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2.8.26

Total Eclipse (Agnieszka Holland, 1995)

Não é um grande filme, mas tem três coisas notáveis. Primeiro, a história da paixão violenta entre dois enormes poetas, Rimbaud e Verlaine. Segundo, o argumento de Christopher Hampton, que adapta para cinema a sua própria peça de 1967. Terceiro, os atores, que encarnam de forma inesquecível Rimbaud (Leonardo DiCaprio) e Verlaine (David Thewlis). ESTREIA 18.05.1995 (F. Cannes) 7.08.1998 (Portugal) VISTO Porto 08.1998 AMC & VC DVDTECA 12.2017 3,5/5
Polónia

Frantic (Roman Polanski, 1988)

Nunca me esqueci deste filme, que apenas vi quando estreou nos anos 80. No entanto, não é um filme muito inspirado. Um casal de americanos chega a Paris e logo nas primeiras horas da estadia, a mulher desaparece. O marido (Harrison Ford) não descansará enquanto não encontrar a mulher, com a ajuda de uma passadora de droga (Emmanuelle Seigner). Paris 01.2017 Christine 21 NOTA 3/5
Polónia

11 Minuit (Jerzy Skolimovsky, 2015)

O virtuosismo de Skolimovski nunca foi tão flamejante. Vistoso mesmo. Ele apodera-se dos recursos antigos e modernos do cinema como se fossem um brinquedo nas mãos de uma criança curiosa e hábil. Mas tudo isso para quê? Aí está o limite do seu filme. Para contar 11 minutos da vida de uma série de personagens que se cruzam no momento trágico final. Mas o melhor ficou para depois do final da história. O último plano é assombroso, é preciso vê-lo. Paris 05.2017 Max Linder 3/5

31.7.26

Histórias de amor duram apenas 90 minutos (Paulo Halm, 2010)

 
Apesar do belo elenco encabeçado por Caio Blat e Maria Ribeiro, o filme parece-me bem desinteressante. Narra a história de um jovem escritor numa fase crítica de inspiração, que começa também a pôr em causa o seu casamento, imaginando que a sua mulher o trai... com outra mulher. Um ménage à trois narrado a traço grosso, sem qualquer graça. VC 10.2017 TV 2/5

28.7.26

The Party (Sally Potter, 2017)

Janet (Kristin Scott-Thomas) é eleita para o governo britânico e resolve dar uma festa para os amigos mais próximos. Mas a festa azeda rapidamente com as revelações feitas por um dos convidados... Além de ter realizado The Party, Sally Potter também escreveu o argumento, que prima pela facilidade satírica e por surpresas previsíveis. Com um texto tão fraco, os atores (que são a razão pela qual fui ver o filme) não conseguem dar o seu melhor. Grandes atores como Timothy Spall e Cillian Murphy espalham-se ao comprido, Patricia Clarkson é a víbora e a cínica de serviço, Talvez Scott-Thomas seja a que se sai melhor. Além destes há ainda Bruno Ganz (o estrangeiro), Cherry Jones e Emily Mortimer (as lésbicas). Uma festa e um filme falhados. Paris 2017 Les Halles 2,5/5

Hair (Milos Forman, 1979)

Hair centra-se num pequeno grupo de hippies que vivem em Nova Iorque. Um dia encontram um jovem do interior do país que vai cumprir o serviço militar (os EUA estão em guerra), com o qual nada têm em comum. Porém, a amizade vai nascer entre eles. O filme consegue ser ao mesmo tempo uma crítica aos poderes instituídos e uma crítica ao próprio movimento hippie. Há números muito inspirados como o dos black boys/white boys  e a sequência final. Todavia, apesar do talento de Milos Forman, este filme parece-me um tanto datado, ou o problema sou eu, pois não me atrai minimamente o fenómeno hippie.. Paris 06.2017 cinema Champo 3,5/5

Carousel (Henry King, 1956)

