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1.8.26

Il Vigile (Luigi Zampa, 1960)

Alberto Sordi é um italiano do povo que envergonha a sua família, pois recusa-se a trabalhar a não ser como agente de polícia. E consegue-o por tanto chatear as autoridades municipais. Mas as coisas não vão correr como ele e os seus esperavam... O argumento é do grande Rodolfo Sonego, que tanto contribuiu para o sucesso da commedia all'italiana. Paris 02.2016 Cinémathèque 3/5

L'Onorevole Angelina (Luigi Zampa, 1947)

A Deputada Angelina é um filme exemplar do neorrealismo social do pós-guerra. Os italianos tiveram nessa altura a brilhante ideia (ou foram obrigados pelas circunstâncias) de sair dos estúdios "fascistas" e levar as câmaras para a rua, para o meio das ruínas da guerra. Essa decisão mudou o mundo do cinema. E nas ruas e entre as ruínas encontrava-se sobretudo o povo. Angelina é uma mãe de família numerosa, casada com um agente da polícia, que lidera um grupo  de mulheres desesperadas e revoltadas com a miséria em que vivem. Assaltam um armazém quando não têm nada com que alimentar a família, ocupam prédios novos destinados aos ricos quando as cheias os põem na rua. La Magnani é a encarnação perfeita da mulher do povo, forte e destemida, apartidária mas com um sentido de justiça social que se torna imprescindível ao trabalho de reconstrução nacional da época. Paris 02.2016 Cinémathèque 4/5

Un Americano in Vacanza (Luigi Zampa, 1946)

Um Americano em Férias é uma comédia romântica neorrealista passada na Itália em ruínas de 1946. Estes filmes italianos do imediato pós-guerra são sempre fascinantes por se implicarem a si mesmos no esforço de reconstrução que a sociedade está a empreender. O argumento, nesse sentido, é cristalino (e assinado por Gino Castrignano). Dois soldados americanos (Adolfo Celi e Leo Dale), em licença por uns dias, viajam para Roma, sonhando com as belezas femininas (vivas!) da cidade. Passam e param numa aldeia em ruínas porque se encantam com a professora (Valentina Cortese) que também irá a Roma tentar financiamento para a reconstrução da escola, da igreja e da aldeia. Em Roma viverá um idílio amoroso com um dos americanos em licença tal como numa comédia romântica de Hollywood (aliás, esta é citada pelo americano numa das cenas mais divertidas que arrancou gargalhadas aos cinéfilos da cinemateca). Mas talvez a contribuição mais importante da heroína para o momento de reconstrução não tenha sido o financiamento garantido mas a sua atitude perante o assédio dos americanos. Enquanto muitas italianas se lançavam nos braços dos americanos e abandonavam os namorados italianos (é o que acontece com duas personagens do filme) a professora não se deixa iludir e resiste à sedução fácil. Esta é certamente uma das mensagens do filme. Outra razão para ver o filme: Roma. Cafés, restaurantes, as ruas, o Vaticano, o jockey club, tudo filmado in loco. Paris 02.2016 3,5/5

Ana y Los Lobos (Carlos Saura, 1972)

Ana y Los Lobos (Carlos Saura, 1972)
V. Paris 2016 Le Champo 4/5

El Espíritu de la Colmena (Victor Erice, 1972)

O Espírito da Colmeia é um dos cumes do cinema espanhol. Recentemente foi votado o segundo melhor filme espanhol de sempre num inquérito da revista Caïman. É um filme sobre quê? Ora aí está, não é um filme de assunto, ou de história. Há uma personagem principal, Ana (Ana Torrent), uma criança que descobre o cinema com Frankenstein de James Whale, projetado numa sala improvisada da aldeia onde vive. O monstro criado pelo doutor Frankenstein e a sua perseguição pelas gentes da aldeia vai ecoar no episódio em que Ana encontra, escondido na sua casa, um homem que depois será abatido pelas autoridades e habitantes locais (a ação passa-se em 1940, depois da guerra civil). Portanto é também um filme sobre a infância e sobre a aprendizagem nessa idade de coisas sérias através do cinema e do meio envolvente, mesmo sendo este particularmente desértico, uma aldeia perdida no agreste planalto central de Castela (o filme foi rodado em Hoyuelos, Segovia e em Parla, Madrid). Paris: Le Champo 2008 Le Champo 2016 Saint-André-des-Arts 2026

