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20.10.16

Cinema FRANÇA 1944

Le Voyageur sans bagage (Jean Anouilh, 1944)
Le Voyageur sans bagage é uma peça famosa de Jean Anouilh, criada em 1937 pelo encenador Georges Pitoeff no Théâtre des Mathurins. Anouilh decidiu em boa hora fazer uma versão cinematográfica da peça em 1944 e saiu-se bem. Eu conhecia a peça, um clássico da dramaturgia francesa, e foi essa a razão que me levou a ver um filme de que nunca ouvira falar. Um ex-soldado amnésico, depois de algum tempo recolhido num asilo, toma conhecimento de uma família que vê nele um parente desaparecido na guerra. Mas o soldado descobre que no passado foi uma pessoa malquista por todos e resolve renegar o passado que lhe atribuem e que ele não reconhece e opta por ser adotado por um órfão. Como se vê, com uma história destas não se recusa nem ir ao teatro nem ao cinema. Produção da Éclair-Journal. Paris 10.2016 Le Desperado 3/5

15.12.15

Marius (Marcel Pagnol, 1931)

Um clássico do cinema francês que inicia uma trilogia marselhesa (Marius, Fanny e César), agora reposta nas salas. O filme tem origem numa peça de teatro de grande sucesso de Marcel Pagnol, e foi realizado por este e por Alexandre Korda. Um jovem hesita entre o casamento e o apelo da vida de marinheiro. O mais interessante é a relação entre pai e filho, que não é muito tratada no cinema. Como protagonistas, dois grandes atores franceses: Raimu e Pierre Fesnay. Paris 12.2015 Le Champo 3,5/5

20.1.14

Maurice TOURNEUR

LA MAIN DU DIABLE (1943)

Não tenho memória de ter visto antes um filme de Maurice Tourneur, um importante realizador francês que trabalhou durante muitos anos nos Estados Unidos e legou a este país um dos seus maiores realizadores, o meu muito amado Jacques Tourneur. No mesmo ano em que este fazia Cat People (clássico absoluto do cinema, talvez o filme que eu vi mais vezes), o pai realizou La main du diable na França ocupada (pelos alemães), na produtora Continental, criada pelos nazis para entreter os franceses enquanto os subjugavam. Tal como Cat People, é um filme fantástico e negro, bem aclimatado aos tempos que se viviam. Foi um sucesso de público, mas os motivos desse sucesso (o fantástico) hoje não nos impressionam. Gostei sobretudo dos diálogos, por vezes muito crus como não se vê no cinema dessa época, e gostei da utilização do preto e branco e do jogo de sombras que tornam o filme um parente do cinema negro americano. Mas ver este filme apenas confirmou que o cinema clássico francês raramente voa às alturas do cinema americano seu contemporâneo. Argumento de Jean-Paul Le Chanois, adaptação de Gérard de Nerval. Paris 01.2014 Le Desperado 3/5