Caso para dizer, Carousel, o musical de Rodgers and Hammerstein (1945), é muito superior à sua adaptação cinematográfica pela Fox, com realização de Henry King. Isso acontece muitas vezes com os musicais. Em Carousel, estão duas das minhas canções americanas preferidas: Soliloquy e You'll Never Walk Alone. Competentes, os protagonistas Gordon MacRae e Shirley Jones não ficam na memória e resta-nos sonhar com a participação de Frank Sinatra, que estava prevista para ser o protagonista mas que ele à última hora recusou. Vila do Conde DVD 3/5

27.7.26

Perdidos (Sérgio Graciano, 2017)

PERDIDOS (Sérgio Graciano, 2017)
Estreia em Portugal: 18/05/2017


Os filmes industriais portugueses, de produtor (no caso Leonel Vieira), são mais raros do que os filmes de autor (realizador) e injustamente ignorados (e por vezes vilipendiados) pela crítica e público bem-pensantes. Para quê bater num cinema que é minoritário e nunca anda a passear pelos festivais? Eu prefiro ver, mesmo que seja para confirmar que as coisas não correm bem para os lados do cinema mainstream. Perdidos é um remake (disseram-me) de um filme estrangeiro, sobre uns amigos que ficam perdidos em alto-mar, junto ao barco deles, mas para o qual não podem subir. Ou seja, Leonel Vieira aposta num thriller de apelo popular (com atores de telenovela) e realização eficaz mas apenas funcional, para fugir um pouco ao monopólio das comédias. Mas são estas que atraem o grande público. PV 13.07.2017 CT Garrett 2/5

26.7.26

The Court Jester (1955)

Folheto da reposição do filme 20/12/2017

Danny Kaye é uma das grandes estrelas das comédias e dos musicais de Hollywood, e The Court Jester é certamente um dos seus melhores filmes. Gostei muito de o ver nesta comédia musical que vive sobretudo dos incríveis diálogos e das situações cómicas valorizadas por grandes atores (Cecil Parker, Edward Ashley, Glynis Johns, Basil Rathbone, Angela Lansbury, Mildred Natwick, Robert Middleton, Michel Pate, John Carradine). Penso tratar-se antes de mais de uma comédia s
washbuckler (capa e espada) com canções (de  Victor Schoen). O filme foi produzido, escrito e realizado por Melvin Frank e Norman Panama e trata de uma corte inglesa minada pela corrupção e pela ambição, que tem no trono um rei ilegítimo, que vai ser deposto por um bando de ciganos da floresta que têm com eles um bebé que é o verdadeiro rei. Danny Kaye infiltra-se na corte como bobo do rei e resolve as coisas à sua desconcertante maneira, por vezes sob o efeito do poder da feiticeira local. O filme foi felizmente reposto em versão restaurada na sala parisiense Ecoles 21, distribuído pela Swashbuckler Films. Paris 12.2017 Ecoles 4/5
Le Bouffon du Roi
Estreia versão restaurada
20 de dezembro de 2017
Distribuidor: Swashbuckler Films
Sala: Écoles 21 (Paris 4e)

The Phantom of the Opera (Joel Schumacher, 2004)

A principal qualidade da adaptação ao cinema do famoso musical de Andrew Lloyd Webber (1986), é precisamente dar a conhecer o musical de Webber, para aqueles que nunca puderam vê-lo em cena. A realização de Joel Schumacher é funcional, pois permite que os números musicais se sucedam de forma elegante e sem grandes ousadias técnicas na arte de filmar, que costumam perturbar a fruição da música. E a música de Webber é o melhor do filme, claro. Webber tem o génio melódico de Puccini, adaptado ao gosto musical dos dias de hoje (só não gosto quando os arranjos desviam as músicas para a seara do rock). Por fim, gostei particularmente da espetacular cena da queda do candeeiro, que teve de ser feita logo à primeira, pois a sala utilizada nas filmagens seria realmente destruída nessa cena. Tudo isso é explicado nos extras do dvd. VC 8.2017 DVDteca 3,5/5

Laurent et Safi (Anton Vassil, 2017)