30.7.26

El Sur (Victor Erice, 1983)

El Sur (1983)
2ª longa-metragem de Victor Erice
V2014 V2016 V2026


Um dos melhores filmes de sempre do cinema espanhol. Tal como Cria Cuervos (Saura, 1976), um filme de que gosto muito, o belíssimo filme de Erice mergulha no misterioso mundo dos adultos tal como apercebido pelas crianças. A memória como motor da narrativa e a melancolia como o seu tom dominante. Os filmes de Saura e Erice foram produzidos por Elías Querejeta, um produtor fundamental do cinema moderno espanhol. VC 08.2014 VD El País, coleção Un País de Cine 4/5
Foi considerado o melhor filme espanhol do ano nos prémios Sant Jordi e Fotogramas de Plata.
El Sur (Victor Erice, 1983)
DVDTECA

Há um conjunto de filmes espanhóis (que inclui outro de Erice, O Espírito da Colmeia), por sinal excelentes, que nos mostram o mundo dos adultos, complexo e atormentado de culpa, através do olhar da criança. Nesses filmes as casas são importantes, mas são espaços abafados e isolados do mundo, nelas não entrando a passagem do tempo e da história, e tudo é comunicado em voz baixa, por meias-verdades. O olhar inocente da criança acaba por revelar as verdades essenciais. Claro que estes filmes falam desse modo metafórico da Espanha franquista, que reprime os adultos e povoa a infância de fantasmas e mistérios. VC 2016 (4/5)
Version restaurée 4K 7.01.2026 Distribution : Le Chat qui fume
Compétition - Festival de Cannes 1983 VISTO Paris 28.01.2026 
Affiche : Vincent Wild

28.7.26

Perfect Pitch 2 (Elizabeth Banks, 2015)


Perfect Pitch (2012), de Jason Moore, é um musical que teve grande sucesso nos Estados Unidos mas contou com limitada adesão no resto do mundo. Bebe na nobre tradição do musical e no mais recente e pouco apreciado gênero do teen-movie. Aliás o filme encerra uma homenagem a um dos mais famosos teen-movies dos anos 80, The Breakfast Club. No início do filme, numa das mais divertidas cenas, a líder de um grupo vocal feminino anula as hipóteses de continuar na competição ao vomitar sobre a plateia, um momento escatológico que remete para a comédia americana dos anos 90. O filme retrata o campus universitário americano através dos grupos de estudantes que se formam em torno de atividades musicais ou outras. É uma forma também de preparar os jovens para a competitividade profissional do futuro, lançando-os em torneios de grupos a capella, como neste filme. 

Isso chega a ser mais evidente em Perfect Pitch 2 (Elizabeth Banks, 2015) em que se afrontam nos palcos o grupo americano das Barden Bellas e um grupo alemão. Mas esta sequela não tem o interesse do opus original, apesar de ter sido um sucesso de público muito superior ao primeiro. Tornou-se aliás na comédia musical que mais receitas gerou nas bilheteiras desde sempre. Vi os dois filmes numa sessão muito especial, na ante-estreia do segundo filme, no cinema Max Linder repleto de fãs de Perfect Pitch. Paris 2016 Max Linder

Pitch Perfect (Jason More, 2012)

Estreia nos EUA: 5/10/2012

Perfect Pitch (2012), de Jason Moore, é um musical que teve grande sucesso nos Estados Unidos mas contou com limitada adesão no resto do mundo. Bebe na nobre tradição do musical e no mais recente e pouco apreciado gênero do teen-movie. Aliás o filme encerra uma homenagem a um dos mais famosos teen-movies dos anos 80, The Breakfast Club. No início do filme, numa das mais divertidas cenas, a líder de um grupo vocal feminino anula as hipóteses de continuar na competição ao vomitar sobre a plateia, um momento escatológico que remete para a comédia americana dos anos 90. O filme retrata o campus universitário americano através dos grupos de estudantes que se formam em torno de atividades musicais ou outras. É uma forma também de preparar os jovens para a competitividade profissional do futuro, lançando-os em torneios de grupos a capella, como neste filme. 

