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31.7.26

Clementina (Ana Rieper, 2017)

Clementina (Ana Rieper, 2017)
Na história da música brasileira, Clementina é, como alguém disse, o elo perdido entre a África e o Brasil. Clementina foi "descoberta" quando já tinha mais de 60 anos e na sua garganta guardava um tesouro: canções do povo negro escravizado que passaram de geração em geração até ela. Bom documentário. Paris 04.2019 L'Arlequin 4/5

26.7.26

Star! (Robert Wise, 1968)

Estreia no Reino Unido: 18/07/1968

Biopic musical de Gertude Lawrence
"Star!" (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn) foi nomeada para o Oscar da melhor canção original
Tenho DVD GB com bonus Fox 2012

22.7.26

Oliver! (Carol Reed, 1968)

Oliver! (1968) é um dos melhores musicais da história e foi devidamente recompensado pelo público (foi um enorme sucesso) e pela indústria (nomeado para 11 Oscars, venceu 6, incluindo melhor filme e melhor realizador, além dos Golden Globe para o melhor filme e melhor ator, Ron Moody). O filme é académico como quase todos os musicais dos anos 60, mas é emocionante enquanto drama e cativante como musical. A música de Lionel Bart é o seu principal trunfo, anteriormente testado no teatro (o musical Oliver! é um dos mais populares de sempre). RTP1 2019 4/5  
Oliver! (1968), produzido por John Woolf (Romulus Films), realizado por Carol Reed, argumento de Vernon Harris (adapta o  musical de Lionel Bart de 1960 e Charles Dickens). Elenco: Ron Moody, Oliver Reed, Mark Lester.
Principais canções: "Food, Glorious Food", "Consider Yourself", "As Long as He Needs Me", "You've Got to Pick a Pocket or Two", "Where Is Love?", "Reviewing the Situation".

18.7.26

Chacrinha (Andrucha Waddington, 2018)

Andrucha Waddington assina um bom biopic que resgata a excecional figura de Chacrinha, apresentador de programas de entretenimento na rádio e logo depois na televisão. O argumento é de Cláudio Paiva, Julia Spadaccini e Carla Faour e é uma adaptação do musical de teatro de 2014. O filme foi nomeado para 12 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Salvador, julho de 2019 Sala Walter da Silveira 3/5

9.7.26

42nd Street (Lloyd Bacon, 1933)

Estreia nos EUA: 23/02/1933

RUA 42
Estreia em Portugal: 14/03/1934
Cinemateca Portuguesa: 20/09/2010

42nd Street é um dos musicais mais importantes da história do cinema, a ponto de ter inspirado, 50 anos mais tarde, um musical da Broadway. Originalmente 42nd Street é um romance de Bradford Ropes, uma escritora e argumentista de Hollywood. A história é típica dos musicais do passado e do presente: a montagem de um espetáculo e a ascensão de uma nova estrela, que substitui à última hora a estrela escalada para a produção. O filme é um típico backstage musical e todas as pequenas histórias que animam as personagens apagam-se para o espetáculo brilhar. Como o filme se passa durante a Grande Depressão, o sacrifício coletivo impõe-se com uma força dramatúrgica própria. Nesse sentido, são impressionantes os ensaios do corpo de bailarinos, levados à exaustão, sob a autoridade do diretor e dos seus acólitos que nada fazem senão gritar. São cenas que vimos muitas vezes, como em A Chorus Line ou Fame. O que faz este filme ser tão maravilhoso que me levou a vê-lo com prazer duas vezes na mesma semana? Não é certamente o seu registo de comédia. Há alguns diálogos ou falas que pretendem fazer rir mas nem nos fazem sorrir. Alguns atores secundários são muito limitados. Valem pela sua fotogenia adequada ao papel mas suspeitamos que pelo mesmo motivo, pelo mesmo papel, vâo aparecer tal e qual em outros filmes. Nem Ginger Rogers escapa a essa pecha do cinema industrializado. O melhor do filme é quando vemos o musical pronto no final, com números musicais e coreografias encenados no palco, tudo concebido e filmado pelo mago Busby Berkeley. Inesquecíveis os travellings das pernas das coristas, sobretudo o que nos mostra o interior das coxas, filmadas como uma arcada de colunas de mármore... As canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras) são outros dos trunfos do filme, assim como as duas atrizes principais, a estrela consagrada (Bebe Daniels) e a novata que a vai substituir no espetáculo Pretty Lady e tornar-se a nova sensação da Broadway (Ruby Keeler). Os homens não têm grandes oportunidades de brilhar. Paris 02.2019 Sala Christine 4/5 
42nd Street (1933). Argumento de Rian James, James Seymour e Whitney Bolton. Coreografia de Busby Berkeley. Intérpretes: Warner Baxter, Bebe Daniels, George Brent, Ruby Keeler, Dick Powell, Ginger Rogers.
Canções de Harry Warren (música) e Al Dubin (letras)
You're Getting To Be A Habit With Me (cantado por Bebe Daniels)
It Must Be June (cantado por Bebe Daniels, Dick Powell e coro) 
Shuffle Off to Buffalo (cantado e dançado por Ruby Keeler e Clarence Nordstrom, com Ginger Rogers, Una Merkel e coro)
Young and Healthy (cantado por Dick Powell, Toby Wing e coro)
42nd Street (cantado e dançado por Ruby Keeler, cantado por Dick Powell)

