil em abril de 2018. Sendo um drama, não há nada aqui de dramático ou mostrado como tal, como nos habituámos a ver no cinema. Cristiano, assim se chama o protagonista, tem um olhar distanciado sobre si próprio, talvez por manter o tal caderno-diário do seu destino. O espectador é que tem de interpretar e dar sentido ao que vê, e decidir sobre o peso do drama da vida de Cristiano. Escrito e realizado por Affonso Uchôa e João Dumans. Paris: 2018 Arlequin & 2022 Reflet Medicis 4/5