Isso chega a ser mais evidente em Perfect Pitch 2 (Elizabeth Banks, 2015) em que se afrontam nos palcos o grupo americano das Barden Bellas e um grupo alemão. Mas esta sequela não tem o interesse do opus original, apesar de ter sido um sucesso de público muito superior ao primeiro. Tornou-se aliás na comédia musical que mais receitas gerou nas bilheteiras desde sempre. Vi os dois filmes numa sessão muito especial, na ante-estreia do segundo filme, no cinema Max Linder repleto de fãs de Perfect Pitch. Paris 2016 Max Linder

The King and I (Walter Lang, 1956)

 
Esta comédia musical é muito famosa, tanto o original da Broadway (1951), quanto a adaptação ao cinema, tratando-se de um dos clássicos de referência do cinema musical. Mas não corresponde ao tipo de musical de que mais gosto. A transposição do show da Broadway é feita sem chama para a grande tela, e como a ação passa-se quase exclusivamente em interiores, a dívida em relação à origem teatral do projeto faz-se sentir ainda mais. Que diferença em relação aos musicais de Arthur Freed na MGM! O que mais  me interessa no filme é, por um lado, a maravilhosa partitura de Rodgers & Hammerstein II, e, por outro, a prestação de Deborah Kerr, uma atriz conhecida e famosa das comédias e melodramas não-musicais. A sua prestação tem a sua classe habitual, tendo sido dobrada nas canções. Foi nomeada para o óscar, mas apenas ganhou o Golden Globe para melhor atriz. Yul Breyner, que marcou a versão cénica original de The King and I, ganhou o óscar para melhor ator, a mais prestigiada das cinco estatuetas ganhas pelo filme. Houve ainda uma nomeação para melhor filme do ano (o produtor foi Charles Bracket) e outra para melhor realizador (Walter Lang). Mas recebeu mesmo assim o Globo de Ouro para melhor filme de comédia ou musical. Nada mau. VC 08.2016 DVD 3/5

27.7.26

Estive em Lisboa e Lembrei de Você (José Barahona, 2015)

 
REALIZADOR José Barahona ARGUMENTO José Barahona, baseado no romance homónimo de Luiz Ruffato PRODUÇÃO: Luís Alvarães, Fernando Vendrell, Carolina Dias, Mônica Botelho ELENCO Paulo Azevedo, Renata Ferraz, Amanda Fontoura ORIGEM Portugal-Brasil ESTREIA 25.10.2015 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 23.06.2016 (Brasil) VISTO Paris 2016 L'Arlequin NOTA 3/5

22.7.26

Fiddler on the Roof (1971)

CINEMA (Documentário)

 
Norman Jewison, Film Maker (1971)
A televisão do Canadá resolveu fazer um documentário sobre a realização de Fiddler on the Roof, o musical realizado por Norman Jewison. Não fora a existência do mercado de DVDs e a sua exigência de material extra para as edições especiais e dificilmente encontraríamos este interessante documento. Chama-se Norman Jewison, Film Maker (1971) e fornece muitas cenas de filmagens do referido filme mas apenas muito brevemente aborda a carreira do realizador até 1971. VC 7.2016 DVDTECA

Fiddler on the Roof (1971)
Édition Collector 2 DVD 
DVD MGM 2013
DVDTECA

Fame (Alan Parker, 1980)