Lloyd Bacon, um realizador esquecido de Hollywood, assinou excelentes musicais para a Warner nos anos 30. Pelo menos dois merecem ficar como marcos da comédia musical: 42nd Street (1933) e Footlight Parade (1933). Ambos têm coreografia do grande Busby Berkeley e é em boa parte devido a ele que estes filmes são vistos com prazer e admiração ainda hoje. Os dois filmes também partilham os autores das canções: Harry Warren (música) e Al Dubin (letras).
42nd Street é o mais famoso dos filmes de Bacon/Berkeley e tem lugar cativo na lista dos grandes musicais. Trata-se de um musical de bastidores, pois apresenta a história da produção de um musical da Broadway, com espaço para as intrigas amorosas entre os artistas, para as cenas de ensaios e, claro, para a apresentação do espetáculo em causa e o seu inevitável sucesso. Mas o melhor continua a ser as coreografias de Berkeley e a sua tradução cinematográfica. VC 2015 DVDTECA Nota: 4/5

Frans Krajcberg (Regina Jehá, 2018)

Frans Krajcberg é um artista brasileiro nascido na Polónia. Um artista devotado à preservação da natureza, a sua musa, mãe, amiga... Revoltado com os homens (que lhe mataram a família na segunda guerra), recolhe-se na natureza vivendo no cimo das árvores na Amazónia, numa casa construída por si. O documentário mostra o seu interesse pela Bienal de São Paulo, que o convidou para expor no grande hall de entrada, numa edição dedicada à arte e ecologia. As obras apresentadas são em madeira e são inspiradas no seu amor pela floresta, pelas árvores. Paris 04.2019 L'Arlequin NOTA: 3/5

A Última Abolição (Alice Gomes, 2019)

Documentário muito interessante sobre a escravatura, o racismo e a abolição da escravatura no Brasil. Muita coisa mudou no país quanto ao estudo e a percepção destes assuntos, mas ainda há um atraso considerável. O documentário é rico em informações que podem mudar o pensamento de quem o vê. Paris 04.2019 L'Arlequin 3,5/5

Turma da Mónica: Laços (Daniel Rezende, 2018)

Turma da Mónica: Laços, de Daniel Rezende, é o primeiro longa-metragem em imagens reais, inspirado nos personagens de Maurício de Souza. Parece muito fiel ao universo do autor, relatando as aventuras de quatro crianças (pré-teens) de classe média, vivendo numa pequena cidade que podia ser na Europa. Lembrei-me logo das aventuras dos Cinco ou dos Sete, sendo que a turma da Mónica também tem um cão, que aliás está no centro da intriga, pois foi raptado por um homem que vive isolado na floresta onde guarda e revende os cães que rouba. O melhor do filme é o quarteto de jovens atores, muito bem escolhidos para encarnar as personagens de Maurício de Souza: Giulia Benitte (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão). Salvador, agosto de 2019 Shopping Barra 2,5/5

A Mata Negra (Rodrigo Aragão, 2018)