É a primeira vez que vejo um filme da produção industrial popular de alguns países da Africa central. Fui vê-lo por tratar-se de um musical, uma espécie de musical kizomba se é que tal existe. Na verdade, é uma co-produção entre a França e o Mali e a ação passa-se inteiramente em Paris. A história retoma Romeu e Julieta, ou melhor, West Side Story, na qual Laurent, um quadro francês da classe média alta, incentivado pelos amigos, pretende conquistar uma jovem africana que conheceu pela internet, mas acaba por apaixonar-se por ela. A oposição da família e do meio social em que cada um vive à relação dos dois é fortíssima e tem contornos racistas evidentes. O argumento peca por ser simplista e típico das piores telenovelas mas revela verdades da sociedade francesa que podem chocar os mais desprevenidos. Quais são as maiores qualidades do filme? Alguns caracter actors, como o dândi africano que aparece com os fatos mais incríveis que eu já vi e acima de tudo, as sequências musicais, que são bem conseguidas. Paris 09.2017 Sala Espace Saint-Michel 2,5/5

22.7.26

Footloose (Herbert Ross, 1984)

Footloose (Herbert Ross, 1984)
Estreia nos EUA: 17/02/1984

Estreia em Portugal: 21/09/1984
 FOOTLOOSE - A MÚSICA ESTÁ DO TEU LADO

Estreia no Brasil: 13/07/1984
FOOTLOOSE - RITO LOUCO

Footloose respira os anos 80 por todos os poros. Tornou-se um filme de culto para os jovens desses anos e até deu origem a um musical em 1998 e a um remake em 2011. A música tem um papel de grande relevo em todos estes Footlooses, mas só conheço a banda sonora do filme de 1984, que tem hits como "Footloose", "I'm Free", "Holding Out for a Hero", "Girl Gets Around", "Let's Hear It for the Boys", "Somebody's Eyes". Nada disto é do meu gosto, são canções do rock americano menos interessante que se fazia na altura. Mas a música também tem um lugar central na história de Footloose. Um rapaz (Kevin Bacon) criado em Chicago vai viver para uma pequena povoação conservadora ao ponto de proibir aos seus jovens todo o género de bailes e a leitura de determinados livros (como o clássico Tom Sawyer). Ele e vários amigos (Lori Singer, Chris Penn, Sarah Jessica Parker) vão lutar para organizar um baile de debutantes, sobretudo contra o reverendo da povoação (John Lihtgow). Este filme tem o seu grande trunfo nos atores, pois quase todos fizeram carreiras interessantes. Gostei particularmente de ver Dianne Wiest e Sarah Jessica Parker. VC 2017 DVDTECA 3/5

21.7.26

Axé: Canto Do Povo De Um Lugar (2016)

V2017 agosto, Salvador 4/5

Axé é um dos meus documentários preferidos deste ano. Como documentário é pouco mais do que competente, mas o que ele revela sobre um movimento musical tão mal compreendido é significativo. O axé, que se tornou o género mais popular da música brasileira nos anos 90, tinha já um rico passado com excelentes artistas que no entanto nunca ficaram muito conhecidos fora da Bahia. E foi bom conhecer a relação estreita entre o axé e as culturas africanas, e entre o axé e a sociedade de Salvador: durante alguns anos o axé era extremamente popular entra a população negra e mulata de Salvador, antes de conquistar o Brasil. 

9.7.26

Martírio (Doc. 2017)

Este documentário de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita, sobre a luta dos índios Guarani-Kaiowá para recuperar as suas terras de origem é simplesmente excelente. Todo o passado do Brasil e o presente mais recente são convocados para contar uma história marcada pelo sofrimento e pelo exílio. Os realizadores percorrem os momentos históricos da relação entre o poder político e as comunidades indígenas e as tentativas de domesticação (assimilação, aculturação, emancipação) do indígena. Tudo está em aberto e a sorte do índio está nas suas mãos e nas mãos dos outros brasileiros. Muito bom. Paris 2017 novembro 4,5/5

A Cidade do Futuro (Cláudio Marques e Marília Hughes, 2015)