Anúncios da imprensa
Coleção de João Mestre
Blog Museu do Cinema

REALIZADOR Alan Parker ARGUMENTO Christopher Gore PRODUÇÃO David De Silva, Alan Marshall, M-G-M ELENCO Eddie Barth, Irene Cara, Lee Curreri, Laura Dean, Antonia Franceschi, Boyd Gaines, Albert Hague, Tresa Hughes, Steve Inwood, Paul McCrane, Anne Meara, Joanna Merlin, Barry Miller, Jim Moody, Gene Anthony, Ray Maureen Teefy FOTO Michael Seresin MÚSICA Michael Gore ESTREIA 16.05.1980 (EUA) 23.01.1981 (Portugal) VISTO PV 1981, VC 08.2016 DVDteca 3/5 Paris 30.06.2025 Cinémathèque


Poucos musicais dos anos 80 tiveram tanto êxito, a ponto de originar uma famosa série televisiva e um musical no teatro. No entanto, o argumento de Christopher Gore (nomeado para o Oscar) é muito simples: assistimos às provas de seleção dos estudantes de uma escola de artes do espetáculo em Nova Iorque e, em seguida, à rotina das aulas. A música de Michael Gore contribuiu muito para o sucesso do filme e fez de Irene Cara uma estrela nesse início de década. Pela primeira vez na história dos Oscars, duas canções do mesmo filmes são nomeadas para melhor canção: Fame (Michael Gore e Dean Pitchford) e Out Here on My Own (Michael Gore e Lesley Gore), interpretadas por Irene Cara. Fame recebeu o Oscar e o Golden Globe para a melhor canção. 

Fame (Alan Parker, 1980)

21.7.26

Chico - Artista Brasileiro (Miguel Faria Jr, 2015)

Como não gostar (muito) de um documentário sobre Chico Buarque? Difícil fazer um mau documentário com tal figura. Ele foi e continua a ser o queridinho do Brasil, venerado pelas suas qualidades de cantor, compositor, letrista, escritor, galã, representante da aristocracia intelectual, resistente à ditadura militar e exilado. Este filme intercala depoimentos recentes do próprio Chico, com fabulosas imagens de arquivo e interpretações de músicas suas por artistas de hoje. Os meus preferidos? Carminho, Mônica Salmaso e Adriana Calcanhotto. Os melhores intérpretes de Chico foram quase sempre cantoras. Outro assunto que teve destaque no documentário foi o irmão alemão de Chico, cuja identidade foi recentemente descoberta. Ele foi cantor na Alemanha e terá tido conhecimento de canções do Chico ignorando tratar-se do irmão brasileiro. Este filme merecia a estreia em Portugal, afinal Chico é um dos raros génios vivos da língua portuguesa. Brasil 2016 Salvador 4/5

9.7.26

All That Jazz (Bob Fosse, 1979)

Há meses vi All That Jazz em dvd, agora não perdi a oportunidade de voltar a vê-lo numa sala com um grande ecrã (da cinemateca francesa). Parece que vi outro filme. Ainda melhor. Não creio que depois de All That Jazz tenha surgido um musical mais arrojado e importante. Tal como Woody Allen e Ingmar Bergman, no auge nos mesmos anos 70, Bob Fosse põe a morte no centro da sua obra, mas a partir da arte que ele domina melhor, o showbizz. Arte do entretenimento, arte feita para agradar ao público. A morte toma as formas atraentes de Jessica Lange, que provoca o coreógrafo interpretado por Roy Scheider, que não se deixa intimidar antes a tenta seduzir. Que ideia magnífica de falar do diálogo entre nós e a morte... O filme é extremamente original, mas irregular, e Fosse não recua perante nenhuma fonte que o possa inspirar: alta cultura (Vivaldi), publicidade, televisão, stand-up comedy, musical da Broadway... Os musicais dos anos 60 e 70 parecem ser sempre uma imitação dos musicais da idade de ouro de Hollywood, apenas Bob Fosse consegue evitar essa esterilidade e fazer algo novo, que só poderia ter sido feito no presente (do filme). E o melhor do filme talvez sejam mesmo os números musicais, alguns deles extraordinários. Paris 2017 5/5
All That Jazz é uma comédia musical produzida pela Columbia, com argumento de Robert Alan Arthur e Bob Fosse. Um musical maravilhoso e original sobre a criação artística, a vida e a morte. Filme de autor (coisa pouco comum na comédia musical), semi-autobiográfico, inspirado no filme Federico Fellini's 8½, conta a vida agitada e em permanente crise de Joe Gideon (Roy Scheider), bailarino, coreógrafo e realizador, a braços com graves problemas cardíacos. O filme recebeu a Palme d'Or de Cannes, foi nomeado para nove oscars, tendo recebido quatro, nomeadamente para Ralph Burns pela música. DVD 4/5