Rodrigo Aragão é um realizador brasileiro especialista no cinema de terror. Dele vi o primeiro filme, Mangue Negro (2008), e o quinto e útimo filme, A Mata Negra (2018), cujo argumento foi premiado no Fantasporto. Rodrigo parte do imaginário fantástico da mata brasileira para nos dar uma história bem gore, centrada numa moça simples e ingénua que aprende a arte da feitiçaria que, entre outras coisas, consegue trazer os mortos de volta à vida. Há alguns atores globais (da Globo) mas o espiríto do filme é muito de série B, apanhamos e sustos e rimos quase ao mesmo tempo. Com Carol Aragão, Jackson Antunes, Clarissa Pinheiro, Francisco Gaspar. Porto 2019 Fantasporto/Rivoli 3/5

4.7.26

Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar (Marcelo Gomes, 2019)

 
Um dos grandes documentários deste ano. Uma pequena localidade no interior do Nordeste brasileiro tornou-se a capital do jeans. As casas, os seus habitantes, e todo o tempo destes, tudo é sacrificado à produção de jeans, que inundam o mercado brasileiro. O documentário mostra bem a alienação destas pessoas, satisfeitas por terem jornadas de trabalho intermináveis, bem pagas mas sem os mínimos direitos sociais que milhões de brasileiros felizmente têm. No verão, para pagarem uns dias de férias na praia, vendem os eletrodomésticos, ou põem-no no prego até voltarem ao trabalho. Excelente. Salvador da Bahia 4/5

45 Dias sem Você (Rafael Gomes, 2019)

Um jovem é abandonado pelo namorado e, para se recompor do desgosto, decide viajar e visitar amigos que estão no estrangeiro (Londres, Coimbra e Buenos Aires). O filme acerta quase sempre no tom ligeiro e cómico que pedia esta história de jovens brasileiros desenraizados (por uns tempos). Paris 11.2019 3/5

25.6.26

Legally Blonde 2 (Charles Herman-Wurmfeld, 2003)

Gosto muito desta personagem e da sua atriz: Reese Witherspoon. Uma bimbo americana do cabelo às unhas que impõe o seu rosa choque nos meios pretos e cinzentos da alta advocacia e da alta política (o Congresso americano). E lembra a todos os princípios fundamentais da dmocracia americana, num disurso centrado num tratamento capilar a que foi sujeita... O kitsch nunca anda longe mas parece que só os americanos sabem lidar com ele de forma inteligente. O primeiro filme da loira legal é superior a este mas mesmo assim a loira não perdeu nenhuma das suas qualidades. Com Reese Witherspoon, Sally Field, Regina King, Jennifer Coolidge, Bruce McGill, Dana Ivey, Mary Lynn Rajskub, Bob Newhart e Luke Wilson. Vila do Conde 10.2019 DVDteca 3,5/5

31.5.26

Indianara (A. Chevalier-Beaumel e M. Barbosa, 2019)

 

Indianara (Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, 2019)
Um belo documentário sobre uma lutadora ímpar dos direitos da comunidade LGBT. Ela quer evitar a todo o custo que as suas semelhantes não tenham um abrigo e comida. Politicamente o contexto é terrível para estas pessoas: da direita no poder espera-se o pior, a esquerda ignorou a luta de Indianara e seu grupo. Mas a vida continua e tem as suas felicidades: Indianara casa-se depois de muitos anos de resistência ao matrimónio. ESTREIA: 27/11/2019 (MK2 Beaubourg) Paris 12.2019 Beaubourg 3/5

Sócrates (Alexandre Moratto, 2018)

Sócrates (Alexandre Moratto, 2018)
Sócrates, um rapaz menor, perde a mãe, que o criou com o amor e a compreensão da sua homossexualidade. Os dois tinham fugido do pai de Sócrates, que não aceitava um filho homossexual. Agora o rapaz tem de fugir do pai, e enfrentar o mundo sozinho. Filme muito duro sobre a exclusão extrema em que pode cair um adolescente gay se for rejeitado pela família. Paris 11.2019 MK2 Beaubourg 2,5/5

30.5.26

Querido Embaixador (Luiz Fernando Goulart, 2018)

