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18.8.23

Edouard LEVÉ

Neuilly-sur-Seine 1965-2007

Œuvres (P.O.L. 2002)
Journal (P.O.L. 2004)
Autoportrait (P.O.L. 2005)
Suicide (P.O.L. 2008)
Inédits (P.O.L, 2022)
Texte présenté par Thomas Clerc) 

Suicide (2008)
P.O.L. 2008
Leitura**** 

4.1.22

Une Mort Irrégulière (Béatrix Beck, 1950)

Breve romance que enaltece a figura da mulher nos anos 40, anos de guerra. As mulheres ficaram em casa (os homens na guerra) e não cabem mais no papel de esposas e mães dóceis que muitas vezes lhes cabiam. Mostram outras facetas mais cruéis e pragmáticas. A protagonista é estrangeira em França e em breve fica viúva (o homem, de origem russa, morre na guerra) e tem inimigos em todo o lado: autoridades, vizinhos, senhorios. Interessante. Paris 2021 3/5

25.5.21

La familia grande (Camille Kouchner, 2021)

Camille Kouchner expõe um acontecimento da sua adolescência de carácter íntimo que ela calou durante muitos anos. O seu irmão gémeo foi sexualmente molestado pelo padrasto e ela sabia e guardou segredo. A relação de Camille com a família, sobretudo com a mãe, nunca mais foi a mesma. É um romance de família, mais confessional do que a maioria, mas igualmente impressionante. Melun 2021 3,5/5

9.1.21

Hammerklavier (Yasmina Reza, 1997)

Breves textos sobre a família, amigos e conhecidos da narradora (Reza). Os temas universais do ser humano são abordados através de histórias pessoais, quase anedóticas, mas onde cada ser se revela na sua individualidade. Espanha (de passagem) 2020 (3/5) 

25.9.20

Sur la mer (hubert mingarelli, 2003)

Uma novela passada no mar, entre marinheiros (profissão do autor durante três anos). No barco há um cão, Giovanni, que está no local há mais tempo do que quase todos os marinheiros. Essa personagem dá vida a uma rotina que ameaça instalar o tédio entre os marinheiros e no leitor. Um livrinho sem chama. Paris 2020 (1,5/5)

12.6.20

L'Enfance de Bécassine (Caumery e Joseph Pinchon, 1913)

Bécassine é uma personagem de banda desenhada, que nasceu em 1905 na revista para raparigas La Semaine de Suzette. Tornou-se muito popular mas também polémica até hoje, pois é uma criada da Picardie (ou da Bretanha, mais tarde) ingénua e simples, que de alguma forma representa o senso comum do início do século 20. O desenho (o original é de Joseph Pinchon) tem o charme da época e Bécassine é conhecida por não aparentar ter boca, ou tem apenas um ponto no seu lugar. Esse facto tem suscitado múltiplas interpretações, nem sempre abonatórias para a popularidade da personagem. Melun 2020 (3/5)

Le Fauteuil hanté (Gaston Leroux, 1909)

Le fauteuil hanté (1909) é o quinto romance de Gaston Leroux, um romance popular publicado inicialmente na imprensa (roman-feuilleton). O que mais me agradou no romance foi o seu humor, que eu não associava a Leroux (autor de Le Fantôme de l'Opera). Um membro da Academia Francesa morre e tem de ser substituído, mas os três candidatos morrem um a um antes de assumir a condição de Imortal. Mistério... Tudo acabará com a eleição bem sucedida de M. Gaspard Lalouette, que tem a particularidade de não saber ler... Os melhores momentos são aqueles em que M. Lalouette e Hippolyte Patard têm de superar os obstáculos para acabar com a maldição da poltrona académica, que é o centro da atenção e comoção pública. Paris 2020 (3,5/5)

6.12.19

L'homme-sœur (Patrick Lapeyre, 2004)

