Pois é. Finalmente leio uma obra da grande Ruth Rendell. O Senhor da Charneca (PEA «Clube do Crime» 2006) é um romance policial passado numa pequena povoação inglesa dominada pela charneca, que é em si uma personagem. Várias mulheres são encontradas mortas na charneca e o principal suspeito, num primeiro momento, é o protagonista, que é uma autoridade da charneca, escrevendo sobre a mesma num jornal local. Ele parece gostar mais da paisagem do que da própria mulher ou de que qualquer outra pessoa. Na charneca ele costumava brincar com um amigo de juventude, e juntos exploraram alguns lugares inacessíveis, aventuras que o marcaram a ponto de a saudade do amigo surgir com uma dimensão homoafetiva muito clara. Aliás, o romance tem na sugestiva descrição psicológica das personagens uma das suas melhores qualidades. Paris 2018: 3,5/5
