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12.3.23

Abdellatif KECHICHE

Tunis 1960

1º LA FAUTE À VOLTAIRE (2000)

2º L'ESQUIVE A Esquiva (2004)
DVDteca

3º LA GRAINE ET LE MULET (2007)*****
Paris: UGC Les Halles 2007

4º VÉNUS NOIRE (2010)****
Paris: Hautefeuille 2010

5º LA VIE D'ADÈLE (2013)
Abdellatif Kechiche assina mais uma obra-prima do cinema francês contemporâneo: La vie d'Adèle (2013), Palma de Ouro deste ano em Cannes. É um grande filme na tradição realista francesa, e na primeira parte remete para o filme francês que também ganhou a palma de Ouro em 2008, Entre les murs (A Turma) de Laurent Cantet, com as magníficas cenas num típico liceu francês. Em que outra cinematografia podemos ver um retrato da vida estudantil ou mesmo da escola primária (na parte final do filme) com este sentido documental que nada sacrifica ao espetáculo?
Mas se o filme é muito bom na abordagem dos grupos e relações sociais (entre colegas, familiares e classes), é ainda melhor no retrato que faz da personagem principal, Adèle, que vai descobrindo a sua sexualidade de adolescente e jovem mulher e as convulsões do seu coração.
Mais uma vez, como nos dois filmes anteriores de Kechiche (os únicos que conheço), uma mulher é a protagonista e o que acontece ao seu corpo está no centro da história que se quer narrar. Parece que a teoria dos autores foi inventada para dar conta da obra de Kechiche, tais são as recorrências de filme para filme.
Toda a gente fala das cenas de sexo do filme, e na sessão a que assisti, no cinema Saint-Germain des Près, no bairro dos intelectuais parisienses, uma série de mulheres soltava volta e meia umas risadinhas e uns comentários. Era uma forma de espantar o incómodo de verem duas maravilhosas mulheres feitas (física e espiritualmente) numa só, num acto sexual longo e cru. Não há nada a fazer: nunca se viu nada assim no cinema mainstream e independente, seja de que país for.
Por fim, a atriz que É o filme, Adèle Exarchopoulos. O filme, de três horas, passa o tempo todo a "scanner" o seu rosto, em busca das intermitências do seu coração. Não foi para isso que inventaram o cinema, para concentrar toda a vida num rosto? Para utilizar uma metáfora ecológica na ordem do dia, Adèle é um tsunami. Lembro-me de outro semelhante: Sandrinne Bonnaire, em À nous amours, de Pialat. Só espero que Adèle tenha a mesma sorte de Sandrinne e não seja um cometa brilhantíssimo que passou fugazmente nos nossos écrans. Paris 11.2013 Saint-Germain des Près 5/5
DVDteca DVD Artifcial Eye (GB)

6º MEKTOUB, MY LOVE: CANTO UNO (2017)

Kechiche filma um grupo de jovens em férias, no sul de França, na praia, nos bares, na discoteca. A dimensão documental é evidente: o comportamento masculino mas também o feminino revela-se à câmara (e ao olhar do protagonista, Amin) banhado em muita, muita luz. Nada é para ser escondido, tudo é para ser experimentado. O olhar de Amin (que é o olhar do realizador, até certo ponto) nunca julga, antes se deleita e maravilha-se com a força criativa da vida, seja a dos amigos seja a das ovelhas que fotografa a dar à luz. Talvez seja o melhor filme de Kechiche, é uma obra-prima certamente. Paris 03.2018 Bercy (5/5)


7º MEKTOUB, MY LOVE: INTERMEZZO (2019)

REAL. Abdellatif Kechiche ARG Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix ELENCO Shaïn Boumedine, Ophélie Bau, Salim Kechiouche, Hafsia Herzi ESTREIA 23.05.2019 (F. Cannes, sessão única) Nunca estreado

8º MEKTOUB, MY LOVE: CANTO DUE (2025)

REAL. Abdellatif Kechiche ARG Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix ELENCO Shaïn Boumedine, Ophélie Bau, Salim Kechiouche, Hafsia Herzi, André Jacobs, Jessica Pennington ESTREIA 9.08.2025 (F. Locarno) 3.12.2025 (França) VISTO Paris 10.12.2025 Bastille 3.5/5