Cooper, um homem solitário, vive obcecado pela irmã, ausente em parte incerta na América. Tão obcecado que pouco a pouco se fecha em casa, não aparece no emprego, como se a irmã pudesse ligar ou chegar a qualquer momento. Mas é uma amiga americana da irmã que aparece para lhe dar notícias dela. O melhor é mesmo o estilo de Lapeyre, simples e límpido mas nunca banal. Vila do Conde 3,5/5

17.8.19

La Démence du boxeur (François Weyergans,1992)

Um homem de 80 anos compra a casa da família, onde passou a infância. Tornou-se num produtor de cinema famoso e rico, os entes mais chegados já morreram mas não morreu o desejo de possuir a casa. Então, enquanto visita a casa conta-nos a sua história de vida, pessoal e profissional. Um romance pouco interessante (mas que recebeu em 1992 o Prix Renaudot). Bahia 2/5

27.7.19

Les chemins de la mer (François Mauriac, 1939)

Les chemins de la mer, não sendo dos melhores romances de Mauriac, apresenta mesmo assim uma história e personagens cativantes (e até certo ponto, recorrentes do seu universo ficcional). O chefe de uma família terratenente, rica, suicida-se e segue-se a falência da casa. A viúva e os filhos reagem à pobreza de forma diferente, mas todos são afetados negativamente pela nova situação. A viúva acaba por morrer pouco depois, o filho mais velho cai numa doença sem fim à vista, a filha Rose emprega-se numa livraria (e vê anulado o casamento com um jovem de boas famílias) e o filho mais novo casa-se com a filha dos antigos caseiros da família, que são os únicos que beneficiam da falência dos patrões... Não há neste romance a abordagem da luta de classes mas a diferenciação das classes e as estratégias da sua manutenção estão no centro da narrativa... Salvador da Bahia 4/5

20.8.18

Caresse de rouge (Eric Fottorino, 2004)

O diretor de uma agência de seguros perde o filho pequeno num acidente de automóvel e a sua vida bascula. A mãe abandonou a criança durante dois anos aos cuidados do pai, que redobrou de amor e carinho, a ponto de se fazer passar por mulher para que filho sentisse a presença da mãe em casa. O desenlace da história é patético e trágico. Caxinas 2/5

20.7.18

Aux fruits de la passion (Daniel Pennac, 1999)

Thérèse e Marie-Colbert (sim, é um homem) vão casar, mas o irmão de Thérèse opõe-se ao casamento e tudo faz para o impedir. Thérèse casa-se, perde a virgindade e os poderes de vidente, e foge do marido na noite de núpcias. O marido é encontrado morto... Daniel Pennac assina uma comédia policial rocambolesca, um folhetim (foi inicialmente publicado num jornal) pertencente à saga da tribo Malaussène, que vive em Belleville, bairro multiétnico de Paris. Aux fruits de la passion lembra mais uma série televisiva ou um filme de série B. Divertido e ligeiro. VC 2,5/5

13.9.16

Jour de Souffrance (Millet, 2008)

Catherine Millet é uma famosa crítica de arte. Mas ficou conhecida pelo grande público com a narrativa (récit) La Vie sexuelle de Catherine M. De certa forma, Jour de Souffrance é uma narrativa, igualmente autobiográfica, que dialoga com aquele famoso livro, ao tratar de um tema suscitado pelas reações dos leitores: o ciúme. Catherine Millet escreve, num francês soberbo, sobre o seu corpo, sobre as relações mais prolongadas com alguns homens, sobre a sua vida real e sonhada, ambas importantes. O livro é mais um exemplo de grande qualidade da autoficção à francesa. Muito bom. Paris 4/5

21.7.16

Simone de Beauvoir. Ecrire la liberté (2008)