4.7.26

Tudo o que Aprendemos Juntos (Sérgio Machado, 2015)

Tudo o que Aprendemos Juntos (Sérgio Machado, 2015)
Um jovem professor de música às voltas com uma turma problemática, num território (favela) mais do que problemático. Um filme sobre uma temática social quente, cheio de boas intenções, carente de boas ideias de cinema. Paris 2016 Les Halles 2/5

28.5.26

Insiang (Lino Brocka, 1976)

O ano cinematográfico não é marcado apenas pelas estreias de novos filmes, mas também pela reposição ou mesmo estreias absolutas de produções do passado. Insiang, do filipino Lino Brocka, é, juntamente com Belladona, a maior revelação do primeiro semestre de 2016. Suponho que seja um filme desconhecido da maioria dos cinéfilos. Foi recentemente restaurado. É um melodrama genial, que está à alturas dos melhores Fassbinder e Mizoguchi. É a história de uma adolescente muito bela, cobiçada pelos machos da favela paupérrima onde vive. Mas os seus carrascos são a mãe e o amante desta. O mais impressionante é este drama íntimo ecoar de forma implacável o estado moralmente deplorável da sociedade. Uma obra-prima. Paris 06.2016:  5/5

24.5.26

Mãe Só Há Uma (Anna Muylaert, 2016)

Mãe Só Há Uma, certo, mas para Pierre, adolescente que fica a saber que foi roubado em bebé à sua família biológica, as coisas não são assim tão claras. De uma família a outra (título francês), de Pierre a Filipe, de rapaz (com as unhas pintadas de azul) a rapariga (veste-se com roupa feminina), a identidade do rapaz não sabe onde estacionar. Mais um bom filme de Anna Muylaert, que também escreveu o argumento. Paris 2016 Le Brady 4/5

22.5.26

Zonda ou Argentina (Carlos Saura, 2015)

O novo filme de Carlos Saura repete o dispositivo formal de Fados, que consiste em gravar em estúdio vários números musicais. Desta vez o destino é a Argentina, mas da sua música não escolheu o tango, que é o bilhete-postal do país, mas o folclore argentino, as canções dos aldeões e dos gaúchos. Nunca tinha ouvido tão belas Zambas e Chacareras, cantadas e tocadas por artistas de eleição. Saura utiliza os mais sofisticados recursos do cinema para dar voz à arte fugaz da canção popular. E assim o seu cinema continua a ser tão político como o fora nas obras-primas dos anos 70. Estreia: 03.2015.  Paris 01.2016 (3/5)

7.5.26

The Country Girl (George Seaton, 1954)

Um trio de ouro (Bing Crosby, Grace Kelly e William Holden) num filme com uma história (de Clifford Odets) inesperada: um ator famoso (Bing Crosby) atravessa uma crise pessoal e profissional aguda, devido à sua insegurança, alcoolismo e depressão. Grace Kelly faz de sua mulher e tem um papel sombrio que lhe valeu o Oscar. E muito estranho ver dois ícones da comédia romântica e musical, como Kelly e Crosby, interpretarem um casal mergulhado na depressão e na miséria. Ainda assim, o filme pode ser considerado um (drama) musical, pois Crosby canta quatro canções assinadas por Harold Arlen e Ira Gershwin. O filme foi nomeado para sete óscares: ganhou dois (atriz e argumento) e perdeu os outros cinco (incluindo melhor filme, ator e realizador) para On the Waterfront (Elia Kazan). Foi uma derrota justa, pois o filme de Kazan é muito melhor do que o de Seaton. VC 2016 DVD 3/5