As fragilidades deste filme não conseguem diminuir o interesse da história que é contada e a galeria das personagens maravilhosas interpretadas por Mila Suzarte, Gilmar Araújo e Igor Santos, que têm uma relação amorosa a três. Em breve serão quatro, pois vão ter um bébé com o qual pretendem formar uma família. Mas isto não se passa em São Paulo mas em Serra do Ramalho, interior da Bahia. A união amorosa dos três jovens acaba por ser mal recebida na cidade (são marginalizados, Mila é demitida, Igor é espancado). Mas contra todos os preconceitos, eles resolveu ficar juntos na cidade onde cresceram. Paris 2017 3,5/5

Mate-me Por Favor (Anita Rocha da Silveira, 2015)

No contexto da cinematografia brasileira esta primeira longa-metragem tem alguma originalidade. Não por incidir sobre adolescentes, mas por enveredar por um thriller sobre um crime pouco abordado no cinema brasileiro: o assassino em série em contexto urbano. No bairro da Tijuca um grupo de adolescentes andam perturbados com a morte de várias jovens em terrenos abandonados perto da escola onde estudam. Mas essas mortes tanto assustam como fascinam as adolescentes, que tentam saber os pormenores do que aconteceu às vítimas. O retrato desta juventude carioca de classe média, média-alta, é impressionante de sugestão. Frívolos, hedónicos, conservadores, transgressores, misteriosos, assim são estes adolescentes que dançam e louvam a Deus ao som do baile funk e da dance music dos anos 80 (será realista este pormenor?). Se refiro a música é porque foi um dos elementos que mais agradaram no filme, que privilegia a música negra em várias das suas vertentes. Esta nova realizadora promete muito. Paris 2017 3,5/5

Não Devore Meu Coração (Felipe Bragança, 2017)


O que eu mais gosto deste filme é a sua ambição. Quer ser grande, quer ir mais além. Parte de uma história surrada, a de Romeu e Julieta (adolescentes como os personagens de Shakespeare), cujas famílias se odeiam. Essa animosidade assume neste filme uma herança secular que opõe os brancos brasilerios aos índios paraguayos na zona de fronteira entre o Brasil e o Paraguai. O filme fica aquém da sua ambição, mas sobram cenas impressionantes, como as passadas no rio ou na estrada entre os motoqueiros. Paris 10.2017 FCBP 3,5/5

All That Jazz (Bob Fosse, 1979)

Há meses vi All That Jazz em dvd, agora não perdi a oportunidade de voltar a vê-lo numa sala com um grande ecrã (da cinemateca francesa). Parece que vi outro filme. Ainda melhor. Não creio que depois de All That Jazz tenha surgido um musical mais arrojado e importante. Tal como Woody Allen e Ingmar Bergman, no auge nos mesmos anos 70, Bob Fosse põe a morte no centro da sua obra, mas a partir da arte que ele domina melhor, o showbizz. Arte do entretenimento, arte feita para agradar ao público. A morte toma as formas atraentes de Jessica Lange, que provoca o coreógrafo interpretado por Roy Scheider, que não se deixa intimidar antes a tenta seduzir. Que ideia magnífica de falar do diálogo entre nós e a morte... O filme é extremamente original, mas irregular, e Fosse não recua perante nenhuma fonte que o possa inspirar: alta cultura (Vivaldi), publicidade, televisão, stand-up comedy, musical da Broadway... Os musicais dos anos 60 e 70 parecem ser sempre uma imitação dos musicais da idade de ouro de Hollywood, apenas Bob Fosse consegue evitar essa esterilidade e fazer algo novo, que só poderia ter sido feito no presente (do filme). E o melhor do filme talvez sejam mesmo os números musicais, alguns deles extraordinários. Paris 2017 5/5
All That Jazz é uma comédia musical produzida pela Columbia, com argumento de Robert Alan Arthur e Bob Fosse. Um musical maravilhoso e original sobre a criação artística, a vida e a morte. Filme de autor (coisa pouco comum na comédia musical), semi-autobiográfico, inspirado no filme Federico Fellini's 8½, conta a vida agitada e em permanente crise de Joe Gideon (Roy Scheider), bailarino, coreógrafo e realizador, a braços com graves problemas cardíacos. O filme recebeu a Palme d'Or de Cannes, foi nomeado para nove oscars, tendo recebido quatro, nomeadamente para Ralph Burns pela música. DVD 4/5