Bastou um livro, Le Deuxième Sexe (1949), para tornar célebre Simone de Beauvoir. Essa obra está na origem do movimento feminista internacional: quantas obras têm esse mérito, dar origem a uma nova forma de ver o mundo e, por conseguinte, de mudá-lo? Esta breve biografia de Beauvoir, escrita por Jacques Deguy e Sylvie Le Bon de Beauvoir, é uma excelente introdução à vida e à obra da escritora, que começou por escrever romances e foi consagrada com o prestigiado prémio Goncourt em 1954 por Les Mandarins. Reconheço que não fiquei com vontade de ler os romances de Beauvoir, mas sim os ensaios e os livros autobiográficos como Mémoires d'une jeune fille rangée (1955). Mas a sua vida privada (a relação sui generis com Sartre), a sua procura de intervenção militante social em vários momentos charneira da sociedade francesa, e a sua paixão pelas viagens, são outros aspectos abordados no livro com a devida atenção. Caso para dizer: não apenas a obra mas também a vida de Simone de Beauvoir marcaram o século XX. PV 2016 4/5

6.5.16

La mare au diable (George Sand, 1845)

La mare au diable é um dos romances campesinos de George Sand, escrito em escassos quatro dias e que obteve um grande sucesso. Ainda hoje é continuamente reeditado. A autora decide virar as costas a uma certa tradição iconográfica que representa o campo sob a foice da Morte. Pretende antes contar uma história de amor entre as gentes simples do campo, que inclui o amor entre pais e filhos, num quadro idílico e imperturbável pelos acontecimentos do mundo. E o amor à natureza e aos animais também está presente neste romance, que por todos estes elementos justifica o seu lugar na literatura do romantismo. Bela obra. Madrid/Paris 3/5

22.3.16

Les Anges noirs (Mauriac, 1936)

Le sagouin, Thérèse Desqueyroux, Génitrix e Les Anges noirs. São esses os romances que li de François Mauriac, prémio Nobel, sempre com devoção e encantamento. Comecei por ser atraído pelo estilo do autor, mas logo de seguida o universo das suas histórias acabaram por me conquistar. Histórias passadas entre a burguesia rural, terratenente, e as alianças familiares para manter ou aumentar o poder. E histórias sobre aqueles que entravam essas engrenagens. Em Les anges noirs, Gabriel Gradère escreve uma confissão que envia a um padre de Liogeats onde vive o seu filho Andrés. Teve uma vida dissoluta e marcada pelo Mal. Mas o pior está para vir. Viaja para Liogeats onde vai resolver pelo crime uma disputa familiar que ameaça a ruína de seu filho. A intriga lembra uma soap de província mas o estilo e a força literária das personagens acabam por prevalecer. Paris 4/5

16.1.15

La déclaration (Lydie Salvayre, 1990)

La déclaration é o primeiro romance de Lydie Salvayre, que recebeu o prémio Goncourt 2014 com Pas Pleurer. La déclaration começa com um texto violentíssimo escrito pelo narrador dirigido à mulher. Depois da separação este homem afunda-se na solidão e num estado de perturbação mental que leva ao seu internamento. 
A trama não é nada original, mas o estilo da autora é impecável. A capa, com um pormenor de Triptyque de Francis Bacon, é excelente. Paris 3/5

11.7.14

Éric Fottorino


Éric Fottorino é um jornalista e escritor francês muito conhecido. Durante muitos anos trabalhou no jornal Le Monde, inclusive em funções de direção. Li dois livros dele, Baisers de cinéma (2007, tradução portuguesa Beijos de Luz, Teorema 2008) e L'Homme qui m'amait tout bas (2009). Com o primeiro ganhou o prémio Fémina. Li-o porque a história é sobre um homem "qui doit son existence à un baiser de cinéma", tinha-lhe dito o pai, um diretor de fotografia da Nouvelle Vague. O protagonista vai então aos cinemas de arte e ensaio de Paris, à procura de um rosto, o de sua mãe que supostamente fora atriz. É uma trama à Modiano (de que eu tanto gosto), mas embora Fottorino seja um bom escritor, não tem uma voz pessoal vincada. O que confirmei no livro que li este ano, L'Homme... dedicado ao pai do autor. É uma bela homenagem ao pai. Parece uma longa carta escrita ao falecido pai. Baisers de cinéma 2,5/5 L'Homme qui m'amait tout bas 2/5