 
Luiz de Sousa Dantas é o Aristides de Sousa Mendes brasileiro. Embaixador em Paris nos anos 20, 30 e 40, Dantas era a grande figura da diplomacia brasileira da época e, mesmo desobedecendo ao ministro de que dependia, aguentou-se firme no cargo. Ele passou vistos ordinários e também diplomáticos a mais de mil judeus perseguidos pelos nazis. Ou seja salvou muitas vidas. O documentário-ficção (a vida do Embaixador em Paris é apresentada como um telefilme) é claramente hagiográfico e não tem aquele rigor e problematização próprios dos documentários mais correntes, mas mesmo assim tem o grande mérito de dar a conhecer esta grande figura brasileira. Paris 4.2019 L'Arlequin FCBP2/5

24.5.26

The Tow Popes (Fernando Meirelles, 2019)

The Two Popes evoca a passagem de testemunho entre os dois últimos papas, um alemão e um argentino. O filme termina com os dois assistindo à final da copa do mundo de futebol entre a Argentina e a Alemanha. O filme tem muitos momentos bem humorados como este, apesar das questões abordadas serem particularmente sérias, como o afastamento da Igreja dos problemas das pessoas e as enormes desigualdades na América latina. The Two Popes está justamente nomeado para quatro Globos de Ouro: Best Motion Picture, Director, Actor (Jonathan Pryce) e Actor in a Supporting Role (Anthony Hopkins). Vila do Conde 12.2019 NETFLIX 3/5

7.5.26

Enchanted (Kevin Lima, 2007)

Enchanted (realizado por Kevin Lima) passou-me ao lado na estreia e foi pena não ter assistido ao filme numa sala. É um filme da Disney que, de forma feliz, investe em dois registos com longa tradição no estúdio: a fantasia e o musical. Enchanted foi provavelmente a revelação de uma atriz que desde então dá muito que falar. Amy Adams é uma princesa de um mundo encantado que cai num poço e vai ter a Nova Iorque no presente. O confronto entre os dois mundos, entre as expectativas da princesa (e do príncipe e de outros conterrâneos que a seguem) e as expectativas dos nova-iorquinos que a acolhem dá origem a cenas com aquela graça e ligeireza típicas dos filmes da Disney (tal como no recente Mary Poppins). O argumento é de Bill Kelly, as canções e o score musical de Alan Menken,  as letras de Stephen Schwart, e o elenco: Amy Adams, Patrick Dempsey, James Marsden, Timothy Spall, Idina Menzel, Rachel Covey e Susan Sarandon.  

As canções: Happy Working Song, That's How You Know, So Close (as três foram nomeadas para o Oscar), True Love's Kiss e Ever Ever After. Título português: Uma História de Encantar. Título francês: Il était une fois... Vila do Conde 4/5

Enchanted Il Était une Fois (2007)
CD Walt Disney Records Europe 2007
DISCOTECA

6.5.26

Mommie Dearest (Frank Perry, 1981)

Momie Dearest narra a relação entre a estrela de Hollywood, Joan Crawford, e a sua filha adotiva, Christine Crawford. O filme adapta o livro de memórias de Christina, Mommie Dearest, escrito após a morte da mãe, escrito aliás contra a mãe, que deserdou os dois filhos (a cena da leitura do testamento encerra o filme). Trata-se de um biopic melodramático q.b. que quase se resume a cenas em que Joan faz pagar a filha as frustrações da sua vida pessoal e profissional. Paris 05.2019 Cinémathèque 2/5

1.5.26

Tinta Bruta (Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, 2018)

Filipe Matzembacher e Marcio Reolon estão a ter uma carreira muito interessante. TINTA BRUTA (2018) é de longe o seu melhor filme. Ganhou o Teddy Award em Berlim, um dos mais importantes prémios mundiais que contemplam a produção LGBT. Conta a história de um rapaz pouco sociável, que quase não sai de casa, depois de um acidente em que agrediu de forma violenta um colega, e pelo qual aguarda julgamento. Entretanto assume o papel de rapaz neon na internet, exibindo o seu corpo pintado com tintas que brilham no escuro. Nesse papel assume uma personalidade mais extrovertida e confiante. É um filme centrado numa personagem complexa e fascinante, aliás muito bem retratada. Com Shico Menegat, Bruno Fernandes, Guega Peixoto. Paris 04.2019 L'Arlequin 4/5