Uncut Gems é o terceiro filme que vejo de Benny and Josh Safdie e o mesmo estado de ansiedade se apodera sempre de mim perante uma história que obceca os irmãos Safdie: a queda inelutável de um homem jovem que toma as decisões erradas, é certo, e o destino encarrega-se de sabotar-lhes todas as oportunidades de sucesso. Nesse sentido as histórias dos Safdies são um tanto sádicas e põem o espectador na posição desconfortável de testemunhar os sucessivos tombos do protagonista. Por esse motivo já evitei os outros filmes dos Safdies. Mas o filme é excelente, provavelmente o melhor dos realizadores, com uma interpretação assombrosa de Adam Sandler, merecedora no mínimo de uma nomeação ao Oscar. Com Kevin Garnett, Lakeith Stanfield, Julia Fox, Idina Menzel e Eric Bogosian, A BSO é de Daniel Lopatin. Recebeu o prémio New York Film Critics Circle Best Director e foi considerado um dos 10 melhores filmes do National Board Review. Vila do Conde 02.2020 Netflix 3/5
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18.2.20
16.3.15
Inherent Vice (Paul Thomas Anderson, 2014)
Paul Thomas Anderson é um dos realizadores americanos mais ambiciosos. Como os escritores que tentam escrever o grande romance americano (e alguns acabam conseguindo), Anderson tenta com os seus filmes fazer um retrato abrangente da sua América. Desta vez adaptou um desses grandes escritores conterrâneos, Thomas Pynchon, e fez um filme forte, marcante e complexo. O problema é que o enredo é complexo demais, pois com duas horas de filme continuam a surgir personagens novas, cada uma mais excêntrica do que outras. E por vezes tive a impressão de que a tecla da excêntricidade faz cair o filme para um exibicionismo gratuito. Tal como o protagonista Joaquin Phoenix, excelente mas cabotino, que tem uma personagem difícil de compor. Mas gostei muito de ver o filme, apesar destes senões. Paris FQL 3,5/5
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